Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
sexta-feira, 18 de maio de 2012
II Fórum Mundial de Mídias Livres
Inscrições para II Fórum Mundial de Mídias Livres estão abertas!
Durante a Cúpula dos Povos, nos dias 16 e 17 de junho, diversos ativistas, pesquisadores e comunicadores da mídia alternativa se reunião no campus da Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ) para o II Fórum Mundial de Mídia Livre. Gratuito, o encontro terá sua programação constituída pelos próprios coletivos e organizações interessadas.
Para fazer parte desta construção, basta inscrever sua atividade através do formulário. Os formatos são abertos, sendo possível propôr painéis, desconferências (debates livres), oficinas, entre outras ações. O cadastro de propostas de atividades está aberto até 5 de junho.
Após três edições nacionais (Rio de Janeiro, em 2008; Vitória, em 2009; e Porto Alegre, em 2012), dois encontros preparatórios no Norte da África (Marrakesh, em 2011; e Tunis, em 2012), uma edição mundial (Belém, em 2009) e uma Assembléia de Convergência no Fórum Social Mundial (Dacar, em 2011), o Fórum de Mídia Livre volta ao Rio de Janeiro para contribuir com o fortalecimento da agenda em defensa dos bens comuns, agregando comunicação e cultura às pautas em prol da justiça ambiental e social.
As atividades do Fórum ocorrem em torno de quatro eixos principais: direito á comunicação; políticas públicas; apropriação tecnológica e movimentos sociais. As atividades autogestionadas serão realizadas nas tardes dos dias 16 e 17 de junho.
Para mais informações: http://cupuladospovos.org.br/fmml/
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Mídia, educação e direitos humanos
Comunicação e direitos humanos
Fenômeno universal e inerente ao ser humano, a comunicação é das habilidades desenvolvidas pelo homem, na qualidade de ser sociável, a mais significativa de todas. Muito mais que o simples e mecânico ato de transmissão de pensamentos e idéias, seja por meio da palavra ou de qualquer outro meio de linguagem, comunicar-se é colocar em prática, um dos direitos humanos de natureza individual e coletivo, mais fundamentais e imprescindíveis ao desenvolvimento da vida em sociedade. Por essa razão, há décadas, o tema da comunicação vem sendo introduzido nos debates promovidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), organismo da ONU, como uma das mais importantes políticas estratégicas no âmbito do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).
Assim, como podemos perceber, enquanto práxi, ato de efeito transformador, a comunicação aparece indissociável da educação. Algo, aliás, já preconizado há mais de quatro décadas no Brasil por Paulo Freire, um dos maiores educomunicadores do mundo, cujo nome recentemente foi reconhecido oficialmente como o patrono da educação brasileira. Defensor árduo da confluência entre educação e comunicação (e vice-versa), para Freire, a palavra não deve ser concebida como privilégio de alguns homens, mas sim, direito de todos os homens.
Valendo-se dessa máxima que traz à tona de forma explícita o caráter político-ideológico da comunicação e cientes da logística de funcionamento mercadológica da indústria midiática da qual somos todos ávidos consumidores, devemos nos alertar para a condição de cidadãos e erguermos a bandeira de luta em prol da democratização da comunicação. Mas, para isso é imprescindível que mergulhemo-nos nos liames que associam a comunicação da educação, para assim, adotarmos uma postura essencialmente crítica e verdadeiramente ativa perante o império cultural midiático que tenta fazer dos receptores, meros receptáculos de uma gama de lixo tecnocultural. Um espécie de jogo em que se usa dos instrumentos da tecnologia da informação e comunicação para se entorpecer mentes e tornar cada vez mais lucrativo um mercado bilionário.
É preciso nos mantermos atentos e, mais que isso, esboçarmos uma postura pró-ativa, indo muito mais além das críticas contra o que chamamos de efeitos nocivos da mídia. Mídia essa quase costumeiramente encarada por uma ótica maniqueísta a serviço do mal. Nesse sentido, abrir os olhos para os bastidores de onde são traçadas as estratégias de uso dos meios de comunicação é que parece ser um dos pontos cruciais para quem deseja adentrar no complexo e dinâmico fluxo de produção informacional e comunicacional do qual nos alimentamos cotidianamente para nos mantermos socialmente aceitos.
