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domingo, 25 de setembro de 2011

A escrita dos estudantes de Comunicação Social

Continua repercutindo no meio acadêmico e mesmo fora dele, o resultado de uma pesquisa publicado recentemente e que dá conta de que os estudantes de Comunicação Social têm pior desempenho na escrita do que os universitários da área de exatas, como Engenharia, por exemplo. No estudo, os engenheiros obtiveram a melhor avaliação e 87,5% conseguiram passar nos testes. Na outra ponta estão os alunos de Comunicação, 65,3% deles foram reprovados.

A pesquisa foi conduzida pelo Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), centro de recrutamento e seleção de estagiários. O teste foi feito entre 1º de janeiro e 31 de agosto de 2011 e dez mil candidatos a vagas de estágio realizaram um ditado de 30 palavras, que permitia até seis erros. Dentre as palavras avaliadas estavam: desajeitado, autorizar, exceção, seiscentos e anexo.

Mesmo não sendo novidade para muitos, menos ainda para os professores que trabalham com disciplinas de produção textual, como é o meu caso, a notícia não deixa de ser preocupante. Trata-se aqui de um fenômeno que, como também não deve ser novidade para ninguém, tem como causa principal o total descaso dos estudantes pelo hábito imprescindível para quem quer ler e falar bem que é o ato da leitura.

Mesmo sendo contrário à comparação feita na pesquisa, ficamos imaginando que quem sabe, talvez, resultados dessa natureza, desperte o alunado de Comunicação Social a reagir para mudar essa realidade. Algo só possível, por meioda descoberta do prazer pela leitura....

Um problema que, como todos os demais existentes no mundo, há sempre solução. Menos mal!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Participe do marco regulatório para as comunicações

A Constituição brasileira estabelece os princípios e regras mínimas que devem ser respeitadas pelos meios de comunicação de massa, ou seja, o rádio e a TV, que são concessões públicas. Por exemplo: não pode haver monopólio na mídia; as emissoras devem veicular programação regional e independente; a prioridade deve ser para conteúdos informativos e culturais; o país deve ter um forte sistema público de comunicação; o direito de resposta deve ser garantido; é vedada qualquer censura de natureza política e ideológica; etc

O problema é que até hoje a Constituição não é cumprida porque depende de leis específicas para isso. Ao mesmo tempo, as poucas leis que existem não são respeitadas ou estão ultrapassadas. Para se ter uma idéia, o Código Brasileiro de Telecomunicações é da década de 60, quando ainda assistíamos TV em preto e branco e internet era algo desconhecido.

Já passou da hora de mudarmos essa realidade e construirmos uma comunicação de fato democrática no Brasil, que garanta pluralidade, diversidade e liberdade de expressão para todos - não só para os donos da mídia. Em 2009, milhares de cidadãos e cidadãs brasileiras participaram da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que teve como uma de suas principais resoluções a afirmação da necessidade de um novo marco regulatório para as comunicações no nosso país.

De lá pra cá, considerando os debates da Confecom, movimentos populares e organizações da sociedade civil aumentaram a mobilização em prol de uma nova lei geral para o setor. Ao mesmo tempo, o governo federal elaborou um projeto, que ainda não foi tornado público, mas vem sendo discutido no Ministério das Comunicações.

Para incentivar que o conjunto da população participe deste debate, dizendo que mídia quer para o Brasil, diversas organizações que historicamente lutam pela democratização da comunicação lançaram uma consulta pública na internet. A idéia - partindo de uma proposta inicial, com princípios, objetivos e 20 diretrizes - é construir um conjunto de propostas da sociedade civil para a legislação de comunicação, ou seja, uma plataforma da sociedade civil para o novo marco regulatório, que depois será apresentada ao poder público.

A consulta pública fica aberta até 7 de outubro e qualquer pessoa pode dar suas contribuições. Um documento final será consolidado para lançamento no Dia Mundial da Democratização da Mídia, 18 de outubro.

Convidamos todos e todas então a participar deste processo! Sua opinião é fundamental para que a diversidade brasileira - regional, étnico-racial, de gênero, orientação sexual, classe etc - também esteja presente nesta plataforma da sociedade civil. Entre no site www.comunicacaodemocratica.org.br e contribua com a consulta pública por um novo marco regulatório das comunicações. Vamos juntos construir uma mídia plural e verdadeiramente democrática!


