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quarta-feira, 30 de maio de 2012

jornalista: profissão descartável?!

De acordo com notícia veiculada no portal www.comunique-se.com.br, a Rádio Globo demitiu recentemente o jornalista Marcus Aurélio, de 50 anos, que ocupava o cargo de gerente nacional de programação da emissora no Rio de Janeiro. A justificativa, se é que se pode considerar, da empresa para a demissão do profissional foi a de 'contenção de gastos'.


Eis aqui mais uma nítida demonstração do total desrepeito à pessoa e descaso ao profissional de jornalismo que cada vez mais padece de uma desvalorização por parte das empresas de comunicação. O motivo alegado para o desligamento de MArcus Aruélio denuncia a forma descartável com que os profissionais da imprensa são tratados, sem considerar a extrema função social que esse desempenha para a sociedade, nem tão pouco a experiência de trabalho de muitos jornalistas. Profissão essa, aliás, que ao que parece, está na contra-mão do que apregoa o mercado ao elencar como um de seus principais critérios de empregabilidade, os anos de atuação do profissional.


Afora isso, é importante que se frise também que o jornalista está longe de ser um dos cargos mais bem pagos no país, razão pela qual o tal motivo de contenção de custos não convence. Com a palavra, os sindicatos representantes da categoria...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Greve na mídia: informação paralisada

Acompanhando a cobertura feita pela imprensa acerca do movimento grevista das Universidades Federais, deflagrado no último dia 17, torna-se perceptível o reducionismo constante que caracteriza a mídia informativa brasileira no tocante à abordagem de problemas sociais. A constatação de tal práxi se vê no tom do discurso reproduzido pelos noticiários em sua maioria cuja palavra-chave, ou angulação das matérias, como se diz no jargão jornalístico, é o ‘prejuízo’ atribuído à paralisação das atividades acadêmicas. Nesse sentido, o tal prejuízo a que se referem as manchetes em sua boa parte, diz respeito aos dias sem aula que os estudantes sofrerão como conseqüência. Mas afinal de contas, seria este o prejuízo real da greve?. Ora, não é preciso ir muito longe para se constatar que esse tipo de perda a que se referem os noticiários é algo insignificante se comparado ao prejuízo real porque passa toda a classe discente e, como extensão, a sociedade que cada vez mais vem perdendo aquilo que há de mais valioso na educação: a qualidade desta. Algo que, é sempre bom ressaltar, mesmo que já seja do conhecimento de toda a população brasileira, os governos pouco tem se empenhado para resolver. E a solução para tal problema histórico, como também não é segredo para quem quer que seja, está na adoção de um conjunto de ações focadas em duas vertentes de investimentos. De um lado, o investimento da mão de obra qualificada, e que no caso em questão, vale reforçar, trata-se de uma categoria profissional de quem é exigido permanentemente, um dos mais rigorosos níveis de qualificação. De outro lado, a aplicação de recursos infra-estruturais e tecnológicos que possibilitem ao professor e à comunidade discente, a ampla possibilidade de desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão a que se propõe a universidade pública gratuita e de qualidade. Por essa razão, seria bem mais sensato e socialmente responsável se a imprensa de modo geral, assumindo efetivamente a sua função social, aprofundasse a cobertura acerca de fatos que, como o aqui destacado, apontam para uma série de aspectos imprescindíveis ao conhecimento não apenas das duas partes diretamente envolvidas, mas de toda a sociedade. E, nesse contexto, que fosse apresentado aos cidadãos, o quadro real porque passam as instituições federais de ensino público na contemporaneidade. Período este caracterizado, de um lado, por um amplo e inegável processo de crescimento das Ifes, e, de outro, por um lento ritmo de desenvolvimento muito aquém do esperado e principalmente, do que é propagado pelo Governo Federal. Nesse sentido, é sempre bom ressaltar que crescimento e desenvolvimento não são a mesma coisa,como, aliás, é apresentado pela propaganda oficial que insiste em confundir a sociedade. Portanto, como se pode perceber, a verdade dos fatos sempre está além do que é exposto de forma simplória e parcial. E é nesse sentido que o reducionismo reinante na mídia brasileira, algo que, diga-se de passagem, é constatado em diversas pesquisas e estudos científicos já publicados, precisa ser combatido. Trata-se aqui de uma transformação nada fácil, é bem verdade, tendo em vista se tratar de um traço característico histórico da mídia nacional e que tem origem em diversos fatores de natureza ideológica e estruturais que regem a rotina dos meios de comunicação social. Não obstante, assim como várias outras transformações desafiantes que movem o pensamento e o anseio coletivo rumo ao bem estar comum, essa é apenas mais uma das inumeráveis bandeiras de luta erguidas pelos cidadãos. Uma luta para além da educação de qualidade, e em busca da informação de qualidade.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