Nesse contexto, como nos advertem diversos movimentos de militância social em ativa, é preciso engajar-se numa frente que ganha força em várias partes do mundo e, em especial, na América Latina, entre os países subdesenvolvidos, – em detrimento da forte campanha desencadeada pelos grupos midiáticos – que é a luta da reivindicação por uma nova ordem mundial econômica. Uma nova ordem mundial da informação e comunicação, da qual participam diversos órgãos e entidades civis que passam a estudar uma definição sobre o direito à comunicação. E o direito de comunicar começa onde termina o direito de exploração exercido pela indústria midiática.
Está mais do que na hora de a comunicação ser (re) pensada como uma questão de educação, para só assim ser enxergada como uma questão de direitos humanos. Algo já afirmado historicamente e positivado nos documentos internacionais, mas que precisa ser difundido, pulverizado na sociedade, num esforço para se reforçar a questão que não se cala: “Como salvar a dimensão humanista da comunicação, quando triunfa sua dimensão
instrumental?. Pensemos nisso.
domingo, 6 de maio de 2012
A prioridade da mídia brasileira
A questão do meio ambiente, segundo pesquisa realizada pelo Ibope e divulgada pelo jornal Estado de São Paulo, é motivo de preocupação para a maioria dos brasileiros. Ainda de acordo com a pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria - CNI, a imensa maioria da Nação se opõe ao conjunto de normas propostas pelo Congresso Nacional para a reforma do Código Florestal. Em contrapartida a essa revelação, ao que parece, o problema em destaque não parece ser prioridade da mídia brasileira que, com exceção de alguns poucos veículos de comunicação, tem ignorado a relevância do assunto em pauta para a vida de todos os patriotas.
Fazendo uma análise das matérias estampadas nos últimos dias nos jornais e sites de notícias, a atenção dos veículos de comunicação tem se voltado para detalhes da vida privada das celebridades que constituem o mundo business, com destaque para o estado de saúde do filho do cantor Leonardo, Pedro Leonardo. Neste caso, a cobertura tem sido tão extensiva que já provocou, inclusive, aborrecimentos aos próprios familiares do cantor que continua internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, sob forte vigilância da imprensa.
Trata-se aqui de uma análise acerca do processo de agendamento da mídia de que nos fala uma das teorias da comunicação, o agenda-setting e que aponta para os assuntos e temas prioritários revelados pelas pautas diárias da imprensa e que afetam direta e indiretamente os receptores. Algo que como se vê, ainda carece de uma mudança um tanto radical no contexto da grande mídia - sem deixar de lado aqui também a imprensa interiorana – que precisa se pautar, urgentemente, em fatos e assuntos de interesse da cidadania.
Que o digam os diversos e constantes desafios nos campos da saúde, educação e, como foi mencionado acima, meio ambiente, temas que, vale dizer, apesar de estarem sempre em pauta, não têm a cobertura devida, ou de que se necessita, sobretudo, no que diz respeito à continuidade de vários casos noticiados. Afinal de contas, com todo respeito ao cantor Pedro Leonardo e a dor porque passa seus familiares, esse é apenas um dos inúmeros casos que se repetem pelo país afora cotidianamente – vale lembrar que nosso país é campeão em acidentes com vítimas nas estradas – e que, paralelo a fatos dessa natureza, outros que afetam diretamente a vida de milhões de pessoas continuam acontecendo, em detrimento do descaso da mídia, cuja função social principal, nunca é demais repetir, é o da luta em defesa da cidadania. Algo feito por meio da fiscalização permanente e divulgação massiva e contundente de fatos e assuntos que põem em risco a qualidade de vida da Nação brasileira.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
O PODER DO AUDIOVISUAL NAS REDES SOCIAIS
São cada vez mais crescentes as evidências da força das redes sociais no mundo contemporâneo que, como não é mais novidade, é regido pelas novas tecnologias da comunicação. Que o diga a amplitude virtual provocada pela revolucionária ferramenta digital audiovisual que é o youtube que multiplica a cada dia, fenômenos de larga visibilidade em todo o mundo. Nesse contexto, além das celebridades lançadas instantaneamente ao ato de um simples click coletivo, a ferramenta vem provocando mobilizações humanas em torno de causas diversas, algumas meramente curiosas, outras, de fato, interessantes.
