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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Regulação da mídia em discussão

Como foi abordado no último comentário aqui postado, o direito à comunicação social com dignidade perpassa necessariamente por uma mobilização da sociedade civil com o propósito de garantir esse que é um dos direitos mais essenciais na vida em sociedade. Dentro deste contexto, várias iniciativas começam a ser adotadas pelas unidades federativas do país e às quais este espaço estará atento e a disposição para uma maior difusão dessa bandeira de luta que tem na democratização real e efetiva, o anseio maior.

Nesse sentido, divulgamos um dos eventos voltados à essa discussão e que reunirá representantes de diversos segmentos sociais já engajados na luta. Trata-se do seminário MArco Regulatório e Políticas locais de comunicação, que irá ocorrer em Salvador, conforme texto transcrito abaixo:

SEMINÁRIO MARCO REGULATÓRIO E POLÍTICAS LOCAIS DE COMUNICAÇÃO

Preparar a sociedade civil baiana para novo panorama das comunicações é o objetivo do Seminário Marco Regulatório e Políticas Locais de Comunicação. A atividade ocorrerá nos dias 21 e 22 de julho, a partir das 9h ocorrerá, no Hotel Pestana, localizado no bairro do Rio Vermelho em Salvador.


Quase quarenta anos depois o Brasil retorna a discussão sobre revisão completa da revisão do setor numa conjuntura de convergência tecnológica, novos modelos de negócios e também de reivindicações da sociedade civil para a pauta ser tratada como direito humano. Neste cenário, a Bahia e as organizações sociais locais e nacionais cumprem papel destacável a ser reforçado pelo Seminário.


No ano de 2008 a Bahia realizou a I Conferência Estadual de Comunicação, uma parceria entre governo e sociedade civil. Tal mecanismo estimulou o aprofundamento das políticas públicas no setor no estado, em particular, a regulamentação do Conselho Estadual de Comunicação pela Assembleia Legislativa da Bahia, em 2011, que tomará posse em agosto do mesmo ano. Em nível nacional, as ações locais também cumpriram papel impulsionador da democratização da área no país, em especial da I Conferência Nacional (Confecom) e o corrente debate sobre a renovação do marco regulatório.


Durante a atividade parlamentares federais e estaduais, acadêmicos, organizações sociais e gestores públicos vão se colocar sobre temas fundamentais na agenda política, por via de cinco mesas: A Confecom e o Marco Regulatório; Mídia e Direitos Humanos; a Bahia no Plano Nacional de Banda Larga; Radiodifusão Pública; e Participação Social e Conselhos de Comunicação


A atividade é uma realização da Frente Baiana pelo Direito à Comunicação e tem como apoiador a Secretaria de Comunicação do Governo do Estado. A Fretne é formada por cerca de 30 entidades que atuam de forma conjunta para o Estado avançar na políticas públicas para o setor.


Algumas entidades da Frente: CUT-BA, CTB, Intervozes, Cipó Comunicação, Barão de Itararé, Sinjorba, Sintterp, Sintel, Fórum de Comunicação da Região Sisaleira, Conselho Regional de Psicologia, ARPUB, FNDC, Abraço, Articulação Mulher e Mídia, ABCV-BA, Centro de Comunicação, Democracia e Cidadania da UFBA, Instituto de Mídia Étnica, ARCA, Fórum de Comunicação do São Franscisco, Portal Vermelho.


O quê: Seminário Marco Regulatório e Políticas Locais de Comunicação
Onde: Hote Pestana, Rio Vermelho.
Quando 21 e 22 e julho, a partir das 9h
Inscrição: Gratuita
Mais informações: www.softwarelivre.org/direitoacomunicacaobahia/blog
Contatos: Pedro Caribé – Intervozes – 92611026 /Julieta Palmeira – Barão de Itararé – 99834335 / Nilton Lopes – Cipó – 81444513


Programação


Quinta-feira, dia 21 de julho


9:00h -Abertura - Presença de parlamentares estaduais federais, representantes da Frente e do governo do estado.