Fonte: Movimentos Novos Rumos

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Luta pelo Marco Regulatório das Comunicações

Já está no ar, o site com a consulta pública sobre a Plataforma para um Novo Marco Regulatório das Comunicações. A plataforma, que ficará disponível até 7 de outubro, é resultado de um seminário realizados em maio, no Rio de Janeiro, no qual oito entidades nacionais ficaram responsáveis por elaborar a plataforma.

Para colaborar com as diretrizes de comunicação do país, basta acessar os site:www.comunicacaodemocratica.org.br e deixar sua contribuição.

Saiba mais: Marco regulatório é o conjunto de leis, decretos e normas que organizam determinado setor – neste caso, a comunicação. Em geral, esse marco regulatório está estruturado a partir de uma lei principal, e está articulado com as políticas públicas implementadas pelo Poder Executivo. No Brasil, a lei principal que incide sobre rádio e televisão é o Código Brasileiro de Telecomunicações, de 1962.

Fonte: www.comunicacaodemocratica.org.br

domingo, 4 de setembro de 2011

Comunicação e recepção: dos efeitos às mediações

Continuando a reflexão em torno da leitura do livro “Comunicação & Recepção”, farei aqui um resumo do conteúdo apresentado pelas autoras Nilda Jacks e Ana C. Escosteguy, no capítulo inicial da obra. Nela, as autoras apresentam, de forma específica, um retrospecto histórico acerca da tradição dos estudos dos efeitos, que, em verdade, engloba uma variedade de hipóteses e correntes de investigação.

Intitulado de “As tradições norte-americanas”, o capítulo é dividido em seis tópicos, por meio dos quais, são apresentadas algumas abordagens mais propriamente teóricas dos estudos dos efeitos, e da tradição de análise da recepção, que, diferentemente destes primeiros, implica o tratamento da relação entre media e receptores oferecida, em especial, por uma corrente de investigação muito claramente delimitada, a dos cultural studies.

Respaldadas na visão de outros estudiosos referências neste campo de estudo, a exemplo de Jensen e Rossengreen, Jacks e Escosteguy expõem e ao mesmo tempo analisam diferentes abordagens facilitando o nosso entendimento acerca do encontro entre os meios de comunicação de massa e suas audiências - o que implica considerar como interpretam e descrevem os media, os receptores e o processo receptivo propriamente dito. Nesse sentido, fica evidente que não se trata simplesmente de identificar qual a descrição mais detalhada ou verdadeira, nem de estabelecer qual a interpretação mais adequada, e sim, explorar as contribuições que elas oferecem para a compreensão do processo comunicativo.

É dessa maneira que, resumidamente aqui descrito, o texto analisado apresenta uma classificação que inclui a teoria dos efeitos – geradora das primeiras pesquisas em comunicação e ao lado desse postulado teórico, discute-se outra perspectiva, que é a dos usos e gratificações, segundo a qual os membros da audiência eram conscientes de necessidades relacionadas aos meios de comunicação, pressupondo-se a partir de então, a existência de uma audiência ativa.

Além desses, também é apresentado um resumo acerca da corrente denominada de Estudos Literários que destaca o olhar sobre a audiência inscrita no texto com destaque para o contexto enquanto parte integrante da prática interpretativa e encontro dialógico entre leitor;receptor e texto. Em seguida, o capítulo apresenta um tópico específico sobre os Estudos Culturais. Apontada como o encontro de disciplinas que permitiram a combinação da pesquisa textual com a social, a corrente teórica inglesa é apresentada como uma pesquisa de comunicação que vai além dos meios, buscando as relações entre textos, grupos sociais e contexto, ou seja, “entre práticas simbólicas e estruturas de poder”. Nesse sentido, esta escola se coloca diferenciada dos estudos literários pela relevância que dá aos usos dos meios e à posição social ocupada pelos leitores.

Em seguida, respaldada em outros autores, elas apresentam um tópico sobre Análise da Recepção, apontada, em síntese, como um espécie de esforço de reflexão fruto do desdobramento dos Estudos Culturais e que apresenta-se diferenciada desta pelo uso metodológico, ressaltnando-se os estudos comparativos no processo de análise da audiência, traçando-se assim, uma visão mais ampla acerca da relação entre o discurso dos media e a recepção deste feita pelos receptores. Subdivisão esta que é constestada por outros autores também citados, a exemplo de Gomes, para quem a Análise de Recepção nada mais é do que um braço dos Estudos Culturais.

