O anúncio feito recentemente pelo Governo Federal e que dá conta de um conjunto de medidas que prevê mudanças nas regras da atual legislação de telecomunicações do país tem deixado políticos e religiosos em estado de alerta. Mais que isso, em povorosa. O motivo de tal reação está na medida que apresenta como proposta a proibição do aluguel de canais e horários na programação de rádio e TV. O decreto, como se vê, atinge em cheio a classe política e várias denominações religiosas para quem o espaço em meios de comunicação de massa – como já foi enfocado em outro comentário aqui postado -, representa uma das, se não a maior de todas, estratégias de manipulação ideológica.
Como reação imediata, a bancada evangélica presente no Congresso Federal, a qual, vale dizer, atua nos dois campos ideológicos aqui destacados: o político e o religioso, já se posicionou totalmente contra o decreto, conforme matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo (04/06). Reação essa já esperada, tendo em vista o fato de boa parte das denominadas igrejas evangélicas figurar entre os principais beneficiários da atual legislação de telecomunicações, ocupando um volumoso espaço das programações de TVs e rádios do país. Trata-se da prática do televangeli$mo, por meio da qual, muito mais que almas para Jesus Cristo, se arrebata uma soma vultuosa de dinheiro para os proprietários das igrejas e para as empresas de comunicação que de olho nessa onda de pregação midiática capitalista, fecham negociações milionárias. Essas, certamente, respaldadas na máxima evangélica: “...dai a César o que é de César....
Basta citar como exemplo três das correntes neopentecostais mais concorridas da atualidade e que disputam entre si, o lucrativo rebanho de fiéis cristãos: a Igreja Mundial do Poder de Deus, do apóstolo Valdemiro Santiago, cliente da Rede TV e que começa a incomodar a concorrência; Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário R.R.Soares, aquele mesmo que recentemente inovou o televangeli$mo com o dízimo em débito automático, e que já é quase sócio-majoritário da TV Bandeirantes; e a Igreja Universal do Reino de Deus, do polêmico Edir Macedo, ex-sócio de ambos os representantes religiosos mencionados e que tem servido de exemplo para o ramo pra lá de lucrativo que tem se tornando a religião cristã no Brasil e fora deste, dono de uma das maiores multinacionais do mundo.
Resta saber se, diante deste cenário político-religioso-econômico, o decreto governamental em pauta terá força suficiente para conseguir aprovação, passando por cima dessa poderosa frente de liderança sacroempresarial. Seria o final dos tempos se aproximando para esses? Uma coisa é certa, muito mais que poder político, será preciso muita fé!.
Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
segunda-feira, 4 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Mídia: universo em constante mudança (parte I)
O avanço contínuo da supremacia da internet como o principal suporte do sistema comunicacional e informacional do mundo contemporâneo continua quebrando paradigmas e modelos de compartilhamento do conhecimento humano. Os efeitos mais explícitos desse fenômeno se vê nas transformações em andamento no universo midiático e, de maneira ainda mais específica, nas mudanças estruturais e operacionais que atingem os veículos de comunicação que compõem a imprensa. Ao contrário do que se imaginava no início da expansão da era digital, a internet não atingiu de maneira contundente os meios impressos mas sim toda a rede de veículos de comunicação e sistemas de transmissão de informação, gerando uma das maiores revoluções sociais de todos os tempos.
Nesse sentido, aumentam em todo o mundo, as discussões em torno de alguns aspectos que envolvem o complexo processo de produção, difusão e recepção de conteúdos informativos.De maneira geral, as discussões se concentram em torno de dois eixos polêmicos e que ainda se configuram como verdadeiras incógnitas sobre o futuro dos meios de comunicação tradicionais e até mesmos das novas mídias. O primeiro deles é de caráter instrumental e o outro, operacional. Um tenta dá conta da adequação dos formatos tradicionais de leitura linear às novas plataformas hipermidiáticas que regem os textos cibernéticos postados nos mais diversos aparatos tecnológicos e sistemas operacionais, e o outro se volta paras as questões concernentes à mudança dos padrões unilaterais de cobertura dos fatos que ainda prevalecem na imprensa, enquanto a principal instância mediadora social.
Voltando-se para esse segundo eixo, que há tempo me chama a atenção na qualidade de professor, pesquisador e também consumidor informacional, considero relevante provocar aqui algumas reflexões em torno de alguns aspectos que considero de extrema pertinência para compreendermos melhor a época em que vivemos. Uma época cada vez mais caracterizada pela tecnocultura, ou seja, pela supremacia dos conceitos da comunicação sob o viés tecnológico e o expansivo uso das novas mídias.
