Em entrevista concedida à mídia, o ex-presidente FHC, avaliou, surpreendentemente, como positiva a repercussão da foto Lula-Maluf-Hadad, em que o ex-presidente Lula aparece na mansão de um de seus maiores desafetos do passado, ‘abençoando’ a aliança do PT com o PP. Ao fazer a análise, o sociólogo terminou, como complemento, tecendo uma avaliação da intervenção midiática no processo eleitoral, enfatizando, dois aspectos interessantes, apesar de não serem novidades.
O primeiro deles foi afirmar que a coligação do PT com o PP acarretará para Hadad, um ganho de extrema importância para a disputa à prefeitura de São Paulo que é o aumento de 1 minuto e meio a mais para a sua propaganda eleitoral na TV. Ou seja, o aumento no HPG (Horário Político Gratuito), ainda considerado como um dos principais recursos e ferramentas nas disputas eleitorais no país.
Além disso, ao ser indagado sobre a repercussão negativa da foto Lula-Maluf-Hadad, FHC disse que o 'negativo' aqui é por conta da mídia que poderá fazer enquadrar da forma que convenier o episódio. Na opinião do ex-presidente, mesmo que a repercussão seja, no prmeiro momento, negativa, isso é algo totalmente reversível pelo ganho do espaço televisivo no HPG. Ou seja, que no campo midiático, o candidato de Lula terá uma valiosa ferramenta na guerra mídia x mídia na disputadíssima eleição municipal para a maior e mais importante cidade do país.
Lula, por sua vez, ao ser provocado pela imprensa acerca da polêmica causada pela sua aparição ao lado de Maluf, retrucou ironicamente avaliando como satisfatória a repercussão da foto na mídia. E, de fato, como afirmam alguns analistas políticos, o efeito cascata da foto Lula-Maluf-Hadad foi, de certa forma, positivo para o ex-ministro da Educação que, segundo pesquisas, ainda é desconhecido para boa parte dos paulistanos e cuja imagem foi amplamente projetada depois do episódio.
Como se vê na opinião de ambos os ex-presidentes, muito mais que importante recurso para a vitória em disputa eleitoral, a mídia será sempre uma ferramenta a disposição da classe política. Um instrumento a favor dos candidatos e partidos no competitivo universo de disputa eleitoral, o qual cada vez mais é regido pelo jogo do vale tudo. Muito
Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
sexta-feira, 22 de junho de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
Educação, mídia e você: tudo a ver?
A crise geral que se abate sobre a educação, tornando-a fonte de uma vasta onda de protestos mundial, aponta para uma das mais sérias e comprometedoras situações porque atravessamos na contemporaneidade. Como se não bastasse o Brasil, onde historicamente a educação nunca foi levada a sério, e dos demais países latino-americanos, cuja situação é bem similar, a crise educacional toma conta de vários países do chamado primeiro mundo, ganhando contornos assustadores. Basta citarmos a situação vivida na Europa, tomando como exemplo, a Espanha, um dos casos mais recentes de países que enfrentam uma das piores crises da educação escolar em todos os níveis.
Assim como tem ocorrido em vários outros países, inclusive de outros continentes, o alto descaso com a gestão da educação pública tem feito com que a população ocupe as ruas protestando em busca do cumprimento de um dos direitos humanos mais básicos e essenciais ao desenvolvimento de todo e qualquer ser humano e da sociedade. Assim fizeram recentemente os espanhóis que munidos de cartazes e outras formas de expressão manifestaram, assim como têm feito ,nas últimas semanas, os professores federais, aqui no Brasil, sua indignação exigindo do poder público, uma educação pública e de qualidade.
A diferença entre uma e outra realidade está unicamente, ao que parece, no grau de conscientização coletiva das sociedades, já que em se tratando do tratamento por parte dos governantes é cada vez mais similar, face ao comprometimento destes com as políticas neoliberais em curso. Essa diferença de conscientização é um detalhe constatado visivelmente através do tamanho e poder da mobilização que são demonstrados, sobretudo, por meio dos atos públicos em prol da bandeira de luta levantada. Vejamos: enquanto aqui no Brasil, os protestos costumam mobilizar, proporcionalmente, uma pequena parcela das categorias mais atingidas diretamente que são os professores e estudantes e, outra menor ainda, que é a do conjunto dos demais cidadãos para quem, vale sempre ressaltar, a educação continua representando o seu bem maior, em países como a Espanha, os protestos contam com o apoio massivo da população que vai às ruas, ao parlamento, exigir aquilo que lhe é de direito.
