Lendo recentemente uma notícia veiculada na Internet e que dava conta da superação da mais recente celebridade lançada no efêmero mundo business, a inglesa Adele, em relação a astros como Michael Jackson e Whitney Houston, artistas de quem essa teria 'derrubado' seus recordes de vendas, passei a refletir sobre a obsolescência reinante na contemporaneidade. Fenômeno este compreendido como o processo de substituição de um produto ou serviço por outro que passa a ser considerado novidade, melhor e/ou mais útil que o anterior.
E nada melhor para nos fazer enxergar esse fenômeno – já considerado por muitos como a maldição da modernidade e que tem na geração high tech o seu apogeu -, do que a destoante sucessão de celebridades que surgem e que com a mesma intensidade desparecem instantaneamente. Tempo suficiente, entretanto, para provocar uma mudança no disputado ranking da lista dos ‘maiores astros e sucessos de todos os tempos’.
Obsolescência essa inteligentemente bem exposta no título de uma das canções da banda de rock brasileira, os Titãs: “A melhor banda de todos os tempos da última semana”, cujo enunciado sintetiza a fugacidade que muito bem caracteriza o universo business, hoje, mais do que nunca. Universo este regido em grande parte pela milionária indústria fonográfica e mantida por outra ainda mais poderosa que é a de entretenimento.
Uma indústria que ao lançar seus ‘produtos’ humanos pouco se importa com a qualidade moral e ética que esses trazem consigo. Ao contrário, parece deixar ser regida por modelos comportamentais deficientes e reprováveis, como é o caso do mais recente fenômeno musical. A mocinha da pele branca Adelle que recentemente fez um gesto obsceno à platéia que a assistia num evento, para quem estirou os dedos médios depois de haver sido interrompida pelo apresentador do mesmo.
O gesto, no mínimo, rude, da pop star internacional, entretanto, ao que parece não comprometeu em nada o seu sucesso que continua se demonstrando ascendente. Ao menos, até a próxima semana. Depois disso, será hora da cantora dona de uma bela voz e um mal comportamento, ceder o lugar para a próxima estrela ou astro, que como tal, também se apagará na poeira cósmica do universo de entretenimento.
Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
sábado, 18 de fevereiro de 2012
A Paraíba sedia Fórum Latino-americano de TV Digital
Pesquisadores, professores, profissionais da mídia e estudantes de vários países da América latina se reunião em João Pessoa nos dias , nos dias 8 e 9 de março no Fórum Latino-Americano de TV Digital. O encontro terá como eixo central discutir as inovações em aplicações interativas para TV Digital desenvolvidas no Brasil e América do Sul.
Também serão discutidas as experiências do padrão brasileiro a ser adotado em todo o país.
O evento será realizado na Estação Ciência e é promovido pela UFPB em parceria com o Ministério das Comunicações e CNPQ. As inscrições já se encontram abertas.
Mais informações pelo site: http://www2.ufpb.br/content/ufpb-promove-f%C3%B3rum-latino-americano-de-tv-digital.
Eis um evento de interesse de toda a sociedade e, de maneira especial,dos cidadãos conscientes e antenados no que diz respeito ao futuro desse que continuará sendo ainda por muito tempo, em detrimento da internet, o meio de comunicação mais massivo do planeta: a TV.
Também serão discutidas as experiências do padrão brasileiro a ser adotado em todo o país.
O evento será realizado na Estação Ciência e é promovido pela UFPB em parceria com o Ministério das Comunicações e CNPQ. As inscrições já se encontram abertas.
Mais informações pelo site: http://www2.ufpb.br/content/ufpb-promove-f%C3%B3rum-latino-americano-de-tv-digital.
Eis um evento de interesse de toda a sociedade e, de maneira especial,dos cidadãos conscientes e antenados no que diz respeito ao futuro desse que continuará sendo ainda por muito tempo, em detrimento da internet, o meio de comunicação mais massivo do planeta: a TV.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
jornalista: profissão perigo
O Brasil coleciona mais um dado estatístico lastimável. O país aparece na lista das nações com maior índice de mortes entre profissionais da área de comunicação social. O registro é feito pela Federação Nacional dos Jornalistas que em nota repudia o assassinato dos jornalistas Mario Randolfo Marques Lopes, ocorrido na quinta-feira (9/02), em Barra do Piraí (RJ), e Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, nesta segunda-feira (13), em Ponta Porá (MS), as duas últimas vítimas da onda de crimes contra os profissionais da imprensa.