10:00h –Mesa 1 - Confecom e Marco Regulatório – Representantes da Agência Nacional de Cinema (Ancine) e Ministério das Comunicações (Minicom)


12:00h – Almoço


1400h –Mesa 2 - A Bahia no Plano Nacional de Banda Larga – Secretário de Ciência e Tecnologia do Estado da Bahia, Paulo Câmera; Prof. Faculdade de Educação da UFBA, Maria Bonilla; e Diretor da Empresa de Tecnologias da Informação do Ceará, Fernando Carvalho.


16:00h –Mesa 3 – Mídia e Direitos Humanos – Prof. da Faculdade de Comunicação da UFRJ, Suzy dos Santos; Secretário de Justiça e Direito Humanos do Estado da Bahia, Almiro Senna; e Prof. Do departamento de Psicologia da UFSC, Marcos Ferreira.




Sexta-feira, dia 22 de julho


10:00h –Mesa 4 – Participação Social e Conselhos de Comunicação – Secretário de Comunicação do Governo da Bahia, Robinson Almeida; Doutora em Ciências Sociais e Políticas pela Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso-México),Gislene Moreira; e Prof. Da Universidade de Brasília, Venício Lima.


12:00h – Almoço


14:00h –Mesa 5 – Radiodifusão Pública – Presidente da Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais, Póla Ribeiro; João Jorge, membro o Conselho Curado da Empresa Brasil de Comunicação; e Luiz Felipe Stevanin, mestre pela Faculdade de Comunicação da UFRJ.


16:00h – Plenária da Frente Baiana pelo Direito à Comunicação

Para mais informações, visite o endereço eletrônico: www.softwarelivre.org/direitoacomunicacaobahia/blog

sábado, 9 de julho de 2011

O direito à comunicação com dignidade

Mesmo atrasada em relação a garantia de direitos humanos já conquistada em outros países e ainda distantes da real e concreta consolidação da democracia, a sociedade brasileira tem dado passos firmes rumo à conquista de direitos constitucionalmente já garantidos mas ainda fora da realiadde cotidiana. É inegável que, como diria o ex-presidente Lula (mas que fique claro que, não por conta dele), nunca antes na história do Brasil, se houve tamanha abertura para discussões e frentes de luta em prol de garantia legais diversas.

Embora recentemente só se fale das bandeiras de luta dos chamados grupos minoritários, não devemos deixar de lado, a luta pelos direitos do grupo majoritário que é aquele constituído por todos os cidadãos em nome de quem me refiro neste espaço ao tratar deste que, se não mais importante na atualidade, é sem sombra de dúvidas, um dos pleitos mais urgentes para a sociedade brasileira. Refiro-me ao direito pleno à comunicação, processo essencial ao desenvolvimento individual e, mais ainda à vida em sociedade com dignidade e justiça social.

Nesse sentido, é importante frisar que, muito mais que a defesa da tão propagada liberdade de expressão, o direito à comunicação é algo muito mais amplo e abarca, além da democracia, o exercício da própria dignidade humana, algo que, no atual estágio do mundo em que vivemos, perpassa o acesso democrático aos diversos meios de comunicação social.

Cada vez mais ciente dessa realidade, a sociedade civil vem se organizando e, paulatinamente, se mobilizando através dos diversos segmentos sociais em prol da conquista dessa garantia que, uma vez alcançada, certamente irá reduzir em muito as desigualdades que tanto maculam a nação brasileira. Assim, surgem, por várias partes do país, frentes de mobilização focada nos diversos mecanismos específicos considerados cruciais para se conseguir, de maneira, concreta, esse direito. E, um desses mecanismos – também considerado um dos mais polêmicos – é o chamado controle social da mídia, algo detestável para os donos das grandes corporações mediáticas, os quais não tem poupado esforços para retirar da agenda pública essa discussão pra lá de perigosa. E, poder para isso, as empresas de comunicação têm.