Dentre essas está o último dos grandes fenômenos de acesso no youtube cujo personagem é Caine Monroy, filho de imigrantes mexicanos, notabilizado através de um documentário em que ele aparece criando uma sala de jogos com pedaços de papelão, algo feito na loja de peças de automóveis de seu pai nos EUA, durante suas férias.
No projeto de reciclagem desenvolvido por Caine, ele construiu, sozinho, jogos de basquete, futebol e máquina de pescar presentes utilizando-se de tesouras, fita adesiva e, claro muita imaginação. Detalhe: a obra criativa do pequeno garoto não teria alcançado a notoriedade que conseguiu, se essa não tivesse sido filmada e levada para dentro das redes sociais por Nirvan Mullick.
O documentarista resolveu transformar a história de Caine em filme e encheu a sala de jogos do garoto de pessoas. A filmagem rendeu o documentário "Caine's Arcade", de 11 minutos, divulgado no último dia 9 de abril. Desde então, o vídeo já alcançou mais de 2 milhões de visitas no site Vimeo, conforme foi veiculado por vários sites de notícias, a exemplo do portal Terra e o site da Revista Imprensa.
E detalhe: por causa do vídeo, o público começou a fazer doações para pagar os estudos de Caine. A arrecadação, em poucos dias, ultrapassou os US$140 mil". E segundo informaram os portais, parte do dinheiro arrecadado será usado para pagar o estudo de Caine Monroy em uma escola especializada em design. O restante irá financiar uma futura fundação que será chamada de "Caine's Arcade”
Muito mais fantástica que a obra de Caine, como se pode observar, é o poder da rede social youtube que, para além da notoriedade pública, vem se configurando como a mais eficiente ferramenta virtual dentro do contexto da comunicação global estratégica, de onde, certamente, emergirão inúmeras possibilidades de mobilização social.
Dentre essas está o último dos grandes fenômenos de acesso no youtube cujo personagem é Caine Monroy, filho de imigrantes mexicanos, notabilizado através de um documentário em que ele aparece criando uma sala de jogos com pedaços de papelão, algo feito na loja de peças de automóveis de seu pai nos EUA, durante suas férias.
No projeto de reciclagem desenvolvido por Caine, ele construiu, sozinho, jogos de basquete, futebol e máquina de pescar presentes utilizando-se de tesouras, fita adesiva e, claro muita imaginação. Detalhe: a obra criativa do pequeno garoto não teria alcançado a notoriedade que conseguiu, se essa não tivesse sido filmada e levada para dentro das redes sociais por Nirvan Mullick.
O documentarista resolveu transformar a história de Caine em filme e encheu a sala de jogos do garoto de pessoas. A filmagem rendeu o documentário "Caine's Arcade", de 11 minutos, divulgado no último dia 9 de abril. Desde então, o vídeo já alcançou mais de 2 milhões de visitas no site Vimeo, conforme foi veiculado por vários sites de notícias, a exemplo do portal Terra e o site da Revista Imprensa.
E detalhe: por causa do vídeo, o público começou a fazer doações para pagar os estudos de Caine. A arrecadação, em poucos dias, ultrapassou os US$140 mil". E segundo informaram os portais, parte do dinheiro arrecadado será usado para pagar o estudo de Caine Monroy em uma escola especializada em design. O restante irá financiar uma futura fundação que será chamada de "Caine's Arcade”
Muito mais fantástica que a obra de Caine, como se pode observar, é o poder da rede social youtube que, para além da notoriedade pública, vem se configurando como a mais eficiente ferramenta virtual dentro do contexto da comunicação global estratégica, de onde, certamente, emergirão inúmeras possibilidades de mobilização social.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Jornalista: profissional em extinção?