Por fim, depois de apresentar algumas classificações teóricas em torno da questão central, as autoras deixam claro, ao final do capítulo, a diversidade de visões e postulados teóricos que caracterizam o campo de estudos da recepção, ainda emergente, evidenciando o avanço registrado nas últimas décadas no tocante à mudança de paradigma em torno da audiência dos meios.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Comunicação e recepção: dos efeitos às mediações

Continuando a reflexão em torno da leitura do livro “Comunicação & Recepção”, farei aqui um resumo do conteúdo apresentado pelas autoras Nilda Jacks e Ana C. Escosteguy, no capítulo inicial da obra. Nela, as autoras apresentam, de forma específica, um retrospecto histórico acerca da tradição dos estudos dos efeitos, que, em verdade, engloba uma variedade de hipóteses e correntes de investigação.

Intitulado de “As tradições norte-americanas”, o capítulo é dividido em seis tópicos, por meio dos quais, são apresentadas algumas abordagens mais propriamente teóricas dos estudos dos efeitos, e da tradição de análise da recepção, que, diferentemente destes primeiros, implica o tratamento da relação entre media e receptores oferecida, em especial, por uma corrente de investigação muito claramente delimitada, a dos cultural studies.

Respaldadas na visão de outros estudiosos referências neste campo de estudo, a exemplo de Jensen e Rossengreen, Jacks e Escosteguy expõem e ao mesmo tempo analisam diferentes abordagens facilitando o nosso entendimento acerca do encontro entre os meios de comunicação de massa e suas audiências - o que implica considerar como interpretam e descrevem os media, os receptores e o processo receptivo propriamente dito. Nesse sentido, fica evidente que não se trata simplesmente de identificar qual a descrição mais detalhada ou verdadeira, nem de estabelecer qual a interpretação mais adequada, e sim, explorar as contribuições que elas oferecem para a compreensão do processo comunicativo.

É dessa maneira que, resumidamente aqui descrito, o texto analisado apresenta uma classificação que inclui a teoria dos efeitos – geradora das primeiras pesquisas em comunicação e ao lado desse postulado teórico, discute-se outra perspectiva, que é a dos usos e gratificações, segundo a qual os membros da audiência eram conscientes
de necessidades relacionadas aos meios de comunicação, pressupondo-se a partir
de então, a existência de uma audiência ativa.

Além desses, também é apresentado um resumo acerca da corrente denominada de Estudos Literários que destaca o olhar sobre a audiência inscrita no texto com destaque para o contexto enquanto parte integrante da prática interpretativa e encontro dialógico entre leitor;receptor e texto. Em seguida, o capítulo apresenta um tópico específico sobre os Estudos Culturais. Apontada como o encontro de disciplinas que permitiram a combinação da pesquisa textual com a social, a corrente teórica inglesa é apresentada como uma pesquisa de comunicação que vai além dos meios, buscando as relações entre textos, grupos sociais e contexto, ou seja, “entre práticas simbólicas e estruturas de poder”. Nesse sentido, esta escola se coloca diferenciada dos estudos literários pela relevância que dá aos usos dos meios e à posição social ocupada pelos leitores.

Em seguida, respaldada em outros autores, elas apresentam um tópico sobre Análise da Recepção, apontada, em síntese, como um espécie de esforço de reflexão fruto do desdobramento dos Estudos Culturais e que apresenta-se diferenciada desta pelo uso metodológico, ressaltnando-se os estudos comparativos no processo de análise da audiência, traçando-se assim, uma visão mais ampla acerca da relação entre o discurso dos media e a recepção deste feita pelos receptores. Subdivisão esta que é constestada por outros autores também citados, a exemplo de Gomes, para quem a Análise de Recepção nada mais é do que um braço dos Estudos Culturais.

