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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Os avanços na luta interminável pela democratização da comunicação



A reabertura da pauta de discussão entre o movimento social e o governo Federal em torno da implantação das políticas públicas de comunicação social no Brasil, fato este selado em encontro ocorrido no último dia 11 de julho representa, sem sombra de dúvidas, um importante passo na luta pela regulamentação da democratização da comunicação no país. O encontro, que contou com a presença de representantes de vários setores, dentre eles, a Secretaria Geral da Presidência da República, Ministério das Comunicações (MiniCom) e de entidades da Campanha Banda Larga É um Direito Seu! e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), culminou com a promessa, por parte do governo federal em dar continuidade ao debate sobre as políticas públicas para o setor das comunicações, agendando, inclusive, uma nova reunião para o próximo dia 31.

O ganho maior, entretanto, está de fato na aparente inclusão do tema na pauta das discussões efervescentes que marcam o momento político da história do país. E ai é importante ressaltar que, de todas as estratégias políticas a serem impetradas nessa bandeira de luta, como, aliás, defende vários militantes sociais, a primeira e mais relevante seja mesmo aquela que consiga destacar efetivamente a comunicação como um tema de interesse público. Mais que isso, que sensibilize e conscientize a sociedade civil a olhar para a liberdade de expressão como de fato esta o é, um dos direitos básicos e fundamentais assegurado pela lei universal de Direitos Humanos, conforme apregoa o artigo 19 da ONU e a própria Constituição Federal Brasileira.

Trata-se aqui de uma ação que consiga equiparar a comunicação no mesmo patamar de outros direitos como a saúde e a educação cuja relevância para a vida de qualquer cidadão é indiscutível, inquestionável. Fora dessa realidade, toda e qualquer discussão ou mesmo conjunto de ações impetradas nas mais diversas campanhas em movimento no país voltadas para a democratização da comunicação não sairão do campo do idealismo utópico. E o momento propício para que isso ocorra, como se pode observar, é o momento atual. Seja, de um lado pela crescente força dos protestos populares que inclui, dentre a vasta pauta de reivindicações uma nítida e jamais vista manifestação de rejeição aos grandes oligopólios de mídias do país e de outro, pelo salto qualitativo que as discussões dos Direitos Humanos tem registrado no Brasil nos últimos dez anos.

Foi assim nos demais países latino-americanos e não será diferente para o Brasil que, vale salientar, de todos, é o que menos avança nas conquistas no processo de implantação de regulamentação da democratização da comunicação. Nesse contexto, não se pode ignorar o fato pra lá de inaceitável que é o país continuar submetendo o sistema de comunicação eletrônico público a uma lei de radiodifusão de 1962, portanto, pra lá de caduca e que só beneficia os proprietários dos grandes oligopólios midiáticos.

E, para que o tema da democratização da comunicação não se dilua entre os discursos prolixos acadêmicos ou sociais radicais, democratizar o sistema de comunicação público consiste de maneira concreta, em síntese, em se promover a ampliação às massas do acesso tanto à recepção quanto à emissão de produtos de comunicação, destacando de forma clara que é o cidadão o verdadeiro proprietário deste poderoso sistema. 

Portanto, a questão central gira em torno de se trazer para um debate amplo e público, os aspectos que envolvem a qualificação da comunicação enquanto um direito fundamental ao desenvolvimento humano e social. Coisa que, como bem sabemos, se deixarmos a cargo dos governos, parlamentares e do próprio sistema midiático mercantilista – este menos ainda que os anteriores –   nunca conseguiremos ir a diante. Nem mesmo agora!


domingo, 30 de junho de 2013

Protesto anti-Globo



Entre os ecos dos protestos que tomaram conta do país durante as duas últimas semanas, está o grito de insatisfação da população referente à grande mídia. Pegos de maneira surpreendente, e transformados de mocinhos em vilões, os conglomerados de comunicação se viram inseridos na pauta de reivindicações populares, enquanto ameaça à democracia e ao exercício da liberdade de expressão.

 
O exemplo maior desse fenômeno de rejeição à mídia tradicional advinda da onda de manifestos está nos protestos feitos em várias partes do país e, de maneira mais significativa, nas cidades do Rio e São Paulo, contra a Rede Globo de Televisão. Dona de uma audiência ainda esmagadora em todo o país, a emissora do Jardim Botânico se viu, de repente, alvo de uma avassaladora onda de manifestos, provocando, em algumas ocasiões, o impedimento de trabalho de algumas de suas equipes jornalísticas que atuam na cobertura do manifesto.