A luta da Fenaj é cobrar a punição dos responsáveis, por parte do governo e do parlamento federais medidas urgentes para que o Brasil não prossiga avançando no ranking internacional de violência contra jornalistas. Afinal de contas, um país que tem a imprensa sob a mira da violência é um país com a democracia em ameaça constante. Como se não bastasse a fragilidade da lei de liberdade de imprensa há anos em discussão no país e sem nenhum avanço até então...
A luta da Fenaj é cobrar a punição dos responsáveis, por parte do governo e do parlamento federais medidas urgentes para que o Brasil não prossiga avançando no ranking internacional de violência contra jornalistas. Afinal de contas, um país que tem a imprensa sob a mira da violência é um país com a democracia em ameaça constante. Como se não bastasse a fragilidade da lei de liberdade de imprensa há anos em discussão no país e sem nenhum avanço até então...
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
A luta pelo acervo do DB
Passada a lástima que foi o fechamento do DB, segmentos da sociedade campinense se unem para, de forma legítima e justa, lutarem pela permanência do acervo jornalístico desse que foi o último jornal diário da cidade. A mobilização começou a ser feita depois da ameaça do arquivo do veículo ser transferido para a sede dos Diários Associados, em Brasília, algo inaceitável para a cidade que lhe serviu de berço e que o abrigou por mais de seu meio século de vida.
Eis aqui uma luta não apenas de jornalistas, historiadores, intelectuais, mas de toda uma coletividade em nome de quem o Diário da Borborema, ou simplesmente, o nosso DB, preencheu ao longo das décadas de sua existência, suas páginas com notícias, reportagens, letras e imagens do cotidiano campinense.
Um veículo que, como muito bem definiu o multiculturalista Bráulio Tavares deve sua vida à Rainha da Borborema. Cidade que muito mais que berço de origem, lhe serviu de fonte de econômica rendendo ao grupo empresário dos Diários Associado, um bom rendimento material e imaterial, se levando em consideração, a imagem eternizada que o matinal campinense deixa registrado na história da imprensa paraibana e brasileira.
Além do mais, não é justo que, a essa altura do campeonato, a cidade seja penalizada pela incapacidade gestora que as últimas diretorias executivas do grupo D&A apresentaram culminando com a morte do jornal. Algo, aliás, que, diga-se de passagem, já era aguardado por muitos como mais uma crônica de uma morte anunciada. Uma morte retardada nos últimos anos, sobretudo, pela eficiente equipe de profissionais que se mantinha na redação os quais, vale ressaltar, conseguiu alavancar o DB para números e cifras otimistas nos últimos anos. Números esses, infelizmente, insuficientes para tirar o jornal da vala financeira em que se encontrava já anos.
E assim se foi mais um jornal campinense. O velho DB por onde tive a honra de trabalhar nos anos 1990 e lá assimilar as minhas primeiras lições práticas de jornalismo diário, e embevecido por essas, adentrar no mundo acadêmico da Comunicação Social. Uma experiência repleta de boas – e outras nem tanto -, lembranças, das quais fazem parte meu arquétipo mental amigos de longas datas, a exemplo de Dilvani, Chico, Luis Henrique, Lauricéia, Silvana, Ivonete e tantos outros.
O DB de inúmeros casos e causos. Escola das mais representativas fundadas por Assis Chateaubriand e por cuja redação passaram muito dos grandes jornalistas que hoje escrevem e registram em outras páginas, e por meio de outras tecnologias, a história da imprensa campinense, paraibana e de outras localidades da federação brasileira.
É por essas e tantas outras lembranças de reconhecimento que me uno a todos aqueles que estão na luta em nome desse estimado e genuíno bem campinense, para gritar e defender até a última instância a permanência daquilo que restou de si. Nesse sentido, parabenizo aos vereadores campinenses, em especial a Antonio Pereira, pela realização da sessão extraordinária para tratar desse que é, sem sombra de dúvidas, um assunto de interesse público.