Mas afinal de contas, o cidadão brasileiro está satisfeito com a mídia que tem? O conteúdo midiático em circulação, sobretudo, nas emissoras de TV e rádio que são os meios de comunicação de concessão pública tem se apresentado de qualidade e, mais que isso, tem respeitado os princípios básicos da ética e bons costumes apregoados tradicionalmente pelas famílias?

Em resposta a essas questões é que diversos segmentos sociais vem se mobilizando para pressionar o Governo Federal e os demais governantes brasileiros a, por fim, adotarem medidas mais contundentes de controle social da mídia. Numa das ações mais recentes, ocorrida semana passada, pesquisadores, consultores, comunicólogos e parlamentares se reuniram para discutir a implantação de instrumentos de regulação da mídia.

A discussão foi realizada no seminário promovido pela Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular, onde os participantes foram unânimes em atestar a insuficiência dos instrumentos de autorregulação para garantir a liberdade de expressão e o direito à comunicação. Presente ao evento, o consultor internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Andrew Puddephatt, ressaltou que a liberdade de expressão deve ser garantida e deve ser protegida a independência dos órgãos de mídia, devendo os conteúdos jornalísticos serem autorregulados.Acrescentou ainda que para tal, como qualquer outro mercado, são necessárias regras para o funcionamento do mercado de mídia, algo que, diga-se de passagem é óbvio mas que mesmo assim, não deixa de ser um dos pleitos sociais mais difíceis de serem alcançados em decorrência do motivo aqui já exposto.

O que não impede de, na condição de cidadãos insatisfeitos e, mais que isso, indignados com a mídia que temos, a qual, vale ressaltar invade todos os dias nossas casas, ambientes de trabalho e até o meio da rua via aparelhos de comunicação móveis, unamo-nos em prol dessa causa que, volto a reforçar é certamente, hoje em dia, muito mais que ontem, algo essencial para que nos mantenhamos minimamente cidadãos e até mesmo civilizados. Por isso mesmo fiquemos com um olho na mídia e outro nessa importante bandeira de luta que já chegou no Congresso onde se exige um marco regulatório para a comunicação social no nosso país.

Para mais informações, sugiro a leitura ao endereço eletrônico:
http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/COMUNICACAO/199680-AUTORREGULACAO-DEVE-SER-APLICADA-A-CONTEUDOS-JORNALISTICOS,-DIZ-DEBATEDOR.html

sábado, 2 de julho de 2011

A Paraíba contra a baixaria na TV

Não é de hoje que a mídia e, de maneira particular, a TV, vem preocupando a sociedade civil em decorrência do péssimo nível de qualidade de boa parte do conteúdo programático veiculado. Trata-se de um problema que vem se expandindo ao longo dos anos e que tem no total desrespeito à dignidade e aos direitos humanos, o aspecto mais agravante.

É o que se vê, por exemplo, em muito dos programas veiculados pelas emissoras de TV e rádio locais e estaduais, em especial, aqueles voltados á cobertura de ocorrências policiais e que sempre descambam no sensacionalismo e banalização da violência. Uma realidade com que os cidadãos paraibanos, por exemplo, infelizmente tem sido cada vez mais expostos ao ligarem os aparelhos de rádio e TV e se depararem com os tais estilos de programas caracterizados, sobretudo, pela apresentação vulgar e esdrúxula, de imagens e palavras de baixo calão, isto sem falar na postura dos apresentadores que estão a frente destes.

Trata-se de uma ação que distorce por completo o papel e a função social desses meios de comunicação de massa que, conforme apregoa a própria Constituição, em seu artigo 221, em suas grades de programação, devem “dar preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”, bem como, também “primar pelo respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família”.

Nem é preciso ir muito longe para constarmos até que ponto essas tais funções vêm sendo seguidas a risco por esses veículos que, vale salientar, funcionam legalmente em condição de concessão pública, o que torna a situação ainda mais insustentável.

