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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Mídia, educação e direitos humanos

Comunicação e direitos humanos Fenômeno universal e inerente ao ser humano, a comunicação é das habilidades desenvolvidas pelo homem, na qualidade de ser sociável, a mais significativa de todas. Muito mais que o simples e mecânico ato de transmissão de pensamentos e idéias, seja por meio da palavra ou de qualquer outro meio de linguagem, comunicar-se é colocar em prática, um dos direitos humanos de natureza individual e coletivo, mais fundamentais e imprescindíveis ao desenvolvimento da vida em sociedade. Por essa razão, há décadas, o tema da comunicação vem sendo introduzido nos debates promovidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), organismo da ONU, como uma das mais importantes políticas estratégicas no âmbito do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Assim, como podemos perceber, enquanto práxi, ato de efeito transformador, a comunicação aparece indissociável da educação. Algo, aliás, já preconizado há mais de quatro décadas no Brasil por Paulo Freire, um dos maiores educomunicadores do mundo, cujo nome recentemente foi reconhecido oficialmente como o patrono da educação brasileira. Defensor árduo da confluência entre educação e comunicação (e vice-versa), para Freire, a palavra não deve ser concebida como privilégio de alguns homens, mas sim, direito de todos os homens. Valendo-se dessa máxima que traz à tona de forma explícita o caráter político-ideológico da comunicação e cientes da logística de funcionamento mercadológica da indústria midiática da qual somos todos ávidos consumidores, devemos nos alertar para a condição de cidadãos e erguermos a bandeira de luta em prol da democratização da comunicação. Mas, para isso é imprescindível que mergulhemo-nos nos liames que associam a comunicação da educação, para assim, adotarmos uma postura essencialmente crítica e verdadeiramente ativa perante o império cultural midiático que tenta fazer dos receptores, meros receptáculos de uma gama de lixo tecnocultural. Um espécie de jogo em que se usa dos instrumentos da tecnologia da informação e comunicação para se entorpecer mentes e tornar cada vez mais lucrativo um mercado bilionário. É preciso nos mantermos atentos e, mais que isso, esboçarmos uma postura pró-ativa, indo muito mais além das críticas contra o que chamamos de efeitos nocivos da mídia. Mídia essa quase costumeiramente encarada por uma ótica maniqueísta a serviço do mal. Nesse sentido, abrir os olhos para os bastidores de onde são traçadas as estratégias de uso dos meios de comunicação é que parece ser um dos pontos cruciais para quem deseja adentrar no complexo e dinâmico fluxo de produção informacional e comunicacional do qual nos alimentamos cotidianamente para nos mantermos socialmente aceitos. Nesse contexto, como nos advertem diversos movimentos de militância social em ativa, é preciso engajar-se numa frente que ganha força em várias partes do mundo e, em especial, na América Latina, entre os países subdesenvolvidos, – em detrimento da forte campanha desencadeada pelos grupos midiáticos – que é a luta da reivindicação por uma nova ordem mundial econômica. Uma nova ordem mundial da informação e comunicação, da qual participam diversos órgãos e entidades civis que passam a estudar uma definição sobre o direito à comunicação. E o direito de comunicar começa onde termina o direito de exploração exercido pela indústria midiática. Está mais do que na hora de a comunicação ser (re) pensada como uma questão de educação, para só assim ser enxergada como uma questão de direitos humanos. Algo já afirmado historicamente e positivado nos documentos internacionais, mas que precisa ser difundido, pulverizado na sociedade, num esforço para se reforçar a questão que não se cala: “Como salvar a dimensão humanista da comunicação, quando triunfa sua dimensão instrumental?. Pensemos nisso.

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