Os números do Ibope registrados na noite de encerramento do BBB 10 mostrando a disparada da Globo (média de 440 pontos com pico de 43,5 e share de 60,8%) frente às duas maiores concorrentes, a Record (9 pontos) e SBT (4 pontos) revela a força da audiência que a “venus de prata” ainda sustenta no país, sobretudo, quando o assunto é entretenimento. E neste sentido, a receita do reality show desenvolvido no país pela emissora realmente se consolida como o mais duradouro e de maior sucesso comparativo ao que ocorre nas demais partes do mundo onde essa modalidade de espetáculo televisivo é explorado.
Responsável pelo maior prêmio já pago pela TV brasileira – R$ 1,5 milhão – que se configura como outro recorde da TV 'Boninho', o programa vem abrindo um leque de discussões variado pelo pais afora. Em meio a essa variação discursiva da opinião pública estão as reflexões acadêmicas acerca do sucesso estrondoso do fenômeno de audiência que se tornou esse formato de entretenimento midiático que teve origem – como não poderia ser diferente – nos EUA, nos anos 1970, a partir da série An American Family, retomado com nova formatação na década de 90, na europa, com a versão do Big Brother.
Apreciado por uns e depreciado por outros, o fato é que muito mais que exclusivamente um jogo com a proposta – duvidosa, é bom que se diga – de reproduzir a vida real através da telinha da TV, o formato do reality show brasileiro continua sendo um desafio, ou no mínimo, um objeto de estudo para pesquisadores dos mais diversos campos de conhecimentos acadêmicos existentes.
De jogo criado exclusivamente para entreter o público e faturar, o programa vem se tornando um dos maiores fenômenos televisivos agraciado pelo povo brasileiro, penetrando em todas as camadas sociais sem distinção de classe social, raça, credo e o mais intrigante para muitos: também de grau de escolaridade. Tanto o é que assistem, participam votando e torcendo fervorosamente donas de casas, empregadas domésticas, comerciários, empresários, analfabetos, estudantes e professores universitários de todo o país.
Outro fenômeno intrigante por muitos, sobretudo pela classe jornalística, atrelado ao BBB diz respeito ao fato de se tratar de um programa que reformatou por completo o perfil e atuação profissional de Pedro Bial, considerado um ser com marco histórico divisório entre antes e depois do BBB. Visto por muitos como um dos grandes ícones do jornalismo brasileiro contemporâneo especializado em coberturas internacionais, autor de textos inteligentes sobre conflitos sociais diversos e que hoje se restringe a produção de editoriais sobre o conflito comportamental dos BBB´s voltado à alimentação do voyeurismo, essência do programa.
Por fim, o Big Brother Brasil pode até não ser fielmente a reprodução da vida como ela é, mas certamente, é a reprodução fidedigníssima da primazia do espetáculo do entretenimento que cresce a cada dia no mundo pós-moderno se tornando, como já apontam diversos estudiosos, a maior indústria do século XXI em faturamento e mobilização de mentes humanas. E neste caso, os números e cifras não mentem jamais!.
Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
quarta-feira, 31 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
Futebol, violência e a mídia
O gesto obsceno reproduzido recentemente pelas vigilantes lentes midiáticas envolvendo o jogador Ronaldo que após a derrota por 1 a 0 para o Paulista, em São Paulo, mostrou o dedo anelar para torcedores do Corinthians, após ser criticado por estes, justifica em grande parte um dos problemas mais evidenciados pela imprensa envolvendo a prática do futebol no país que é o alto índice de violência em torno desta modalidade esportiva.
A manifestação grosseira de um dos maiores ídolos do futebol brasileiro evidencia, de maneira explícita, a influência direta dos jogadores neste que vem se tornando um problema de segurança pública. Neste contexto, a postura dos jogadores, sobretudo, mediante as torcidas perante as quais esses assumem uma condição de exemplo, é algo de suma importância para a reversão do dilema em questão. Ou seja, combater a violência apenas fora do campo, como defendem as várias tentativas de campanhas governamentais e como defende boa parte da mídia será sempre uma atitude inválida se os protagonistas principais do espetáculo futebolístico não se reeducarem.
