O Brasil coleciona mais um dado estatístico lastimável. O país aparece na lista das nações com maior índice de mortes entre profissionais da área de comunicação social. O registro é feito pela Federação Nacional dos Jornalistas que em nota repudia o assassinato dos jornalistas Mario Randolfo Marques Lopes, ocorrido na quinta-feira (9/02), em Barra do Piraí (RJ), e Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, nesta segunda-feira (13), em Ponta Porá (MS), as duas últimas vítimas da onda de crimes contra os profissionais da imprensa.
A luta da Fenaj é cobrar a punição dos responsáveis, por parte do governo e do parlamento federais medidas urgentes para que o Brasil não prossiga avançando no ranking internacional de violência contra jornalistas. Afinal de contas, um país que tem a imprensa sob a mira da violência é um país com a democracia em ameaça constante. Como se não bastasse a fragilidade da lei de liberdade de imprensa há anos em discussão no país e sem nenhum avanço até então...
Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
A luta pelo acervo do DB
Passada a lástima que foi o fechamento do DB, segmentos da sociedade campinense se unem para, de forma legítima e justa, lutarem pela permanência do acervo jornalístico desse que foi o último jornal diário da cidade. A mobilização começou a ser feita depois da ameaça do arquivo do veículo ser transferido para a sede dos Diários Associados, em Brasília, algo inaceitável para a cidade que lhe serviu de berço e que o abrigou por mais de seu meio século de vida.
Eis aqui uma luta não apenas de jornalistas, historiadores, intelectuais, mas de toda uma coletividade em nome de quem o Diário da Borborema, ou simplesmente, o nosso DB, preencheu ao longo das décadas de sua existência, suas páginas com notícias, reportagens, letras e imagens do cotidiano campinense.
Um veículo que, como muito bem definiu o multiculturalista Bráulio Tavares deve sua vida à Rainha da Borborema. Cidade que muito mais que berço de origem, lhe serviu de fonte de econômica rendendo ao grupo empresário dos Diários Associado, um bom rendimento material e imaterial, se levando em consideração, a imagem eternizada que o matinal campinense deixa registrado na história da imprensa paraibana e brasileira.
Além do mais, não é justo que, a essa altura do campeonato, a cidade seja penalizada pela incapacidade gestora que as últimas diretorias executivas do grupo D&A apresentaram culminando com a morte do jornal. Algo, aliás, que, diga-se de passagem, já era aguardado por muitos como mais uma crônica de uma morte anunciada. Uma morte retardada nos últimos anos, sobretudo, pela eficiente equipe de profissionais que se mantinha na redação os quais, vale ressaltar, conseguiu alavancar o DB para números e cifras otimistas nos últimos anos. Números esses, infelizmente, insuficientes para tirar o jornal da vala financeira em que se encontrava já anos.
E assim se foi mais um jornal campinense. O velho DB por onde tive a honra de trabalhar nos anos 1990 e lá assimilar as minhas primeiras lições práticas de jornalismo diário, e embevecido por essas, adentrar no mundo acadêmico da Comunicação Social. Uma experiência repleta de boas – e outras nem tanto -, lembranças, das quais fazem parte meu arquétipo mental amigos de longas datas, a exemplo de Dilvani, Chico, Luis Henrique, Lauricéia, Silvana, Ivonete e tantos outros.
O DB de inúmeros casos e causos. Escola das mais representativas fundadas por Assis Chateaubriand e por cuja redação passaram muito dos grandes jornalistas que hoje escrevem e registram em outras páginas, e por meio de outras tecnologias, a história da imprensa campinense, paraibana e de outras localidades da federação brasileira.
É por essas e tantas outras lembranças de reconhecimento que me uno a todos aqueles que estão na luta em nome desse estimado e genuíno bem campinense, para gritar e defender até a última instância a permanência daquilo que restou de si. Nesse sentido, parabenizo aos vereadores campinenses, em especial a Antonio Pereira, pela realização da sessão extraordinária para tratar desse que é, sem sombra de dúvidas, um assunto de interesse público.
Enfim e por fim, o destino do acervo do DB agora está por conta das ações a serem impetradas pela Comissão, fruto da respectiva assembléia, formada por vários nomes de representantes de segmentos distintos da sociedade campinense. Nas mãos de quem está o poder de mobilização e deliberação das medidas efetivas em nome da memória desse que um dia não apenas fez parte, mas ajudou a escrever a história de nossa estimada e grandiosa cidade querida.
Para concluir, não devemos nos esquecer que, se como já disse certa feita um grande poeta, uma nação se faz com homens e livros, um jornal se constrói muito mais que apenas homens, papel e máquinas. Faz-se de história e é essa história que não devemos nem podemos deixar se apagar de nossa memória local.
Eis aqui uma luta não apenas de jornalistas, historiadores, intelectuais, mas de toda uma coletividade em nome de quem o Diário da Borborema, ou simplesmente, o nosso DB, preencheu ao longo das décadas de sua existência, suas páginas com notícias, reportagens, letras e imagens do cotidiano campinense.
