Os resultados do primeiro turno das eleições municipais realizadas no país, confirmaram um fenômeno que vem sendo discutido por estudiosos e pesquisadores da comunicação social e institutos voltados à problematização da relação entre os meios de comunicação de massa e as campanhas eleitorais. A exemplo do que já foi publicado neste espaço (ver texto intitulado: eleições, mídia e democracia), boa parte dos resultados das urnas aponta para uma mudança lenta, mas processual acerca da diminuição do poder de influência da mídia nos resultados eleitorais.
Trata-se de uma realidade que, apesar de ser constatada de maneira mais contundente na América Latina e em especial, nas campanhas presidenciais realizadas nesta parte do continente, conforme é apresentado no texto acima mencionado, também começa a apresentar reflexo nas campanhas municipais e estaduais. Os resultados das últimas eleições municipais reforçam este fenômeno que pode ser melhor percebido por meio de alguns dados pontuais.
Dentre estes podemos destacar o fortalecimento do PT nas eleições municipais que, apesar de todas as críticas e ataques - nem sempre justos - advindos, sobretudo, dos órgãos de imprensa que formam a chamada grande mídia, superou os 14 milhões de votos obtidos há quatro anos, consagrando-se como o partido mais votado, tendo alcançado 545 prefeituras em todo o país -dessas, 107 só em Minas Gerais, onde se encontra um dos maiores adversários do presidente Lula nas próximas eleições - Aécio Neves.
A derrota de ACM Neto (DEM), selando o fim da hegemonia baiana do grupo ACM que, vale salientar, há pouco mais de dois anos controlava aproximadamente 90% dos municípios baianos, é outro resultado explícito dessa mudança aqui retratada. Nesse contexto, vale ressaltar que além da cobertura favorável de boa parte da imprensa local, ACM Neto contava com um significativo apoio da Rede Globo que há anos vem concedendo a este, um generoso espaço em seus preciosos telejornais, aparições estas que, entretanto, não lhes garantiram o sucesso almejado por ambos os grupos econômicos e políticos brasileiros de forte poder de influência popular.
Afora isso, a edição de outubro do jornal Le Monde Diplomatique Brasil, traz um artigo que ressalta esta sensível queda do poder de influência dos meios de comunicação de massa nas eleições municipais brasileiras. Assinalado pelo doutor em Ciência Política e professor de Sociologia da USP, Gustavo Venturi, o texto, intitulado: “A mídia perde influência”, traz uma análise acerca dos resultados das campanhas municipais, chamando-nos a atenção para a questão da limitação do poder da mídia nos dias atuais. Nele, Venturi atribui tal fenômeno à consolidação da democracia no país, fator este que está, no que também concordamos, possibilitando um maior amadurecimento do eleitorado.
Muito embora saibamos que este é um processo ainda muito insipiente e que ainda levará muito tempo para alcançar patamares mais satisfatórios, é inegável que se trata de uma esperançosa luz apontada num túnel que está longe de se chegar ao fim.
Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Telejornal e a espetacularização da vida privada
Uma notícia veiculada recentemente em vários órgãos de imprensa do mundo inteiro, através das agencias de notícias, revela o caráter de espetacularização cada vez mais presente na mídia contemporânea. Referimo-nos ao episódio do pedido de casamento feito a uma apresentadora de um telejornal norte-americano durante a transmissão do noticiário. Ao apresentar uma reportagem durante o jornal para o canal de TV KAMC, do Texas, Emily Leonard teve uma surpresa ao ver em vez da matéria, o seu namorado. Este, por sua vez, entrou no estúdio e fez o pedido de casamento, de joelhos, como, aliás, manda o espetáculo da encenação matrimonial tradicional. A cena é encerrada com um sonoro “sim” da noiva ao apresentador do quadro de previsão de tempo, Matt Laubhan que, vale ressaltar, para completar ainda mais o espetáculo transmitido ao vivo para todo o Estado do Texas, estava devidamente trajado de smoking.
Muito mais que uma explícita demonstração da TV enquanto canal soberano para a propagação do espetáculo midiático, a cena que vale ressaltar, pareceria muito mais um quadro de ‘loucura de amor’ comum a programas populares exibidos pelas TV´s abertas norte-americanas e brasileiras, revela o avanço da espetacularização na imprensa ressaltando uma de suas particularidades preponderantes que é a semiose da vida pública com a vida privada. Em outras palavras diríamos, a derrubada do limiar que separa o caráter público do particular.
Contudo, não podemos esquecer de que se trata de um ingrediente essencial no processo de transformação dos fatos em espetáculos, uma vez que para tal, é necessário que estes apresentem, de alguma forma, traços de interesse público. Ou seja, algo que atraia a atenção dos receptores cada vez mais ávidos por novos espetáculos via tela da TV.
Tal fenômeno revela, como analisam diversos estudiosos do campo da comunicação, uma das mais significativas transformações do mundo contemporâneo. Um mundo em que imagem vale muito, e se espetacularizada, vale muito mais!. Que o digam os altos índices de audiências televisivos...
Muito mais que uma explícita demonstração da TV enquanto canal soberano para a propagação do espetáculo midiático, a cena que vale ressaltar, pareceria muito mais um quadro de ‘loucura de amor’ comum a programas populares exibidos pelas TV´s abertas norte-americanas e brasileiras, revela o avanço da espetacularização na imprensa ressaltando uma de suas particularidades preponderantes que é a semiose da vida pública com a vida privada. Em outras palavras diríamos, a derrubada do limiar que separa o caráter público do particular.
Contudo, não podemos esquecer de que se trata de um ingrediente essencial no processo de transformação dos fatos em espetáculos, uma vez que para tal, é necessário que estes apresentem, de alguma forma, traços de interesse público. Ou seja, algo que atraia a atenção dos receptores cada vez mais ávidos por novos espetáculos via tela da TV.
Tal fenômeno revela, como analisam diversos estudiosos do campo da comunicação, uma das mais significativas transformações do mundo contemporâneo. Um mundo em que imagem vale muito, e se espetacularizada, vale muito mais!. Que o digam os altos índices de audiências televisivos...
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Globo e futebol: um negócio de R$ 1,4 bilhão
O contrato bilionário recém-firmado entre a Rede Globo de Televisão com o Clube dos 13, no valor de 1,4 bilhão, garantindo a emissora dos ‘Marinho’, os direitos exclusivos da transmissão do Campeonato Brasileiro no triênio 2009-2011, ressalta o negócio da ‘china’ (jargão este, aliás, que será tema da nova novela da Globo– outro produto lucrativo da emissora) que representa o futebol para a mídia.