Que as transformações registradas nesse início de século no mundo das comunicações tem atingido em cheio a sociedade e, em especial, os profissionais da mídia, não é mais novidade. Do mesmo modo, também não se configura mais como novidade o fato de que as mudanças processadas no fluxo informacional de que se alimentam as pessoas no dia a dia no contexto da sociedade midiática tem colocado, cada vez mais em em xeque-mate o papel dos tradicionais meios de comunicação, provocando uma certa desestabilidade entre os profissionais que vivem desses. Pois bem, a novidade nesse contexto talvez seja o fato de que, uma pesquisa divulgada recentemente pelo site norte-americano especializado em análise sobre carreiras profissionais no mercado mundial de empregos, o CareerCast.com, apontou o jornalista como a 5ª pior ocupação.
O dado faz parte de um rancking divulgado anualmente pelo site que aponta as 10 melhores e as 10 piores profissões do mundo. A pesquisa engloba 200 carreiras e leva em consideração cinco critérios: demandas físicas, ambiente de trabalho, salário, estresse e perspectivas de contratação. O topo do ranking da melhor profissão eleita em 2012 é ocupado pelo engenheiro de software, seguido por atuário (profissional técnico especialista em mensurar e administrar riscos), gerente de RH, dentista e planejador financeiro.
Já na lista das piores profissões a surpresa ficou por conta do aparecimento inédita de profissionais da mídia com o foco nas ocupações específicas de repórter e o chamado Broadcaster (profissional que atua em meios eletrônicos com noticiários diários). Na atual listagem, o jornalista fica atrás apenas das seguintes ocupações: madeireiro, produtor de leite, soldado e operador de plataforma de petróleo.
Visto de maneira superficial, o quadro parece apontar para uma extinção do jornalista na sociedade contemporânea, como, aliás, preconizam alguns estudiosos. Não obstante, como defendem outros, trata-se, na verdade, de um processo de mudança e de adaptação ao qual os profissionais da mídia jornalística parecem estar fadados nessa nova era da comunicação.
Como já foi ressaltado aqui neste espaço, por diversas vezes, ao meu ver, tais dados se revelam como mais um nítido sinal da crise que se alastra na imprensa tradicional e que se traduz, de um lado, pelas dificuldades enfrentadas pelos profissionais que exercem as diversas funções exigidas nesse segmento da mídia, os quais estão sendo cada vez mais explorados e se vem sem perspectivas para o futuro profissional. Algo que tem como principal e pior consequencia, o crescente índice de demissões registrados em todo o mundo tornando ainda mais difícil essa ocupação.
Por outro lado, a crise traz à tona a necessidade cada vez mais emergente de mudança no perfil do profissional da mídia que trabalha com a produção e difusão da informação diária, o qual se vê diante de um cenário repleto de inovações tecnológicas e, mais do que isso, diante de uma desafiante logísticas de gestão informacional. Um cenário em que ao que tudo indica, a adaptação parece ser a única saída para os meios de comunicação tradicionais e, consequentemente, para aqueles que sobrevivem destes e começam a enveredar pelo mundo das novas tecnologias de informação e comunicação.
O dado faz parte de um rancking divulgado anualmente pelo site que aponta as 10 melhores e as 10 piores profissões do mundo. A pesquisa engloba 200 carreiras e leva em consideração cinco critérios: demandas físicas, ambiente de trabalho, salário, estresse e perspectivas de contratação. O topo do ranking da melhor profissão eleita em 2012 é ocupado pelo engenheiro de software, seguido por atuário (profissional técnico especialista em mensurar e administrar riscos), gerente de RH, dentista e planejador financeiro.