Refiro-me às mudanças correntes e que estão reformulando a concepção do clássico modelo de processamento da comunicação e informação que se configura nos três elementos: emissor- mensagem – receptor. Modelo este que, mesmo questionado há várias décadas por diversas teorias da comunicação, a exemplo da Teoria da Recepção, na prática ainda prevalece sendo explorado pela indústria midiática jornalística. Essa mesma indústria que, mesmo contrariada, está, aos poucos, se rendendo à superação desse processo unilateral de transmissão da informação.
Nesse sentido, cada vez mais, conceitos como os de jornalismo cidadão, jornalismo participativo e jornalismo comunitário, vão ganhando espaço no próprio universo da imprensa oficial, chamando a atenção para a necessidade da abertura para uma real e massiva participação dos cidadãos no complexo processo comunicacional do qual, esses deixaram de ser meros receptores passivos e estão se tornando também emissores. Mais que isso, estão se tornando co-produtores, pauteiros e ‘repórteres’ a cobrir fatos e emitirem opiniões sobre os mais diversos assuntos e acontecimentos do cotidiano.
Nesse contexto, expandem-se em todo o mundo, projetos e experiências voltados à práxis que revelam novos formatos de cobertura noticiosa hiperlocal, muitos dos quais, gerados fora do universo jornalístico e que passam a interferir diretamente no modos operandi dos meios de comunicação tradicionais e, mais do que isso, começam a afetar a bilionária indústria noticiosa e começa a incomodar a até pouco tempo intocável categoria dos donos da mídia.
É sobre alguns desses projetos e experiência transformacionais que falarei aqui, nos próximos comentários.
Até em breve!
Nesse sentido, aumentam em todo o mundo, as discussões em torno de alguns aspectos que envolvem o complexo processo de produção, difusão e recepção de conteúdos informativos.De maneira geral, as discussões se concentram em torno de dois eixos polêmicos e que ainda se configuram como verdadeiras incógnitas sobre o futuro dos meios de comunicação tradicionais e até mesmos das novas mídias. O primeiro deles é de caráter instrumental e o outro, operacional. Um tenta dá conta da adequação dos formatos tradicionais de leitura linear às novas plataformas hipermidiáticas que regem os textos cibernéticos postados nos mais diversos aparatos tecnológicos e sistemas operacionais, e o outro se volta paras as questões concernentes à mudança dos padrões unilaterais de cobertura dos fatos que ainda prevalecem na imprensa, enquanto a principal instância mediadora social.
Voltando-se para esse segundo eixo, que há tempo me chama a atenção na qualidade de professor, pesquisador e também consumidor informacional, considero relevante provocar aqui algumas reflexões em torno de alguns aspectos que considero de extrema pertinência para compreendermos melhor a época em que vivemos. Uma época cada vez mais caracterizada pela tecnocultura, ou seja, pela supremacia dos conceitos da comunicação sob o viés tecnológico e o expansivo uso das novas mídias.
Refiro-me às mudanças correntes e que estão reformulando a concepção do clássico modelo de processamento da comunicação e informação que se configura nos três elementos: emissor- mensagem – receptor. Modelo este que, mesmo questionado há várias décadas por diversas teorias da comunicação, a exemplo da Teoria da Recepção, na prática ainda prevalece sendo explorado pela indústria midiática jornalística. Essa mesma indústria que, mesmo contrariada, está, aos poucos, se rendendo à superação desse processo unilateral de transmissão da informação.
Nesse sentido, cada vez mais, conceitos como os de jornalismo cidadão, jornalismo participativo e jornalismo comunitário, vão ganhando espaço no próprio universo da imprensa oficial, chamando a atenção para a necessidade da abertura para uma real e massiva participação dos cidadãos no complexo processo comunicacional do qual, esses deixaram de ser meros receptores passivos e estão se tornando também emissores. Mais que isso, estão se tornando co-produtores, pauteiros e ‘repórteres’ a cobrir fatos e emitirem opiniões sobre os mais diversos assuntos e acontecimentos do cotidiano.
Nesse contexto, expandem-se em todo o mundo, projetos e experiências voltados à práxis que revelam novos formatos de cobertura noticiosa hiperlocal, muitos dos quais, gerados fora do universo jornalístico e que passam a interferir diretamente no modos operandi dos meios de comunicação tradicionais e, mais do que isso, começam a afetar a bilionária indústria noticiosa e começa a incomodar a até pouco tempo intocável categoria dos donos da mídia.