 
E é justamente ai que reside a crítica maior e rejeição à empresa dos Marinhos, a família que detém o maior poder de comunicação do país. Há tempos, como é do conhecimento de todos, a vênus platinada vem sendo desmistificada por estudantes, intelectuais e profissionais liberais devido à sua postura elitista e manipuladora dos fatos apresentados à nação por meio de sua programação e, em especial, dos telejornais.

 
Não obstante, esse perfil de distorção dos fatos noticiados que, vale ressaltar, está longe de ser uma particularidade do Sistema Globo, foi retomado com maior vigor no seio da onda de manifestos que se propaga pelo país, face ao contraste entre o discurso oficial adotado pela emissora no tocante aos protestos das ruas e a narrativa advinda das redes sociais, espaço de onde a onda de manifesto foi originado e continua se organizando.

Revoltados com a forma unilateral, totalmente parcial e repressora com que os telejornais globais vinham mostrando (e continuam fazendo, agora de maneira mais amena) a revolta cidadã nas ruas do país, os manifestantes passaram a ecoar um forte grito contra a empresa, chegando a constranger muitos de seus profissionais que, em detrimento do histórico sujo desta, são movidos por boas intenções, como é o caso, por exemplo, do jornalista Caco Barcelos.

Um grito de rejeição, alerta e basta que certamente ainda será ouvido por muitas vezes até o final desta onda manifestante constituída por uma maré de cidadãos brasileiros que, para além da classe política, também não se sentem representados pela mídia que aí está.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O vandalismo da mídia


Para além dos diversos aspectos e discussões de valoração social e política, a crescente onda de manifestação cívica que toma conta do Brasil nos últimos dias vem suscitando várias e importantes reflexões acerca do papel da grande mídia na sociedade. Nesse contexto, muitas têm sido as observações críticas feitas ao trabalho de cobertura jornalística desenvolvida em especial, pelas emissoras de TV que continuam representando a principal vitrine midiática no país e no mundo. Venho, por meio deste espaço, expressar a minha análise crítica pessoal acerca deste fenômeno, o qual muito me incita na qualidade de profissional da mídia, mas muito mais na condição de cidadão.

Não é preciso ser um especialista para  perceber que observando atentamente a cobertura da mídia acerca do fenômeno em destaque, a palavra de ordem tem sido vandalismo. Adotando um discurso ambivalente, por vezes, contraditório e insustentável, a imprensa brasileira tem enquadrado o manifesto enquanto um ato violento, insano e de afronta à ordem e o progresso nacional. Algo que é atenuado por meio de um recurso discursivo repetitivo que ressalva o protesto enquanto um ato formado em sua maioria por cidadãos pacíficos e apoiado em bandeiras de lutas justas, porém alvo de uma ação destemperada e criminosa de uma minoria.

Não obstante, é interessante perceber que é justamente a ação desta minoria que é amplamente destacada nas imagens e textos dos órgãos de imprensa. Algo melhor ainda observado pelas transmissões de TV´s cujas lentes estão focadas em tais grupos, estejam eles onde estiverem em detrimento da grande massa humana pacífica sobre a qual essas mesmas lentes apenas passam rapidamente numa angulação distante.

Para além do sensacionalismo e tom de teledramatização que, como sabemos, impera na mídia em todo o mundo enquanto um dos principais critérios de noticiabilidade, os chamados valores-notícias, esse tipo de cobertura aponta para um outro fator operante das empresas midiáticas que é o alinhamento ideológico sustentado por estas.

Trata-se aqui da grande lente angular, do filtro seletivo por onde passam todas as diretrizes e políticas que regem o funcionamento dos órgãos de imprensa enquanto empresas e como tais, entidades de fins lucrativos submetidas a uma série de convenções estipuladas por uma macroesfera cruel que é o mercado.

Em síntese, um conglomerado empresarial que mesmo atuando em nome do que chama de prestação de serviço público, de fato, atua como uma das mãos mais severas desse mercado. Basta ver o conchavo desses grandes conglomerados de mídias com os governos e entidades multinacionais que tem nas transações publicitárias milionárias firmadas através de contratos particulares, o mais explícito fenômeno denunciante.