Enfim e por fim, o destino do acervo do DB agora está por conta das ações a serem impetradas pela Comissão, fruto da respectiva assembléia, formada por vários nomes de representantes de segmentos distintos da sociedade campinense. Nas mãos de quem está o poder de mobilização e deliberação das medidas efetivas em nome da memória desse que um dia não apenas fez parte, mas ajudou a escrever a história de nossa estimada e grandiosa cidade querida.
Para concluir, não devemos nos esquecer que, se como já disse certa feita um grande poeta, uma nação se faz com homens e livros, um jornal se constrói muito mais que apenas homens, papel e máquinas. Faz-se de história e é essa história que não devemos nem podemos deixar se apagar de nossa memória local.
Eis aqui uma luta não apenas de jornalistas, historiadores, intelectuais, mas de toda uma coletividade em nome de quem o Diário da Borborema, ou simplesmente, o nosso DB, preencheu ao longo das décadas de sua existência, suas páginas com notícias, reportagens, letras e imagens do cotidiano campinense.
Um veículo que, como muito bem definiu o multiculturalista Bráulio Tavares deve sua vida à Rainha da Borborema. Cidade que muito mais que berço de origem, lhe serviu de fonte de econômica rendendo ao grupo empresário dos Diários Associado, um bom rendimento material e imaterial, se levando em consideração, a imagem eternizada que o matinal campinense deixa registrado na história da imprensa paraibana e brasileira.
Além do mais, não é justo que, a essa altura do campeonato, a cidade seja penalizada pela incapacidade gestora que as últimas diretorias executivas do grupo D&A apresentaram culminando com a morte do jornal. Algo, aliás, que, diga-se de passagem, já era aguardado por muitos como mais uma crônica de uma morte anunciada. Uma morte retardada nos últimos anos, sobretudo, pela eficiente equipe de profissionais que se mantinha na redação os quais, vale ressaltar, conseguiu alavancar o DB para números e cifras otimistas nos últimos anos. Números esses, infelizmente, insuficientes para tirar o jornal da vala financeira em que se encontrava já anos.
E assim se foi mais um jornal campinense. O velho DB por onde tive a honra de trabalhar nos anos 1990 e lá assimilar as minhas primeiras lições práticas de jornalismo diário, e embevecido por essas, adentrar no mundo acadêmico da Comunicação Social. Uma experiência repleta de boas – e outras nem tanto -, lembranças, das quais fazem parte meu arquétipo mental amigos de longas datas, a exemplo de Dilvani, Chico, Luis Henrique, Lauricéia, Silvana, Ivonete e tantos outros.
O DB de inúmeros casos e causos. Escola das mais representativas fundadas por Assis Chateaubriand e por cuja redação passaram muito dos grandes jornalistas que hoje escrevem e registram em outras páginas, e por meio de outras tecnologias, a história da imprensa campinense, paraibana e de outras localidades da federação brasileira.
É por essas e tantas outras lembranças de reconhecimento que me uno a todos aqueles que estão na luta em nome desse estimado e genuíno bem campinense, para gritar e defender até a última instância a permanência daquilo que restou de si. Nesse sentido, parabenizo aos vereadores campinenses, em especial a Antonio Pereira, pela realização da sessão extraordinária para tratar desse que é, sem sombra de dúvidas, um assunto de interesse público.
Enfim e por fim, o destino do acervo do DB agora está por conta das ações a serem impetradas pela Comissão, fruto da respectiva assembléia, formada por vários nomes de representantes de segmentos distintos da sociedade campinense. Nas mãos de quem está o poder de mobilização e deliberação das medidas efetivas em nome da memória desse que um dia não apenas fez parte, mas ajudou a escrever a história de nossa estimada e grandiosa cidade querida.