É sobre alguns desses projetos e experiência transformacionais que falarei aqui, nos próximos comentários.
Até em breve!
quarta-feira, 30 de maio de 2012
jornalista: profissão descartável?!
De acordo com notícia veiculada no portal www.comunique-se.com.br, a Rádio Globo demitiu recentemente o jornalista Marcus Aurélio, de 50 anos, que ocupava o cargo de gerente nacional de programação da emissora no Rio de Janeiro. A justificativa, se é que se pode considerar, da empresa para a demissão do profissional foi a de 'contenção de gastos'.
Eis aqui mais uma nítida demonstração do total desrepeito à pessoa e descaso ao profissional de jornalismo que cada vez mais padece de uma desvalorização por parte das empresas de comunicação. O motivo alegado para o desligamento de MArcus Aruélio denuncia a forma descartável com que os profissionais da imprensa são tratados, sem considerar a extrema função social que esse desempenha para a sociedade, nem tão pouco a experiência de trabalho de muitos jornalistas. Profissão essa, aliás, que ao que parece, está na contra-mão do que apregoa o mercado ao elencar como um de seus principais critérios de empregabilidade, os anos de atuação do profissional.
Afora isso, é importante que se frise também que o jornalista está longe de ser um dos cargos mais bem pagos no país, razão pela qual o tal motivo de contenção de custos não convence. Com a palavra, os sindicatos representantes da categoria...
Eis aqui mais uma nítida demonstração do total desrepeito à pessoa e descaso ao profissional de jornalismo que cada vez mais padece de uma desvalorização por parte das empresas de comunicação. O motivo alegado para o desligamento de MArcus Aruélio denuncia a forma descartável com que os profissionais da imprensa são tratados, sem considerar a extrema função social que esse desempenha para a sociedade, nem tão pouco a experiência de trabalho de muitos jornalistas. Profissão essa, aliás, que ao que parece, está na contra-mão do que apregoa o mercado ao elencar como um de seus principais critérios de empregabilidade, os anos de atuação do profissional.
Afora isso, é importante que se frise também que o jornalista está longe de ser um dos cargos mais bem pagos no país, razão pela qual o tal motivo de contenção de custos não convence. Com a palavra, os sindicatos representantes da categoria...
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Greve na mídia: informação paralisada
Acompanhando a cobertura feita pela imprensa acerca do movimento grevista das Universidades Federais, deflagrado no último dia 17, torna-se perceptível o reducionismo constante que caracteriza a mídia informativa brasileira no tocante à abordagem de problemas sociais. A constatação de tal práxi se vê no tom do discurso reproduzido pelos noticiários em sua maioria cuja palavra-chave, ou angulação das matérias, como se diz no jargão jornalístico, é o ‘prejuízo’ atribuído à paralisação das atividades acadêmicas. Nesse sentido, o tal prejuízo a que se referem as manchetes em sua boa parte, diz respeito aos dias sem aula que os estudantes sofrerão como conseqüência. Mas afinal de contas, seria este o prejuízo real da greve?.
Ora, não é preciso ir muito longe para se constatar que esse tipo de perda a que se referem os noticiários é algo insignificante se comparado ao prejuízo real porque passa toda a classe discente e, como extensão, a sociedade que cada vez mais vem perdendo aquilo que há de mais valioso na educação: a qualidade desta. Algo que, é sempre bom ressaltar, mesmo que já seja do conhecimento de toda a população brasileira, os governos pouco tem se empenhado para resolver. E a solução para tal problema histórico, como também não é segredo para quem quer que seja, está na adoção de um conjunto de ações focadas em duas vertentes de investimentos. De um lado, o investimento da mão de obra qualificada, e que no caso em questão, vale reforçar, trata-se de uma categoria profissional de quem é exigido permanentemente, um dos mais rigorosos níveis de qualificação. De outro lado, a aplicação de recursos infra-estruturais e tecnológicos que possibilitem ao professor e à comunidade discente, a ampla possibilidade de desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão a que se propõe a universidade pública gratuita e de qualidade.
Por essa razão, seria bem mais sensato e socialmente responsável se a imprensa de modo geral, assumindo efetivamente a sua função social, aprofundasse a cobertura acerca de fatos que, como o aqui destacado, apontam para uma série de aspectos imprescindíveis ao conhecimento não apenas das duas partes diretamente envolvidas, mas de toda a sociedade. E, nesse contexto, que fosse apresentado aos cidadãos, o quadro real porque passam as instituições federais de ensino público na contemporaneidade. Período este caracterizado, de um lado, por um amplo e inegável processo de crescimento das Ifes, e, de outro, por um lento ritmo de desenvolvimento muito aquém do esperado e principalmente, do que é propagado pelo Governo Federal. Nesse sentido, é sempre bom ressaltar que crescimento e desenvolvimento não são a mesma coisa,como, aliás, é apresentado pela propaganda oficial que insiste em confundir a sociedade.