E neste sentido, saber reagir diante de críticas, sobretudo, quando jogam mal – como foi o caso de Ronaldo na partida no episódio em questão – não justifica de modo algum a agressividade contra o seu público fiel. Ainda mais quando o jogador, como o fez Ronaldo, pediu para ser criticado em nome de proteger os jogadores mais jovens do seu time.
No que diz respeito a mídia, a principal responsável pela construção da idolatria em torno do futebol, fenômeno este justificado por motivos de interesse econômico óbvios, cabe também fazer a sua ‘mea culpa’ e se posicionar de maneira isenta e, sobretudo, com bom senso mediante ocasiões e personagens especificas como essa aqui ressaltada. E nesse sentido, a relação de amor e ódio, respeito e ofensa, promoção e ataque, que vem mantida de boa parte da mídia para com a criatura em questão, é algo que deve ser repensada. Em nome da paz no futebol!
A manifestação grosseira de um dos maiores ídolos do futebol brasileiro evidencia, de maneira explícita, a influência direta dos jogadores neste que vem se tornando um problema de segurança pública. Neste contexto, a postura dos jogadores, sobretudo, mediante as torcidas perante as quais esses assumem uma condição de exemplo, é algo de suma importância para a reversão do dilema em questão. Ou seja, combater a violência apenas fora do campo, como defendem as várias tentativas de campanhas governamentais e como defende boa parte da mídia será sempre uma atitude inválida se os protagonistas principais do espetáculo futebolístico não se reeducarem.
E neste sentido, saber reagir diante de críticas, sobretudo, quando jogam mal – como foi o caso de Ronaldo na partida no episódio em questão – não justifica de modo algum a agressividade contra o seu público fiel. Ainda mais quando o jogador, como o fez Ronaldo, pediu para ser criticado em nome de proteger os jogadores mais jovens do seu time.
No que diz respeito a mídia, a principal responsável pela construção da idolatria em torno do futebol, fenômeno este justificado por motivos de interesse econômico óbvios, cabe também fazer a sua ‘mea culpa’ e se posicionar de maneira isenta e, sobretudo, com bom senso mediante ocasiões e personagens especificas como essa aqui ressaltada. E nesse sentido, a relação de amor e ódio, respeito e ofensa, promoção e ataque, que vem mantida de boa parte da mídia para com a criatura em questão, é algo que deve ser repensada. Em nome da paz no futebol!
quarta-feira, 24 de março de 2010
O poder de manipulação global no BBB
O comentário do jornalista e colunista da UOL, Maurício Styler, publicado recentemente no site e no qual ele descreve, em linhas gerais, o poder de manipulação administrado pelo trabalho de edição desenvolvido no programa BBB, com o objetivo de conduzir a opinião pública a favor ou contra um determinado jogador, nos faz refletir sobre uma das práticas comunicacionais ideológico- estratégicas mais utilizadas pela TV Globo ao longo de sua luta pelo poder hegemônico. No comentário, Maurício ressalta algumas das ações que influenciaram diretamente o resultado referente a decisão do que é chamado de 'paredão' entre os jogadores, destacando dentre essas, o uso de edição de imagens fora de contexto, a fala do 'MC Bial” perante os participantes e o uso da opinião de celebridades, dentre essas, Luciano Hulk e sua digníssima esposa Angélica, e Preta Gil, acerca de uma das votações.
Ampliando essa análise para um cenário marco que ultrapasse a miserável realidade do programa em questão, veremos que o episódio em si ressalta a velha prática que, não uma ou outra, mas muitas vezes, a 'Venus platinada' jogou contra a vontade da maioria da população para garantir o seu quinhão. Os clássicos episódios da edição do debate entre Collor e Lula veiculada no Jornal Nacional dias antes da eleição de 89 (que apresentava os bons momentos do alagoano e os maus do hoje presidente da república) e a total omissão da emissora diante das mobilizações pelas Diretas Já em 1984 (chegando a afirmar que o histórico comício pró-diretas no Vale do Anhangabaú era uma comemoração do aniversário de São Paulo) são bons exemplos desta prática maniqueísta global.
