Instrumento de geração, manutenção e disputa de poder em seu sentido mais amplo, a televisão continua sendo um dos símbolos mais significantes e ao mesmo tempo reveladores dos rumos que a fé institucionalizada tem tomado no Brasil. Meio de comunicação massivo de largo alcance e fonte inesgotável de arrecadamento financeiro – o BBB que o diga -, a Tv tem se mantido , ao longo das últimas décadas, o objeto de fé maior dos líderes religiosos no terreno da acirrada e lucrativa disputa pelos fiéis.
Trata-se aqui de um dos fenômenos sociais mais instigantes desse novo milênio e que se apresenta como um dos sinais mais claros dos novos tempos. Tempos dos templos cada vez mais numerosos e multiplicados, em grande parte, pelas antenas de Tv´s, numa demonstração inequívoca da arte de se viver da fé. Algo,aliás, já apregoado, num dos grandes hits dos anos 1980, na voz do paraibano Herbert Viana, em mais uma daquelas canções que fazem dos cantores, grandes visionários e até mesmo profetas do mundo moderno.
Pelo menos é assim que se tem percebido o movimento já denominado de televangelismo que se propaga pelo país com uma grande intensidade. Algo iniciado pela Igreja Católica que detém cerca de 200 emissoras de rádio e 50 de TV´s espalhadas pelo país e de que agora se vale a Igreja Protestante com 80 emissoras de rádio e aproximadamente 300 emissoras de Tv. Fenômeno esse descrito de maneira extremamente esclarecedora e lúcida pelo jornalista Luiz Cláudio Cunha, em artigo postado recentemente no portal www.observatoriodaimprensa. O texto se constitui numa contundente análise histórica e sociológica em torno do fenômeno aqui apresentado, de onde, se pode extrair os seguintes fatos para apreciação:
Fato 1: Depois de uma negociação milionária com a TV de Jonh Saad (a Bandeirantes), o pastor R.R. Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, comprou um espaço no horário nobre da programação para ampliação de seu ‘Show da Fé’,programa já exibido pelo religioso, por meio do qual, esse faz uma ampla arrecadação de dízimo e vende uma série de produtos bíblicos. O valor da transação especula-se em torno de R$ 10 milhões ao mês. Fazendo um breve adendo, a título de complemento, para aquele que não sabem, R. R. Soares é ex-cunhado de Edir Macedo e, assim como o mais novo fenômeno do movimento neopentecostal brasileiro, o pastor Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, é um membro dissidente desgarrado da Igreja Universal do Reino de Deus, o primeiro grande empreendimento que escancarou as portas do mercado da fé no Brasil.
Fato 2: em notícias veiculadas na imprensa brasileira no ano passado, quatro dos líderes do movimento avangélico no país, dentre os quais fazem parte os já citados e Silas Malafaias (esse mais mala do qualquer outra coisa), rondaram o empresário Silvio Santos na esperança de amealhar o espaço da madrugada do SBT, oferecendo para tanto, a cifra de R$ 20 milhões mensais.
Fato3: Além dos fatos anteriores, também se tornou pública para toda a nação em 2011, a informação da proposta pra lá de convidativa feita por Edir Macedo à alta cúpula da Globo, a quem o líder religioso teria oferecido nada mais nada menos que meio bilhão de reais pelo horário na madrugada da TV Globo. Proposta essa que, como era de se esperar, mesmo sendo ávida pelo vil metal, a empresa dos Marinhos recusou.
Essas são apenas alguma das diversas transações feita envolvendo televangeli$tas e empresários das TV´s que, diga-se de passagem, tratam-se de empresas que exploram uma concessão pública e como tal, regida por leis, que, por sua vez, a mercê do Estado que até onde se sabe, continua laico e pautado nos direitos igualitários de expressão de pensamento e credo. Mas essa já é uma outra questão para uma outra ocasião...
O fato é que, como se vê, TV, fé e dinheiro, tem se tornado uma mistura pra lá de pro(e)missora de que tem se valido os líderes religiosos ao propagar aos quatro cantos, a teologia da prosperidade, por meio da qual, fé e dinheiro tem absolutamente tudo a ver. E, nesse contexto, a tv é sim, uma arte de se viver da fé, só não se sabe fé em quê...
Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
sábado, 21 de janeiro de 2012
Luiza e a midiocrização contagiante
Corroborando com a opinião do jornalista e apresentador do telejornal do SBT, Carlos Nascimento, os últimos episódios destacados pelos principais veículos de comunicação do país apontam, de fato, para um quadro de total idiotices que parece dominar a mídia brasileira. A sucessão de episódios midiáticos que teve início com o primeiro caso de estupro consentido da história -protagonizado por um dos casais geniais do BBB-, seguido da notícia falsa da barriga de quadrigêmeos e que deixou toda a mídia literalmente de’ quatro’, completada com o meme da paraibana Luiza e que se tornou o fato mais comentado da última semana, realmente merece uma reflexão de toda a nação.
Uma reflexão acerca do processo de ‘midiocrização’ contagiante que se propaga na nova era da comunicação social. Um fenômeno preocupante que tem na efemeridade e futilidade dois de seus principais elementos configuradores da nova era midiática que vivenciamos. Uma época em que a mediocridade parece ser eleita como o mais valioso dos crivos de produção midiática, colocando abaixo todos os princípios éticos, morais e até mesmo os valores-notícias clássicos de que a imprensa tem se valido há séculos. Época em que a relevância dos fatos para a sociedade era o primeiro e mais importante crivo para a pauta jornalística.
Analisando sob a ótica da sociologia moderna, trata-se da confirmação do que já vem sendo denunciado há algumas décadas por vários estudiosos e que dá conta do ápice da espetacularização da vida cotidiana. Um fenômeno que tem na ânsia acelerada pela notoriedade massiva, um de seus motores propulsores, causando, dentre vários efeitos de massificação, a formatação da produção das celebridades instantâneas. A quebra total da linha tênue que separa a vida privada da vida pública e que torna o cotidiano um permanente reality show.
Como já foi dito, nunca na história do mundo, os 15 segundos de fama foram tão almejados e fabricados dentro de um padrão esdrúxulo. Algo capaz de tirar do sério até mesmos os menos idiotas – assim como eu -e causar um terrível sentimento de saudosismo. Saudosismo, por exemplo, do tempo em que ‘Luiza” era sinônimo de uma das mais belas canções de amor composta por Tom Jobim. Mas, isso , é claro, é coisa do passado. Um passado bem menos espetacular, mas sem sombra de dúvidas, fantástico!.
Uma reflexão acerca do processo de ‘midiocrização’ contagiante que se propaga na nova era da comunicação social. Um fenômeno preocupante que tem na efemeridade e futilidade dois de seus principais elementos configuradores da nova era midiática que vivenciamos. Uma época em que a mediocridade parece ser eleita como o mais valioso dos crivos de produção midiática, colocando abaixo todos os princípios éticos, morais e até mesmo os valores-notícias clássicos de que a imprensa tem se valido há séculos. Época em que a relevância dos fatos para a sociedade era o primeiro e mais importante crivo para a pauta jornalística.
Analisando sob a ótica da sociologia moderna, trata-se da confirmação do que já vem sendo denunciado há algumas décadas por vários estudiosos e que dá conta do ápice da espetacularização da vida cotidiana. Um fenômeno que tem na ânsia acelerada pela notoriedade massiva, um de seus motores propulsores, causando, dentre vários efeitos de massificação, a formatação da produção das celebridades instantâneas. A quebra total da linha tênue que separa a vida privada da vida pública e que torna o cotidiano um permanente reality show.
Como já foi dito, nunca na história do mundo, os 15 segundos de fama foram tão almejados e fabricados dentro de um padrão esdrúxulo. Algo capaz de tirar do sério até mesmos os menos idiotas – assim como eu -e causar um terrível sentimento de saudosismo. Saudosismo, por exemplo, do tempo em que ‘Luiza” era sinônimo de uma das mais belas canções de amor composta por Tom Jobim. Mas, isso , é claro, é coisa do passado. Um passado bem menos espetacular, mas sem sombra de dúvidas, fantástico!.
domingo, 1 de janeiro de 2012
O espetáculo do ano novo
Em São Paulo, na avenida Paulista, cerca de 2 milhões de pessoas acompanharam sob chuva de bolinhas de sabão e o tradicional show pirotécnico, a chegada do ano novo. No mesmo instante, em Nova York, no Time Square, outras centenas de milhares de pessoas festejavam ao som de Lady Gaga, o início de 2012. Tanto lá como aqui, ou em qualquer outra parte do mundo, a passagem de ano ficou registrada, como sempre ocorre, de maneira espetacular. Um show de proporções gigantescas constituído de imagens coloridas, fascinantes e inebriantes. Um acontecimento feito na medida para uma multidão cada vez mais insaciável pelo aspecto espetacular da vida.