Já na lista das piores profissões a surpresa ficou por conta do aparecimento inédita de profissionais da mídia com o foco nas ocupações específicas de repórter e o chamado Broadcaster (profissional que atua em meios eletrônicos com noticiários diários). Na atual listagem, o jornalista fica atrás apenas das seguintes ocupações: madeireiro, produtor de leite, soldado e operador de plataforma de petróleo.
Visto de maneira superficial, o quadro parece apontar para uma extinção do jornalista na sociedade contemporânea, como, aliás, preconizam alguns estudiosos. Não obstante, como defendem outros, trata-se, na verdade, de um processo de mudança e de adaptação ao qual os profissionais da mídia jornalística parecem estar fadados nessa nova era da comunicação.
Como já foi ressaltado aqui neste espaço, por diversas vezes, ao meu ver, tais dados se revelam como mais um nítido sinal da crise que se alastra na imprensa tradicional e que se traduz, de um lado, pelas dificuldades enfrentadas pelos profissionais que exercem as diversas funções exigidas nesse segmento da mídia, os quais estão sendo cada vez mais explorados e se vem sem perspectivas para o futuro profissional. Algo que tem como principal e pior consequencia, o crescente índice de demissões registrados em todo o mundo tornando ainda mais difícil essa ocupação.
Por outro lado, a crise traz à tona a necessidade cada vez mais emergente de mudança no perfil do profissional da mídia que trabalha com a produção e difusão da informação diária, o qual se vê diante de um cenário repleto de inovações tecnológicas e, mais do que isso, diante de uma desafiante logísticas de gestão informacional. Um cenário em que ao que tudo indica, a adaptação parece ser a única saída para os meios de comunicação tradicionais e, consequentemente, para aqueles que sobrevivem destes e começam a enveredar pelo mundo das novas tecnologias de informação e comunicação.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Jornalismo e o apelo mercantil ao sensacionalismo
Comungo em grau, número e gênero, com o pensamento de muitos colegas jornalistas para quem, a exemplo do que foi postado recentemente no portal www.observatoriodaimprensa.com.br, por Valério Cruz e Ederson Silva, a prática jornalística brasileira contemporânea tem migrado para um caminho perigoso quando viu no sensacionalismo um padrão para atingir grande parte da população. Em nome dessa estratégia de cunho meramente mercantilista, muitos dos grupos hegemônicos de comunicação espalhados por todo o país vem lançando, via meios eletrônicos e impressos, produtos informativos esdrúxulos, totalmente contrários à prática do bom e autêntico jornalismo. Que o digam os jornais tabloides sensacionalistas. Um fenômeno que aqui na Paraíba é muito bem representado, diga-se de passagem, pelo “Já”, publicação pertencente ao Sistema Correio de Comunicação, considerado o ‘caçula’ do grupo (só tomara que este nunca chege a idade adulta..).
Essa investida no que se convencionou chamar de ‘jornalismo popular’ é algo totalmente passível de muitas reflexões e críticas. A começar pelo próprio rótulo com que tais produtos são apresentados, a meu ver, pra lá de discutível. O paradoxo começa se compararmos a forma com que o termo ‘popular’ é aplicado de maneira distinta no mundo midiático em que, por exemplo, na Música Popular Brasileira é sinônimo de qualidade, erudição e bom gosto, ao passo que no jornalismo, o ‘popular’ passa a significar o inverso. Afinal, a que tipo de popularidade esses se referem, ou, o que de fato significado o rótulo ‘popular’ para a mídia?
Outro questionamento a ser feito em se tratando dessa expansão do jornalismo sensacionalista é o seguinte: sendo a informação o seu principal produto, até que ponto a sociedade é informada verdadeiramente quando temas como violência, prostituição, drogas e crimes hediondos são a prioridade desses veículos, transformando, como muito bem explicita Valério Cruz e Ederson Silva, “notícias e reportagens em espetáculos”?. Não é preciso irmos muito longe para percebermos que, por trás dessa estratégia, está a visão do grupo hegemônico maior da nação que é a elite, para quem, “povo” é sinônimo de massa desqualificada e de manobra, ora para fins eleitoreiros,outro para fins, meramente mercantilistas.