O valor da comercialização do ‘Brasileirão’ foi fechado depois de uma longa negociação entre a diretoria comercial da TV Globo e os clubes que integram o clube dos 13, e contou com um pequeno empurrãozinho da maior rival da Globo, a TV Record, que, conforme várias informações circuladas na Internet, estava de olho neste contrato pra lá de lucrativo. De quebra, ganharam os clubes que, há meses, negociavam um aumento da cota que é repassada pela Globo.
Foi, é claro, uma jogada e tanto dos representantes dos times milionários de futebol brasileiro que terminou pegando de jeito a Rede Globo. Contudo, nada mais justo para quem lhe garante, há décadas, uma senhora renda por meio de valiosas cotas publicitárias que são, na verdade, o eixo central de sustentação de todos os veículos de comunicação e, mais ainda, da relação destes com o futebol, fenômeno este, aliás, moldado pela mídia insistentemente como a paixão nacional. E o amor, onde fica?.
Mas o tamanho dessa paixão pode ser medida perfeitamente em cifras. Para se ter uma idéia do tamanho e valor monetário do bolo publicitário fatiado entre a Globo com os times de futebol, do qual, é evidente, esta termina ficando com a fatia maior, no ano passado, a Globo vendeu cada cota do seu futebol por R$ 108 milhões, conforme informações do jornal Propaganda & Marketing. As cotas são compradas por empresas de grande porte, a exemplo do Itaú, Casas Bahia, Vivo, Ambev e Volkswagen. Isso sem falar no "top" de 5 segundos da Coca-Cola, que rende R$ 32 milhões.
Estas cifras, vale salientar, não incluem as diversas outras cotas publicitárias advindas de outras modalidades de produtos midiáticos, as quais chegam aos cofres da emissora com a mesma rapidez do sonoro ´plim plim” que esta soa aos ouvidos dos seus telespectadores. Fazem parte desta fonte financeira suntuosa, as outras modalidades de programas agregradas à grande televisiva ‘global’, a exemplo da Fórmula 1, que assim como o futebol, representa algumas das maiores rendas de faturamento desta e cujo valor já fechado para 2009 é de R$ 50% milhões.
Isto sem falar no cada vez mais lucrativo “Big Brother Brasil” que, de fato está se tornando um realy show em faturamento para a Globo e os demais atrativos de entretenimento. Neste sentido, nunca é demais lembrar que, enquanto, de um lado, os telespectadores se entretém sentados confortavelmente em frente à telinha da Globo com o seu delicioso cardápio televisivo, de outro, o departamento comercial – o coração e cérebro da emissora – faz festa com os números do ibope, números estes que, como vemos, se transformam em cifras por segundos.
Encerrando esse comentário que tem como propósito principal, oferecer aos caros colegas internautas, uma idéia ainda que parcial do astronômico resultado financeiro que se esconde por trás da indústria de entretenimento deste que continua sendo o sistema de comunicação mais lucrativo do país, aqui ai outro dado. Segundo dados do Propmark, o faturamento da Globo no ano passado foi de aproximadamente R$ 5,2 bilhões. Para este ano, acredita-se num crescimento de 11%. E ainda se fala em crise na rede Globo...
O valor da comercialização do ‘Brasileirão’ foi fechado depois de uma longa negociação entre a diretoria comercial da TV Globo e os clubes que integram o clube dos 13, e contou com um pequeno empurrãozinho da maior rival da Globo, a TV Record, que, conforme várias informações circuladas na Internet, estava de olho neste contrato pra lá de lucrativo. De quebra, ganharam os clubes que, há meses, negociavam um aumento da cota que é repassada pela Globo.
Foi, é claro, uma jogada e tanto dos representantes dos times milionários de futebol brasileiro que terminou pegando de jeito a Rede Globo. Contudo, nada mais justo para quem lhe garante, há décadas, uma senhora renda por meio de valiosas cotas publicitárias que são, na verdade, o eixo central de sustentação de todos os veículos de comunicação e, mais ainda, da relação destes com o futebol, fenômeno este, aliás, moldado pela mídia insistentemente como a paixão nacional. E o amor, onde fica?.
Mas o tamanho dessa paixão pode ser medida perfeitamente em cifras. Para se ter uma idéia do tamanho e valor monetário do bolo publicitário fatiado entre a Globo com os times de futebol, do qual, é evidente, esta termina ficando com a fatia maior, no ano passado, a Globo vendeu cada cota do seu futebol por R$ 108 milhões, conforme informações do jornal Propaganda & Marketing. As cotas são compradas por empresas de grande porte, a exemplo do Itaú, Casas Bahia, Vivo, Ambev e Volkswagen. Isso sem falar no "top" de 5 segundos da Coca-Cola, que rende R$ 32 milhões.
Estas cifras, vale salientar, não incluem as diversas outras cotas publicitárias advindas de outras modalidades de produtos midiáticos, as quais chegam aos cofres da emissora com a mesma rapidez do sonoro ´plim plim” que esta soa aos ouvidos dos seus telespectadores. Fazem parte desta fonte financeira suntuosa, as outras modalidades de programas agregradas à grande televisiva ‘global’, a exemplo da Fórmula 1, que assim como o futebol, representa algumas das maiores rendas de faturamento desta e cujo valor já fechado para 2009 é de R$ 50% milhões.
Isto sem falar no cada vez mais lucrativo “Big Brother Brasil” que, de fato está se tornando um realy show em faturamento para a Globo e os demais atrativos de entretenimento. Neste sentido, nunca é demais lembrar que, enquanto, de um lado, os telespectadores se entretém sentados confortavelmente em frente à telinha da Globo com o seu delicioso cardápio televisivo, de outro, o departamento comercial – o coração e cérebro da emissora – faz festa com os números do ibope, números estes que, como vemos, se transformam em cifras por segundos.
Encerrando esse comentário que tem como propósito principal, oferecer aos caros colegas internautas, uma idéia ainda que parcial do astronômico resultado financeiro que se esconde por trás da indústria de entretenimento deste que continua sendo o sistema de comunicação mais lucrativo do país, aqui ai outro dado. Segundo dados do Propmark, o faturamento da Globo no ano passado foi de aproximadamente R$ 5,2 bilhões. Para este ano, acredita-se num crescimento de 11%. E ainda se fala em crise na rede Globo...