Algo que, como vemos, se repete até mesmo em programas aparentemente isento de elemento político ideológico, mas que como sabemos, representa algo sagrado para as Organizações Globo, a audiência que continua a fazer da empresa, o império da mídia brasileira. Impérfio que comemora os 40 anos de sucesso e, claro, manipulação da opinião pública brasileira.
Enfim, como lembrou-me muito bem um amigo recentemente, o velho jeito da Globo de contar história do seu jeito, ao seu modo, e forma conveniente e que para isso agora conta com novas ferramentas que são as redes sociais, por meio das quais, as votações dos paredões do BBB, são reforçadamente jogadas ao público telespectador com uma pintada de glamour, é claro!.
Ampliando essa análise para um cenário marco que ultrapasse a miserável realidade do programa em questão, veremos que o episódio em si ressalta a velha prática que, não uma ou outra, mas muitas vezes, a 'Venus platinada' jogou contra a vontade da maioria da população para garantir o seu quinhão. Os clássicos episódios da edição do debate entre Collor e Lula veiculada no Jornal Nacional dias antes da eleição de 89 (que apresentava os bons momentos do alagoano e os maus do hoje presidente da república) e a total omissão da emissora diante das mobilizações pelas Diretas Já em 1984 (chegando a afirmar que o histórico comício pró-diretas no Vale do Anhangabaú era uma comemoração do aniversário de São Paulo) são bons exemplos desta prática maniqueísta global.
Algo que, como vemos, se repete até mesmo em programas aparentemente isento de elemento político ideológico, mas que como sabemos, representa algo sagrado para as Organizações Globo, a audiência que continua a fazer da empresa, o império da mídia brasileira. Impérfio que comemora os 40 anos de sucesso e, claro, manipulação da opinião pública brasileira.
Enfim, como lembrou-me muito bem um amigo recentemente, o velho jeito da Globo de contar história do seu jeito, ao seu modo, e forma conveniente e que para isso agora conta com novas ferramentas que são as redes sociais, por meio das quais, as votações dos paredões do BBB, são reforçadamente jogadas ao público telespectador com uma pintada de glamour, é claro!.
quinta-feira, 18 de março de 2010
A peleja da PEC dos jornalistas
A peleja dos jornalistas contra os donos da mídia
Continua em trâmite na esfera do Poder Legislativo Federal, a PEC dos Jornalistas, como está sendo chamada a proposta de emenda constitucional que visa a restituição da obrigatoriedade do diploma em Jornalismo para o exercício da profissão. Paralelo a isso, a categoria vem se mobilizando, sobretudo, através da FENAJ e sindicatos estaduais para conseguir apoio junto às Câmaras de Deputados estaduais. A FENAJ prossegue com a orientação de que se busque, nos estados, contato com os líderes de bancadas para acelerar a composição da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisará a Proposta de Emenda Constitucional 386/09
Afora essa medida, a luta em questão vem conseguindo alguns resultados positivos, apesar de todo o empenho dos donos da mídia em deixar a situação como está, ou seja, com a queda da obrigatoriedade do diploma efetuado de maneira esdrúxula pelo STF. Um dos exemplos mais bem sucedidos do avanço no confronto em foco ocorreu recentemente (17/03) no Rio Grande do Sul. Lá, os jornalistas gaúchos comemoram a aprovação, pela Assembléia Legislativa do RS, do Projeto de Lei 236/2009, que torna obrigatório o diploma de Jornalismo para o exercício da profissão no serviço público estadual.
Um clássico exemplo de que a luta no campo social só é possível com a força da mobilização junto aos poderes constituídos e, sobretudo, a sociedade civil organizada. Sem ter de recorrer às velhas práticas ultrapassadas de protestos inócuos. Trata-se de uma luta de interesse de toda a sociedade por um jornalismo independente e de qualidade!