Por fim, depois de apresentar algumas classificações teóricas em torno da questão central, as autoras deixam claro, ao final do capítulo, a diversidade de visões e postulados teóricos que caracterizam o campo de estudos da recepção, ainda emergente, evidenciando o avanço registrado nas últimas décadas no tocante à mudança de paradigma em torno da audiência dos meios.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Comunicação e recepção

O texto introdutório do livro “Comunicação & Recepção” de autoria das pesquisadoras Nilda Jacks e Ana C. Escosteguy (Hacker Editora, 2005), no qual ambas apresentam um mapeamento e retrospecto histórico evolutivo dos estudos da audiência dos meios, se apresenta como uma leitura bastante instigante e elucidativa. Indo um pouco além da proposta pedagógica principal da obra, na discussão introdutória, as autoras levantam, de maneira didática, questões que extrapolam a problematização em torno da comunicação e recepção, indo ao encontro do que, particularmente, considero como ponto de partida para qualquer que seja a perspectiva de estudo em torno da comunicação, termo este que, como não é mais novidade, vem sendo exaustivamente propagado dentro e fora do âmbito acadêmico, tornando-se um dos, isto é, se não o maior, signo mais marcantes da modernidade.

Revestidas por uma postura vigilante epistemológica e conceitual, as autoras tratam, inicialmente, das noções sobre cada um dos termos justapostos (comunicação/recepção), para em seguida, se inserirem no universo da chamada corrente de estudos da audiência dos meios, ou simplesmente, recepção, como preferem alguns autores. Neste sentido, ao separar os termos-chave da problematização em destaque, respaldadas nas considerações de Francisco Rüddiger, elas destacam primeiramente a pluralidade e ambivalência que caracteriza o campo semântico e conceitual da comunicação, colocando este como um fenômeno extremamente abrangente e que extrapola o universo midiático propriamente dito, para logo em seguida demonstrar que, portanto, ao tratarmos de recepção, estamos nos referindo especificamente, a uma parte do processo comunicacional desenvolvido com e através das mídias. Assim, deixam claro que “ o processo da comunicação engloba a recepção e que este, é parte constitutiva, intrínseca do primeiro”.

Portanto, falar de recepção é falar especificamente de um momento específico desse complexo processo - embora essa especificidade momentânea seja combatida por alguns autores - do qual somos todos agentes partícipes. Momento este que, vale salientar, embora há décadas vem sendo um dos principais nortes investigativo do campo acadêmico das pesquisas em comunicação, só mais recentemente, ganhou uma nova perspectiva, um prisma característicamente mais plural e dialético.

É nesse sentido que Jacks e Escosteguy destacam que “[...] é longa a discussão sobre a adequação ou não do termo recepção para nomear as relações das pessoas com os meios de comunicação, principalmente no âmbito da pesquisa de comunicação, que tem forte ligação com modelos teóricos que consideram os membros da audiência como receptáculos passivos das mensagens midiáticas”. (Pg.14). Trata-se, aqui, como se pode observar, de uma clara alusão à visão defendida pela tradicional Escola de Frankfurt, através dos primeiros estudos levantados em torno das análises do fenômeno da audiência, desenvolvidos no início do século XX.

Só depois de fazer esse preâmbulo elucidativo é que as autoras passam a apresentar aquilo que é a proposta da obra em questão aqui já mencionada. É seguindo essa estratégia retórica que elas destacam as recentes linhas de pesquisas centradas numa perspectiva diferenciada centrada na figura de um sujeito receptor ativo, cuja relação com os meios de comunicação é entendida de maneira diferenciada.

Feito isso, o texto trata em seguida de apresentar a diversidade de termos surgidos no transcorrer das últimas décadas que apontam para as diversas nuances e perspectivas crítico-analíticas em torno dessa vasta problematização que, como podemos perceber, tratam os estudos da recepção.

Dentre esses se destacam “estudos qualitativos da audiência”, “estudo das mediações”, “uso social dos meios”, “Educação para os meios”, e outros. Também é especificado que, embora estejam todos dentro de um mesmo campo de estudo e focados num mesmo fenômeno, essas denominações apontam para perspectivas diferencias, tais como ‘o processo de relação com meios’, ‘os receptores’, ‘o momento de interação ou até mesmo todos esses aspectos reunidos’. Tal diversidade também se justifica através da variedade de elementos a serem estudados dentro dessa linha de pesquisa que, por exemplo, pode vir a ser um tipo de mídia, um tipo de conteúdo midiático (programa, novela, noticiário, etc), ou mesmo a relação com os meios a partir de questões de gêneros (homem, mulher, criança, etc).