Portanto, é sempre bom, como, aliás, nos orienta o respeitável patrono da educação brasileira, Paulo Freire, sempre questionarmos: em nome de quem fala esta ou aquela empresa midiática? Quais interesses a rege? Só assim, compreenderemos melhor esse papel dicotômico e ambivalente da mídia que insiste em falar em nome da verdade dos fatos, mesmo sabendo-se que aquilo que esta chama de realidade nada mais é do que uma mera versão de um fato. Assim se torna mais fácil compreendermos melhor os rumos para onde essa gigantesca, inusitada e amedrotante onda de protestos que toma conta do seio da pátria brasileira está sendo conduzida, ou melhor enquadrada.

Mas como perguntar não ofende (será que não mesmo?!) onde estão as vozes dessa maioria formada por pacatos cidadãos que ninguém escuta?. Aqui vai uma dica para quem realmente deseja ouvir essa voz: continue procurando-a nas mídias alternativas e que tem nas redes sociais, o mais autêntico e democrático canal de comunicação. Pelo menos neste, a palavra de ordem não é vandalismo e sim civilismo!!.

domingo, 9 de junho de 2013

UFC, mídia e espetáculo: tudo a ver!

Afastado deste espaço por um longo e sofrível período de abstinência de produção textual, retomo aqui as minhas reflexões compartilhando-as com os amigos internautas que, assim como eu, se inquietam por um olhar mais criterioso sobre a mídia. Agora vamos ao que interessa...

Observando recentemente os principais sites de notícias e TV´s brasileiros é fácil percebermos a ampla repercussão que a grande mídia brasileira tem dado ao evento esportivo UFC (uma organização americana de artes marciais mistas, MMA), destacado como a nova ‘febre nacional’, ficando logo atrás do futebol. Uma das nítidas demonstrações deste fenômeno se deu neste final de semana com a cobertura privilegiada feita pela TV Globo e os principais portais jornalísticos em cima do octógono do UFC ocorrido em Fortaleza e que compreendia o duelo de técnicos do reality show The Ultimate Fighter Brasil 2.

Eis aqui mais um clássico exemplo do que apregoa a Teoria do Agendamento - uma das teorias da comunicação de massa mais propagadas nos cursos de Comunicação Social e que defende, em síntese, a hipótese de que a mídia nos diz sobre o que pensarmos, construindo a agenda temática cotidiana da sociedade, ou seja, a opinião pública.

Desenvolvida a partir de ações estratégicas e de natureza manipuladora, a prática do agendamento midiático tem como um de seus principais mecanismos gerador de efeito, a exposição massiva de um determinado tema/fato/acontecimento, utilizando-se para isto, de generosos espaços nos noticiários e grade de programação (em se tratando de emissoras de Tv e rádio).

A ideia primeira é, ao inserir o tema na pauta diária dos consumidores da mídia, despertando uma atenção para o que se exibe exaustivamente, provocar um efeito de naturalização deste na opinião pública. Aproveitando-se do exemplo aqui destacado, se vê isto a partir da forma como a tal modalidade esportiva é apresentada nos noticiários em que se refere a sigla UFC sem, aliás, como mandam as diretrizes técnicas redacionais jornalísticas, descrever o seu significado. Mas para isso há uma razão simples: facilitar a popularização do evento esportivo advindo de uma longa e complicada expressão norte-americana (Ultimate Fightinshow Championship). Uma regra básica do marketing: palavras e expressões curtas e de fácil assimilação facilita uma melhor e mais rápida abossrçaõ do produto.

Aliás, a origem da expressão já aponta para o principal e ganancioso motivo repentino do interesse da grande mídia (vale ressaltar que o UFC chegou ao Brasil em 1998 mas nos últimos anos tem se destacado e popularizado). Produto de grande sucesso nas TV´s pagas norte americanas, o UFC se enquadrou perfeitamente dentro dos moldes da cultura do espetáculo midiático que, vale ressaltar, tem no esporte, a sua principal e mais lucrativa fonte financeira.