Continua em trâmite na esfera do Poder Legislativo Federal, a PEC dos Jornalistas, como está sendo chamada a proposta de emenda constitucional que visa a restituição da obrigatoriedade do diploma em Jornalismo para o exercício da profissão. Paralelo a isso, a categoria vem se mobilizando, sobretudo, através da FENAJ e sindicatos estaduais para conseguir apoio junto às Câmaras de Deputados estaduais. A FENAJ prossegue com a orientação de que se busque, nos estados, contato com os líderes de bancadas para acelerar a composição da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisará a Proposta de Emenda Constitucional 386/09
Afora essa medida, a luta em questão vem conseguindo alguns resultados positivos, apesar de todo o empenho dos donos da mídia em deixar a situação como está, ou seja, com a queda da obrigatoriedade do diploma efetuado de maneira esdrúxula pelo STF. Um dos exemplos mais bem sucedidos do avanço no confronto em foco ocorreu recentemente (17/03) no Rio Grande do Sul. Lá, os jornalistas gaúchos comemoram a aprovação, pela Assembléia Legislativa do RS, do Projeto de Lei 236/2009, que torna obrigatório o diploma de Jornalismo para o exercício da profissão no serviço público estadual.
Um clássico exemplo de que a luta no campo social só é possível com a força da mobilização junto aos poderes constituídos e, sobretudo, a sociedade civil organizada. Sem ter de recorrer às velhas práticas ultrapassadas de protestos inócuos. Trata-se de uma luta de interesse de toda a sociedade por um jornalismo independente e de qualidade!
domingo, 14 de março de 2010
Eleições, juventude e internet
A crescente participação de jovens na decisão das eleições partidárias no Brasil nos últimos anos tem despertado cada vez mais a atenção dos mais interessados nesse fenômeno: a classe política. Não é para menos. Trata-se de um dos grupos de eleitores mais promissores para aqueles que desejam chegar ao poder. E a Paraíba se destaca neste contexto como um dos Estados com maior índice de eleitores na faixa-etária dos 16 aos 24 anos, os quais já ultrapassam o número de meio milhão.
Mais precisamente, esse grupo soma, conforme TRE, 542.043, número suficiente para, de acordo reportagem publicada recentemente na imprensa estadual, eleger 16 deputados estaduais e cinco deputados federais. Desse total, aproximadamente 50 mil são menores de idade. Eleitores privilegiados que gozam do direito do voto opcional como o deveria ser em qualquer nação amplamente democrática.
Atentos a essa valiosa fatia mesclada do eleitorado paraibano recheada das mais diversas faixas-etárias juvenis, os candidatos – muitos dos quais já políticos eleitos – saem à caça na condição de raposas astutas de olho no precioso voto adolescente. E, nessa caça, as novas tecnologias vem se tornando as principais armas por meio das quais as ‘presas’ são mais facilmente atraídas para as armadilhas das campanhas eleitorais.
Nesse contexto, é traçada uma verdadeira guerra de redes sociais em que o domínio sobre ferramentas online como Orkut, Twitter e YouTube são estratégias indispensáveis na conquista dos votos da geração digital. E aqui vai um adendo: segundo pesquisa feita por duas empresas de pesquisas estatísticas , a InPress Porter Novelli em parceria com a empresa de monitoramento E-life, apesar da queda, o Orkut ainda é a rede social com o maior número de usuários cadastrados no Brasil: quase 90%, contra 80% do Twitter e YouTube, e 57% do Facebook. Os dados ressaltam a relevância que a internet pode e certamente j´vem desempenhando nas campanhas eleitorais, modificando consideravelmente a relação entre políticos e eleitores numa disputa cada vez mais acirrada pelo voto.