Que o diga o último grande protesto realizado em maio deste ano em que, conforme foi noticiado, além de estudantes e profissionais da educação, contou com a participação efetiva de famílias inteiras. Lá se via crianças, jovens e pais segurando cartazes diversos, muitos dos quais, com o dizer: “S.O.S Educação pública!”, numa belíssima demonstração de espírito público, algo que, como muito bem sabemos, ainda não alcançamos nos nossos mais de quatro séculos vividos, fruto, sobretudo, da estratégia política que vem sendo difundida em nosso país e que dissemina de várias maneiras, a passividade e o conformismo por entre o nosso povo.
Não obstante, isso não nos impede de, mesmo sendo sozinhos aglomerados em pequenas multidões – se é que assim podemos denominar-, continuarmos acreditando e, mais do que isso, fazendo a nossa parte, para que um dia quiçá, a massa se junte a nós e de quebra, traga consigo, muitos dos intelectuais que ainda jazem em seus sepulcros caiados vencidos pela covardia. O que não podemos nem devemos, na condição de cidadãos e até mesmo cristãos – para aqueles que assim se autodenominam -, é ignorarmos a conjuntura atual e cruzarmos os braços diante dessa realidade funesta que se desenha frente aos nossos olhos, e toma conta de nossas almas. Uma realidade cada vez mais repleta de contundentes indicativos de riscos sociais cujos efeitos, vale ressaltar, é bem mais assombroso do que qualquer epidemia de pestes ou vírus que assolam a humanidade e de que a mídia tanto se vale de, tempos em tempos, para gerar estado de alerta e com isso tirar proveitos. Essa mesma mídia para quem, infelizmente, assim como a classe política, educação não passa de um tema, sobressaltado, convenientemente. Para quem educação é o tom de um discurso em nome da tão reverenciada cidadania. Só não se sabe até hoje, afinal de contas, a que tipo de cidadania ambas as instâncias de amplo poder aqui mencionadas tanto se referem?!.
Para esses, cidadão continuará sendo aquele sujeito que, de um lado, cumpre o seu ‘dever’ cívico de, a cada eleição, comparecer às urnas e depositar o seu voto e, para o outro, aquele que sentado em seu sofá, resguardando-se do mínimo esforço, exerce a sua condição de sujeito cidadão do mundo... e que mundo!
Assim como tem ocorrido em vários outros países, inclusive de outros continentes, o alto descaso com a gestão da educação pública tem feito com que a população ocupe as ruas protestando em busca do cumprimento de um dos direitos humanos mais básicos e essenciais ao desenvolvimento de todo e qualquer ser humano e da sociedade. Assim fizeram recentemente os espanhóis que munidos de cartazes e outras formas de expressão manifestaram, assim como têm feito ,nas últimas semanas, os professores federais, aqui no Brasil, sua indignação exigindo do poder público, uma educação pública e de qualidade.
A diferença entre uma e outra realidade está unicamente, ao que parece, no grau de conscientização coletiva das sociedades, já que em se tratando do tratamento por parte dos governantes é cada vez mais similar, face ao comprometimento destes com as políticas neoliberais em curso. Essa diferença de conscientização é um detalhe constatado visivelmente através do tamanho e poder da mobilização que são demonstrados, sobretudo, por meio dos atos públicos em prol da bandeira de luta levantada. Vejamos: enquanto aqui no Brasil, os protestos costumam mobilizar, proporcionalmente, uma pequena parcela das categorias mais atingidas diretamente que são os professores e estudantes e, outra menor ainda, que é a do conjunto dos demais cidadãos para quem, vale sempre ressaltar, a educação continua representando o seu bem maior, em países como a Espanha, os protestos contam com o apoio massivo da população que vai às ruas, ao parlamento, exigir aquilo que lhe é de direito.