Assim, a promoção do direito à cidadania, à igualdade e à informação de qualidade são simplesmente descartadas, tornando a prática jornalística como um mero artifício a serviço pleno de fins capitalistas de natureza desumana, cruéis. Ao se investir no denominado “circo dos horrores”, como é adequadamente denominada a prática sensacionalista que toma conta de boa parte da imprensa brasileira, o jornalismo contraria a sua própria filosofia e código deontológico, passando a explorar o que há de mais frágil na alma humana. Tudo em nome do aumento das vendas de jornais e do ibope nos programas de TV´s. E assim nos vemos diante de mais um exemplo de práticas que, como diz o trecho de uma das mais belas canções da nossa MPB (?), revela “... a força da grana que ergue e desaba, destruindo coisas belas”. É o que temos visto acontecer com o jornalismo. Uma das mais fascinantes propostas de transformação social mas que se encontra cada vez mais na contra-mão de sua filosofia...
Essa investida no que se convencionou chamar de ‘jornalismo popular’ é algo totalmente passível de muitas reflexões e críticas. A começar pelo próprio rótulo com que tais produtos são apresentados, a meu ver, pra lá de discutível. O paradoxo começa se compararmos a forma com que o termo ‘popular’ é aplicado de maneira distinta no mundo midiático em que, por exemplo, na Música Popular Brasileira é sinônimo de qualidade, erudição e bom gosto, ao passo que no jornalismo, o ‘popular’ passa a significar o inverso. Afinal, a que tipo de popularidade esses se referem, ou, o que de fato significado o rótulo ‘popular’ para a mídia?
Outro questionamento a ser feito em se tratando dessa expansão do jornalismo sensacionalista é o seguinte: sendo a informação o seu principal produto, até que ponto a sociedade é informada verdadeiramente quando temas como violência, prostituição, drogas e crimes hediondos são a prioridade desses veículos, transformando, como muito bem explicita Valério Cruz e Ederson Silva, “notícias e reportagens em espetáculos”?. Não é preciso irmos muito longe para percebermos que, por trás dessa estratégia, está a visão do grupo hegemônico maior da nação que é a elite, para quem, “povo” é sinônimo de massa desqualificada e de manobra, ora para fins eleitoreiros,outro para fins, meramente mercantilistas.
Assim, a promoção do direito à cidadania, à igualdade e à informação de qualidade são simplesmente descartadas, tornando a prática jornalística como um mero artifício a serviço pleno de fins capitalistas de natureza desumana, cruéis. Ao se investir no denominado “circo dos horrores”, como é adequadamente denominada a prática sensacionalista que toma conta de boa parte da imprensa brasileira, o jornalismo contraria a sua própria filosofia e código deontológico, passando a explorar o que há de mais frágil na alma humana. Tudo em nome do aumento das vendas de jornais e do ibope nos programas de TV´s. E assim nos vemos diante de mais um exemplo de práticas que, como diz o trecho de uma das mais belas canções da nossa MPB (?), revela “... a força da grana que ergue e desaba, destruindo coisas belas”. É o que temos visto acontecer com o jornalismo. Uma das mais fascinantes propostas de transformação social mas que se encontra cada vez mais na contra-mão de sua filosofia...
segunda-feira, 26 de março de 2012
Reportagem: o jornalismo por excelência
Considerada pelos estudiosos da imprensa como a essência do jornalismo, a reportagem continua sendo, sem sombra de dúvidas, o gênero jornalístico de maior contribuição cívica para a sociedade. Mais ainda quando se trata da reportagem investigativa também denominada de denunciativa, e que traz em seu bojo revelações, por vezes, bombásticas de interesse público. É por essa razão que, mesmo em baixa na imprensa nacional, sobretudo, se comparado à produção veiculada no país há algumas décadas atrás, esse gênero ainda é o ‘prato’ principal dos principais veículos de comunicação. Basta citar como exemplo na atualidade a concorrência das duas revistas eletrônicas dominicais de maior audiência no país que são o Fantástico, da TV Globo, e o Domingo Espetacular, da Rede Record. Estilos de programas que, vale ressaltar, mesmo por vezes arraigados em fórmulas e pautas repetitivas, se destacam na mídia brasileira como algumas das poucas – e cada vez mais raras - produções jornalísticas de qualidade e interesse realmente público que vão ao ar.