Trata-se de uma realidade um tanto preocupante que sucinta diversas discussões e levanta polêmicas em torno da capacidade de discernimento e consciência cidadã da nova geração de eleitores que passam a maior do tempo plugada no computador e que, não muito diferente de seus antecessores, a geração TV, de maneira similar, passam a sofrer os efeitos benéficos mas também maléficos do uso persuasivo das novas tecnologias de comunicação.
Como sabemos, e demonstram diversos estudos, essas novas ferramentas em si são neutras e representam, inegavelmente, o desenvolvimento intelectual e material da humanidade contemporânea, contudo, as estratégias de manuseio dessas para se chegar aos públicos alvos e extraírem desses, o que se deseja, não são nem um pouco imparciais.
Dentro dessa realidade, me perdoem os mais otimistas, mas afirmar que essa nova geração de eleitores está preparada ideologicamente para decidir, através do voto, o melhor para a nação, como querem que acreditemos alguns veículos de comunicação, políticos e até mesmo representantes juvenis, é algo, no mínimo, discutível.
Pelo menos é essa a percepção que tenho tido na condição de cientista social e de professor de centenas de jovens. Analisando comportamentos e modos de pensar a vida em sociedade, a impressão que tenho tido, salvo alguns casos raros, é de extrema alienação em que o egoísmo ainda impera. E nesse sentido, a preocupação maior tem se voltado para a intervenção das novas tecnologias de comunicação nesse fenômeno. Em como essas estão formatando o contato dos adolescentes e jovens com o mundo e consigo mesmo.
Diria que, numa clara alusão a um dos maiores teóricos e pensadores da comunicação do século passado, MacLuhan, pai de célebre noção de “aldeia global”, o meio de comunicação no mundo contemporâneo tem desempenhado uma significância muito mais relevante que a mensagem transmitida, na medida que tem se tornado a extensão dos sentidos e, consequentemente, do modo de enxergar e refletir o mundo.
E a internet, neste sentido, indiscutivelmente, assume o papel de um sistema nervoso mundial intermediando consciências diversas e mais do que isso, moldando-as de acordo com as ininterruptas novidades obsoletas de ferramentas em uso pelos milhares de eleitores espalhados pelo Brasil e mundo afora. O pior: agora cada vez mais na mira e sob o domínio de milhares de políticos e candidatos nada cidadãos. Sujeitos cujo único interesse é o de chegar ao poder em defesa de interesses próprios. Não mais que isso!.
Finalizamos o comentário externando a nossa preocupação aqui focada, a qual aponta, como dissemos, para uma discussão que ainda se arrastará por longos anos na sociedade contemporânea, deixando para os caros amigos e amigas internautas trechos de uma das célebres músicas de Renato Russo, Aloha, na qual ele já chamava a atenção para o perfil preocupante da juventude que ai está: “Será que ninguém vê/ o caos em que vivemos?/ os jovens são tão jovens/ e fica tudo por isso mesmo/ A juventude é rica/ a juventude é pobre/ a juventude sofre e ninguém parece perceber/ [...] Nos querem todos iguais/ assim é bem mais fácil nos controlar/ e mentir, mentir, mentir/ e matar, matar, matar/ o que eu tenho e melhor: minha esperança.....”
Mais precisamente, esse grupo soma, conforme TRE, 542.043, número suficiente para, de acordo reportagem publicada recentemente na imprensa estadual, eleger 16 deputados estaduais e cinco deputados federais. Desse total, aproximadamente 50 mil são menores de idade. Eleitores privilegiados que gozam do direito do voto opcional como o deveria ser em qualquer nação amplamente democrática.
Atentos a essa valiosa fatia mesclada do eleitorado paraibano recheada das mais diversas faixas-etárias juvenis, os candidatos – muitos dos quais já políticos eleitos – saem à caça na condição de raposas astutas de olho no precioso voto adolescente. E, nessa caça, as novas tecnologias vem se tornando as principais armas por meio das quais as ‘presas’ são mais facilmente atraídas para as armadilhas das campanhas eleitorais.