Que o diga o último grande protesto realizado em maio deste ano em que, conforme foi noticiado, além de estudantes e profissionais da educação, contou com a participação efetiva de famílias inteiras. Lá se via crianças, jovens e pais segurando cartazes diversos, muitos dos quais, com o dizer: “S.O.S Educação pública!”, numa belíssima demonstração de espírito público, algo que, como muito bem sabemos, ainda não alcançamos nos nossos mais de quatro séculos vividos, fruto, sobretudo, da estratégia política que vem sendo difundida em nosso país e que dissemina de várias maneiras, a passividade e o conformismo por entre o nosso povo.
Não obstante, isso não nos impede de, mesmo sendo sozinhos aglomerados em pequenas multidões – se é que assim podemos denominar-, continuarmos acreditando e, mais do que isso, fazendo a nossa parte, para que um dia quiçá, a massa se junte a nós e de quebra, traga consigo, muitos dos intelectuais que ainda jazem em seus sepulcros caiados vencidos pela covardia. O que não podemos nem devemos, na condição de cidadãos e até mesmo cristãos – para aqueles que assim se autodenominam -, é ignorarmos a conjuntura atual e cruzarmos os braços diante dessa realidade funesta que se desenha frente aos nossos olhos, e toma conta de nossas almas. Uma realidade cada vez mais repleta de contundentes indicativos de riscos sociais cujos efeitos, vale ressaltar, é bem mais assombroso do que qualquer epidemia de pestes ou vírus que assolam a humanidade e de que a mídia tanto se vale de, tempos em tempos, para gerar estado de alerta e com isso tirar proveitos. Essa mesma mídia para quem, infelizmente, assim como a classe política, educação não passa de um tema, sobressaltado, convenientemente. Para quem educação é o tom de um discurso em nome da tão reverenciada cidadania. Só não se sabe até hoje, afinal de contas, a que tipo de cidadania ambas as instâncias de amplo poder aqui mencionadas tanto se referem?!.
Para esses, cidadão continuará sendo aquele sujeito que, de um lado, cumpre o seu ‘dever’ cívico de, a cada eleição, comparecer às urnas e depositar o seu voto e, para o outro, aquele que sentado em seu sofá, resguardando-se do mínimo esforço, exerce a sua condição de sujeito cidadão do mundo... e que mundo!
segunda-feira, 4 de junho de 2012
O decreto anti televangeli$mo: final dos tempos?
O anúncio feito recentemente pelo Governo Federal e que dá conta de um conjunto de medidas que prevê mudanças nas regras da atual legislação de telecomunicações do país tem deixado políticos e religiosos em estado de alerta. Mais que isso, em povorosa. O motivo de tal reação está na medida que apresenta como proposta a proibição do aluguel de canais e horários na programação de rádio e TV. O decreto, como se vê, atinge em cheio a classe política e várias denominações religiosas para quem o espaço em meios de comunicação de massa – como já foi enfocado em outro comentário aqui postado -, representa uma das, se não a maior de todas, estratégias de manipulação ideológica.
Como reação imediata, a bancada evangélica presente no Congresso Federal, a qual, vale dizer, atua nos dois campos ideológicos aqui destacados: o político e o religioso, já se posicionou totalmente contra o decreto, conforme matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo (04/06). Reação essa já esperada, tendo em vista o fato de boa parte das denominadas igrejas evangélicas figurar entre os principais beneficiários da atual legislação de telecomunicações, ocupando um volumoso espaço das programações de TVs e rádios do país. Trata-se da prática do televangeli$mo, por meio da qual, muito mais que almas para Jesus Cristo, se arrebata uma soma vultuosa de dinheiro para os proprietários das igrejas e para as empresas de comunicação que de olho nessa onda de pregação midiática capitalista, fecham negociações milionárias. Essas, certamente, respaldadas na máxima evangélica: “...dai a César o que é de César....
