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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A mídia e o Fórum Social Mundial

O Brasil sediará, no período de 27 de janeiro a 1 de fevereiro próximo, um dos encontros internacionais mais polêmicos que acontecem anualmente no mundo. Trata-se do Fórum Social Mundial, que desta feita, acontecerá em BElém e que mais uma vez, promete atrair a atenção dos holofotes dos diversos grandes grupos midiáticos do mundo.

Pauta de discussão a parte, um dos elementos que já vêm sendo discutidos é a cobertura da mídia para este importante acontecimento que, apesar das duras críticas das quais vêm sendo alvo nos ultimos anos, ainda representa um dos poucos espaços democráticos de grande repercussão em que se discute de maneira crítica e dialeticamente, os problemas sociais decorrentes da política capitalista que governa o mundo.

Antenado com esta questão, o jornalista Paulo Roberto, escreveu um artigo comentando a participação das empresas jornalísticas no que diz respeito à divulgação desse evento, o qual reproduzimos, em parte, abaixo, como marco inicial desse blog para o ano novo que se inicia. Aproveitamos para desejar a todos os colegas internautas, um 2009 de muito êxito e sobretudo, consciência crítica acerca da atuação da mídia no mundo e em nossas vidas, esse cada vez mais marcante e decisivo instrumento sóciohistórico e também psíquicosocial. No que depender deste modesto espaço dialético, cuja proposta principal, é a de suscitar discussões a respeito deste fenômeno, nos tornando um pouco mais atentos às suas consequências em nossas mentes e cotidiano, nos esforçaremos para que este blog esteja a serviço desse propósito.

Segue abaixo, trechos do artigo, publicado no site do observatoriodaimprensa.


FÓRUM SOCIAL MUNDIAL
Uma outra mídia seria possível?
Por Paulo Roberto de Almeida em 20/1/2009


Aproximando-se mais um piquenique anual dos antiglobalizadores, desta vez com sabores amazônicos – em Belém do Pará, de 27 de janeiro a 1º de fevereiro de 2009 – e alguns toques indigenistas, pode-se perguntar se, adotando o slogan preferido desse heteróclito e surrealista movimento, não estaríamos também precisando de uma outra mídia, ou pelo menos de uma imprensa capaz de tratar da substância, não da superfície, desses animados encontros anuais.

Desde os anos 1990, quando começaram as ruidosas manifestações dos antiglobalizadores, a imprensa acompanha zelosamente esses caóticos encontros, como é obviamente seu dever. São, assim, reportados o número de participantes, as marchas que eles empreendem, a presença de algumas vedetes da antiglobalização internacional e, eventualmente, até um pouco do que se discutiu nesses encontros.

O que se registra menos, contudo, é o que esses alternativos da globalização têm a dizer de concreto sobre os problemas do mundo ao qual se referem. A impressão que se tem, da leitura dessas matérias, é a de que a imprensa não alimenta o mesmo cuidado que tem com o aspecto externo desses encontros quando se trata de comentar as propostas ou a plataforma de seus organizadores, indagando, por exemplo, se elas guardam alguma coerência com suas motivações.

Muita transpiração, pouca inspiração

De fato, existe até a preocupação da mídia em registrar o que dizem os antiglobalizadores, mas pouco em comentar se o que eles dizem guarda relação com a realidade do mundo concreto. De minha experiência com a cobertura atenta desses eventos, ao longo dos últimos dez anos, observei que o que os antiglobalizadores mais produzem, na verdade, é o próprio movimento, e não exatamente propostas concretas: eles certamente quebram muitas vitrines, queimam alguns carros, mas jamais conseguem dizer em que, exatamente, consistiria o "outro mundo possível", sempre prometido, mas nunca explicitado. Será que a imprensa não tem a obrigação de cobrar-lhes essa falta de coerência?

A julgar pela intensa agitação e reduzida capacidade de proposta dos últimos dez anos, não se deveria esperar grandes novidades neste novo jamboree de Belém. De fato, o que eles mais produzem, efetivamente, é muita transpiração e pouca inspiração. Não cabe, talvez, sequer cobrar novas idéias, pois isto poderia deixá-los embaraçados.

Qual a viabilidade das utopias?