E é por essa razão que diversos segmentos da sociedade civil, cientes do papel de cidadania que os meios de comunicação social deveriam estar operacionalizando, de alguns anos pra cá, estão se mobilizando e combatendo a essa situação que vez por outra ressurge no bojo das discussões da esfera pública no intuito de chamar a atenção das autoridades competentes para uma mudança necessária e cada vez mais urgente.

Nesse sentido, o ‘carro-chefe’ dessa bandeira de luta em nível nacional tem sido a campanha a campanha “Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania” que este ano comemora, através do Dia Nacional Contra a Baixaria na TV – realizada no dia 21 de outubro próximo- , a quinta edição de mobilização em todo o Brasil, fortalecendo o grito pela dignidade na mídia. Em síntese são promovidas diferentes ações para marcar a data, como protestos em vias públicas, exibição de programas e documentários especiais em algumas emissoras de TV´s e rádios.

Não obstante, na Paraíba, a situação tem chegado a níveis tão esdrúxulos que antes mesmo da data de mobilização nacional, a sociedade civil tem se organizado e demonstra, mais uma vez, a sua total indignação diante da realidade que vem sendo apresentada por algumas emissoras de TV´s e rádios e parte para um combate à baixaria de determinados programas em exibição em rede estadual.

A ação envolve, dentre várias entidades e associações, a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Paraíba (OAB-PB), a Associação Paraibana de Imprensa (API), o Sindicato dos Jornalistas e o Fórum de Ética e Mídia da Paraíba. Trata-se de um conjunto de ações que têm início este semestre e, dentro da proposta da campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania”, visa conscientizar as empresas jornalísticas de seu papel social e as empresas patrocinadoras desses programas para a vinculação de sua marca ao incitamento ao crime, atentados aos direitos humanos de minorias, preconceito racial, homofobia, dentre outras violações aos direitos humanos e cidadania propagadas através dos programas.

E, como muito bem lembrou recentemente o coordenador do curso de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Dinarte Bezerra, as empresas de comunicação não devem esquecer de que, na condição de prestadoras de serviço e, mais que isso, de comércio de notícia que não podemos ignorar de que se trata de uma mercadoria, essas empresas devem enquadrar-se às normas referentes à Comunicação no Direito do Consumidor”.

O fato é que, do jeito que está não pode permanecer. E para isto, a união de todos em prol dessa mobilização é algo crucial para que, enfim, moralizemos a programação midiática fazendo valer, mais que direitos constitucionais garantidos, os bons costumes e moral tão conclamadas pelas famílias.

domingo, 12 de junho de 2011

Os instigantes binômios Comunicação/Educação e Educação/Comunicação (parte II)

Em continuidade à abordagem sobre os binômios Educação/Comunicação e Comunicação/Educação, aqui desenvolvida por meio dos últimos textos postados, compartilhamos com os amigos internautas, um texto que oferece, de forma suscinta e bastante didática, uma visão esclarecedora acerca da confluência entre essas duas valiosas áreas de conhecimento e atividade humana, no contexto em que vivemos atualmente. Trata-se de um texto do Observatório do Direito à Comunicação, extraído do site: http://www.direitoacomunicacao.org.br, intitulado: "Comunicação e Educação".

Para além da concepção da Comunicação e da Educação como direitos humanos e, portanto, indivisíveis, universais e interdependentes, o ato de educar está diretamente relacionado com a afirmação do direito à comunicação e vice versa.

Preocupados com a centralidade da mídia na sociedade contemporânea, diferentes grupos de educadores, em diversas partes do mundo, vêm desenvolvendo programas que de alguma maneira alertam para questões relacionadas ao direito à comunicação e à democratização dos meios de comunicação - seja em projetos de educação formal ou informal - e com denominações também variadas. Educação para os meios, educomunicação, leitura crítica da mídia são algumas delas.