Para concluir, não devemos nos esquecer que, se como já disse certa feita um grande poeta, uma nação se faz com homens e livros, um jornal se constrói muito mais que apenas homens, papel e máquinas. Faz-se de história e é essa história que não devemos nem podemos deixar se apagar de nossa memória local.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
DB e O Norte: o fim de mais de um século de jornalismo
Depois do Jornal do Brasil que saiu de circulação em agosto de 2010, agora foi a vez de dois outros jornais impressos tradicionais fecharem as portas. A crise desta feita atingiu a imprensa paraibana, varrendo das bancas de revistas e das mãos de milhares de assinantes, dois dos mais antigos veículos de comunicação da Paraíba e do Brasil: O Diário da Borborema (55 anos) e o Jornal O Norte (103 anos), ambos pertencentes ao grupo Diários Associados.
A notícia pegou de surpresa a sociedade paraibana nessa quinta-feira, 3 de fevereiro, que certamente entrará para a história da imprensa paraibana e brasileira. Um lastimável e lamentável fato que marca o fim de mais de um século e meio de atividades de dois jornais cuja saída de circulação, empobrece ainda mais o jornalismo brasileiro.
Um acontecimento que, de outro lado, comprova, como já asseveram os boatos (que nada mais é do que uma notícia não publicável) a má gestão adminstrativa que vem tomando conta de alguns dos grandes grupos de veículos impressos do país. Um resultado que aponta para a incapacitação e ineficiência que alguns desses grupos empresariais tem apresentado diante dos desafios impostos pela era da comunicação contemporânea, regida de forma determinante pelas dinâmicas e contundentes inovações tecnológicas eletrônicas.
Inovações essas que, diga-se de passagem, tem se tornado o grande algoz dos jornais tradicionais em desabamento, ao serem apontadas como o grande e recente investimento de 'transformação' de tais veículos. Foi assim com o Jornal do Brasil e agora com os dois jornais paraibanos, cujo discurso oficial de despedida é revestido pelo conceito de praticidade e modernidade. É assim que se ler na tarja explicativa, porém, injustificável: DB e O Norte, agora na versão online, mais modernos, mais atuais, mais completos.....
A prova da ingerência dos grupos por trás dos veículos entretanto, se comprova, de um lado, por meio dos índices de crescimento que vários jornais tradicionais vem obtendo nos últimos anos, e por outro, pelo sucesso que vários dos periódicos impressos recém lançados em vários estados vem apresentando. Jornais que trazem consigo, inovações advindas de ideias novas e não propriamente de novas tecnologias...
A notícia pegou de surpresa a sociedade paraibana nessa quinta-feira, 3 de fevereiro, que certamente entrará para a história da imprensa paraibana e brasileira. Um lastimável e lamentável fato que marca o fim de mais de um século e meio de atividades de dois jornais cuja saída de circulação, empobrece ainda mais o jornalismo brasileiro.
Um acontecimento que, de outro lado, comprova, como já asseveram os boatos (que nada mais é do que uma notícia não publicável) a má gestão adminstrativa que vem tomando conta de alguns dos grandes grupos de veículos impressos do país. Um resultado que aponta para a incapacitação e ineficiência que alguns desses grupos empresariais tem apresentado diante dos desafios impostos pela era da comunicação contemporânea, regida de forma determinante pelas dinâmicas e contundentes inovações tecnológicas eletrônicas.
Inovações essas que, diga-se de passagem, tem se tornado o grande algoz dos jornais tradicionais em desabamento, ao serem apontadas como o grande e recente investimento de 'transformação' de tais veículos. Foi assim com o Jornal do Brasil e agora com os dois jornais paraibanos, cujo discurso oficial de despedida é revestido pelo conceito de praticidade e modernidade. É assim que se ler na tarja explicativa, porém, injustificável: DB e O Norte, agora na versão online, mais modernos, mais atuais, mais completos.....
A prova da ingerência dos grupos por trás dos veículos entretanto, se comprova, de um lado, por meio dos índices de crescimento que vários jornais tradicionais vem obtendo nos últimos anos, e por outro, pelo sucesso que vários dos periódicos impressos recém lançados em vários estados vem apresentando. Jornais que trazem consigo, inovações advindas de ideias novas e não propriamente de novas tecnologias...