Em outro momento extremamente significativo do texto, as autoras apresentam algumas noções conceituais a fim de fazer-nos compreender o que de fato podemos chamar de recepção que, de maneira restrita, segundo as autoras, pode ser compreendida como um estudo da “relação das pessoas como os meios ou veículos de comunicação, com programas, gêneros, mensagens, ou momentos particulares, abarcando a complexa configuração de elementos e fatores que caracterizam o fenômeno como um todo” (pg.15). Aqui está, portanto, uma síntese em que se destaca o momento da recepção
e também da produção, especificando-se os elementos concretos de (pré) ocupação das pesquisas da audiência.

Essa noção, entretanto, não contempla, é importante frisar, aquilo que pode ser considerado como o efeito principal da audiência contemplado por essa perspectiva que é o processo de produção de sentido e de (re) significação ocorrido no desencadeamento do relacionamento dos sujeitos receptores com os meios. Aqui está, sem sombra de dúvidas, como apontam alguns outros autores, o elemento problematizante maior da questão envolvendo essa parte do processo comunicacional de que trata a recepção e para a qual, nossos olhares devem se voltar para nos mantermos mais vigilantes e críticos enquanto sujeitos receptores ativos.

Acredito que só, a partir de tais elucidações aqui destacadas por meio do texto mencionado é que podemos seguir mais firmes na jornada em busca por uma melhor compreensão da comunicação e sua multiplicidade fenomenológica, bem como, dar conta das relações de concluências entre essa e diversos outros fenômenos, a exemplo da educação e da cultura, como trataremos mais adiante.

Até a próxima recepção!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O sujeito emissor-receptor

Configuração histórica de origem aristotélica que serviu de padrão para o desenvolvimento dos estudos das teorias da comunicação, o modelo triádico da comunicação constituído pelos elementos: emissor-mensagem-receptor, continua referenciando em grande parte, a compreensão básica da comunicação enquanto fenômeno processual. Nesse sentido, em detrimento dos diversos outros elementos já acrescidos a este modelo por vários estudiosos no transcorrer das últimas décadas (canal, contexto, ruído, etc), a relação entre esses elementos e, de maneira ainda mais especial, entre os dois pólos extremos da comunicação (emissor/receptor) é algo que vem suscitando novas e importantes reflexões.

Nesse contexto, uma das mais correntes e que vem sendo provocada pela Escola dos Estudos Culturais foca a atenção na figura do receptor-ativo, ou seja, o sujeito que não apenas recebe a mensagem mas que se apropria dessa, ressignificando-a, dando-lhe um sentido diferente.

Trata-se aqui, de uma característica que tem no fenômeno da subjetividade, o cerne central e que faz com que olhemos para o receptor de maneira diferente do que apregoa, por exemplo, a visão linear e simétrica da comunicação (emissor-mensagem-receptor). Faz com que visemos a figura do receptor não mais como uma tábua rasa, um mero receptáculo, ou seja, alguém que apenas acolhe, guarda aquilo que lhe é ‘depositado’, mas sim, passemos a vê-lo como um sujeito-emissor.

Alguém que, longe de ser o fim do processo comunicacional, é também um agente emissor de ideias, pensamentos e capaz de reagir de maneira autônoma e crítica frente às mensagens que lhes são dirigidas.

Não obstante, para que o sujeito passe de receptor passivo à condição de receptor ativo, é necessário que esse alcance um certo nível de interatividade dialética no processo comunicacional. Faz-se necessário que esse assuma a sua condição de ser pensante e socialmente habilitado a superar as amarras ideológicas que se sobrepõem à sua consciência crítica.

Trata-se aqui, portanto, de uma mudança de postura intelectual e sociocultural por meio da qual esse sujeito se torne um autêntico cidadão. Para tanto, uma das premissas básicas que propulsiona essa alteração é a leitura reflexiva.
Algo que pode ser feito com o auxílio de livros e mediação das diversas instâncias do saber escolar, mas que também, vale ressaltar, se desenvolve por meio do simples olhar criterioso de um sujeito situado num mundo diverso e cuja ordem de funcionamento este deseja conhecer para interagir dinamicamente, fugindo da passividade. Passividade esta que, afora os limites intelectuais e de natureza mental que porventura esse sujeito possa ser agente, é, em geral, algo produzido pelas diversas instâncias ideológicas de poder a exemplo da política, religião e, hoje, mais do que nunca, o sistema midiático.

É sobre esse em especial que voltaremos a falar, em continuidade ao desenvolvimento desse raciocínio, apontando em especial, para algo aqui já mencionado no texto anterior que é a cultura midiática. Até lá !.