Portanto, como se pode perceber, a verdade dos fatos sempre está além do que é exposto de forma simplória e parcial. E é nesse sentido que o reducionismo reinante na mídia brasileira, algo que, diga-se de passagem, é constatado em diversas pesquisas e estudos científicos já publicados, precisa ser combatido. Trata-se aqui de uma transformação nada fácil, é bem verdade, tendo em vista se tratar de um traço característico histórico da mídia nacional e que tem origem em diversos fatores de natureza ideológica e estruturais que regem a rotina dos meios de comunicação social. Não obstante, assim como várias outras transformações desafiantes que movem o pensamento e o anseio coletivo rumo ao bem estar comum, essa é apenas mais uma das inumeráveis bandeiras de luta erguidas pelos cidadãos. Uma luta para além da educação de qualidade, e em busca da informação de qualidade.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
II Fórum Mundial de Mídias Livres
Inscrições para II Fórum Mundial de Mídias Livres estão abertas!
Durante a Cúpula dos Povos, nos dias 16 e 17 de junho, diversos ativistas, pesquisadores e comunicadores da mídia alternativa se reunião no campus da Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ) para o II Fórum Mundial de Mídia Livre. Gratuito, o encontro terá sua programação constituída pelos próprios coletivos e organizações interessadas.
Para fazer parte desta construção, basta inscrever sua atividade através do formulário. Os formatos são abertos, sendo possível propôr painéis, desconferências (debates livres), oficinas, entre outras ações. O cadastro de propostas de atividades está aberto até 5 de junho.
Após três edições nacionais (Rio de Janeiro, em 2008; Vitória, em 2009; e Porto Alegre, em 2012), dois encontros preparatórios no Norte da África (Marrakesh, em 2011; e Tunis, em 2012), uma edição mundial (Belém, em 2009) e uma Assembléia de Convergência no Fórum Social Mundial (Dacar, em 2011), o Fórum de Mídia Livre volta ao Rio de Janeiro para contribuir com o fortalecimento da agenda em defensa dos bens comuns, agregando comunicação e cultura às pautas em prol da justiça ambiental e social.
As atividades do Fórum ocorrem em torno de quatro eixos principais: direito á comunicação; políticas públicas; apropriação tecnológica e movimentos sociais. As atividades autogestionadas serão realizadas nas tardes dos dias 16 e 17 de junho.
Para mais informações: http://cupuladospovos.org.br/fmml/
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Mídia, educação e direitos humanos
Comunicação e direitos humanos
Fenômeno universal e inerente ao ser humano, a comunicação é das habilidades desenvolvidas pelo homem, na qualidade de ser sociável, a mais significativa de todas. Muito mais que o simples e mecânico ato de transmissão de pensamentos e idéias, seja por meio da palavra ou de qualquer outro meio de linguagem, comunicar-se é colocar em prática, um dos direitos humanos de natureza individual e coletivo, mais fundamentais e imprescindíveis ao desenvolvimento da vida em sociedade. Por essa razão, há décadas, o tema da comunicação vem sendo introduzido nos debates promovidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), organismo da ONU, como uma das mais importantes políticas estratégicas no âmbito do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).
Assim, como podemos perceber, enquanto práxi, ato de efeito transformador, a comunicação aparece indissociável da educação. Algo, aliás, já preconizado há mais de quatro décadas no Brasil por Paulo Freire, um dos maiores educomunicadores do mundo, cujo nome recentemente foi reconhecido oficialmente como o patrono da educação brasileira. Defensor árduo da confluência entre educação e comunicação (e vice-versa), para Freire, a palavra não deve ser concebida como privilégio de alguns homens, mas sim, direito de todos os homens.
Valendo-se dessa máxima que traz à tona de forma explícita o caráter político-ideológico da comunicação e cientes da logística de funcionamento mercadológica da indústria midiática da qual somos todos ávidos consumidores, devemos nos alertar para a condição de cidadãos e erguermos a bandeira de luta em prol da democratização da comunicação. Mas, para isso é imprescindível que mergulhemo-nos nos liames que associam a comunicação da educação, para assim, adotarmos uma postura essencialmente crítica e verdadeiramente ativa perante o império cultural midiático que tenta fazer dos receptores, meros receptáculos de uma gama de lixo tecnocultural. Um espécie de jogo em que se usa dos instrumentos da tecnologia da informação e comunicação para se entorpecer mentes e tornar cada vez mais lucrativo um mercado bilionário.