A área vem ganhando força nas últimas décadas. Em 1979, um grupo de especialistas convocados pela UNESCO estabelece uma definição que foi considerada como referência mundial na construção do conceito de educação em matéria de comunicação. "São formas de estudar, aprender e ensinar a todos os níveis (..) e em toda circunstância, a história, a criação, a utilização e a educação dos meios de comunicação como artes, práticas e técnicas, assim como o lugar que ocupam esses meios na sociedade, sua repercussão social, as conseqüências da comunicação mediatizada, da participação, da modificação que produzem no modo de perceber o mundo, a importância da criação e do acesso aos meios de comunicação".

As experiências mais recentes passam por confecção do jornal ou da rádio escola, de análise de conteúdo dos veículos, de oficinas de vídeo, produção de websites entre outras atividades. Em geral, são experiências que mostram como é possível produzir e veicular sua própria comunicação. De alguma maneira, invertem a lógica que restringe o leitor de jornal ou o ouvinte de rádio à mera condição de consumidor (lógica da informação como mercadoria), e constroem uma lógica da comunicação como direito (e da informação como bem público), segundo a qual cada um tem o direito também de produzir e veicular informação. Ao fazer sua própria comunicação e ao refletir sobre os meios, os que participam dessas iniciativas certamente saem com um olhar mais crítico sobre a mídia.

Na sociedade civil brasileira, são muitas as experiências. A lista inclui o projeto Cala a Boca já Morreu, a Revista Viração e a Fundação Casa Grande, do Ceará, projetos em que crianças, adolescentes e jovens produzem comunicação no processo educativo. Também se destacam o projeto Vídeo, Cultura e Trabalho, da ONG Ação Educativa, e organizações que contribuem com a Agência ANDI de notícias.

O tema tem ganhado destaque também na academia, sobretudo a perspectiva da Educomunicação, trabalhada, por exemplo, pelo Núcleo de Comunicação e Educação da USP. Este Núcleo esteve à frente de iniciativa pioneira, junto à prefeitura de São Paulo, do projeto Educom.radio, que capacitou todas as escolas de ensino fundamental da capital paulista para a linguagem radiofônica.

Apesar de as iniciativas da sociedade civil terem um papel central no campo da educação para os meios e das relações entre educação e comunicação, é fundamental que o tema seja também foco de políticas públicas, que garantam que crianças, adolescentes, jovens e adultos tenham acesso ao conhecimento que lhes permitirá ter uma leitura crítica da mídia, das políticas de comunicação e que, por isso, contribuirá para que venham a reivindicar seu espaço e intervenham de fato nos processos políticos e de tomada de decisão

sábado, 4 de junho de 2011

Os instigantes binômios: comunicação/educação e educação/comunicação

Multiplica-se pelo Brasil afora o quantitativo de pesquisas e estudos de análises publicadas sobre os binômios Educação e Comunicação/ Comunicação e Educação. Uma rápida pesquisa na internet e, de maneira específica, nos anais de congressos e demais eventos acadêmicos promovidos nos últimos anos no país e fora dele, é o suficiente para se atestar um vertiginoso crescimento no que diz respeito ao interesse dos pesquisadores para esse campo de confluência que, cada vez mais, aproxima reciprocamente a educação da comunicação, fazendo vir a tona diversas perspectivas distintas e, ao mesmo tempo complementares.

Trata-se, em síntese, de uma pluralidade de olhares lançados sobre os novos horizontes que começam a se vislumbrar a partir desta interface e, de maneira ainda mais específica, do desdobramento das múltiplas situações concretas e também possibilidades que surgem das relações mediadoras frutos dessa confluência aqui destacada.

Decorrente dessa realidade prolifera-se, no campo acadêmico, estudos fundamentados na Educomunicação, com ênfase, sobretudo, em análises sobre a mediação tecnológica na educação com um olhar especial para as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC´s).