Mas, considerando-se que o papel dos grandes veículos de imprensa é o de não apenas reportar, mas também o de oferecer um "espaço de reflexão" – como sugerem os próprios antiglobalizadores –, não seria de se esperar um pouco mais de profundidade no tratamento do conteúdo que está sendo supostamente discutido? Afinal de contas, a concentração da atenção da mídia na cobertura do evento em si, em lugar de sua substância, representa uma perda de oportunidade de falar de coisas mais interessantes do que simplesmente reportar slogans simplistas. De fato, a agitação de alguns milhares de jovens pode não ser mais excitante, no plano das idéias, do que um congresso de dentistas ou de corretores de imóveis.

A pergunta que se deve fazer seria esta: o que, de fato, os antiglobalizadores têm a dizer de inteligente sobre o mundo atual e seus problemas? Onde está e como seria construído esse "outro mundo possível"? De que seria feita sua arquitetura? Ela seria capaz de se sustentar, no plano das relações econômicas concretas? Qual a viabilidade, finalmente, de suas utopias?.

Para leitura do artigo na íntegra, acessar o site:www.observatoriodaimprensa.com.br

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Mídia, Política e Cidadania na PB

Professores, jornalistas, marketeiros e outros profissionais envolvidos direta e indiretamente com o processo eleitoral na Paraíba se reuniram no último dia 19 em Campina Grande para participar do Simpósio Mídia, Política e Cidadania, promovido pela UEPB e a Faculdade Cesrei. Apesar de se tratar da primeira versão, o que naturalmente implica em algumas limitações de ordem estrutural, o evento já se revelou como um importante instrumento dialético voltado a uma discussão sobre as transformações porque passa o cenário político contemporâneo e de que maneira este fenômeno vem se configurando no contexto local.

Nesse sentido, nada mais oportuno do que reunir os diversos agentes sociais partícipes desse quadro, buscando através de uma discussão plural, se compreender melhor tal fenômeno que, diga-se de passagem, apresenta alguns aspectos um tanto assustadores. Foi o que fizeram, por exemplo, os convidados debatedores ao apresentarem uma análise acerca das duas temáticas sugeridas pela organização do evento: “ As Tendências e Perspectivas da Mídia e da Política na Paraíba”, e “A Cobertura Jornalística das Últimas Eleições Municipais em CG”. Além disso, também foi aberto espaço para apresentação de diversos estudos de pesquisa focados na relação existente entre a política e a mídia, relação esta que ocorre de maneira cada vez mais estreita, se tornado alvo constante de reflexões.

O resultado foi a apresentação de uma série de análises, ora divergentes, ora convergentes, mas que tinham em comum, a preocupação com os novos rumos da política no cenário local. Nesse contexto, como já era esperado, boa parte das discussões convergiu para o quadro lamentável da eleição ocorrida em Campina Grande, o qual, conforme ficou ressaltado nas falas dos diversos debatedores, muito mais que o fenômeno da espetacularização, ficou marcado pela escandalização. Trata-se de um traço que, como muito bem destacaram os analistas, ficou evidente nas estratégias de disputa eleitoral traçadas, sobretudo, pelos dois principais candidatos ao cargo do Poder Executivo Municipal, estratégias essas que, como toda a sociedade campinense testemunhou, não saíram do campo das baixarias, insultos e provocações, em detrimento do confronto salutar de propostas e idéias voltadas à implantação de medidas e políticas públicas.

No tocante à participação da mídia, as análises ficaram focada, de um lado, na censura sofrida pelos meios de comunicação por parte da Justiça Eleitoral que, como também ficou evidenciado, movida pela intenção de evitar qualquer tipo de abuso e infração por parte da mídia à legislação eleitoral, terminou pecando no que diz respeito ao sagrado exercício de liberdade de expressão. O outro enfoque apontou para a parcialidade explícita, porém, não assumida por parte dos grandes grupos de comunicação do Estado, os quais foram utilizados como uma extensão do horário político gratuito por cada um dos candidatos, com fins eleitoreiros.

Por fim, o evento chamou a atenção para a necessidade de um maior envolvimento da sociedade nesse quadro de transformação social, cujos efeitos, repercutem para todos os cidadãos em nome de quem a política deve continuar sendo o seu maior instrumento de democratização e desenvolvimento. Perder essa condição, portanto, é regredir e emergirmos na contra-mão da civilização, dando margens para a barbárie, o radicalismo e irracionalidade, coisas aliás, que mais caracterizam a última disputa eleitoral em CG, onde mais uma vez se fez necessária, a intervenção do Exército como garantia da ordem pública.