As últimas edições de ambas as revistas eletrônicas aqui mencionadas, justificaram bem o aqui é colocado, ao apresentarem, ao meu ver, duas reportagens extremamente interessantes para o telespectador. O Domingo Espetacular apresentou uma matéria sobre a situação deprimente em que se encontra o músico Renato Rocha, 49, ex-baixista de uma das maiores bandas de rock brasileira de todos os tempos, o Legião Urbana. Uma reportagem que certamente impressionou e sensibilizou os milhares de fãs do Legião Urbana que acompanharam os momentos de sucesso e glamour do músico que hoje, como demonstrou o programa, vive perambulando pelas ruas do Rio, a ermo e que nem de longe, relembra o Renato Rocha de outrora. Um retrato fiel, de um lado das sombras do egoísmo e da efemeridade que caracterizam o relacionamento das celebridades entre si, e de outro, de mais uma vítima entregue ao mundo alienante das drogas.
O aspecto mais humanístico e instigante da reportagem do Domingo Espetacular ficou por conta do contato feito com o pai de Renato Rocha que, por sua vez, afirmou não tomar conhecimento da situação precária em que o filho se encontrara, garantindo que iria ajudá-lo. Ou seja, um efeito direto provocado pela forma como a reportagem foi construída, a qual, vale dizer, foi além de outras matérias que retrataram o mesmo fato, a exemplo da Revista Isto É Gente, recentemente. Aqui está um clássico exemplo que distancia o ato de se noticiar algo e o de apresentar um fato em ampla dimensão visando, de alguma forma, intervir de maneira socialmente responsável, como deve ser sempre o papel do bom jornalismo.
Por outro lado, a principal concorrente da TV Record, a Rede Globo apresentava, por meio do Fantástico, uma reportagem denunciativa tendo como fato principal mais um escândalo envolvendo a cidade de João Pessoa. Tratava-se de uma denúncia fruto de um trabalho investigativo de mais de um mês, e que apontou para uma série de irregularidades em torno do projeto “Jampa Digital”, um programa lançado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia Municipal em 2010 e que, no papel, garantia ao acesso gratuito à internet em vários pontos da capital paraibana. Um projeto em que foi injetado cerca de R$ 5 milhões do Governo Federal e que envolve, entre diversos agentes públicos o governador do Estado, Ricardo Coutinho, então prefeito de João Pessoa e o atual ministro Aguinaldo Ribeiro, então secretário munciipal.
O que se viu por meio do que apurou a equipe de reportagem do Fantástico foi a revelação de mais um dos milhares de esquemas de corrupção que impera nas transações feitas entre os órgãos públicos e a iniciativa privada espalhados por todo o país, em que como quase sempre acontece, apontam, de um lado, para serviço fantasma ou no mínimo ineficiente e, de outro, desvio de verbas significativas em prol de interesses privados.
Os detalhes da reportagem denunciativa, como sempre acontece, repercutiram no seio social com uma ampla reprodução na mídia estadual que, por sua vez, continua se demonstrando apática para esse tipo de produção jornalística, se restringindo a reproduzir o que já vem pronto da grande mídia. Por trás desse comodismo aparente da imprensa local que continua a investir massiçamente na produção de noticias e, quando muito, em alguns casos, na publicação de reportagens de cunho meramente explicativa, está um tenebroso jogo de interesses próprios regido por um pacto silencioso. Algo a ser melhor comentado em outra oportunidade neste espaço.