Nesse sentido, também se tornado praticamente um consenso o fato de que nessa nova era – a qual vem sendo apontada por diversos estudiosos como ‘era tecnocêntrica’,- a confluência entre comunicação e educação é algo inevitável. Não apenas no sentido de que o espaço da educação formal, como é o caso especialmente das escolas e universidades, tem sido invadido pelas novas tecnologias de processamento e transmissão do conhecimento fomentada via comunicação mediada, mas, de um modo mais amplo, a vida em sociedade em geral que, como se percebe, tem sido regida, em grande parte, pelas estratégias comunicacionais posta em prática via ferramentas e recursos de cunho educacional. Educação aqui entendida, vale reforçar, não como sinônimo de escolarização e formação técnica, mas enquanto um processo abrangente que atinge a vida em sociedade como um todo.

Paralelo a essa realidade, também tem se tornado perceptível um aumento considerável da inserção do tema educação no cenário da imprensa brasileira. Tal fenômeno ficou ainda mais evidenciado através da pesquisa A Educação na Imprensa Brasileira , promovida em 2004 pela Agencia Nacional dos Direitos da Infância (ANDI) e o Ministério da Educação e Cultura (MEC) com o apoio da Unesco, por meio da qual se traçou uma radiografia da qualidade em torno da cobertura jornalística sobre a educação. Dentre as conclusões apresentadas pelo relatório da pesquisa está a de que, de fato, a educação havia se tornado a pauta social mais veiculada pelos diários de todas as unidades da federação, contudo, a abordagem adotada em geral, demonstrava-se ainda superficial em vários aspectos.

Como se pode perceber, a problemática em destaque aponta para outro importante fenômeno de inter-relação entre comunicação e educação que, por sua vez, se revela uma instigante vertente dentro do campo investigativo da interface em questão.
Tais fatos aqui mencionados, fazem parte de uma pequena parte de uma radiografia maior que aponta para a emergência e relevância da difusão e discussão em torno do binômio comunicação e educação (ou vice-versa), do qual tratam especificamente os conteúdos aqui postados, binômio este que tem sido sintetizado através da designação Educomunicação, tema central, no momento, deste blog. Até o próximo texto!.

terça-feira, 24 de maio de 2011

O lugar da educomunicação

Vivenciamos no início deste novo século, sem sombra de dúvidas, uma das épocas de transformações globais mais contundentes da história da humanidade. Trata-se de uma verdadeira avalanche provocada por mudanças e inovações que têm, certamente, no campo das relações sociais e, de maneira ainda mais particular, das relações interpessoais, o cerne central de tudo de mais significativo que ocorre na contemporaneidade e que vem (re) significando o modo de ser e estar no mundo.

Nesse contexto, a comunicação no seu sentido mais estrito que é o de tornar comum, interligar: pessoas, ideias e ações, passa a desempenhar um papel determinante no que diz respeito ao processo de (re) estruturação desse mundo novo. Fenômeno este, vale salientar, já corrente desde o surgimento e, sobretudo, desenvolvimento e expansão da indústria dos chamados meios de comunicação de massa, fato este registrado no início do século passado e que hoje sofre, como se pode observar facilmente, um maior aceleramento face aos avanços científicos e tecnológicos que vem se desenvolvendo numa dinâmica jamais vista em toda a história.

Em meio a esse cenário, as NTIC´s (Novas Tecnologias de Informação e Comunicação) ganham um destaque cada vez maior atraindo os olhares de pesquisadores de diversas áreas das ciências humanas e sociais. Estes, por sua vez, preocupados em compreender melhor, os efeitos e interferências do uso do grupo denominado de novas mídias no seio do atual modelo de sociedade vigente. Uma sociedade predominantemente tecnocêntrica, cujo aparelhamento midiático da comunicação se expande para todos os segmentos sociais (que o diga a esfera da medicina moderna que, muito mais que no campo da comunicação social, o diagnóstico e compreensão da realidade tratada é totalmente dependente do processamento das informações geridas por meio do uso dos sofisticados aparelhos que mediam a relação : médico e paciente).