Trata-se aqui de um dos fenômenos mais emblemáticos e reveladores daquilo que o pensador francês Guy Debord intitulou, há mais de cinco décadas, como a sociedade do espetáculo. Um fenômeno caracterizado, sobretudo, pela eminência da espetacularização e debilidade espiritual da modernidade frente ao avanço da força do capital que dá o tom e nuances da vida na sociedade em que vivemos.
É assim que, esses primeiros instantes da virada de ano nos faz compreender o mundo em que vivemos. Mais que isso. Faz-nos enxergar de forma mais transparente o prisma por meio do qual um número cada vez maior de pessoas em toda a parte do planeta vêem a si mesmo e o mundo a sua volta. Uma ótica totalmente projetada através de lentes fantasiosas e multicoloridas que fazem da vida e do mundo em que habitamos um grande palco de emoções e sensações efêmeras e megalomaníacas.
Um calidoscópio que tem nas estratégias midiáticas que regem o cotidiano das pessoas, o principal mecanismo de espetacularização desse mesmo cotidiano. Rotina essa que somos forçados a enxergar como algo cada vez mais enfadonho, cinza e, portanto, carente de uma pigmentação de luzes, cores e estética ludibriante.
É assim que damos as boas vindas a mais um ano novo, mesmo muitas vezes cientes de que, como nos diz sabiamente uma das músicas dos Titãs, o novo fica por conta das novidades antigas. Por isso mesmo, é mais válido desejarmos, hoje em dia, um ano novo espetacular!!!???
De toda forma, desejo a todos os amigos um feliz 2012.
OBS: Como complemento, deixo aqui a letra da música dos Titãs, para sugestão para uma das nossas primeiras reflexões de 2012, não esquecendo de que continuaremos vivendo sob a égida da era midiática!
A MELHO BANDA DE TODOS OS TEMPOS DA ÚLTIMA SEMANA (TITÃS)
Quinze minutos de fama
Mais um pros comerciais,
Quinze minutos de fama
Depois descanse em paz.
O gênio da última hora,
É o idiota do ano seguinte
O último novo-rico,
É o mais novo pedinte
A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores
fracassos
Não importa contradição
O que importa é televisão
Dizem que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume então
As músicas mais pedidas
Os discos que vendem mais,
As novidades antigas
Nas páginas do jornais
Um idiota em inglês,
Se é um idiota, é bem menos que nós
Um idiota em inglês
É bem melhor do que eu e vocês
A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos
Trata-se aqui de um dos fenômenos mais emblemáticos e reveladores daquilo que o pensador francês Guy Debord intitulou, há mais de cinco décadas, como a sociedade do espetáculo. Um fenômeno caracterizado, sobretudo, pela eminência da espetacularização e debilidade espiritual da modernidade frente ao avanço da força do capital que dá o tom e nuances da vida na sociedade em que vivemos.
É assim que, esses primeiros instantes da virada de ano nos faz compreender o mundo em que vivemos. Mais que isso. Faz-nos enxergar de forma mais transparente o prisma por meio do qual um número cada vez maior de pessoas em toda a parte do planeta vêem a si mesmo e o mundo a sua volta. Uma ótica totalmente projetada através de lentes fantasiosas e multicoloridas que fazem da vida e do mundo em que habitamos um grande palco de emoções e sensações efêmeras e megalomaníacas.
Um calidoscópio que tem nas estratégias midiáticas que regem o cotidiano das pessoas, o principal mecanismo de espetacularização desse mesmo cotidiano. Rotina essa que somos forçados a enxergar como algo cada vez mais enfadonho, cinza e, portanto, carente de uma pigmentação de luzes, cores e estética ludibriante.