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Mídia cidadã
Pautadas no papel cada vez mais central que a mídia tem ocupado na sociedade contemporânea, cresce, na sociedade civil organizada, as discussões sobre esta relevante temática de que trata este blog. Trata-se de uma importante vertente discursiva voltada à uma maior conscientização em torno dos modos operandi e efeitos dos meios de comunicação de massa no cotidiano dos cidadãos.
Neste contexto, será realizado em Recife, a IV Conferência Brasileira de Mídia Cidadã - Pesquisas acadêmicas e experiências da sociedade civil, mercado eEstado na efetivação do direito humano à comunicação. O evento abordará diversos temas relacionados à problemática acima mencionada. Dentre os temas que serão discutidos, estão os seguintes: o direito do cidadão à comunicação, as políticas de informação, rádio comunitária, a internet e os jovens, os efeitos da publicidade, TV Pública e, a informação como instrumento de formação cidadã.
O encontro acontecerá na UFPE, nos dias 16, 17 e 18 e reunirá dezenas de pesquisadores e representantes da sociedade civil em torno de uma vasta programação que reproduzimos em parte, mais abaixo. O evento é aberto ao público em geral. A Confirmação da participação dev ser feita até 15 de outubro pelo e-mail: www.observatorio.midia@ufpe.br).
Maiores informações e a programação, na íntegra, no site http://www.ufpe.br/observatorio .
Programa
Quinta-feira – 16 de outubro
8h – Credenciamento dos participantes (Recepção do CAC)8h30 – Abertura (Jardim interno do CAC)- Prof. Dr. Amaro Lins - Reitor da UFPE- Dr. Romeu Tuma Júnior – Secretário Nacional de Justiça- Dr. Paulo Varejão – Procurador-geral do MPPE- Profa. Dra. Solange Coutinho – Pró-reitora de Extensão da UFPE- Profa. Dra. Virgínia Leal – Diretora do Centro de Artes e Comunicação- Profa. Dra. Isaltina Mello Gomes – coordenadora do PPGCOM/UFPE- Profa. Dra. Cicilia Peruzzo – Cátedra Unesco/Umesp- Prof. Dr. Edgard Rebouças – Observatório da Mídia Regional/PPGCOM/UFPE
9h – Reunião dos grupos de trabalho (CAC)GT1 - Mini-auditório IFormação de correspondentes para a rádio comunitária HeliópolisCicilia M. Krohling PeruzzoOboré Projetos Especiais de Comunicação; Núcleo de Pesquisa deComunicação Comunitária e Local (Comuni) - Umesp; Projeto Redigir(ECA/USP); União de Núcleos Associações e Sociedades de Heliópolis eSão João Clímaco (Unas)
Rádio comunitário regional: perfil da rádio Ponte FM em Indaiai - SCLetícia Dayanna Ferreira de Melo e Ofélia Torres MoralesUniversidade Regional de Blumenal
Rádio Mulher: uma estratégia política feminista em comunicaçãoHainer Bezerra de Farias e Flavia Maria LucenaCentro das Mulheres do Cabo;
Rádio MulherRádio e aprendizagem: a participação de crianças e adolescentes naconstrução de um ambiente comunicativo a partir da rádio-escolaLuana Amorim GomesUFCProjeto Dissonante: faça-rádio-web-você-mesmo - uma experiência decomunicação livreFernando Paulino; Juliana Oliveira Mendes; Leyberson Lelis Pedrosa ePedro Arcanjo Matos (Unb)
Rádios comunitárias na internet: mais um canal para a tentativa depromoção de cidadania nos locais mais pobres do país. O caso dasrádios comunitárias na web do sertão do PiauíOrlando Maurício de Carvalho BertiUniversidade R. Sá (Picos – PI)
Está entrando no ar... A voz da juventudeTatiana Castro MotaONG Catavento Comunicação e Educação – CearáVocê fala, você muda! Uma experiência pela democratização da ComunicaçãoHugo de Lima; Marcela Lino e Marcelle HonoratoComunidade Boivoador de Artes e Comunicação Social
GT2 - Mini-auditório IIClassificação Indicativa – Informação QualificadaRomeu Tuma JúniorMinistério da Justiça - Secretaria Nacional de Justiça Departamento deJustiça, Classificação, Títulos e QualificaçãoCampanha "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania"Ricardo Moretzsohn
Comissão de Direitos Humanos e Minorias e Comissão de LegislaçãoParticipativa da Câmara Federal; Campanha "Quem Financia a Baixaria éContra a Cidadania"A campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania": direitoshumanos na TV brasileiraCarlos Henrique Demarchi(Unesp)
O caso Direitos de Resposta e o controle público da mídiaAna Maria StraubeIntervozes – Coletivo Brasil De Comunicação Social; Ministério PúblicoFederal; Ação Brotar Pela Cidadania e Diversidade Sexual; Associaçãoda Parada do Orgulho dos Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros deSão Paulo; Associação de Incentivo à Educação e Saúde de São Paulo;Centro de Direitos Humanos;
Identidade – Grupo de Ação Pela CidadaniaHomossexual.Da "farra das concessões" à interdição das rádios comunitárias: opoder político e econômico dos mercadores do setor de rádio no BrasilAna Veloso e Hainer FariasUnicap;
UFPEO papel do Poder Judiciário na restrição e/ou garantia do direito àliberdade de expressãoJackeline Danielly Freire FlorêncioUFPEO dilema entre público e estatalInaldo Santana AraújoUFBA12h – Visita à I Feira Nacional de Mídia Cidadã (CAC)14h – Reunião dos grupos de trabalho (CAC)
GT3 - Mini-auditório IA mensagem da classificação indicativa na língua brasileira de sinaisnas vinhetas televisivasRomeu Tuma JúniorMinistério da Justiça - Secretaria Nacional De Justiça - Departamentode Justiça, Classificação, Títulos e QualificaçãoA atuação do cfp na implementação das políticas de comunicação: o casoda publicidade para criançasClara GoldmanConselho Federal de PsicologiaPolíticas de incentivo às mídias cidadãs em VitóriaJacson José Maria SegundoPrefeitura de VitóriaVozes da democracia – histórias da comunicação na redemocratização do BrasilIano MaiaIntervozes – Coletivo Brasil de Comunicação SocialRelações públicas cidadã na Andaluzia: um relato sobre a ouvidoria deuma associação de emissoras comunitárias e municipais de rádio e tv nosul da EspanhaJosé Guibson DantasUniversidad de Málaga
TV pública do Brasil e a eficácia do direito fundamental à informaçãoJoana Maria de Brito MatosUFPEA memória do direito à comunicaçãoRenato BigliazziUnBAnálise das práticas de comunicação na gestão municipal de saúde parao controle da dengueIdê Gomes Dantas Gurgel e Mariana Olívia Santana dos SantosFiocruz – Fundação Osvaldo Cruz
GT4 - Mini-auditório IIUma janela para o mundo: a inclusão comunitária e mercadológica dosadolescentes do projeto TV JanelaRobson da Silva BragaUFCColetivo Gambiarra ImagensColetivo Gambiarra ImagensCoque, exercícios do olhar: uma experiência de pesquisa comodesdobramentos de um projeto de extensãoRafael Souza, Roberta Lira dos Santos, Monick França, Gutembergue deLima e Sandokan Xavier
Sábado – 18 de outubro8h – Saída para visita a projetos de mídia cidadã no Recife(Estacionamento do CAC)(Confirmação da participação até 15 de outubro pelo e-mailobservatorio.midia@ufpe.br)
Maiores informações no site http://www.ufpe.br/observatorio .