Basta citar como exemplo três das correntes neopentecostais mais concorridas da atualidade e que disputam entre si, o lucrativo rebanho de fiéis cristãos: a Igreja Mundial do Poder de Deus, do apóstolo Valdemiro Santiago, cliente da Rede TV e que começa a incomodar a concorrência; Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário R.R.Soares, aquele mesmo que recentemente inovou o televangeli$mo com o dízimo em débito automático, e que já é quase sócio-majoritário da TV Bandeirantes; e a Igreja Universal do Reino de Deus, do polêmico Edir Macedo, ex-sócio de ambos os representantes religiosos mencionados e que tem servido de exemplo para o ramo pra lá de lucrativo que tem se tornando a religião cristã no Brasil e fora deste, dono de uma das maiores multinacionais do mundo.
Resta saber se, diante deste cenário político-religioso-econômico, o decreto governamental em pauta terá força suficiente para conseguir aprovação, passando por cima dessa poderosa frente de liderança sacroempresarial. Seria o final dos tempos se aproximando para esses? Uma coisa é certa, muito mais que poder político, será preciso muita fé!.
Como reação imediata, a bancada evangélica presente no Congresso Federal, a qual, vale dizer, atua nos dois campos ideológicos aqui destacados: o político e o religioso, já se posicionou totalmente contra o decreto, conforme matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo (04/06). Reação essa já esperada, tendo em vista o fato de boa parte das denominadas igrejas evangélicas figurar entre os principais beneficiários da atual legislação de telecomunicações, ocupando um volumoso espaço das programações de TVs e rádios do país. Trata-se da prática do televangeli$mo, por meio da qual, muito mais que almas para Jesus Cristo, se arrebata uma soma vultuosa de dinheiro para os proprietários das igrejas e para as empresas de comunicação que de olho nessa onda de pregação midiática capitalista, fecham negociações milionárias. Essas, certamente, respaldadas na máxima evangélica: “...dai a César o que é de César....
Basta citar como exemplo três das correntes neopentecostais mais concorridas da atualidade e que disputam entre si, o lucrativo rebanho de fiéis cristãos: a Igreja Mundial do Poder de Deus, do apóstolo Valdemiro Santiago, cliente da Rede TV e que começa a incomodar a concorrência; Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário R.R.Soares, aquele mesmo que recentemente inovou o televangeli$mo com o dízimo em débito automático, e que já é quase sócio-majoritário da TV Bandeirantes; e a Igreja Universal do Reino de Deus, do polêmico Edir Macedo, ex-sócio de ambos os representantes religiosos mencionados e que tem servido de exemplo para o ramo pra lá de lucrativo que tem se tornando a religião cristã no Brasil e fora deste, dono de uma das maiores multinacionais do mundo.
Resta saber se, diante deste cenário político-religioso-econômico, o decreto governamental em pauta terá força suficiente para conseguir aprovação, passando por cima dessa poderosa frente de liderança sacroempresarial. Seria o final dos tempos se aproximando para esses? Uma coisa é certa, muito mais que poder político, será preciso muita fé!.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Mídia: universo em constante mudança (parte I)
O avanço contínuo da supremacia da internet como o principal suporte do sistema comunicacional e informacional do mundo contemporâneo continua quebrando paradigmas e modelos de compartilhamento do conhecimento humano. Os efeitos mais explícitos desse fenômeno se vê nas transformações em andamento no universo midiático e, de maneira ainda mais específica, nas mudanças estruturais e operacionais que atingem os veículos de comunicação que compõem a imprensa. Ao contrário do que se imaginava no início da expansão da era digital, a internet não atingiu de maneira contundente os meios impressos mas sim toda a rede de veículos de comunicação e sistemas de transmissão de informação, gerando uma das maiores revoluções sociais de todos os tempos.
Nesse sentido, aumentam em todo o mundo, as discussões em torno de alguns aspectos que envolvem o complexo processo de produção, difusão e recepção de conteúdos informativos.De maneira geral, as discussões se concentram em torno de dois eixos polêmicos e que ainda se configuram como verdadeiras incógnitas sobre o futuro dos meios de comunicação tradicionais e até mesmos das novas mídias. O primeiro deles é de caráter instrumental e o outro, operacional. Um tenta dá conta da adequação dos formatos tradicionais de leitura linear às novas plataformas hipermidiáticas que regem os textos cibernéticos postados nos mais diversos aparatos tecnológicos e sistemas operacionais, e o outro se volta paras as questões concernentes à mudança dos padrões unilaterais de cobertura dos fatos que ainda prevalecem na imprensa, enquanto a principal instância mediadora social.