É assim que damos as boas vindas a mais um ano novo, mesmo muitas vezes cientes de que, como nos diz sabiamente uma das músicas dos Titãs, o novo fica por conta das novidades antigas. Por isso mesmo, é mais válido desejarmos, hoje em dia, um ano novo espetacular!!!???
De toda forma, desejo a todos os amigos um feliz 2012.
OBS: Como complemento, deixo aqui a letra da música dos Titãs, para sugestão para uma das nossas primeiras reflexões de 2012, não esquecendo de que continuaremos vivendo sob a égida da era midiática!
A MELHO BANDA DE TODOS OS TEMPOS DA ÚLTIMA SEMANA (TITÃS)
Quinze minutos de fama
Mais um pros comerciais,
Quinze minutos de fama
Depois descanse em paz.
O gênio da última hora,
É o idiota do ano seguinte
O último novo-rico,
É o mais novo pedinte
A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores
fracassos
Não importa contradição
O que importa é televisão
Dizem que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume então
As músicas mais pedidas
Os discos que vendem mais,
As novidades antigas
Nas páginas do jornais
Um idiota em inglês,
Se é um idiota, é bem menos que nós
Um idiota em inglês
É bem melhor do que eu e vocês
A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
jornalismo e obscuridade dos fatos
Para muito além da simples narrativa dos fatos, o jornalismo contemporâneo padece de uma crise permanente de obscuridade dos acontecimentos. Reflexo direto do processo de saturação da noticiabilidade que caracteriza os meios de comunicação na era da internet, como conseqüência, nos vemos todos diantes de uma quase que total ausência do trabalho de aprofundamento dos fatos e de incompletude da informação. Algo manifesto pela grande maioria dos veículos que constituem a imprensa brasileira e, de forma ainda mais agravante, a imprensa local e regional.
Reflexo disso, assistimos, ouvimos e lemos diariamente uma série de notícias cujo teor informativo suscita, no mínimo, uma certa curiosidade por parte da sociedade que continua esperando por uma postura mais cidadã dos meios de comunicação, esses mesmos que tanto se afloram como agentes de cidadania confundindo exercício de cidadania com serviços de utilidade pública.
Como apregoa a própria filosofia do jornalismo – contida inclusive em muitos manuais de redação -, o bom jornalismo é aquele que fornece ao cidadão, os antecedentes e as implicações de uma notícia, possibilitando ao cidadão uma compreensão mais ampla acerca dos fatos narrados diariamente. Nesse sentido, alguns mais do que outros.
É o caso, por exemplo, dos dados noticiados recentemente pela imprensa local e estadual dando conta de que a Paraíba tem 130.927 pessoas, ou seja, o equivalente a 3,5% da população, morando em 90 favelas. Como se pode perceber, para muito além dos números, a notícia aponta para um dos reflexos mais graves da falta de gestão de políticas públicas voltadas para essa que continua sendo uma das maiores mazelas sociais de todos os tempos, a falta de moradia para a população.
Vendo por esse ângulo, os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes ao Censo Demográfico 2010 e amplamente noticiados pelos veículos de comunicação paraibanos, com, aliás, já diz um jargão popular, falam por si. Mais do que isso, os dados estatísticos gritam e trazem consigo, de maneira subentendida, um alerta a essa que ainda é a principal esfera de mediação e mobilização social que é a imprensa, ou de maneira mais genérica, a mídia.
Mídia essa que, como se vê, continua optando pela opção mais cômoda, menos trabalhosa mas também, porque não dizer, mais comprometedora, jogando para debaixo do tapete informacional, o cerne das questões. Em síntese, ao se eximir do trabalho interpretativo da informação, os meios de comunicação corroboram para essa situação que ai está, fazendo desse tipo de notícia, algo com menos importância. Um fenômeno comum e sem necessidade alguma de melhores explicações para a sociedade. O que nos faz refletir cada vez mais sobre a serviço de quem realmente está a mídia e para onde se dirige o bom e imprescindível trabalho jornalístico pautado no legítimo exercício da cidadania......
Reflexo disso, assistimos, ouvimos e lemos diariamente uma série de notícias cujo teor informativo suscita, no mínimo, uma certa curiosidade por parte da sociedade que continua esperando por uma postura mais cidadã dos meios de comunicação, esses mesmos que tanto se afloram como agentes de cidadania confundindo exercício de cidadania com serviços de utilidade pública.