Por fim, não é preciso irmos mais longe para, lançando um olhar mais crítico enxergarmos o que está por trás dessa nova ‘febre nacional’. Em outras palavras, mais um fenômeno midiático que aponta claramente para a cadeia que alimenta cada vez mais a sociedade midiatizada. Uma sociedade em que o esporte torna-se o principal componente do espetáculo midiático, servindo de principal fonte de comercialização para a indústria publicitária. Uma indústria que faz dos esportistas e suas modalidades esportivas, a mais valiosa mercadoria da contemporaneidade. Que o diga, Neymar, o homem de R$ 140 milhões!, o nosso mais novo homem mercadoria!!.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Governo paralisa processo de democratização da comunicação

Compartilho com todos os amigos internautas, um texto extraído do site da Fenaj e que dá conta de um ato comprometedor do governo federal no que diz respeito ao processo de democratização da comunicação. Algo que deve ser rechaçado pela sociedade civil organizada. Vejamos:

FENAJ exige marco regulatório das comunicações, já!
O governo da presidenta Dilma, através do Ministério das Comunicações, anunciou a desistência de encaminhar, nos próximos dois anos, o marco regulatório das comunicações. Na prática, concretiza aquilo que vinha sinalizando desde o seu início e que foi encaminhado, de maneira tímida e ambígua, no governo Lula.

A FENAJ repudia esta decisão, exige que o governo assuma seu papel, comprometido durante a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em dezembro de 2009, e conclama o movimento social a cumprir o seu papel: pressionar o governo brasileiro a apresentar sua proposta de regulamentação do sistema de comunicações.

Neste momento, não podemos confundir papéis ou abdicar de responsabilidades. Ao governo, cabe exercer a tarefa assumida quando realizou as mais de duzentas conferências regionais e locais, como parte do processo da Confecom, que produziu quase setecentas propostas para o setor. Ao movimento social, cabe cobrar e pressionar para que isso ocorra.

A FENAJ alerta para o perigo de um inaceitável retrocesso do estágio da luta pela democratização da comunicação. Chama a atenção, também, para o perigo da confusão de papéis, que isenta os que são responsáveis pela proposição do marco regulatório e atribui responsabilidades àqueles que já cumpriram sua tarefa histórica. O movimento social não pode se confundir com o governo, muito menos com estado.

Depois de décadas de uma relação profundamente promíscua e antidemocrática entre governos e os grandes conglomerados nacionais de comunicação, que resultou num sistema privado com a maior concentração do mundo e uma consequente relação autoritária e empobrecedora destes meios e a cultura brasileira, a sociedade vislumbrou nos governos petistas a possibilidade de atribuir a este sistema os elementos democratizadores já existentes na maioria dos países democráticos.

A luta pela democratização da comunicação, inaugurada pela FENAJ no final dos anos 1980, assumiu como proposta a construção democrática de um marco regulatório para a atualização da legislação do setor, com a necessária instituição do controle público dos meios. Esta luta infelizmente ainda está longe de ser concluída.

Precisamos de um marco regulatório que apresente, finalmente, qual o modelo de serviço que a sociedade deseja para seu sistema de comunicação. Precisamos, por outro lado, de um modelo de negócio que incorpore os novos atores econômicos que a convergência tecnológica impôs, sem destruir os produtores de conteúdo nacional. Precisamos de um sistema de leis e agentes reguladores que garantam o cumprimento da Constituição Federal, com a implementação dos sistemas complementares nela previstos.

O que precisamos, enfim, é que o estado brasileiro, através de seu governo, aprove e implemente esta política pública a qual chamamos de marco regulatório das comunicações, a partir das sugestões democraticamente alinhavadas durante a Confecom.

Mas temos a certeza de que isto só acorrerá quando o movimento social, para lá da mobilização digital e do protesto formal, continuar reivindicando do governo que ele cumpra seu papel. Por isso, a FENAJ conclama os parceiros da luta pela democratização a saírem às ruas, a exemplo da sociedade argentina, para exigir um novo, democrático e inclusivo marco regulatório das comunicações.

Brasília, 1º de março de 2013.
Federação Nacional dos Jornalista

domingo, 11 de novembro de 2012

Previsões sobre o futuro da mídia



Um dos assuntos mais discutidos dentro e fora do universo dos profissionais da mídia é o que diz respeito às mudanças ocasionadas no mercado e no hábito dos consumidores nos próximos anos frente ao avanço das tecnologias da informação e comunicação. Nesse sentido, considero interessante a leitura de um dos artigos publicados recentemente no portal do observatorio da imprensa e que aponta, alguns números específicos voltados à previsões sobre o desdobramento dessa realidade aqui destacada.
Leia e tire suas próprias conclusões....