É nesse sentido, que o Simpósio Mídia, Política e Cidadania se configura como uma iniciativa para lá de oportuna, no intuito de resgatar o que ainda resta dos bons princípios que devem regir a política, sobretudo, convidando a todos (cidadãos e políticos) para uma discussão reflexiva. Evento, cuja proposta, é lançar as bases para a consolidação do Simpósio Internacional Mídia, Política e Cidadania, com a finalidade maior de fomentar, logo imediatamente a cada pleito eleitoral, a avaliação crítica por parte da comunidade acadêmica, profissionais de comunicação e outros segmentos da sociedade do papel da mídia na democracia contemporânea, .

E-mail para contato com a comissão organizadora: simposio.midia.politica.cidadania@gmail.com

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A mídia e a milionária indústria de indenização

Duas notícias veiculadas esta semana nos jornais e sites de notícias envolvendo dois artistas do show business trazem de volta ao cenário midiático, a discussão sobre a milionária indústria de indenização que sempre permeia as celebridades. Uma delas dava conta de que o deputado e apresentador Clodovil ganhou uma ação na justiça contra a Rede TV e que está prestes a ganhar a quantia de R$ 1 milhão. O apresentador acusa a Tv de ter o demito sem justa causa.

A outra notícia diz respeito a um processo que está sendo movido pela 'Rainha dos Baixinhos” Xuxa (que, diga-se de passagem, de infantil, não tem nada) contra o jornal institucional da Igreja Universal do Reino de Deus acusada de haver noticiado uma matéria na qual é afirmado que a apresentadora teria feito um pacto com o dito cujo, ou seja, o diabo, em outras palavras, a maior fonte de renda da respectiva igreja (não é a toa que seu nome é muito mais propagado dentro da igreja que o do próprio Deus). Xuxa pede a bagatela no valor de 3 milhões por difamação.

Ambos os casos reforçam o quanto a chamada indústria da indenização vale para o bolso das celebridades que, apesar de se exporem à opinião pública, não levam para casa todo tipo de insulto. Por outro lado, este fato revela o valor da vitrine midiática, razão pela qual tanto se disputa os famigerados 15 segundos de fama...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

As 10 lições da disputa eleitoral em CG

A acirrada disputa eleitoral municipal chegou ao fim neste domingo, 26, encerrando um embate político-partidário que certamente ficará registrado na história da vida política da Rainha da Borborema, como um dos episódios mais conturbados e ao mesmo tempo revelador. A disputa, que entrou na reta final em clima de duelo entre os dois candidatos – Veneziano (PMDB) e Rômulo Gouveia (PSDB)-, chegou ao fim, deixando uma série de lições a serem refletidas por todos os cidadãos campinenses. Enumeremos aqui algumas dessas:

1 – Que, de fato, como asseguram os próprios cientistas políticos, a política é uma ciência extremamente complexa e inexata e que obedece a lógicas que a própria razão desconhece;
2 – Que o poder exercido pelo dinheiro sobre as pessoas é considerável, porém, não decisivo em se tratando de uma disputa eleitoral;
3 – Que a indústria do denuncismo e a central do boataria enquanto estratégia de campanha eleitoral, deve ser repensada urgentemente pelos marketeiros políticos;
4 – Que, como já demonstram vários resultados de eleições em todo o mundo, o poder de influência da mídia não é um fator decisivo, contrariando o que pensam alguns conglomerados midiáticos atrelados a grupos políticos;
5 – Que as adesões repentinas e oportunista de correligionários de uma coligação para outra em plena campanha, não se traduz em transferência de votos, mas sim em mera covardia e falta de espírito político;
6 – Que, apesar de se revelar um instrumento extremamente fértil para se alcançar à massa, o apelo às emoções quando exagerado, é sinônimo de subestimação da capacidade racional do eleitorado;
7 – Que os resultados de pesquisas de intenção de votos, quase sempre erram, mas também (paradoxalmente) quase sempre acertam;
8 - Que a compra de votos enquanto estratégia eleitoral é uma faca de ‘dois gumes’ e que neste sentido, pode cortar à própria carne;
9- Que a articulação em torno da concentração de forças correligionárias adversas, nem sempre representa fortalecimento partidário;
10 – Por fim, que apesar de se tratar de um campo minado por todos os lados pela falta de ética e escrúpulo advindos da maioria de seus militantes, a política nem sempre responde à esta realidade, deixando ecoar no final, a soberana vontade do povo!.