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
A crise na grande mídia
As notícias divulgadas neste início de ano sobre o campo profissional jornalístico não são nada animadoras para a categoria. Ao que parece, a onda avassaladora de uma crise que se arrastou por todo o ano passado e que contabilizou mais de 500 rescisões de contratos, se perpetua varrendo as redações dos grandes veículos de comunicação do país, resultando na demissão de centenas de jornalistas. Só nos últimos 30 dias, foram anunciadas, segundo informações divulgadas no portal do comuniquese.com.br, a demissão de profissionais de três dos maiores grupos midiáticos do país: Record, Abril e Band.
A última onda de demissão coletiva anunciada foi da Band que teria dispensado de seus quadros fixos, cerca de 70 profissionais entre repórteres, produtores e editores. Na verdade, esse tipo de notícia tem ocupado, cada vez mais,as principais manchetes dos portais especializados na cobertura sobre a mídia, a exemplo do portal anunciado e, obviamente, preocupado aqueles que vivem de uma das mais relevantes - nem por isso valorizadas, profissões da contemporaneidade.
Em contra-partida, a luz no fim do túnel parece estar vindo das empresas de TV´s por assinaturas que, depois de passarem por uma forte crise no final da primeira década passada, apresentam avanços animadores. Nesse sentido, uma das noticias mais recentes divulgadas dá conta de que a TV Fox irá contratar 200 profissionais. A boa nova vem da FOX Sport Brasil, um dos braços dessa que é uma das maiores empresas midiáticas multinacionais em franco desenvolvimento no Brasil. Aliás, outras váriras contratações deverão ser feitas ao longo dos anos vindouros em que a terra de Cabral sediará dois dos maiores e mais lucrativos eventos midiáticos do mundo: a Copa e os Jogos Olímpicos. Depois disso, só Deus dirá para onde migrarão essas mãos de obras qualificadas...
Como se vê, nem tudo parece estar perdido, muito embora, sem querer ser um tanto pessimista ou desagradável, resta saber quais as condições salariais e de trabalho apresentados aos novos contratados. E essa, vale salientar, diz respeito a uma das mais duras realidades porque passa a grande maioria dos jornalistas que sobrevivem da imprensa nos veículos situados fora da área de circunscriçaõ da chamada grande mídia. Profissionais situados, bem abaixo da ‘linha do equador brasileira’. Trocando em miúdos, os profissionais que labutam fora do eixo sul-sudeste e que são responsáveis pela dinâmica rede de fluxo informacional interiorana do país. Mas essa é uma outra questão para um outro comentário...
A última onda de demissão coletiva anunciada foi da Band que teria dispensado de seus quadros fixos, cerca de 70 profissionais entre repórteres, produtores e editores. Na verdade, esse tipo de notícia tem ocupado, cada vez mais,as principais manchetes dos portais especializados na cobertura sobre a mídia, a exemplo do portal anunciado e, obviamente, preocupado aqueles que vivem de uma das mais relevantes - nem por isso valorizadas, profissões da contemporaneidade.
Em contra-partida, a luz no fim do túnel parece estar vindo das empresas de TV´s por assinaturas que, depois de passarem por uma forte crise no final da primeira década passada, apresentam avanços animadores. Nesse sentido, uma das noticias mais recentes divulgadas dá conta de que a TV Fox irá contratar 200 profissionais. A boa nova vem da FOX Sport Brasil, um dos braços dessa que é uma das maiores empresas midiáticas multinacionais em franco desenvolvimento no Brasil. Aliás, outras váriras contratações deverão ser feitas ao longo dos anos vindouros em que a terra de Cabral sediará dois dos maiores e mais lucrativos eventos midiáticos do mundo: a Copa e os Jogos Olímpicos. Depois disso, só Deus dirá para onde migrarão essas mãos de obras qualificadas...
Como se vê, nem tudo parece estar perdido, muito embora, sem querer ser um tanto pessimista ou desagradável, resta saber quais as condições salariais e de trabalho apresentados aos novos contratados. E essa, vale salientar, diz respeito a uma das mais duras realidades porque passa a grande maioria dos jornalistas que sobrevivem da imprensa nos veículos situados fora da área de circunscriçaõ da chamada grande mídia. Profissionais situados, bem abaixo da ‘linha do equador brasileira’. Trocando em miúdos, os profissionais que labutam fora do eixo sul-sudeste e que são responsáveis pela dinâmica rede de fluxo informacional interiorana do país. Mas essa é uma outra questão para um outro comentário...