REVOLUÇÃO DIGITAL
Números que mostram o futuro da mídia
06/11/2012 na edição 719
Tradução e edição: Larriza Thurler

Planejar o futuro da mídia já é uma tarefa difícil no melhor dos cenários; com a mudança de hábitos dos consumidores, novas tecnologias e mercados que evoluem rapidamente, o desafio é ainda maior. Jasper Jackson [The Media Briefing, 6/11/12] selecionou estatísticas (com todos os links em inglês) que devem ser analisadas com atenção para um planejamento estratégico eficiente.
Em relação ao comportamento na web:
- Até 2016, seis milhões de anos de vídeos cruzarão a internet por mês (Cisco);
- Entre a população de 2 a 24 anos no Reino Unido, o YouTube é o site mais popular (Ofcom);
- 75% dos internautas britânicos visitam um novo site a cada semana (64% a mais do que em 2007, segundo a Ofcom);
- 14% dos adultos britânicos (e 22% entre 25 e 34 anos) dizem que usam sites locais pelo menos uma vez por mês (Ofcom);
- A mídia impressa tomava 7% da média de tempo do adulto britânico em 2005 e a previsão é que caia para 3% em 2015 (TheMediaBriefing).
Mercado editorial:
- A tiragem dos jornais caiu uma média de 3,08%, a cada seis meses, nos últimos cinco anos – nesse ritmo, a circulação impressa terá caído 45% em 2017 (TheMediaBriefing);
- O emprego total na indústria jornalística americana caiu 40% de 414 mil pessoas para 246.020, no período de 2001 a 2011 (MediaPost)
- Serviços de dados foram responsáveis por 19,2% do total de receita da empresa UBM e deve representar 37% da receita da empresa Reed Business Information neste ano (UBM e TheMediaBriefing);
- Apenas 18,8% dos integrantes do conselho de 23 das maiores empresas de mídia do Reino Unido são mulheres e quatro conselhos não têm mulheres em sua composição (TheMediaBriefing).
Publicidade:
- A China ultrapassará o Japão e se tornará o segundo maior mercado publicitário online no mundo no próximo ano e, até 2014, terá o valor de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 40 bilhões) (PwC);
- O Google e o Facebook controlam quase 30% do mercado publicitário americano – com o Google no topo, com 15,4% do total de US$ 14,98 bilhões (algo como R$ 30 bilhões), comparado ao Facebook, com 14,4% (eMarketer);
- O gasto total com anúncios por meio de “real-time bidding”, ou seja, tecnologia de compra de mídia em tempo real, aumentou 237% entre 2010 e 2011 e crescerá a um índice de 59% ao ano para atingir o valor de US$ 13,9 bilhões (R$ 28 bilhões) até 2016 (IDC/Pubmatic);
- O gasto com publicidade móvel na China, Brasil e Índia crescerá seis vezes até 2016 e atingirá o valor de US$ 6 bilhões (R$ 12 bilhões), cerca do dobro dos EUA (Yankee Group via MediaPost);
- O gasto com anúncios na Europa ocidental cairá 0,7% este ano, mas crescerá 3,4% no Reino Unido (Group M).
Dispositivos móveis:
- A penetração de smartphones no Reino Unido atualmente é de 51% e atingirá 80% até 2016 (Adsmobi and mobileSQUARED);
- O número de proprietários de tablets no Reino Unido subiu cinco vezes entre 2011 e 2012 – de 2% para 11% no primeiro semestre deste ano (Ofcom);
- A Apple representa 77% dos lucros da indústria móvel, 43% da receita e apenas 6% dos aparelhos vendidos (Tavis McCourt via AllThingsD).

Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Por uma outra Comunicação Social...






Campo central para onde converge o conflito de forças socioeconômica, politico e ideológica responsáveis pelas transformações que movem e configuram o mundo contemporâneo, a Comunicação Social vem se tornando uma das áreas de atuação profissional mais complexas e em profundo processo de reconfiguração. Regido pelo acelerado e globalizante processo de racionalidade técnica, o qual tem nas inovações tecnológicas o seu motor propulsor, o mercado em comunicação tem se apresentado como um dos mercados mais desafiantes além, é claro, de lucrativo e, por isso mesmo, alvo central das forças hegemônicas capitalistas.