Assim, ganham um novo fôlego os estudos realizados no campo das ciências da comunicação que, na condição de um dos – se não o maior de todos – fenômenos de natureza interdi, multi e transdisciplinar, abarca reflexões advindas de diversas áreas do conhecimento humano. Da mesma forma que, nesse mesmo sentido, também se renova a linha de pesquisa empírica da qual brotaram os primeiros estudos da comunicação de massa e que têm na práxi comunicacional cotidiana, a fonte para configuração de várias teorias, formulação de conceitos e até mesmo surgimento de novos campos de conhecimento reflexivo.

É dentro dessa última vertente que se encontra situada, portanto, o campo designado de Educomunicação, o qual tem nas experiências práticas comunicativas de caráter educativas registradas em diversas partes do mundo e, em especial, no continente latino-americano, o eixo central para a construção de várias reflexões dentro da perspectiva educomunicacional.

É, portanto, seguindo essa perspectiva, por sua vez, calcada na visão triádica: comunicação – educação – cidadania, que nos deteremos em produzir os novos conteúdos deste blog com o foco voltado para os novos horizontes e paradigmas que configuram o campo da educomunicação.

domingo, 22 de maio de 2011

Educação x mídia: de que educação estamos tratando?

Voltando ao tema do último comentário aqui postado, julgo saliente, antes de fazer qualquer abordagem conceitual sobre o campo do conhecimento acadêmico denominado de educomunicação, apresentar um breve panorama contextual em torno do qual este se situa enquanto uma proposta de natureza inter, multi e transdisciplinar fundamentada na interface da Educação e Comunicação.

Como defendem diversos autores, tanto de uma como da outra área, tem se tornado cada vez mais inevitável pensar a educação sem nos remetermos á comunicação e vice-versa. Não somente pelo fato de vivermos na era midiática por excelência, em que as relações sociais e, mais ainda, interpessoais, perpassam necessariamente pelo uso das novas mídias, mas porque já é sabido de que o processo de educação depende, cada vez mais dos canais de comunicação midiática, ou melhor dizendo, ambos estão imbricados.

Afora isso, não é mais novidade para ninguém o fato de que, muito mais que a escola e a família que até bem pouco tempo se configuravam como as duas mais significativas e poderosas instituições de caráter educativo, esse papel vem ficando, em grande parte, a cargo dos meios de comunicação de massa, os quais muito mais que canais de comunicação, informação e entretenimento, são fortes instrumentos de formação educativa.

Nesse sentido, é sempre importante relembrar que, no contexto aqui desenhado, a compreensão da educação extrapola a visão restrita do caráter escolar que quase sempre predomina o termo, relegando o processo educacional à prática da escolarização. Indo além do espaço da cultura letrada de que dá conta as instituições escolares em geral, embora julgue um tanto desnecessário, é sempre bom ressaltar que o sentido estrito da educação aponta para um fenômeno mais amplo voltado, como, aliás, descrevem os dicionários, ao estado de formação intelecto, psíquico e moral de todo indivíduo em contato com o mundo à sua volta.

E é justamente nesse sentido em que a educação e a comunicação se entrecruzam de tal forma que se torna muito difícil dissociar uma da outra ou mesmo apontar para qual dessas nasce primeiro.

É, portanto, em meio a essa máxima que partem as discussões da educomunicação se irradiando para todos os aspectos e demais campos voltados ao complexo processo de construção do indivíduo enquanto um ser pensante, evolutivo, sem deixar de lado, obviamente, a esfera escolar que, como sabemos, constitui um aspecto extremamente relevante na vida deste.

No próximo comentário darei continuidade a esta discussão com foco voltado em particular, a uma leitura sobre os desafios das instituições de caráter educadoras frente à realidade midiática e ao surgimento de uma nova necessidade de se comunicar. Até lá!