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Televangeli$mo: a arte de viver da fé
Instrumento de geração, manutenção e disputa de poder em seu sentido mais amplo, a televisão continua sendo um dos símbolos mais significantes e ao mesmo tempo reveladores dos rumos que a fé institucionalizada tem tomado no Brasil. Meio de comunicação massivo de largo alcance e fonte inesgotável de arrecadamento financeiro – o BBB que o diga -, a Tv tem se mantido , ao longo das últimas décadas, o objeto de fé maior dos líderes religiosos no terreno da acirrada e lucrativa disputa pelos fiéis.
Trata-se aqui de um dos fenômenos sociais mais instigantes desse novo milênio e que se apresenta como um dos sinais mais claros dos novos tempos. Tempos dos templos cada vez mais numerosos e multiplicados, em grande parte, pelas antenas de Tv´s, numa demonstração inequívoca da arte de se viver da fé. Algo,aliás, já apregoado, num dos grandes hits dos anos 1980, na voz do paraibano Herbert Viana, em mais uma daquelas canções que fazem dos cantores, grandes visionários e até mesmo profetas do mundo moderno.
Pelo menos é assim que se tem percebido o movimento já denominado de televangelismo que se propaga pelo país com uma grande intensidade. Algo iniciado pela Igreja Católica que detém cerca de 200 emissoras de rádio e 50 de TV´s espalhadas pelo país e de que agora se vale a Igreja Protestante com 80 emissoras de rádio e aproximadamente 300 emissoras de Tv. Fenômeno esse descrito de maneira extremamente esclarecedora e lúcida pelo jornalista Luiz Cláudio Cunha, em artigo postado recentemente no portal www.observatoriodaimprensa. O texto se constitui numa contundente análise histórica e sociológica em torno do fenômeno aqui apresentado, de onde, se pode extrair os seguintes fatos para apreciação:
Fato 1: Depois de uma negociação milionária com a TV de Jonh Saad (a Bandeirantes), o pastor R.R. Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, comprou um espaço no horário nobre da programação para ampliação de seu ‘Show da Fé’,programa já exibido pelo religioso, por meio do qual, esse faz uma ampla arrecadação de dízimo e vende uma série de produtos bíblicos. O valor da transação especula-se em torno de R$ 10 milhões ao mês. Fazendo um breve adendo, a título de complemento, para aquele que não sabem, R. R. Soares é ex-cunhado de Edir Macedo e, assim como o mais novo fenômeno do movimento neopentecostal brasileiro, o pastor Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, é um membro dissidente desgarrado da Igreja Universal do Reino de Deus, o primeiro grande empreendimento que escancarou as portas do mercado da fé no Brasil.
Fato 2: em notícias veiculadas na imprensa brasileira no ano passado, quatro dos líderes do movimento avangélico no país, dentre os quais fazem parte os já citados e Silas Malafaias (esse mais mala do qualquer outra coisa), rondaram o empresário Silvio Santos na esperança de amealhar o espaço da madrugada do SBT, oferecendo para tanto, a cifra de R$ 20 milhões mensais.
Fato3: Além dos fatos anteriores, também se tornou pública para toda a nação em 2011, a informação da proposta pra lá de convidativa feita por Edir Macedo à alta cúpula da Globo, a quem o líder religioso teria oferecido nada mais nada menos que meio bilhão de reais pelo horário na madrugada da TV Globo. Proposta essa que, como era de se esperar, mesmo sendo ávida pelo vil metal, a empresa dos Marinhos recusou.
Essas são apenas alguma das diversas transações feita envolvendo televangeli$tas e empresários das TV´s que, diga-se de passagem, tratam-se de empresas que exploram uma concessão pública e como tal, regida por leis, que, por sua vez, a mercê do Estado que até onde se sabe, continua laico e pautado nos direitos igualitários de expressão de pensamento e credo. Mas essa já é uma outra questão para uma outra ocasião...