Realização:Observatório da Mídia Regional: direitos humanos, políticas e sistemas(PPGCOM/UFPE)Cátedra Unesco/Umesp de Comunicação para o Desenvolvimento RegionalApoio:Auçuba – Comunicação e EducaçãoCentro de Cultura Luiz FreireCentro das Mulheres do CaboConselho Regional de Psicologia (CRP-PE)Hotel CanariusFaculdade Marista do RecifeLe Fil Comunicação DigitalMinistério Público do Estado de PernambucoRecife Convention & Visitors BureauSindicato dos Servidores Públicos Federais de PernambucoSindicato dos Telefônicos de PernambucoSinos - Organização para o Desenvolvimento da Comunicação Social
Neste contexto, será realizado em Recife, a IV Conferência Brasileira de Mídia Cidadã - Pesquisas acadêmicas e experiências da sociedade civil, mercado eEstado na efetivação do direito humano à comunicação. O evento abordará diversos temas relacionados à problemática acima mencionada. Dentre os temas que serão discutidos, estão os seguintes: o direito do cidadão à comunicação, as políticas de informação, rádio comunitária, a internet e os jovens, os efeitos da publicidade, TV Pública e, a informação como instrumento de formação cidadã.
O encontro acontecerá na UFPE, nos dias 16, 17 e 18 e reunirá dezenas de pesquisadores e representantes da sociedade civil em torno de uma vasta programação que reproduzimos em parte, mais abaixo. O evento é aberto ao público em geral. A Confirmação da participação dev ser feita até 15 de outubro pelo e-mail: www.observatorio.midia@ufpe.br).
Maiores informações e a programação, na íntegra, no site http://www.ufpe.br/observatorio .
Programa
Quinta-feira – 16 de outubro
8h – Credenciamento dos participantes (Recepção do CAC)8h30 – Abertura (Jardim interno do CAC)- Prof. Dr. Amaro Lins - Reitor da UFPE- Dr. Romeu Tuma Júnior – Secretário Nacional de Justiça- Dr. Paulo Varejão – Procurador-geral do MPPE- Profa. Dra. Solange Coutinho – Pró-reitora de Extensão da UFPE- Profa. Dra. Virgínia Leal – Diretora do Centro de Artes e Comunicação- Profa. Dra. Isaltina Mello Gomes – coordenadora do PPGCOM/UFPE- Profa. Dra. Cicilia Peruzzo – Cátedra Unesco/Umesp- Prof. Dr. Edgard Rebouças – Observatório da Mídia Regional/PPGCOM/UFPE
9h – Reunião dos grupos de trabalho (CAC)GT1 - Mini-auditório IFormação de correspondentes para a rádio comunitária HeliópolisCicilia M. Krohling PeruzzoOboré Projetos Especiais de Comunicação; Núcleo de Pesquisa deComunicação Comunitária e Local (Comuni) - Umesp; Projeto Redigir(ECA/USP); União de Núcleos Associações e Sociedades de Heliópolis eSão João Clímaco (Unas)
Rádio comunitário regional: perfil da rádio Ponte FM em Indaiai - SCLetícia Dayanna Ferreira de Melo e Ofélia Torres MoralesUniversidade Regional de Blumenal
Rádio Mulher: uma estratégia política feminista em comunicaçãoHainer Bezerra de Farias e Flavia Maria LucenaCentro das Mulheres do Cabo;
Rádio MulherRádio e aprendizagem: a participação de crianças e adolescentes naconstrução de um ambiente comunicativo a partir da rádio-escolaLuana Amorim GomesUFCProjeto Dissonante: faça-rádio-web-você-mesmo - uma experiência decomunicação livreFernando Paulino; Juliana Oliveira Mendes; Leyberson Lelis Pedrosa ePedro Arcanjo Matos (Unb)
Rádios comunitárias na internet: mais um canal para a tentativa depromoção de cidadania nos locais mais pobres do país. O caso dasrádios comunitárias na web do sertão do PiauíOrlando Maurício de Carvalho BertiUniversidade R. Sá (Picos – PI)
Está entrando no ar... A voz da juventudeTatiana Castro MotaONG Catavento Comunicação e Educação – CearáVocê fala, você muda! Uma experiência pela democratização da ComunicaçãoHugo de Lima; Marcela Lino e Marcelle HonoratoComunidade Boivoador de Artes e Comunicação Social
GT2 - Mini-auditório IIClassificação Indicativa – Informação QualificadaRomeu Tuma JúniorMinistério da Justiça - Secretaria Nacional de Justiça Departamento deJustiça, Classificação, Títulos e QualificaçãoCampanha "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania"Ricardo Moretzsohn
Comissão de Direitos Humanos e Minorias e Comissão de LegislaçãoParticipativa da Câmara Federal; Campanha "Quem Financia a Baixaria éContra a Cidadania"A campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania": direitoshumanos na TV brasileiraCarlos Henrique Demarchi(Unesp)
O caso Direitos de Resposta e o controle público da mídiaAna Maria StraubeIntervozes – Coletivo Brasil De Comunicação Social; Ministério PúblicoFederal; Ação Brotar Pela Cidadania e Diversidade Sexual; Associaçãoda Parada do Orgulho dos Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros deSão Paulo; Associação de Incentivo à Educação e Saúde de São Paulo;Centro de Direitos Humanos;
Identidade – Grupo de Ação Pela CidadaniaHomossexual.Da "farra das concessões" à interdição das rádios comunitárias: opoder político e econômico dos mercadores do setor de rádio no BrasilAna Veloso e Hainer FariasUnicap;