Voltando-se para esse segundo eixo, que há tempo me chama a atenção na qualidade de professor, pesquisador e também consumidor informacional, considero relevante provocar aqui algumas reflexões em torno de alguns aspectos que considero de extrema pertinência para compreendermos melhor a época em que vivemos. Uma época cada vez mais caracterizada pela tecnocultura, ou seja, pela supremacia dos conceitos da comunicação sob o viés tecnológico e o expansivo uso das novas mídias.
Refiro-me às mudanças correntes e que estão reformulando a concepção do clássico modelo de processamento da comunicação e informação que se configura nos três elementos: emissor- mensagem – receptor. Modelo este que, mesmo questionado há várias décadas por diversas teorias da comunicação, a exemplo da Teoria da Recepção, na prática ainda prevalece sendo explorado pela indústria midiática jornalística. Essa mesma indústria que, mesmo contrariada, está, aos poucos, se rendendo à superação desse processo unilateral de transmissão da informação.
Nesse sentido, cada vez mais, conceitos como os de jornalismo cidadão, jornalismo participativo e jornalismo comunitário, vão ganhando espaço no próprio universo da imprensa oficial, chamando a atenção para a necessidade da abertura para uma real e massiva participação dos cidadãos no complexo processo comunicacional do qual, esses deixaram de ser meros receptores passivos e estão se tornando também emissores. Mais que isso, estão se tornando co-produtores, pauteiros e ‘repórteres’ a cobrir fatos e emitirem opiniões sobre os mais diversos assuntos e acontecimentos do cotidiano.
Nesse contexto, expandem-se em todo o mundo, projetos e experiências voltados à práxis que revelam novos formatos de cobertura noticiosa hiperlocal, muitos dos quais, gerados fora do universo jornalístico e que passam a interferir diretamente no modos operandi dos meios de comunicação tradicionais e, mais do que isso, começam a afetar a bilionária indústria noticiosa e começa a incomodar a até pouco tempo intocável categoria dos donos da mídia.
É sobre alguns desses projetos e experiência transformacionais que falarei aqui, nos próximos comentários.
Até em breve!
Nesse sentido, aumentam em todo o mundo, as discussões em torno de alguns aspectos que envolvem o complexo processo de produção, difusão e recepção de conteúdos informativos.De maneira geral, as discussões se concentram em torno de dois eixos polêmicos e que ainda se configuram como verdadeiras incógnitas sobre o futuro dos meios de comunicação tradicionais e até mesmos das novas mídias. O primeiro deles é de caráter instrumental e o outro, operacional. Um tenta dá conta da adequação dos formatos tradicionais de leitura linear às novas plataformas hipermidiáticas que regem os textos cibernéticos postados nos mais diversos aparatos tecnológicos e sistemas operacionais, e o outro se volta paras as questões concernentes à mudança dos padrões unilaterais de cobertura dos fatos que ainda prevalecem na imprensa, enquanto a principal instância mediadora social.
Voltando-se para esse segundo eixo, que há tempo me chama a atenção na qualidade de professor, pesquisador e também consumidor informacional, considero relevante provocar aqui algumas reflexões em torno de alguns aspectos que considero de extrema pertinência para compreendermos melhor a época em que vivemos. Uma época cada vez mais caracterizada pela tecnocultura, ou seja, pela supremacia dos conceitos da comunicação sob o viés tecnológico e o expansivo uso das novas mídias.
Refiro-me às mudanças correntes e que estão reformulando a concepção do clássico modelo de processamento da comunicação e informação que se configura nos três elementos: emissor- mensagem – receptor. Modelo este que, mesmo questionado há várias décadas por diversas teorias da comunicação, a exemplo da Teoria da Recepção, na prática ainda prevalece sendo explorado pela indústria midiática jornalística. Essa mesma indústria que, mesmo contrariada, está, aos poucos, se rendendo à superação desse processo unilateral de transmissão da informação.