Como apregoa a própria filosofia do jornalismo – contida inclusive em muitos manuais de redação -, o bom jornalismo é aquele que fornece ao cidadão, os antecedentes e as implicações de uma notícia, possibilitando ao cidadão uma compreensão mais ampla acerca dos fatos narrados diariamente. Nesse sentido, alguns mais do que outros.
É o caso, por exemplo, dos dados noticiados recentemente pela imprensa local e estadual dando conta de que a Paraíba tem 130.927 pessoas, ou seja, o equivalente a 3,5% da população, morando em 90 favelas. Como se pode perceber, para muito além dos números, a notícia aponta para um dos reflexos mais graves da falta de gestão de políticas públicas voltadas para essa que continua sendo uma das maiores mazelas sociais de todos os tempos, a falta de moradia para a população.
Vendo por esse ângulo, os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes ao Censo Demográfico 2010 e amplamente noticiados pelos veículos de comunicação paraibanos, com, aliás, já diz um jargão popular, falam por si. Mais do que isso, os dados estatísticos gritam e trazem consigo, de maneira subentendida, um alerta a essa que ainda é a principal esfera de mediação e mobilização social que é a imprensa, ou de maneira mais genérica, a mídia.
Mídia essa que, como se vê, continua optando pela opção mais cômoda, menos trabalhosa mas também, porque não dizer, mais comprometedora, jogando para debaixo do tapete informacional, o cerne das questões. Em síntese, ao se eximir do trabalho interpretativo da informação, os meios de comunicação corroboram para essa situação que ai está, fazendo desse tipo de notícia, algo com menos importância. Um fenômeno comum e sem necessidade alguma de melhores explicações para a sociedade. O que nos faz refletir cada vez mais sobre a serviço de quem realmente está a mídia e para onde se dirige o bom e imprescindível trabalho jornalístico pautado no legítimo exercício da cidadania......
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
O FNDC na luta pela democratização da comunicação
Criado em 1991, o Forum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) celebrou nesse dia 14 de dezembro, seus 20 anos de história. Surgido na década de 1990, apontada como a época significativa para o avanço da luta pela democratização da comunicação no país, o FNDC é hoje uma das principais entidades da sociedade civil organizada a sustentar essa bandeira de luta.
Ao comemorar as suas duas décadas de existência, a entidade mudou de direção geral, antes sob a responsabilidade da FENAJ e agora sob a tutela da CUT. A mudança causou um certo mal estar entre os membros integrantes da entidade, muitos dos quais não aprovaram a escolha da atual entidade para presidir os rumos do FNDC. Contudo, como a democracia é o principal lema da entidade, a decisão terminou sendo comemorado por todos em Plenária promovida na mesma data acima citada.
Só resta saber até que ponto essa discordância não gere, nos bastidores da luta pelo poder, conflitos maiores os quais possam comprometer o propósito e rumo deste que ainda é, se não o principal, um dos mais significantes grupos civis a sustentar a bandeira de luta por esse que é um dos direitos mais fundamentais da sociedade moderna, o direito à comunicação livre e democrática.
Ao comemorar as suas duas décadas de existência, a entidade mudou de direção geral, antes sob a responsabilidade da FENAJ e agora sob a tutela da CUT. A mudança causou um certo mal estar entre os membros integrantes da entidade, muitos dos quais não aprovaram a escolha da atual entidade para presidir os rumos do FNDC. Contudo, como a democracia é o principal lema da entidade, a decisão terminou sendo comemorado por todos em Plenária promovida na mesma data acima citada.
Só resta saber até que ponto essa discordância não gere, nos bastidores da luta pelo poder, conflitos maiores os quais possam comprometer o propósito e rumo deste que ainda é, se não o principal, um dos mais significantes grupos civis a sustentar a bandeira de luta por esse que é um dos direitos mais fundamentais da sociedade moderna, o direito à comunicação livre e democrática.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
MÍDIA, AUDIÊNCIA E VIOLÊNCIA NA PB
Como é do conhecimento de todos, as pesquisas de audiência têm alimentado os meios de comunicação de massa e, em especial, as emissoras de TV´s de todo o país e, a exemplo do que vem acontecendo na Paraíba, estimulam as empresas de comunicação a investirem no conteúdo da violência em suas grades de programação. Dos telejornais aos tradicionais programas policiais, a onda de crimes, mortes e acidentes, ganham destaque nos veículos em nome da acirrada concorrência entre os veículos líderes de audiência no Estado, assim como acontece no país.