UFPEO papel do Poder Judiciário na restrição e/ou garantia do direito àliberdade de expressãoJackeline Danielly Freire FlorêncioUFPEO dilema entre público e estatalInaldo Santana AraújoUFBA12h – Visita à I Feira Nacional de Mídia Cidadã (CAC)14h – Reunião dos grupos de trabalho (CAC)
GT3 - Mini-auditório IA mensagem da classificação indicativa na língua brasileira de sinaisnas vinhetas televisivasRomeu Tuma JúniorMinistério da Justiça - Secretaria Nacional De Justiça - Departamentode Justiça, Classificação, Títulos e QualificaçãoA atuação do cfp na implementação das políticas de comunicação: o casoda publicidade para criançasClara GoldmanConselho Federal de PsicologiaPolíticas de incentivo às mídias cidadãs em VitóriaJacson José Maria SegundoPrefeitura de VitóriaVozes da democracia – histórias da comunicação na redemocratização do BrasilIano MaiaIntervozes – Coletivo Brasil de Comunicação SocialRelações públicas cidadã na Andaluzia: um relato sobre a ouvidoria deuma associação de emissoras comunitárias e municipais de rádio e tv nosul da EspanhaJosé Guibson DantasUniversidad de Málaga
TV pública do Brasil e a eficácia do direito fundamental à informaçãoJoana Maria de Brito MatosUFPEA memória do direito à comunicaçãoRenato BigliazziUnBAnálise das práticas de comunicação na gestão municipal de saúde parao controle da dengueIdê Gomes Dantas Gurgel e Mariana Olívia Santana dos SantosFiocruz – Fundação Osvaldo Cruz
GT4 - Mini-auditório IIUma janela para o mundo: a inclusão comunitária e mercadológica dosadolescentes do projeto TV JanelaRobson da Silva BragaUFCColetivo Gambiarra ImagensColetivo Gambiarra ImagensCoque, exercícios do olhar: uma experiência de pesquisa comodesdobramentos de um projeto de extensãoRafael Souza, Roberta Lira dos Santos, Monick França, Gutembergue deLima e Sandokan Xavier
Sábado – 18 de outubro8h – Saída para visita a projetos de mídia cidadã no Recife(Estacionamento do CAC)(Confirmação da participação até 15 de outubro pelo e-mailobservatorio.midia@ufpe.br)
Maiores informações no site http://www.ufpe.br/observatorio .
Realização:Observatório da Mídia Regional: direitos humanos, políticas e sistemas(PPGCOM/UFPE)Cátedra Unesco/Umesp de Comunicação para o Desenvolvimento RegionalApoio:Auçuba – Comunicação e EducaçãoCentro de Cultura Luiz FreireCentro das Mulheres do CaboConselho Regional de Psicologia (CRP-PE)Hotel CanariusFaculdade Marista do RecifeLe Fil Comunicação DigitalMinistério Público do Estado de PernambucoRecife Convention & Visitors BureauSindicato dos Servidores Públicos Federais de PernambucoSindicato dos Telefônicos de PernambucoSinos - Organização para o Desenvolvimento da Comunicação Social
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Mídia, eleições e democracia
A discussão acerca do papel dos media nas eleições dentro do contexto da chamada sociedade da informação, vem despontando como uma das mais promissoras na contemporaneidade. O fenômeno – que ainda permanece mais arraigado à cultura acadêmica -, vem se desenvolvendo em meio a um desencadeamento reflexivo dinâmico englobando diversas entidades civis representativas, numa clara demonstração da relevância desta temática para a população.
As discussões têm, em geral, como eixo central a imbricada e tendenciosa relação existente entre a mídia, a sociedade e a democratização da comunicação, ou melhor, da informação. Trata-se de uma pauta social que, apesar de não se caracterizar como algo novo, vem se ampliando à medida que cresce a conscientização da sociedade civil organizada para estes três elementos mencionados.
Neste contexto, entre as últimas iniciativas de cunho reflexivo e crítico, estão os lançamentos de estudos e livros baseados em trabalhos de análises acerca dos efeitos dos mass media dentro do cenário das campanhas eleitorais no mundo. Alguns dos mais recentes têm como foco a realidade vivida de maneira particular na América Latina e, de forma ainda mais restrita, no Brasil. Dentre esses estão as obras: “Se nos rompió el amor – Elecciones y medios decomunicación, América Latina 2006” (FES); “Mídia nas Eleições de 2006”, de Venício Artur de Lima; e “Mídia, eleições e Democracia”, de Heloiza Matos.
O primeiro é fruto de uma das pesquisas mais recentes na América Latina e reúne 12 estudos de 15 especialistas, 11 deles sobre o papel da mídia nas eleições presidenciais realizadas em 11 países da América Latina, entre novembro de 2005 e dezembro de 2006. Trata-se de um trabalho realizado pelo C3 – Centro de Competencia em Comunicación, uma unidade regional de análise da comunicação para América Latina da Fundação Friedrich Ebert (FES), com sede em Bogotá, Colômbia. A FES é uma instituição que "baseia seus programas no ideário da socialdemocracia alemã e européia e mantém escritórios em mais de 70 países do mundo, sempre com a finalidade de cooperar na consolidação e no desenvolvimento de regimes democráticos e participativos" e está no Brasil há mais de 30 anos.