Nesse contexto, é traçada uma verdadeira guerra de redes sociais em que o domínio sobre ferramentas online como Orkut, Twitter e YouTube são estratégias indispensáveis na conquista dos votos da geração digital. E aqui vai um adendo: segundo pesquisa feita por duas empresas de pesquisas estatísticas , a InPress Porter Novelli em parceria com a empresa de monitoramento E-life, apesar da queda, o Orkut ainda é a rede social com o maior número de usuários cadastrados no Brasil: quase 90%, contra 80% do Twitter e YouTube, e 57% do Facebook. Os dados ressaltam a relevância que a internet pode e certamente j´vem desempenhando nas campanhas eleitorais, modificando consideravelmente a relação entre políticos e eleitores numa disputa cada vez mais acirrada pelo voto.
Trata-se de uma realidade um tanto preocupante que sucinta diversas discussões e levanta polêmicas em torno da capacidade de discernimento e consciência cidadã da nova geração de eleitores que passam a maior do tempo plugada no computador e que, não muito diferente de seus antecessores, a geração TV, de maneira similar, passam a sofrer os efeitos benéficos mas também maléficos do uso persuasivo das novas tecnologias de comunicação.
Como sabemos, e demonstram diversos estudos, essas novas ferramentas em si são neutras e representam, inegavelmente, o desenvolvimento intelectual e material da humanidade contemporânea, contudo, as estratégias de manuseio dessas para se chegar aos públicos alvos e extraírem desses, o que se deseja, não são nem um pouco imparciais.
Dentro dessa realidade, me perdoem os mais otimistas, mas afirmar que essa nova geração de eleitores está preparada ideologicamente para decidir, através do voto, o melhor para a nação, como querem que acreditemos alguns veículos de comunicação, políticos e até mesmo representantes juvenis, é algo, no mínimo, discutível.
Pelo menos é essa a percepção que tenho tido na condição de cientista social e de professor de centenas de jovens. Analisando comportamentos e modos de pensar a vida em sociedade, a impressão que tenho tido, salvo alguns casos raros, é de extrema alienação em que o egoísmo ainda impera. E nesse sentido, a preocupação maior tem se voltado para a intervenção das novas tecnologias de comunicação nesse fenômeno. Em como essas estão formatando o contato dos adolescentes e jovens com o mundo e consigo mesmo.
Diria que, numa clara alusão a um dos maiores teóricos e pensadores da comunicação do século passado, MacLuhan, pai de célebre noção de “aldeia global”, o meio de comunicação no mundo contemporâneo tem desempenhado uma significância muito mais relevante que a mensagem transmitida, na medida que tem se tornado a extensão dos sentidos e, consequentemente, do modo de enxergar e refletir o mundo.
E a internet, neste sentido, indiscutivelmente, assume o papel de um sistema nervoso mundial intermediando consciências diversas e mais do que isso, moldando-as de acordo com as ininterruptas novidades obsoletas de ferramentas em uso pelos milhares de eleitores espalhados pelo Brasil e mundo afora. O pior: agora cada vez mais na mira e sob o domínio de milhares de políticos e candidatos nada cidadãos. Sujeitos cujo único interesse é o de chegar ao poder em defesa de interesses próprios. Não mais que isso!.
Finalizamos o comentário externando a nossa preocupação aqui focada, a qual aponta, como dissemos, para uma discussão que ainda se arrastará por longos anos na sociedade contemporânea, deixando para os caros amigos e amigas internautas trechos de uma das célebres músicas de Renato Russo, Aloha, na qual ele já chamava a atenção para o perfil preocupante da juventude que ai está: “Será que ninguém vê/ o caos em que vivemos?/ os jovens são tão jovens/ e fica tudo por isso mesmo/ A juventude é rica/ a juventude é pobre/ a juventude sofre e ninguém parece perceber/ [...] Nos querem todos iguais/ assim é bem mais fácil nos controlar/ e mentir, mentir, mentir/ e matar, matar, matar/ o que eu tenho e melhor: minha esperança.....”
segunda-feira, 8 de março de 2010
O transcendentalismo invade o cinema brasileiro
Depois de longos anos investindo repetidamente na retratação da cultura da violência e do estado de pobreza que simbolicamente tanto representam os traços indentitários do povo brasileiro, o cinema nacional começa a mudar o seu roteiro e passa a investir em filmes de outras temáticas que, ao contrário do que se imaginava, passam a atrair um bom público às salas de cinemas. A vida após a morte é uma dessas.