Líder de audiência no horário, o programa Correio Verdade, que vai ao ar todos os dias pela TV Correio e que tem no sensacionalismo exacerbado e desrespeitoso – já que segundo Alberto Dines, tornar um fato sensacional é uma característica natural da praxi jornalística, porém, não necessariamente descambando no apelativo -, é um retrato fiel dessa realidade espelhada pelas pesquisas.
Entretanto, a permanente liderança de audiência do Correio Verdade que, vale salientar, vem incomodando seriamente a TV Cabo Branco – até então líder em todos os horários-, se restringe à Capital. Em Campina Grande, apesar de ter uma grande penetração, o programa perde para o telejornal JPB 1ª edição, conforme pesquisa divulgada pelo Instituto Ibope.
Aqui está, portanto, um elemento instigante e válido para algumas reflexões, sobretudo, dentro da perspectiva dos estudos da recepção, os quais trazem à tona toda complexidade que envolve a relação dos receptores com a produção midiática. Dentre os possíveis questionamentos a serem levantados e investigados estão os seguintes:
1 – Em que a audiência de João Pessoa se difere da audiência do público receptor de Campina Grande?
2 – Em que o formato do telejornal apresentado pela TV Cabo Branco se difere do que é apresentado em Campina Grande e ao que parece, agrada melhor aos campinenses que o programa considerado por alguns como um ‘show de horrores’?
Em , síntese, acreditamos que aqui está um valioso fenômeno a ser melhor esmiuçado pelos institutos de pesquisa e em especial pelos estudos acadêmicos de análise de recepção os quais apontam para uma mudança considerável no complexo processo de emissão e recepção contemporâneo. Algo que, como foi averiguado por meio do seminário “Mídia, agendamento social e qualidade de audiência”, realizado recentemente pelos estudantes do bacharelado em Educomunicação da UFCG, traz à tona elementos ainda ignorados pelas pesquisas de audiências quantitativas, as quais superestimam os números e subestimam os interesses e a autonomia dos receptores diante da TV que esses querem assistir.
Líder de audiência no horário, o programa Correio Verdade, que vai ao ar todos os dias pela TV Correio e que tem no sensacionalismo exacerbado e desrespeitoso – já que segundo Alberto Dines, tornar um fato sensacional é uma característica natural da praxi jornalística, porém, não necessariamente descambando no apelativo -, é um retrato fiel dessa realidade espelhada pelas pesquisas.
Entretanto, a permanente liderança de audiência do Correio Verdade que, vale salientar, vem incomodando seriamente a TV Cabo Branco – até então líder em todos os horários-, se restringe à Capital. Em Campina Grande, apesar de ter uma grande penetração, o programa perde para o telejornal JPB 1ª edição, conforme pesquisa divulgada pelo Instituto Ibope.
Aqui está, portanto, um elemento instigante e válido para algumas reflexões, sobretudo, dentro da perspectiva dos estudos da recepção, os quais trazem à tona toda complexidade que envolve a relação dos receptores com a produção midiática. Dentre os possíveis questionamentos a serem levantados e investigados estão os seguintes:
1 – Em que a audiência de João Pessoa se difere da audiência do público receptor de Campina Grande?
2 – Em que o formato do telejornal apresentado pela TV Cabo Branco se difere do que é apresentado em Campina Grande e ao que parece, agrada melhor aos campinenses que o programa considerado por alguns como um ‘show de horrores’?
Em , síntese, acreditamos que aqui está um valioso fenômeno a ser melhor esmiuçado pelos institutos de pesquisa e em especial pelos estudos acadêmicos de análise de recepção os quais apontam para uma mudança considerável no complexo processo de emissão e recepção contemporâneo. Algo que, como foi averiguado por meio do seminário “Mídia, agendamento social e qualidade de audiência”, realizado recentemente pelos estudantes do bacharelado em Educomunicação da UFCG, traz à tona elementos ainda ignorados pelas pesquisas de audiências quantitativas, as quais superestimam os números e subestimam os interesses e a autonomia dos receptores diante da TV que esses querem assistir.
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