É preciso nos mantermos atentos e, mais que isso, esboçarmos uma postura pró-ativa, indo muito mais além das críticas contra o que chamamos de efeitos nocivos da mídia. Mídia essa quase costumeiramente encarada por uma ótica maniqueísta a serviço do mal. Nesse sentido, abrir os olhos para os bastidores de onde são traçadas as estratégias de uso dos meios de comunicação é que parece ser um dos pontos cruciais para quem deseja adentrar no complexo e dinâmico fluxo de produção informacional e comunicacional do qual nos alimentamos cotidianamente para nos mantermos socialmente aceitos.
Nesse contexto, como nos advertem diversos movimentos de militância social em ativa, é preciso engajar-se numa frente que ganha força em várias partes do mundo e, em especial, na América Latina, entre os países subdesenvolvidos, – em detrimento da forte campanha desencadeada pelos grupos midiáticos – que é a luta da reivindicação por uma nova ordem mundial econômica. Uma nova ordem mundial da informação e comunicação, da qual participam diversos órgãos e entidades civis que passam a estudar uma definição sobre o direito à comunicação. E o direito de comunicar começa onde termina o direito de exploração exercido pela indústria midiática.
Está mais do que na hora de a comunicação ser (re) pensada como uma questão de educação, para só assim ser enxergada como uma questão de direitos humanos. Algo já afirmado historicamente e positivado nos documentos internacionais, mas que precisa ser difundido, pulverizado na sociedade, num esforço para se reforçar a questão que não se cala: “Como salvar a dimensão humanista da comunicação, quando triunfa sua dimensão
instrumental?. Pensemos nisso.
domingo, 6 de maio de 2012
A prioridade da mídia brasileira
A questão do meio ambiente, segundo pesquisa realizada pelo Ibope e divulgada pelo jornal Estado de São Paulo, é motivo de preocupação para a maioria dos brasileiros. Ainda de acordo com a pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria - CNI, a imensa maioria da Nação se opõe ao conjunto de normas propostas pelo Congresso Nacional para a reforma do Código Florestal. Em contrapartida a essa revelação, ao que parece, o problema em destaque não parece ser prioridade da mídia brasileira que, com exceção de alguns poucos veículos de comunicação, tem ignorado a relevância do assunto em pauta para a vida de todos os patriotas.
Fazendo uma análise das matérias estampadas nos últimos dias nos jornais e sites de notícias, a atenção dos veículos de comunicação tem se voltado para detalhes da vida privada das celebridades que constituem o mundo business, com destaque para o estado de saúde do filho do cantor Leonardo, Pedro Leonardo. Neste caso, a cobertura tem sido tão extensiva que já provocou, inclusive, aborrecimentos aos próprios familiares do cantor que continua internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, sob forte vigilância da imprensa.
Trata-se aqui de uma análise acerca do processo de agendamento da mídia de que nos fala uma das teorias da comunicação, o agenda-setting e que aponta para os assuntos e temas prioritários revelados pelas pautas diárias da imprensa e que afetam direta e indiretamente os receptores. Algo que como se vê, ainda carece de uma mudança um tanto radical no contexto da grande mídia - sem deixar de lado aqui também a imprensa interiorana – que precisa se pautar, urgentemente, em fatos e assuntos de interesse da cidadania.
Que o digam os diversos e constantes desafios nos campos da saúde, educação e, como foi mencionado acima, meio ambiente, temas que, vale dizer, apesar de estarem sempre em pauta, não têm a cobertura devida, ou de que se necessita, sobretudo, no que diz respeito à continuidade de vários casos noticiados. Afinal de contas, com todo respeito ao cantor Pedro Leonardo e a dor porque passa seus familiares, esse é apenas um dos inúmeros casos que se repetem pelo país afora cotidianamente – vale lembrar que nosso país é campeão em acidentes com vítimas nas estradas – e que, paralelo a fatos dessa natureza, outros que afetam diretamente a vida de milhões de pessoas continuam acontecendo, em detrimento do descaso da mídia, cuja função social principal, nunca é demais repetir, é o da luta em defesa da cidadania. Algo feito por meio da fiscalização permanente e divulgação massiva e contundente de fatos e assuntos que põem em risco a qualidade de vida da Nação brasileira.
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