E que venham às próximas eleições com suas sábias lições resultante da participação democrática... Avante Campina!!!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

CASO ELOÁ E A ESPETACULARIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA NA TV

A ampla cobertura da mídia e, em especial das redes de televisão abertas, sobre o polêmico caso do seqüestro de Santo André, ratificou, de um lado,o badalado avanço do fenômeno da espetacularização na chamada sociedade da informação – o qual ao que parece por mais que
não queiramos, somos forçados a destacar neste espaço- e de outro, a tendência do jornalismo televisivo para o espetáculo midiático. Trata-se, como percebemos, de uma receita perfeita para uma 'deliciosa' audiência ao vivo e a cores...

Mas, apesar de termos muito sobre o que falar acerca desse fato cada vez mais escancarado aos nossos olhos que realmente, conforme ressaltam os diversos estudiosos da espetaculairzação, parecem estar cada vez mais viciados por novos espetáculos, preferimos reproduzir,
abaixo, o comentário feito por Ana Maria Paterson, publicado no Observatório da Imprensa, o qual ao lermos, constatamos que diz tudo aquilo que gostaríamos de escrever e compartilhar com os diletos amigos internautas. O comentário sugere uma auto-crítica por parte do papel desempenhado pela mídia mediante o caso em questão e, em particular, ao modos operandi da imprensa que, conforme descreve a autora do texto em consonância com vários outros estudiosos da práxi jornalística contemporânea, parece estar deixando de lado alguns dos princípios apregoados no próprio código deontológico da profissão jornalista. Segue abaixo, o referido texto:

*A mídia e o seqüestro de Santo André

Por que a imprensa tem tanta dificuldade em fazer autocrítica? É claro que essa pergunta não me surgiu hoje, mas o que me fez escrever foi o papel da imprensa no seqüestro da estudante Eloá Cristina Pimentel. Na segunda-feira (13/10), o Brasil recebeu a notícia de que um rapaz
de 22 anos estava fazendo refém sua ex-namorada, de 15 anos. Foram inúmeras reportagens sobre Lindemberg Fernandes Alves, um rapaz trabalhador, que não bebe, não fuma, tem dois empregos para ajudar a família.

Com o passar das horas, o rapaz foi sendo narrado como um criminoso seqüestrador desequilibrado. Diante disso, uma gama de profissionais passou a ser entrevistada: psiquiatras, advogados, especialistas em segurança, psicólogos, criminalistas foram submetidos a perguntas do tipo "o que o rapaz estava pensando quando entrou no apartamento?", "qual o objetivo dele ao colocar uma camisa do São Paulo na janela?". E por aí ia um festival de sandices.

No segundo dia, o rapaz falou com uma emissora de TV e o espetáculo ficou mais dantesco quando apresentadores José Luiz Datena e Sonia Abraão chegaram a bater boca no ar para decidir quem tinha a equipe de reportagem mais competente, quem fazia um jornalismo mais ético. É possível?

A partir daí, entrevistados, apresentadores, pastores passaram a falar com o rapaz por intermédio da televisão. Ao mesmo tempo, vários comentaristas de segurança (nova denominação para repórter policial) começaram a repetir a seguinte frase "este rapaz está fazendo um passeio pelo Código Penal", enquanto outros estimaram a pena dele em
40 anos.

Considerando que no contato telefônico o rapaz deixou muito claro que seu maior medo era ir para prisão e levar tiros, segundo suas próprias palavras, não seria uma questão ética evitar comentários sobre a punição que ele iria sofrer ao sair de lá? Era de conhecimento de
todos que ele estava assistindo televisão e ouvindo tudo. Não seria prudente evitar esse tipo de comentário com o objetivo garantir o sucesso da operação? Em relação à imprensa, qualquer questionamento de seu papel nisso tudo é respondido pela seguinte frase: "Estamos fazendo nosso trabalho".

Vocês acreditam que é possível fazer jornalismo nos meios?

* Texto publicado por Por Ana Maria Peterson Silva em 18/10/2008, no
www.observatoriodaimprensa.com.br

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

MÍDIA, POLÍTICA E OS RESULTADO DAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Os resultados do primeiro turno das eleições municipais realizadas no país, confirmaram um fenômeno que vem sendo discutido por estudiosos e pesquisadores da comunicação social e institutos voltados à problematização da relação entre os meios de comunicação de massa e as campanhas eleitorais. A exemplo do que já foi publicado neste espaço (ver texto intitulado: eleições, mídia e democracia), boa parte dos resultados das urnas aponta para uma mudança lenta, mas processual acerca da diminuição do poder de influência da mídia nos resultados eleitorais.