O fato é que, como se vê, TV, fé e dinheiro, tem se tornado uma mistura pra lá de pro(e)missora de que tem se valido os líderes religiosos ao propagar aos quatro cantos, a teologia da prosperidade, por meio da qual, fé e dinheiro tem absolutamente tudo a ver. E, nesse contexto, a tv é sim, uma arte de se viver da fé, só não se sabe fé em quê...
Trata-se aqui de um dos fenômenos sociais mais instigantes desse novo milênio e que se apresenta como um dos sinais mais claros dos novos tempos. Tempos dos templos cada vez mais numerosos e multiplicados, em grande parte, pelas antenas de Tv´s, numa demonstração inequívoca da arte de se viver da fé. Algo,aliás, já apregoado, num dos grandes hits dos anos 1980, na voz do paraibano Herbert Viana, em mais uma daquelas canções que fazem dos cantores, grandes visionários e até mesmo profetas do mundo moderno.
Pelo menos é assim que se tem percebido o movimento já denominado de televangelismo que se propaga pelo país com uma grande intensidade. Algo iniciado pela Igreja Católica que detém cerca de 200 emissoras de rádio e 50 de TV´s espalhadas pelo país e de que agora se vale a Igreja Protestante com 80 emissoras de rádio e aproximadamente 300 emissoras de Tv. Fenômeno esse descrito de maneira extremamente esclarecedora e lúcida pelo jornalista Luiz Cláudio Cunha, em artigo postado recentemente no portal www.observatoriodaimprensa. O texto se constitui numa contundente análise histórica e sociológica em torno do fenômeno aqui apresentado, de onde, se pode extrair os seguintes fatos para apreciação:
Fato 1: Depois de uma negociação milionária com a TV de Jonh Saad (a Bandeirantes), o pastor R.R. Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, comprou um espaço no horário nobre da programação para ampliação de seu ‘Show da Fé’,programa já exibido pelo religioso, por meio do qual, esse faz uma ampla arrecadação de dízimo e vende uma série de produtos bíblicos. O valor da transação especula-se em torno de R$ 10 milhões ao mês. Fazendo um breve adendo, a título de complemento, para aquele que não sabem, R. R. Soares é ex-cunhado de Edir Macedo e, assim como o mais novo fenômeno do movimento neopentecostal brasileiro, o pastor Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, é um membro dissidente desgarrado da Igreja Universal do Reino de Deus, o primeiro grande empreendimento que escancarou as portas do mercado da fé no Brasil.
Fato 2: em notícias veiculadas na imprensa brasileira no ano passado, quatro dos líderes do movimento avangélico no país, dentre os quais fazem parte os já citados e Silas Malafaias (esse mais mala do qualquer outra coisa), rondaram o empresário Silvio Santos na esperança de amealhar o espaço da madrugada do SBT, oferecendo para tanto, a cifra de R$ 20 milhões mensais.
Fato3: Além dos fatos anteriores, também se tornou pública para toda a nação em 2011, a informação da proposta pra lá de convidativa feita por Edir Macedo à alta cúpula da Globo, a quem o líder religioso teria oferecido nada mais nada menos que meio bilhão de reais pelo horário na madrugada da TV Globo. Proposta essa que, como era de se esperar, mesmo sendo ávida pelo vil metal, a empresa dos Marinhos recusou.
Essas são apenas alguma das diversas transações feita envolvendo televangeli$tas e empresários das TV´s que, diga-se de passagem, tratam-se de empresas que exploram uma concessão pública e como tal, regida por leis, que, por sua vez, a mercê do Estado que até onde se sabe, continua laico e pautado nos direitos igualitários de expressão de pensamento e credo. Mas essa já é uma outra questão para uma outra ocasião...
O fato é que, como se vê, TV, fé e dinheiro, tem se tornado uma mistura pra lá de pro(e)missora de que tem se valido os líderes religiosos ao propagar aos quatro cantos, a teologia da prosperidade, por meio da qual, fé e dinheiro tem absolutamente tudo a ver. E, nesse contexto, a tv é sim, uma arte de se viver da fé, só não se sabe fé em quê...
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