Assim, ao se fechar para esse tipo de gênero jornalístico essencialmente cívico e humanitário, a imprensa paraibana permanece, infelizmente, como é fácil de se concluir, ainda extremamente distante da prática do jornalismo por excelência. E, como atesta a própria literatura especializada sobre a imprensa, jornalismo sem reportagem é jornalismo sem vida!.
As últimas edições de ambas as revistas eletrônicas aqui mencionadas, justificaram bem o aqui é colocado, ao apresentarem, ao meu ver, duas reportagens extremamente interessantes para o telespectador. O Domingo Espetacular apresentou uma matéria sobre a situação deprimente em que se encontra o músico Renato Rocha, 49, ex-baixista de uma das maiores bandas de rock brasileira de todos os tempos, o Legião Urbana. Uma reportagem que certamente impressionou e sensibilizou os milhares de fãs do Legião Urbana que acompanharam os momentos de sucesso e glamour do músico que hoje, como demonstrou o programa, vive perambulando pelas ruas do Rio, a ermo e que nem de longe, relembra o Renato Rocha de outrora. Um retrato fiel, de um lado das sombras do egoísmo e da efemeridade que caracterizam o relacionamento das celebridades entre si, e de outro, de mais uma vítima entregue ao mundo alienante das drogas.
O aspecto mais humanístico e instigante da reportagem do Domingo Espetacular ficou por conta do contato feito com o pai de Renato Rocha que, por sua vez, afirmou não tomar conhecimento da situação precária em que o filho se encontrara, garantindo que iria ajudá-lo. Ou seja, um efeito direto provocado pela forma como a reportagem foi construída, a qual, vale dizer, foi além de outras matérias que retrataram o mesmo fato, a exemplo da Revista Isto É Gente, recentemente. Aqui está um clássico exemplo que distancia o ato de se noticiar algo e o de apresentar um fato em ampla dimensão visando, de alguma forma, intervir de maneira socialmente responsável, como deve ser sempre o papel do bom jornalismo.
Por outro lado, a principal concorrente da TV Record, a Rede Globo apresentava, por meio do Fantástico, uma reportagem denunciativa tendo como fato principal mais um escândalo envolvendo a cidade de João Pessoa. Tratava-se de uma denúncia fruto de um trabalho investigativo de mais de um mês, e que apontou para uma série de irregularidades em torno do projeto “Jampa Digital”, um programa lançado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia Municipal em 2010 e que, no papel, garantia ao acesso gratuito à internet em vários pontos da capital paraibana. Um projeto em que foi injetado cerca de R$ 5 milhões do Governo Federal e que envolve, entre diversos agentes públicos o governador do Estado, Ricardo Coutinho, então prefeito de João Pessoa e o atual ministro Aguinaldo Ribeiro, então secretário munciipal.
O que se viu por meio do que apurou a equipe de reportagem do Fantástico foi a revelação de mais um dos milhares de esquemas de corrupção que impera nas transações feitas entre os órgãos públicos e a iniciativa privada espalhados por todo o país, em que como quase sempre acontece, apontam, de um lado, para serviço fantasma ou no mínimo ineficiente e, de outro, desvio de verbas significativas em prol de interesses privados.
Os detalhes da reportagem denunciativa, como sempre acontece, repercutiram no seio social com uma ampla reprodução na mídia estadual que, por sua vez, continua se demonstrando apática para esse tipo de produção jornalística, se restringindo a reproduzir o que já vem pronto da grande mídia. Por trás desse comodismo aparente da imprensa local que continua a investir massiçamente na produção de noticias e, quando muito, em alguns casos, na publicação de reportagens de cunho meramente explicativa, está um tenebroso jogo de interesses próprios regido por um pacto silencioso. Algo a ser melhor comentado em outra oportunidade neste espaço.
Assim, ao se fechar para esse tipo de gênero jornalístico essencialmente cívico e humanitário, a imprensa paraibana permanece, infelizmente, como é fácil de se concluir, ainda extremamente distante da prática do jornalismo por excelência. E, como atesta a própria literatura especializada sobre a imprensa, jornalismo sem reportagem é jornalismo sem vida!.
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