Trata-se do décimo segundo estudo trata das eleições municipais e parlamentares realizadas em El Salvador. A tese principal do livro, simplificadamente, é de que o ano de 2006 passará para a história das relações entre a mídia e as campanhas eleitorais na América Latina como aquele em que os candidatos "romperam seu amor pela mídia" e preferiram a comunicação direta com a cidadania. Voltaremos a refletir melhor sobre este fenômeno que julgamos particularmente passível de um melhor aprofundamento, em outro momento. A principal conclusão dos estudos apresentados no livro é que, em seis dessas eleições, saíram vencedores os candidatos a presidente que enfrentaram a cobertura jornalística adversa majoritária da mídia em seus respectivos países - Bolívia, Chile, Brasil, Nicarágua, Equador e Venezuela, fato este que aponta para o que praticamente, todos os estudos em volta da mídia tentam compreender melhor que é a mudança de paradigma em torno do papel exercido por esta na sociedade nas últimas décadas. O livro pode ser acessado por meio do endereço eletrônico: http://www.c3fes.net/docs/rompioelamor.pdf
Já o livro “Mídia nas Eleições de 2006”, lançado no ano passado e que conta com o pesquisador Venício Artur de Lima, como organizador se destaca em termos de Brasil, como uma importante obra dentro do contexto aqui ressaltado. A obra é o resultado do trabalho coletivo de 16 autores, alguns, inclusive, com experiência na grande mídia. O livro gira em torno de três questões fundamentais: Como foi a cobertura jornalística das eleições?; Qual o papel da mídia?; e O que fazer para aprimorar o funcionamento da mídia na democracia brasileira?. As próprias questões suscitadas pela obra já falam do seu caráter eminentemente crítico-analítico e da importância da leitura que esta nos oferece.
Por fim está o livro: “Mídia, Eleições e Democracia”, de autoria de Heloisa Matos por meio do qual a estudiosa faz uma ampla abordagem acerca da relação existente entre estes três elementos, focando o papel deste primeiro nos demais. Como podemos observar, é outra importante leitura centrada na discussão aqui levantada e que, como podemos também já perceber, renderá muito mais, ao menos para as mentes interessadas em conhecer um pouco mais acerca desta intrigante relação triádica, da qual estamos todos nós incluídos, direta ou indiretamente, consciente ou inconscientemente. E é por esta razão, que a retomaremos aqui neste espaço que, voltamos a frisar, está totalmente aberto ao diálogo com os caros colegas internautas com quem gostaríamos de compartilhar ao máximo, as idéias aqui pautadas e apresentadas.
As discussões têm, em geral, como eixo central a imbricada e tendenciosa relação existente entre a mídia, a sociedade e a democratização da comunicação, ou melhor, da informação. Trata-se de uma pauta social que, apesar de não se caracterizar como algo novo, vem se ampliando à medida que cresce a conscientização da sociedade civil organizada para estes três elementos mencionados.
Neste contexto, entre as últimas iniciativas de cunho reflexivo e crítico, estão os lançamentos de estudos e livros baseados em trabalhos de análises acerca dos efeitos dos mass media dentro do cenário das campanhas eleitorais no mundo. Alguns dos mais recentes têm como foco a realidade vivida de maneira particular na América Latina e, de forma ainda mais restrita, no Brasil. Dentre esses estão as obras: “Se nos rompió el amor – Elecciones y medios decomunicación, América Latina 2006” (FES); “Mídia nas Eleições de 2006”, de Venício Artur de Lima; e “Mídia, eleições e Democracia”, de Heloiza Matos.
O primeiro é fruto de uma das pesquisas mais recentes na América Latina e reúne 12 estudos de 15 especialistas, 11 deles sobre o papel da mídia nas eleições presidenciais realizadas em 11 países da América Latina, entre novembro de 2005 e dezembro de 2006. Trata-se de um trabalho realizado pelo C3 – Centro de Competencia em Comunicación, uma unidade regional de análise da comunicação para América Latina da Fundação Friedrich Ebert (FES), com sede em Bogotá, Colômbia. A FES é uma instituição que "baseia seus programas no ideário da socialdemocracia alemã e européia e mantém escritórios em mais de 70 países do mundo, sempre com a finalidade de cooperar na consolidação e no desenvolvimento de regimes democráticos e participativos" e está no Brasil há mais de 30 anos.
Trata-se do décimo segundo estudo trata das eleições municipais e parlamentares realizadas em El Salvador. A tese principal do livro, simplificadamente, é de que o ano de 2006 passará para a história das relações entre a mídia e as campanhas eleitorais na América Latina como aquele em que os candidatos "romperam seu amor pela mídia" e preferiram a comunicação direta com a cidadania. Voltaremos a refletir melhor sobre este fenômeno que julgamos particularmente passível de um melhor aprofundamento, em outro momento. A principal conclusão dos estudos apresentados no livro é que, em seis dessas eleições, saíram vencedores os candidatos a presidente que enfrentaram a cobertura jornalística adversa majoritária da mídia em seus respectivos países - Bolívia, Chile, Brasil, Nicarágua, Equador e Venezuela, fato este que aponta para o que praticamente, todos os estudos em volta da mídia tentam compreender melhor que é a mudança de paradigma em torno do papel exercido por esta na sociedade nas últimas décadas. O livro pode ser acessado por meio do endereço eletrônico: http://www.c3fes.net/docs/rompioelamor.pdf
Já o livro “Mídia nas Eleições de 2006”, lançado no ano passado e que conta com o pesquisador Venício Artur de Lima, como organizador se destaca em termos de Brasil, como uma importante obra dentro do contexto aqui ressaltado. A obra é o resultado do trabalho coletivo de 16 autores, alguns, inclusive, com experiência na grande mídia. O livro gira em torno de três questões fundamentais: Como foi a cobertura jornalística das eleições?; Qual o papel da mídia?; e O que fazer para aprimorar o funcionamento da mídia na democracia brasileira?. As próprias questões suscitadas pela obra já falam do seu caráter eminentemente crítico-analítico e da importância da leitura que esta nos oferece.
Por fim está o livro: “Mídia, Eleições e Democracia”, de autoria de Heloisa Matos por meio do qual a estudiosa faz uma ampla abordagem acerca da relação existente entre estes três elementos, focando o papel deste primeiro nos demais. Como podemos observar, é outra importante leitura centrada na discussão aqui levantada e que, como podemos também já perceber, renderá muito mais, ao menos para as mentes interessadas em conhecer um pouco mais acerca desta intrigante relação triádica, da qual estamos todos nós incluídos, direta ou indiretamente, consciente ou inconscientemente. E é por esta razão, que a retomaremos aqui neste espaço que, voltamos a frisar, está totalmente aberto ao diálogo com os caros colegas internautas com quem gostaríamos de compartilhar ao máximo, as idéias aqui pautadas e apresentadas.
sábado, 23 de agosto de 2008
MÍDIA, ELEIÇÕES E TV: TUDO A VER!