II Fórum Mundial de Mídias Livres

Inscrições para II Fórum Mundial de Mídias Livres estão abertas! Durante a Cúpula dos Povos, nos dias 16 e 17 de junho, diversos ativistas, pesquisadores e comunicadores da mídia alternativa se reunião no campus da Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ) para o II Fórum Mundial de Mídia Livre. Gratuito, o encontro terá sua programação constituída pelos próprios coletivos e organizações interessadas. Para fazer parte desta construção, basta inscrever sua atividade através do formulário. Os formatos são abertos, sendo possível propôr painéis, desconferências (debates livres), oficinas, entre outras ações. O cadastro de propostas de atividades está aberto até 5 de junho. Após três edições nacionais (Rio de Janeiro, em 2008; Vitória, em 2009; e Porto Alegre, em 2012), dois encontros preparatórios no Norte da África (Marrakesh, em 2011; e Tunis, em 2012), uma edição mundial (Belém, em 2009) e uma Assembléia de Convergência no Fórum Social Mundial (Dacar, em 2011), o Fórum de Mídia Livre volta ao Rio de Janeiro para contribuir com o fortalecimento da agenda em defensa dos bens comuns, agregando comunicação e cultura às pautas em prol da justiça ambiental e social. As atividades do Fórum ocorrem em torno de quatro eixos principais: direito á comunicação; políticas públicas; apropriação tecnológica e movimentos sociais. As atividades autogestionadas serão realizadas nas tardes dos dias 16 e 17 de junho. Para mais informações: http://cupuladospovos.org.br/fmml/

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Mídia, educação e direitos humanos

Comunicação e direitos humanos Fenômeno universal e inerente ao ser humano, a comunicação é das habilidades desenvolvidas pelo homem, na qualidade de ser sociável, a mais significativa de todas. Muito mais que o simples e mecânico ato de transmissão de pensamentos e idéias, seja por meio da palavra ou de qualquer outro meio de linguagem, comunicar-se é colocar em prática, um dos direitos humanos de natureza individual e coletivo, mais fundamentais e imprescindíveis ao desenvolvimento da vida em sociedade. Por essa razão, há décadas, o tema da comunicação vem sendo introduzido nos debates promovidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), organismo da ONU, como uma das mais importantes políticas estratégicas no âmbito do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Assim, como podemos perceber, enquanto práxi, ato de efeito transformador, a comunicação aparece indissociável da educação. Algo, aliás, já preconizado há mais de quatro décadas no Brasil por Paulo Freire, um dos maiores educomunicadores do mundo, cujo nome recentemente foi reconhecido oficialmente como o patrono da educação brasileira. Defensor árduo da confluência entre educação e comunicação (e vice-versa), para Freire, a palavra não deve ser concebida como privilégio de alguns homens, mas sim, direito de todos os homens. Valendo-se dessa máxima que traz à tona de forma explícita o caráter político-ideológico da comunicação e cientes da logística de funcionamento mercadológica da indústria midiática da qual somos todos ávidos consumidores, devemos nos alertar para a condição de cidadãos e erguermos a bandeira de luta em prol da democratização da comunicação. Mas, para isso é imprescindível que mergulhemo-nos nos liames que associam a comunicação da educação, para assim, adotarmos uma postura essencialmente crítica e verdadeiramente ativa perante o império cultural midiático que tenta fazer dos receptores, meros receptáculos de uma gama de lixo tecnocultural. Um espécie de jogo em que se usa dos instrumentos da tecnologia da informação e comunicação para se entorpecer mentes e tornar cada vez mais lucrativo um mercado bilionário. É preciso nos mantermos atentos e, mais que isso, esboçarmos uma postura pró-ativa, indo muito mais além das críticas contra o que chamamos de efeitos nocivos da mídia. Mídia essa quase costumeiramente encarada por uma ótica maniqueísta a serviço do mal. Nesse sentido, abrir os olhos para os bastidores de onde são traçadas as estratégias de uso dos meios de comunicação é que parece ser um dos pontos cruciais para quem deseja adentrar no complexo e dinâmico fluxo de produção informacional e comunicacional do qual nos alimentamos cotidianamente para nos mantermos socialmente aceitos. Nesse contexto, como nos advertem diversos movimentos de militância social em ativa, é preciso engajar-se numa frente que ganha força em várias partes do mundo e, em especial, na América Latina, entre os países subdesenvolvidos, – em detrimento da forte campanha desencadeada pelos grupos midiáticos – que é a luta da reivindicação por uma nova ordem mundial econômica. Uma nova ordem mundial da informação e comunicação, da qual participam diversos órgãos e entidades civis que passam a estudar uma definição sobre o direito à comunicação. E o direito de comunicar começa onde termina o direito de exploração exercido pela indústria midiática. Está mais do que na hora de a comunicação ser (re) pensada como uma questão de educação, para só assim ser enxergada como uma questão de direitos humanos. Algo já afirmado historicamente e positivado nos documentos internacionais, mas que precisa ser difundido, pulverizado na sociedade, num esforço para se reforçar a questão que não se cala: “Como salvar a dimensão humanista da comunicação, quando triunfa sua dimensão instrumental?. Pensemos nisso.