Atingidos em cheio por tal conjuntura e enviesados pela dicotomia educação x mercado, os cursos de ensino superior em Comunicação Social passam a sofrer um dos mais contundentes processos de mudanças pedagógicas já registrados na história da educação superior. Uma mudança, diga-se de passagem, confusa e confusamente percebida. O principal reflexo dessa realidade se vê por meio dos denominados “Referenciais Curriculares Nacionais dos Cursos de Bacharelado e Licenciatura”.

Trata-se do principal instrumento oficial impetrado pelo Governo Federal, através da Secretaria de Ensino Superior (Sesu) do MEC, e que traça os novos rumos para os cursos de Comunicação Social, dentre os demais. Lançado em 2009 em meio a uma discussão ainda inconclusa e repleta de dúvidas, tendo como foco mais polêmico, a extinção da área de Comunicação Social e, por conseguinte, da transformação das seis tradicionais habilitações comuns a essa área (Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas, Rádio e TV, Cinema e Produção Editorial) em cursos isolados (para saber mais, acessar o link (http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/cne/pdf/CES162002.pdf),
o documento ainda se configura como um grande desconhecido dos docentes e discentes nas instituições de ensino em todo o país.

Avançando para além dos detalhes de natureza política em torno desse documento, os quais estão bem postos no artigo de autoria do prof. Gerson Muniz (http://www.gersonmartins.jor.br/artigo-jornal/referencias-curriculares-nacionais-715), um aspecto se sobressae conclamando a uma reflexão em torno dessa importante questão aqui levantada e que aponta para o futuro da intervenção acadêmica na formação dos profissionais da grande área da Comunicação Social.

Como se pode perceber, diz respeito à imperiosa necessidade de atualização dos parâmetros básicos de organização pedagógica dos cursos em Comunicação Social. Nesse sentido, nunca é demais lembrar que, como ressalta a experiente professora Margarida Kunsch – membro da comissão de especialistas envolvidos na definição do documento aqui mencionado -, na atualidade, os processos sociais e culturais mais amplos que se instauram a partir das transformações decorrentes da globalização econômica. Essas, por sua vez, têm colocado no centro do debate as ações da comunicação do mundo contemporâneo, provocando uma reavaliação acerca das práxis que configuram cada uma das áreas do fazer comunicacional.

Portanto, para responder a essa realidade, necessário se faz atualizar as grades curriculares de boa parte dos cursos de Comunicação Social, os quais, como não é mais novidade para nenhum estudante ou profissional do campo, encontram-se na contramão da atual conjuntura mercadológica e social. Algo visivelmente percebido por meio dos conteúdos ultrapassados e linhas de formação incompatíveis com as novas tendências que emergem no novo mercado de trabalho e concepção de mundo global. A crise se apresenta mais definida no campo dos cursos cujas formações profissionais se voltam para as competências e habilidades informacionais, a exemplo, sobretudo, do Jornalismo.

Inseridos num dos mais dinâmicos e desafiantes processos de reconfiguração socioeconômico e cultural da sociedade moderna, os cursos voltados a interface comunicação e informação, como é o caso do Jornalismo, vivenciam uma das maiores crises estruturais e ideológicas. Crise essa cada vez mais acentuada pela mudança no que diz respeito ao processo de mediação advindo das chamadas novas tecnologias de informação e comunicação e que têm no chamado fenômeno de convergência midiática e, em especial, nos instrumentos móveis de transmissão de informação, a sua mola mestra.

Bastar da uma olhada nos diversos artigos publicados constantemente em vários veículos de comunicação virtuais, dentre eles, no portal do observatório da imprensa, o mais crítico dos espaços voltados para a comunicação no país e cujo teor apontam para as mudanças e preocupações que vêm norteando o cotidiano das empresas de comunicação. Uma realidade que coloca em xeque-mate o modelo tradicional ainda adotado pela maioria das empresas de comunicação de massa, para quem o futuro parece ter pego de surpresa. Assim como as instituições de ensino superior, essas passam a se mobilizar procurando saídas para se enquadrarem nos moldes do admirável mundo cada vez mais novo e assustador...