Além das olimpíadas – conforme discutimos no texto anterior - , o Brasil está vivendo um outro fenômeno que revela, de maneira sine qua non, aos olhos do senso crítico, o papel central desempenhado pela mídia na sociedade moderna. Tratam-se das Eleições Municipais, as quais têm no emblemático Programa Horário Político Gratuito, a síntese do poder de mobilização e fascínio que a mídia televisiva continua desempenhando junto aos telespectadores. Analisar de maneira um pouco mais detalhada este, que aqui chamamos de ‘vírus’ PHPG (Sigla do Programa Horário Político Gratuito), é o objetivo deste artigo, por meio do qual convidamos o caro leitor internauta a mais uma reflexão acerca da incidência da comunicação midiática no processo de estruturação da contemporaneidade.
Para isso, faz-se necessário uma breve retrospectiva acerca da inserção contundente da mídia televisiva nos processos decisórios eleitorais ocorridos no Brasil. E, neste sentido, conforme apontam os diversos cientistas e pesquisadores dos fenômenos da comunicação, a eleição presidencial de 1989 pode ser tomada, para efeito de demarcação de fronteiras, como episódio cultural inaugurador das novas configurações da midiatização da política partidária.
Foi, sem sombra de dúvida, um acontecimento que se tornou paradigmático tendo em vista, sobretudo, como apontavam as pesquisas daquela época, o forte poder de penetração da TV nas camadas sociais. Basta lembrar que a amostragem nacional, realizada em 1989 e 1990 indicava que 86% e 89% dos entrevistados, respectivamente, tomavam conhecimento dos acontecimentos políticos através da televisão (desde 2001, a audiência oscila entre 31 a 42 pontos percentuais no Ibope, em São Paulo). Os altos picos de audiência televisiva, vale ressaltar, foram reduzidos, em conseqüência do avanço das novas mídias de informação que surgiram no país, a exemplo, principalmente, da Internet
Antes disso, as campanhas eleitorais eram pautadas por uma disputa comunicacional face a face ou ‘corpo a corpo’, como era mais conhecida. As estratégias giravam em torno de comícios,
caravanas, visitas, passeatas, e contato direto com os eleitores, configuração esta que tem nas campanhas presidenciais de Jânio Quadros e Henrique Lott, ocorridas em 1960, um de suas maiores representações.
Essas estratégias não desapareceram, mas certamente, sofreram alterações consideráveis, e passaram a ter na veiculação do PHPG, via TV, um canal primordial e de certa maneira, decisivo, para os resultados das eleições. Que o diga a emblemática eleição presidencial de 1989 entre Lula e Collor, que teve no episódio da escancarada manipulação da edição realizada pelo Jornal Nacional do último debate entre Lula e Collor, em benefício deste último, o seu ápice de revelação.
Embora de maneira bem mais sutil, continuamos a assistir episódios similares nos telejornais, programas de entretenimento e até novelas. Porém, de maneira explícita, vê-se muito mais nos PHGP veiculado nas emissoras de rádio e TV e que terminam por se tornar um momento pra lá de propício a este tipo de manobra ideológica. Isto tudo porque, a disputa acirradada pelos eleitores no mundo contemporâneo ocorre, não mais no espaço das vias públicas, mas sim, no espaço ‘público’ do visor eletrônico.
Tal realidade se torna tão explícita que a valoração do PHPG como meio decisório para se consagrar nas urnas é reconhecido enfaticamente pelos próprios candidatos, cujas falas ressaltam repetidamente o poder que este tem de reverter as estatísticas reveladas pelas pesquisas de opinião pública. Ou seja, mesmo sabendo-se que a TV já não exerce mais o mesmo poder de influencia de décadas atrás, esta continua sendo o principal instrumento de se chegar até a massa na tentativa de se reverter e converter idéias e opiniões.
Sem sombra de dúvidas, como apontam os diversos estudiosos dos efeitos da comunicação midiática, é através da tela que ainda se escorrem os ‘fios’ eletrônicos que tecem a imagem do político, processo este que, é bom que se frise, tem nas inteligentes estratégias de marketing, o seu conduto principal. Isto tudo nos leva a entender melhor o título jargão deste artigo que, por sinal, como é fácil de se perceber, faz uma menção paródica aquilo que a mídia televisiva ‘toda poderosa’ do plim plim tanto insiste em nos fazer conceber.
Para isso, faz-se necessário uma breve retrospectiva acerca da inserção contundente da mídia televisiva nos processos decisórios eleitorais ocorridos no Brasil. E, neste sentido, conforme apontam os diversos cientistas e pesquisadores dos fenômenos da comunicação, a eleição presidencial de 1989 pode ser tomada, para efeito de demarcação de fronteiras, como episódio cultural inaugurador das novas configurações da midiatização da política partidária.
Foi, sem sombra de dúvida, um acontecimento que se tornou paradigmático tendo em vista, sobretudo, como apontavam as pesquisas daquela época, o forte poder de penetração da TV nas camadas sociais. Basta lembrar que a amostragem nacional, realizada em 1989 e 1990 indicava que 86% e 89% dos entrevistados, respectivamente, tomavam conhecimento dos acontecimentos políticos através da televisão (desde 2001, a audiência oscila entre 31 a 42 pontos percentuais no Ibope, em São Paulo). Os altos picos de audiência televisiva, vale ressaltar, foram reduzidos, em conseqüência do avanço das novas mídias de informação que surgiram no país, a exemplo, principalmente, da Internet
Antes disso, as campanhas eleitorais eram pautadas por uma disputa comunicacional face a face ou ‘corpo a corpo’, como era mais conhecida. As estratégias giravam em torno de comícios,
caravanas, visitas, passeatas, e contato direto com os eleitores, configuração esta que tem nas campanhas presidenciais de Jânio Quadros e Henrique Lott, ocorridas em 1960, um de suas maiores representações.
Essas estratégias não desapareceram, mas certamente, sofreram alterações consideráveis, e passaram a ter na veiculação do PHPG, via TV, um canal primordial e de certa maneira, decisivo, para os resultados das eleições. Que o diga a emblemática eleição presidencial de 1989 entre Lula e Collor, que teve no episódio da escancarada manipulação da edição realizada pelo Jornal Nacional do último debate entre Lula e Collor, em benefício deste último, o seu ápice de revelação.
Embora de maneira bem mais sutil, continuamos a assistir episódios similares nos telejornais, programas de entretenimento e até novelas. Porém, de maneira explícita, vê-se muito mais nos PHGP veiculado nas emissoras de rádio e TV e que terminam por se tornar um momento pra lá de propício a este tipo de manobra ideológica. Isto tudo porque, a disputa acirradada pelos eleitores no mundo contemporâneo ocorre, não mais no espaço das vias públicas, mas sim, no espaço ‘público’ do visor eletrônico.