domingo, 6 de maio de 2012

A prioridade da mídia brasileira

A questão do meio ambiente, segundo pesquisa realizada pelo Ibope e divulgada pelo jornal Estado de São Paulo, é motivo de preocupação para a maioria dos brasileiros. Ainda de acordo com a pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria - CNI, a imensa maioria da Nação se opõe ao conjunto de normas propostas pelo Congresso Nacional para a reforma do Código Florestal. Em contrapartida a essa revelação, ao que parece, o problema em destaque não parece ser prioridade da mídia brasileira que, com exceção de alguns poucos veículos de comunicação, tem ignorado a relevância do assunto em pauta para a vida de todos os patriotas. Fazendo uma análise das matérias estampadas nos últimos dias nos jornais e sites de notícias, a atenção dos veículos de comunicação tem se voltado para detalhes da vida privada das celebridades que constituem o mundo business, com destaque para o estado de saúde do filho do cantor Leonardo, Pedro Leonardo. Neste caso, a cobertura tem sido tão extensiva que já provocou, inclusive, aborrecimentos aos próprios familiares do cantor que continua internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, sob forte vigilância da imprensa. Trata-se aqui de uma análise acerca do processo de agendamento da mídia de que nos fala uma das teorias da comunicação, o agenda-setting e que aponta para os assuntos e temas prioritários revelados pelas pautas diárias da imprensa e que afetam direta e indiretamente os receptores. Algo que como se vê, ainda carece de uma mudança um tanto radical no contexto da grande mídia - sem deixar de lado aqui também a imprensa interiorana – que precisa se pautar, urgentemente, em fatos e assuntos de interesse da cidadania. Que o digam os diversos e constantes desafios nos campos da saúde, educação e, como foi mencionado acima, meio ambiente, temas que, vale dizer, apesar de estarem sempre em pauta, não têm a cobertura devida, ou de que se necessita, sobretudo, no que diz respeito à continuidade de vários casos noticiados. Afinal de contas, com todo respeito ao cantor Pedro Leonardo e a dor porque passa seus familiares, esse é apenas um dos inúmeros casos que se repetem pelo país afora cotidianamente – vale lembrar que nosso país é campeão em acidentes com vítimas nas estradas – e que, paralelo a fatos dessa natureza, outros que afetam diretamente a vida de milhões de pessoas continuam acontecendo, em detrimento do descaso da mídia, cuja função social principal, nunca é demais repetir, é o da luta em defesa da cidadania. Algo feito por meio da fiscalização permanente e divulgação massiva e contundente de fatos e assuntos que põem em risco a qualidade de vida da Nação brasileira.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O PODER DO AUDIOVISUAL NAS REDES SOCIAIS

São cada vez mais crescentes as evidências da força das redes sociais no mundo contemporâneo que, como não é mais novidade, é regido pelas novas tecnologias da comunicação. Que o diga a amplitude virtual provocada pela revolucionária ferramenta digital audiovisual que é o youtube que multiplica a cada dia, fenômenos de larga visibilidade em todo o mundo. Nesse contexto, além das celebridades lançadas instantaneamente ao ato de um simples click coletivo, a ferramenta vem provocando mobilizações humanas em torno de causas diversas, algumas meramente curiosas, outras, de fato, interessantes.

Dentre essas está o último dos grandes fenômenos de acesso no youtube cujo personagem é Caine Monroy, filho de imigrantes mexicanos, notabilizado através de um documentário em que ele aparece criando uma sala de jogos com pedaços de papelão, algo feito na loja de peças de automóveis de seu pai nos EUA, durante suas férias.