Nesse sentido, cada vez mais, conceitos como os de jornalismo cidadão, jornalismo participativo e jornalismo comunitário, vão ganhando espaço no próprio universo da imprensa oficial, chamando a atenção para a necessidade da abertura para uma real e massiva participação dos cidadãos no complexo processo comunicacional do qual, esses deixaram de ser meros receptores passivos e estão se tornando também emissores. Mais que isso, estão se tornando co-produtores, pauteiros e ‘repórteres’ a cobrir fatos e emitirem opiniões sobre os mais diversos assuntos e acontecimentos do cotidiano.
Nesse contexto, expandem-se em todo o mundo, projetos e experiências voltados à práxis que revelam novos formatos de cobertura noticiosa hiperlocal, muitos dos quais, gerados fora do universo jornalístico e que passam a interferir diretamente no modos operandi dos meios de comunicação tradicionais e, mais do que isso, começam a afetar a bilionária indústria noticiosa e começa a incomodar a até pouco tempo intocável categoria dos donos da mídia.
É sobre alguns desses projetos e experiência transformacionais que falarei aqui, nos próximos comentários.
Até em breve!
quarta-feira, 30 de maio de 2012
jornalista: profissão descartável?!
De acordo com notícia veiculada no portal www.comunique-se.com.br, a Rádio Globo demitiu recentemente o jornalista Marcus Aurélio, de 50 anos, que ocupava o cargo de gerente nacional de programação da emissora no Rio de Janeiro. A justificativa, se é que se pode considerar, da empresa para a demissão do profissional foi a de 'contenção de gastos'.
Eis aqui mais uma nítida demonstração do total desrepeito à pessoa e descaso ao profissional de jornalismo que cada vez mais padece de uma desvalorização por parte das empresas de comunicação. O motivo alegado para o desligamento de MArcus Aruélio denuncia a forma descartável com que os profissionais da imprensa são tratados, sem considerar a extrema função social que esse desempenha para a sociedade, nem tão pouco a experiência de trabalho de muitos jornalistas. Profissão essa, aliás, que ao que parece, está na contra-mão do que apregoa o mercado ao elencar como um de seus principais critérios de empregabilidade, os anos de atuação do profissional.
Afora isso, é importante que se frise também que o jornalista está longe de ser um dos cargos mais bem pagos no país, razão pela qual o tal motivo de contenção de custos não convence. Com a palavra, os sindicatos representantes da categoria...
Eis aqui mais uma nítida demonstração do total desrepeito à pessoa e descaso ao profissional de jornalismo que cada vez mais padece de uma desvalorização por parte das empresas de comunicação. O motivo alegado para o desligamento de MArcus Aruélio denuncia a forma descartável com que os profissionais da imprensa são tratados, sem considerar a extrema função social que esse desempenha para a sociedade, nem tão pouco a experiência de trabalho de muitos jornalistas. Profissão essa, aliás, que ao que parece, está na contra-mão do que apregoa o mercado ao elencar como um de seus principais critérios de empregabilidade, os anos de atuação do profissional.
Afora isso, é importante que se frise também que o jornalista está longe de ser um dos cargos mais bem pagos no país, razão pela qual o tal motivo de contenção de custos não convence. Com a palavra, os sindicatos representantes da categoria...
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Greve na mídia: informação paralisada
Acompanhando a cobertura feita pela imprensa acerca do movimento grevista das Universidades Federais, deflagrado no último dia 17, torna-se perceptível o reducionismo constante que caracteriza a mídia informativa brasileira no tocante à abordagem de problemas sociais. A constatação de tal práxi se vê no tom do discurso reproduzido pelos noticiários em sua maioria cuja palavra-chave, ou angulação das matérias, como se diz no jargão jornalístico, é o ‘prejuízo’ atribuído à paralisação das atividades acadêmicas. Nesse sentido, o tal prejuízo a que se referem as manchetes em sua boa parte, diz respeito aos dias sem aula que os estudantes sofrerão como conseqüência. Mas afinal de contas, seria este o prejuízo real da greve?.