Tal realidade se torna tão explícita que a valoração do PHPG como meio decisório para se consagrar nas urnas é reconhecido enfaticamente pelos próprios candidatos, cujas falas ressaltam repetidamente o poder que este tem de reverter as estatísticas reveladas pelas pesquisas de opinião pública. Ou seja, mesmo sabendo-se que a TV já não exerce mais o mesmo poder de influencia de décadas atrás, esta continua sendo o principal instrumento de se chegar até a massa na tentativa de se reverter e converter idéias e opiniões.
Sem sombra de dúvidas, como apontam os diversos estudiosos dos efeitos da comunicação midiática, é através da tela que ainda se escorrem os ‘fios’ eletrônicos que tecem a imagem do político, processo este que, é bom que se frise, tem nas inteligentes estratégias de marketing, o seu conduto principal. Isto tudo nos leva a entender melhor o título jargão deste artigo que, por sinal, como é fácil de se perceber, faz uma menção paródica aquilo que a mídia televisiva ‘toda poderosa’ do plim plim tanto insiste em nos fazer conceber.
sábado, 9 de agosto de 2008
Olímpiadas e mídia: o grande espetáculo do planeta
representam mais uma demonstração inequívoca e explícita do poder de espetacularização da mídia na sociedade contemporânea. Desde o dia 08, o mundo inteiro assiste, em estado de vislumbre, ao que os próprios locutores esportivos chamam de maior espetáculo esportivo do planeta. Trata-se de um momento sinequanon de se averiguar a conexão entre mídia e espetáculo, atentando-se para os elementos ideológicos e operacionais que norteiam todo o processo de fabricação da espetacularização que tanto caracteriza a sociedade em que vivemos.
Sem sombra de dúvidas, as olimpíadas, assim como as copas do mundo e outros mega-eventos – como, aliás, descreve o pesquisador Antônio Albino num de seus artigos-, apontam para as características marcantes que diferenciam o fenômeno ‘espetáculo’ produzido anteriormente à era da mídia. E neste contexto, as olimpíadas, em sua formatação atual, se destacam como o espetáculo do contemporâneo, por excelência, servindo como parâmetro, por meio do qual é possível se ter uma idéia mais exata da evolução do poder de espetacularização dos media.
Esta realidade está revelada através do estudo realizado por Christian Nielson, no qual o estudioso faz uma análise comparativa entre a primeira olimpíada contemporânea realizada em Atenas em 1896, e a de Atlanta, em 1996. Entre os dados significativos apresentados por ele, estão o aumento de dias do evento que passou de 5 para 17; eventos realizados que pulou de 32 para 271 e o número de ingressos vendidos: 60 mil em 1896, para 11,2 milhões, 100 anos depois. Os números revelam o caráter capitalista do mega-evento e, sobretudo, o papel imprescindível da mídia no tocante à globalização deste evento que se torna, cada vez mais, desterritorializado e visto por um número infinito de pessoas no mundo inteiro.
Acima de todas as suas especificidades, as olimpíadas revelam, de maneira indiscutível, as estruturas da nova sociabilidade, a nova ordem social que é moldada pelo glamour da visibilidade espetacular. E neste sentido, os media ocupam um lugar de destaque regindo e controlando as ‘aparições midiáticas’ que tanto enfeitiçam e mobilizam os olhares dos sujeitos dentro desta nova ordem societária. Que o digam, em especial, as aberturas dos jogos olímpicos, momento de maior expressividade deste fenômeno cada vez mais comum nas sociedades modernas e que nos faz crer que, de fato, vivemos a era espetacular, por excelência.
Portanto, que possamos, em tempos de olimpíadas como este que vivemos no momento, encher os nossos olhos e saciarmo-nos com as imagens que compõem o ‘maravilhoso milagre dos espetáculo’ que nos preenche as retinas, sem deixar, entretanto, de enxergar por trás das lentes artificiais que as produzem, os tentáculos midiáticos que rege esta espetacularização responsável pela nova estetização do social que vivemos.
Sem sombra de dúvidas, as olimpíadas, assim como as copas do mundo e outros mega-eventos – como, aliás, descreve o pesquisador Antônio Albino num de seus artigos-, apontam para as características marcantes que diferenciam o fenômeno ‘espetáculo’ produzido anteriormente à era da mídia. E neste contexto, as olimpíadas, em sua formatação atual, se destacam como o espetáculo do contemporâneo, por excelência, servindo como parâmetro, por meio do qual é possível se ter uma idéia mais exata da evolução do poder de espetacularização dos media.
Esta realidade está revelada através do estudo realizado por Christian Nielson, no qual o estudioso faz uma análise comparativa entre a primeira olimpíada contemporânea realizada em Atenas em 1896, e a de Atlanta, em 1996. Entre os dados significativos apresentados por ele, estão o aumento de dias do evento que passou de 5 para 17; eventos realizados que pulou de 32 para 271 e o número de ingressos vendidos: 60 mil em 1896, para 11,2 milhões, 100 anos depois. Os números revelam o caráter capitalista do mega-evento e, sobretudo, o papel imprescindível da mídia no tocante à globalização deste evento que se torna, cada vez mais, desterritorializado e visto por um número infinito de pessoas no mundo inteiro.
Acima de todas as suas especificidades, as olimpíadas revelam, de maneira indiscutível, as estruturas da nova sociabilidade, a nova ordem social que é moldada pelo glamour da visibilidade espetacular. E neste sentido, os media ocupam um lugar de destaque regindo e controlando as ‘aparições midiáticas’ que tanto enfeitiçam e mobilizam os olhares dos sujeitos dentro desta nova ordem societária. Que o digam, em especial, as aberturas dos jogos olímpicos, momento de maior expressividade deste fenômeno cada vez mais comum nas sociedades modernas e que nos faz crer que, de fato, vivemos a era espetacular, por excelência.
Portanto, que possamos, em tempos de olimpíadas como este que vivemos no momento, encher os nossos olhos e saciarmo-nos com as imagens que compõem o ‘maravilhoso milagre dos espetáculo’ que nos preenche as retinas, sem deixar, entretanto, de enxergar por trás das lentes artificiais que as produzem, os tentáculos midiáticos que rege esta espetacularização responsável pela nova estetização do social que vivemos.
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