No projeto de reciclagem desenvolvido por Caine, ele construiu, sozinho, jogos de basquete, futebol e máquina de pescar presentes utilizando-se de tesouras, fita adesiva e, claro muita imaginação. Detalhe: a obra criativa do pequeno garoto não teria alcançado a notoriedade que conseguiu, se essa não tivesse sido filmada e levada para dentro das redes sociais por Nirvan Mullick.

O documentarista resolveu transformar a história de Caine em filme e encheu a sala de jogos do garoto de pessoas. A filmagem rendeu o documentário "Caine's Arcade", de 11 minutos, divulgado no último dia 9 de abril. Desde então, o vídeo já alcançou mais de 2 milhões de visitas no site Vimeo, conforme foi veiculado por vários sites de notícias, a exemplo do portal Terra e o site da Revista Imprensa.

E detalhe: por causa do vídeo, o público começou a fazer doações para pagar os estudos de Caine. A arrecadação, em poucos dias, ultrapassou os US$140 mil". E segundo informaram os portais, parte do dinheiro arrecadado será usado para pagar o estudo de Caine Monroy em uma escola especializada em design. O restante irá financiar uma futura fundação que será chamada de "Caine's Arcade”

Muito mais fantástica que a obra de Caine, como se pode observar, é o poder da rede social youtube que, para além da notoriedade pública, vem se configurando como a mais eficiente ferramenta virtual dentro do contexto da comunicação global estratégica, de onde, certamente, emergirão inúmeras possibilidades de mobilização social.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Jornalista: profissional em extinção?

Que as transformações registradas nesse início de século no mundo das comunicações tem atingido em cheio a sociedade e, em especial, os profissionais da mídia, não é mais novidade. Do mesmo modo, também não se configura mais como novidade o fato de que as mudanças processadas no fluxo informacional de que se alimentam as pessoas no dia a dia no contexto da sociedade midiática tem colocado, cada vez mais em em xeque-mate o papel dos tradicionais meios de comunicação, provocando uma certa desestabilidade entre os profissionais que vivem desses. Pois bem, a novidade nesse contexto talvez seja o fato de que, uma pesquisa divulgada recentemente pelo site norte-americano especializado em análise sobre carreiras profissionais no mercado mundial de empregos, o CareerCast.com, apontou o jornalista como a 5ª pior ocupação.

O dado faz parte de um rancking divulgado anualmente pelo site que aponta as 10 melhores e as 10 piores profissões do mundo. A pesquisa engloba 200 carreiras e leva em consideração cinco critérios: demandas físicas, ambiente de trabalho, salário, estresse e perspectivas de contratação. O topo do ranking da melhor profissão eleita em 2012 é ocupado pelo engenheiro de software, seguido por atuário (profissional técnico especialista em mensurar e administrar riscos), gerente de RH, dentista e planejador financeiro.

Já na lista das piores profissões a surpresa ficou por conta do aparecimento inédita de profissionais da mídia com o foco nas ocupações específicas de repórter e o chamado Broadcaster (profissional que atua em meios eletrônicos com noticiários diários). Na atual listagem, o jornalista fica atrás apenas das seguintes ocupações: madeireiro, produtor de leite, soldado e operador de plataforma de petróleo.

Visto de maneira superficial, o quadro parece apontar para uma extinção do jornalista na sociedade contemporânea, como, aliás, preconizam alguns estudiosos. Não obstante, como defendem outros, trata-se, na verdade, de um processo de mudança e de adaptação ao qual os profissionais da mídia jornalística parecem estar fadados nessa nova era da comunicação.

Como já foi ressaltado aqui neste espaço, por diversas vezes, ao meu ver, tais dados se revelam como mais um nítido sinal da crise que se alastra na imprensa tradicional e que se traduz, de um lado, pelas dificuldades enfrentadas pelos profissionais que exercem as diversas funções exigidas nesse segmento da mídia, os quais estão sendo cada vez mais explorados e se vem sem perspectivas para o futuro profissional. Algo que tem como principal e pior consequencia, o crescente índice de demissões registrados em todo o mundo tornando ainda mais difícil essa ocupação.

Por outro lado, a crise traz à tona a necessidade cada vez mais emergente de mudança no perfil do profissional da mídia que trabalha com a produção e difusão da informação diária, o qual se vê diante de um cenário repleto de inovações tecnológicas e, mais do que isso, diante de uma desafiante logísticas de gestão informacional. Um cenário em que ao que tudo indica, a adaptação parece ser a única saída para os meios de comunicação tradicionais e, consequentemente, para aqueles que sobrevivem destes e começam a enveredar pelo mundo das novas tecnologias de informação e comunicação.