Trata-se de uma realidade que, apesar de ser constatada de maneira mais contundente na América Latina e em especial, nas campanhas presidenciais realizadas nesta parte do continente, conforme é apresentado no texto acima mencionado, também começa a apresentar reflexo nas campanhas municipais e estaduais. Os resultados das últimas eleições municipais reforçam este fenômeno que pode ser melhor percebido por meio de alguns dados pontuais.

Dentre estes podemos destacar o fortalecimento do PT nas eleições municipais que, apesar de todas as críticas e ataques - nem sempre justos - advindos, sobretudo, dos órgãos de imprensa que formam a chamada grande mídia, superou os 14 milhões de votos obtidos há quatro anos, consagrando-se como o partido mais votado, tendo alcançado 545 prefeituras em todo o país -dessas, 107 só em Minas Gerais, onde se encontra um dos maiores adversários do presidente Lula nas próximas eleições - Aécio Neves.

A derrota de ACM Neto (DEM), selando o fim da hegemonia baiana do grupo ACM que, vale salientar, há pouco mais de dois anos controlava aproximadamente 90% dos municípios baianos, é outro resultado explícito dessa mudança aqui retratada. Nesse contexto, vale ressaltar que além da cobertura favorável de boa parte da imprensa local, ACM Neto contava com um significativo apoio da Rede Globo que há anos vem concedendo a este, um generoso espaço em seus preciosos telejornais, aparições estas que, entretanto, não lhes garantiram o sucesso almejado por ambos os grupos econômicos e políticos brasileiros de forte poder de influência popular.

Afora isso, a edição de outubro do jornal Le Monde Diplomatique Brasil, traz um artigo que ressalta esta sensível queda do poder de influência dos meios de comunicação de massa nas eleições municipais brasileiras. Assinalado pelo doutor em Ciência Política e professor de Sociologia da USP, Gustavo Venturi, o texto, intitulado: “A mídia perde influência”, traz uma análise acerca dos resultados das campanhas municipais, chamando-nos a atenção para a questão da limitação do poder da mídia nos dias atuais. Nele, Venturi atribui tal fenômeno à consolidação da democracia no país, fator este que está, no que também concordamos, possibilitando um maior amadurecimento do eleitorado.

Muito embora saibamos que este é um processo ainda muito insipiente e que ainda levará muito tempo para alcançar patamares mais satisfatórios, é inegável que se trata de uma esperançosa luz apontada num túnel que está longe de se chegar ao fim.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Telejornal e a espetacularização da vida privada

Uma notícia veiculada recentemente em vários órgãos de imprensa do mundo inteiro, através das agencias de notícias, revela o caráter de espetacularização cada vez mais presente na mídia contemporânea. Referimo-nos ao episódio do pedido de casamento feito a uma apresentadora de um telejornal norte-americano durante a transmissão do noticiário. Ao apresentar uma reportagem durante o jornal para o canal de TV KAMC, do Texas, Emily Leonard teve uma surpresa ao ver em vez da matéria, o seu namorado. Este, por sua vez, entrou no estúdio e fez o pedido de casamento, de joelhos, como, aliás, manda o espetáculo da encenação matrimonial tradicional. A cena é encerrada com um sonoro “sim” da noiva ao apresentador do quadro de previsão de tempo, Matt Laubhan que, vale ressaltar, para completar ainda mais o espetáculo transmitido ao vivo para todo o Estado do Texas, estava devidamente trajado de smoking.

Muito mais que uma explícita demonstração da TV enquanto canal soberano para a propagação do espetáculo midiático, a cena que vale ressaltar, pareceria muito mais um quadro de ‘loucura de amor’ comum a programas populares exibidos pelas TV´s abertas norte-americanas e brasileiras, revela o avanço da espetacularização na imprensa ressaltando uma de suas particularidades preponderantes que é a semiose da vida pública com a vida privada. Em outras palavras diríamos, a derrubada do limiar que separa o caráter público do particular.

Contudo, não podemos esquecer de que se trata de um ingrediente essencial no processo de transformação dos fatos em espetáculos, uma vez que para tal, é necessário que estes apresentem, de alguma forma, traços de interesse público. Ou seja, algo que atraia a atenção dos receptores cada vez mais ávidos por novos espetáculos via tela da TV.

Tal fenômeno revela, como analisam diversos estudiosos do campo da comunicação, uma das mais significativas transformações do mundo contemporâneo. Um mundo em que imagem vale muito, e se espetacularizada, vale muito mais!. Que o digam os altos índices de audiências televisivos...