Ora, não é preciso ir muito longe para se constatar que esse tipo de perda a que se referem os noticiários é algo insignificante se comparado ao prejuízo real porque passa toda a classe discente e, como extensão, a sociedade que cada vez mais vem perdendo aquilo que há de mais valioso na educação: a qualidade desta. Algo que, é sempre bom ressaltar, mesmo que já seja do conhecimento de toda a população brasileira, os governos pouco tem se empenhado para resolver. E a solução para tal problema histórico, como também não é segredo para quem quer que seja, está na adoção de um conjunto de ações focadas em duas vertentes de investimentos. De um lado, o investimento da mão de obra qualificada, e que no caso em questão, vale reforçar, trata-se de uma categoria profissional de quem é exigido permanentemente, um dos mais rigorosos níveis de qualificação. De outro lado, a aplicação de recursos infra-estruturais e tecnológicos que possibilitem ao professor e à comunidade discente, a ampla possibilidade de desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão a que se propõe a universidade pública gratuita e de qualidade.
Por essa razão, seria bem mais sensato e socialmente responsável se a imprensa de modo geral, assumindo efetivamente a sua função social, aprofundasse a cobertura acerca de fatos que, como o aqui destacado, apontam para uma série de aspectos imprescindíveis ao conhecimento não apenas das duas partes diretamente envolvidas, mas de toda a sociedade. E, nesse contexto, que fosse apresentado aos cidadãos, o quadro real porque passam as instituições federais de ensino público na contemporaneidade. Período este caracterizado, de um lado, por um amplo e inegável processo de crescimento das Ifes, e, de outro, por um lento ritmo de desenvolvimento muito aquém do esperado e principalmente, do que é propagado pelo Governo Federal. Nesse sentido, é sempre bom ressaltar que crescimento e desenvolvimento não são a mesma coisa,como, aliás, é apresentado pela propaganda oficial que insiste em confundir a sociedade.
Portanto, como se pode perceber, a verdade dos fatos sempre está além do que é exposto de forma simplória e parcial. E é nesse sentido que o reducionismo reinante na mídia brasileira, algo que, diga-se de passagem, é constatado em diversas pesquisas e estudos científicos já publicados, precisa ser combatido. Trata-se aqui de uma transformação nada fácil, é bem verdade, tendo em vista se tratar de um traço característico histórico da mídia nacional e que tem origem em diversos fatores de natureza ideológica e estruturais que regem a rotina dos meios de comunicação social. Não obstante, assim como várias outras transformações desafiantes que movem o pensamento e o anseio coletivo rumo ao bem estar comum, essa é apenas mais uma das inumeráveis bandeiras de luta erguidas pelos cidadãos. Uma luta para além da educação de qualidade, e em busca da informação de qualidade.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
II Fórum Mundial de Mídias Livres
Inscrições para II Fórum Mundial de Mídias Livres estão abertas!
Durante a Cúpula dos Povos, nos dias 16 e 17 de junho, diversos ativistas, pesquisadores e comunicadores da mídia alternativa se reunião no campus da Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ) para o II Fórum Mundial de Mídia Livre. Gratuito, o encontro terá sua programação constituída pelos próprios coletivos e organizações interessadas.
Para fazer parte desta construção, basta inscrever sua atividade através do formulário. Os formatos são abertos, sendo possível propôr painéis, desconferências (debates livres), oficinas, entre outras ações. O cadastro de propostas de atividades está aberto até 5 de junho.
Após três edições nacionais (Rio de Janeiro, em 2008; Vitória, em 2009; e Porto Alegre, em 2012), dois encontros preparatórios no Norte da África (Marrakesh, em 2011; e Tunis, em 2012), uma edição mundial (Belém, em 2009) e uma Assembléia de Convergência no Fórum Social Mundial (Dacar, em 2011), o Fórum de Mídia Livre volta ao Rio de Janeiro para contribuir com o fortalecimento da agenda em defensa dos bens comuns, agregando comunicação e cultura às pautas em prol da justiça ambiental e social.
As atividades do Fórum ocorrem em torno de quatro eixos principais: direito á comunicação; políticas públicas; apropriação tecnológica e movimentos sociais. As atividades autogestionadas serão realizadas nas tardes dos dias 16 e 17 de junho.
Para mais informações: http://cupuladospovos.org.br/fmml/
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