Depois do sucesso de bilheteria surpreendente de Bezerra de Menezes: o diário de um espírito, considerado um dos maiores fenômenos de bilheteria de 2009, a indústria cinematográfica brasileira se prepara para lançar dois outros longas-metragens de cunho espírita que prometem arrastar uma verdadeira legião de cinéfilos aos cinemas de todo o país. O primeiro deles será Chico Xavier, cujo lançamento está previsto para o próximo dia 02 de abril e que irá narrar a história de vida do médium mais famoso do Brasil e cuja trajetória já foi alvo de diversas reportagens, documentários e uma infinidade de notícias veiculadas pela mídia.
Afora esse, outra grande produção também anunciada é o filme Nosso Lar. Baseado numa das obras espíritas de maior sucesso e psicografada por Chico Xavier, com mais de 2,5 milhões de cópias vendidas, o filme está programado para setembro deste ano e irá narrar o que seria a vida após a morte com detalhes jamais apresentados por nenhum outro filme do mesmo estilo já produzido no mundo.
Pelo jeito, é a vez do transcendentalismo invadir as telas de cinemas do Brasil de maneira definitiva. Nada mais natural, uma vez que, além de apresentar uma outra linha temática que vem rendendo bons frutos para os produtores cinematográficos, se trata de um outro elemento identitário do nosso país, cujas estatísticas apontam como sendo a maior nação espírita do mundo com aproximadamente 20 milhões de seguidores do Espiritismo. Fenômeno este que, por si só ,já renderia um bom filme. É o cinema brasileiro, com os olhos voltados para o sobrenatural como ainda é encarado o fenômeno da vida após a morte para a maioria dos habitantes da Terra e que qo que tudo indica, terão através do sucesso editorial das obras espíritas, uma fonte inesgotável para diversas produções midiáticas...
Depois do sucesso de bilheteria surpreendente de Bezerra de Menezes: o diário de um espírito, considerado um dos maiores fenômenos de bilheteria de 2009, a indústria cinematográfica brasileira se prepara para lançar dois outros longas-metragens de cunho espírita que prometem arrastar uma verdadeira legião de cinéfilos aos cinemas de todo o país. O primeiro deles será Chico Xavier, cujo lançamento está previsto para o próximo dia 02 de abril e que irá narrar a história de vida do médium mais famoso do Brasil e cuja trajetória já foi alvo de diversas reportagens, documentários e uma infinidade de notícias veiculadas pela mídia.
Afora esse, outra grande produção também anunciada é o filme Nosso Lar. Baseado numa das obras espíritas de maior sucesso e psicografada por Chico Xavier, com mais de 2,5 milhões de cópias vendidas, o filme está programado para setembro deste ano e irá narrar o que seria a vida após a morte com detalhes jamais apresentados por nenhum outro filme do mesmo estilo já produzido no mundo.
Pelo jeito, é a vez do transcendentalismo invadir as telas de cinemas do Brasil de maneira definitiva. Nada mais natural, uma vez que, além de apresentar uma outra linha temática que vem rendendo bons frutos para os produtores cinematográficos, se trata de um outro elemento identitário do nosso país, cujas estatísticas apontam como sendo a maior nação espírita do mundo com aproximadamente 20 milhões de seguidores do Espiritismo. Fenômeno este que, por si só ,já renderia um bom filme. É o cinema brasileiro, com os olhos voltados para o sobrenatural como ainda é encarado o fenômeno da vida após a morte para a maioria dos habitantes da Terra e que qo que tudo indica, terão através do sucesso editorial das obras espíritas, uma fonte inesgotável para diversas produções midiáticas...
segunda-feira, 1 de março de 2010
A 'carteirada" de Edir Macedo no Jornalismo
Depois de uma longa ‘peleja’ na justiça que lhe rendeu uma expectativa de nove anos, o líder da Igreja Universal e dono de um dos maiores conglomerados de comunicação da América Latina, Edir Macedo, está prestes a confirmar a posse da Carteira de Identidade Profissional de Jornalista, medida esta expedida pelo desembargador Fernandes Marques, do Tribunal Regional Federal, o qual determinou que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio especa o documento para o pastor.
A decisão do desembargador, proferida em 26 de agosto de 2009, conforme informações veiculadas na internet, atende a um recurso de apelação em mandado de segurança impetrado por Edir Macedo para tentar obter a carteira de jornalista, negado em sentença proferida, em primeira instância, em 13 de março de 2001.
Os advogados de defesa lembram que o bispo Edir Macedo, quando impetrou o mandado de segurança em 2001, informou que possuía um registro especial de “jornalista colaborador”, embora hoje não exista mais esta função nem a obrigação de diploma de nível superior para se exercer o jornalismo.
A conquista de tal documento em questão, se trata, sem sombra de dúvidas, de mais uma importante vitória para o segundo maior magnata do mercado em comunicação no país, para quem a condição de jornalista profissional lhe dará poderes ainda maiores.
Assim, o bispo será apenas mais um que deve obter um registro de jornalista no Ministério do Trabalho e não apenas um registro especial de colaborador, o qual era facultado aos não portadores de diploma antes da inconstitucionalidade da decretação desta exigência.
No pedido de esclarecimento à Justiça, o advogado do Sindicato observa que a carteira é um documento legal de identidade, com validade de três anos, emitida em formato digital com um chip, além de assinalar que Edir Macedo precisa comparecer pessoalmente ao Sindicato, com fotos, RG e CPF.
O mais lastimável de tudo é constatarmos que, longe dos princípios do genuíno jornalismo, esse campo de ação em breve estará repleto de representantes de 'araque' para quem a verdade, é aquela que lhe convém e cidadania, é a defesa de interesses próprios, assim com já o fazem os políticos... Para muitos seria o prenúncio da morte do jornalismo, ao menos, do bom e velho jornalismo....
Coisas do Brasil....
A decisão do desembargador, proferida em 26 de agosto de 2009, conforme informações veiculadas na internet, atende a um recurso de apelação em mandado de segurança impetrado por Edir Macedo para tentar obter a carteira de jornalista, negado em sentença proferida, em primeira instância, em 13 de março de 2001.
Os advogados de defesa lembram que o bispo Edir Macedo, quando impetrou o mandado de segurança em 2001, informou que possuía um registro especial de “jornalista colaborador”, embora hoje não exista mais esta função nem a obrigação de diploma de nível superior para se exercer o jornalismo.
A conquista de tal documento em questão, se trata, sem sombra de dúvidas, de mais uma importante vitória para o segundo maior magnata do mercado em comunicação no país, para quem a condição de jornalista profissional lhe dará poderes ainda maiores.
Assim, o bispo será apenas mais um que deve obter um registro de jornalista no Ministério do Trabalho e não apenas um registro especial de colaborador, o qual era facultado aos não portadores de diploma antes da inconstitucionalidade da decretação desta exigência.
No pedido de esclarecimento à Justiça, o advogado do Sindicato observa que a carteira é um documento legal de identidade, com validade de três anos, emitida em formato digital com um chip, além de assinalar que Edir Macedo precisa comparecer pessoalmente ao Sindicato, com fotos, RG e CPF.
O mais lastimável de tudo é constatarmos que, longe dos princípios do genuíno jornalismo, esse campo de ação em breve estará repleto de representantes de 'araque' para quem a verdade, é aquela que lhe convém e cidadania, é a defesa de interesses próprios, assim com já o fazem os políticos... Para muitos seria o prenúncio da morte do jornalismo, ao menos, do bom e velho jornalismo....
Coisas do Brasil....
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