Um veículo que, como muito bem definiu o multiculturalista Bráulio Tavares deve sua vida à Rainha da Borborema. Cidade que muito mais que berço de origem, lhe serviu de fonte de econômica rendendo ao grupo empresário dos Diários Associado, um bom rendimento material e imaterial, se levando em consideração, a imagem eternizada que o matinal campinense deixa registrado na história da imprensa paraibana e brasileira.
Além do mais, não é justo que, a essa altura do campeonato, a cidade seja penalizada pela incapacidade gestora que as últimas diretorias executivas do grupo D&A apresentaram culminando com a morte do jornal. Algo, aliás, que, diga-se de passagem, já era aguardado por muitos como mais uma crônica de uma morte anunciada. Uma morte retardada nos últimos anos, sobretudo, pela eficiente equipe de profissionais que se mantinha na redação os quais, vale ressaltar, conseguiu alavancar o DB para números e cifras otimistas nos últimos anos. Números esses, infelizmente, insuficientes para tirar o jornal da vala financeira em que se encontrava já anos.
E assim se foi mais um jornal campinense. O velho DB por onde tive a honra de trabalhar nos anos 1990 e lá assimilar as minhas primeiras lições práticas de jornalismo diário, e embevecido por essas, adentrar no mundo acadêmico da Comunicação Social. Uma experiência repleta de boas – e outras nem tanto -, lembranças, das quais fazem parte meu arquétipo mental amigos de longas datas, a exemplo de Dilvani, Chico, Luis Henrique, Lauricéia, Silvana, Ivonete e tantos outros.
O DB de inúmeros casos e causos. Escola das mais representativas fundadas por Assis Chateaubriand e por cuja redação passaram muito dos grandes jornalistas que hoje escrevem e registram em outras páginas, e por meio de outras tecnologias, a história da imprensa campinense, paraibana e de outras localidades da federação brasileira.
É por essas e tantas outras lembranças de reconhecimento que me uno a todos aqueles que estão na luta em nome desse estimado e genuíno bem campinense, para gritar e defender até a última instância a permanência daquilo que restou de si. Nesse sentido, parabenizo aos vereadores campinenses, em especial a Antonio Pereira, pela realização da sessão extraordinária para tratar desse que é, sem sombra de dúvidas, um assunto de interesse público.
Enfim e por fim, o destino do acervo do DB agora está por conta das ações a serem impetradas pela Comissão, fruto da respectiva assembléia, formada por vários nomes de representantes de segmentos distintos da sociedade campinense. Nas mãos de quem está o poder de mobilização e deliberação das medidas efetivas em nome da memória desse que um dia não apenas fez parte, mas ajudou a escrever a história de nossa estimada e grandiosa cidade querida.
Para concluir, não devemos nos esquecer que, se como já disse certa feita um grande poeta, uma nação se faz com homens e livros, um jornal se constrói muito mais que apenas homens, papel e máquinas. Faz-se de história e é essa história que não devemos nem podemos deixar se apagar de nossa memória local.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
DB e O Norte: o fim de mais de um século de jornalismo
Depois do Jornal do Brasil que saiu de circulação em agosto de 2010, agora foi a vez de dois outros jornais impressos tradicionais fecharem as portas. A crise desta feita atingiu a imprensa paraibana, varrendo das bancas de revistas e das mãos de milhares de assinantes, dois dos mais antigos veículos de comunicação da Paraíba e do Brasil: O Diário da Borborema (55 anos) e o Jornal O Norte (103 anos), ambos pertencentes ao grupo Diários Associados.
A notícia pegou de surpresa a sociedade paraibana nessa quinta-feira, 3 de fevereiro, que certamente entrará para a história da imprensa paraibana e brasileira. Um lastimável e lamentável fato que marca o fim de mais de um século e meio de atividades de dois jornais cuja saída de circulação, empobrece ainda mais o jornalismo brasileiro.
Um acontecimento que, de outro lado, comprova, como já asseveram os boatos (que nada mais é do que uma notícia não publicável) a má gestão adminstrativa que vem tomando conta de alguns dos grandes grupos de veículos impressos do país. Um resultado que aponta para a incapacitação e ineficiência que alguns desses grupos empresariais tem apresentado diante dos desafios impostos pela era da comunicação contemporânea, regida de forma determinante pelas dinâmicas e contundentes inovações tecnológicas eletrônicas.
Inovações essas que, diga-se de passagem, tem se tornado o grande algoz dos jornais tradicionais em desabamento, ao serem apontadas como o grande e recente investimento de 'transformação' de tais veículos. Foi assim com o Jornal do Brasil e agora com os dois jornais paraibanos, cujo discurso oficial de despedida é revestido pelo conceito de praticidade e modernidade. É assim que se ler na tarja explicativa, porém, injustificável: DB e O Norte, agora na versão online, mais modernos, mais atuais, mais completos.....
A prova da ingerência dos grupos por trás dos veículos entretanto, se comprova, de um lado, por meio dos índices de crescimento que vários jornais tradicionais vem obtendo nos últimos anos, e por outro, pelo sucesso que vários dos periódicos impressos recém lançados em vários estados vem apresentando. Jornais que trazem consigo, inovações advindas de ideias novas e não propriamente de novas tecnologias...
A notícia pegou de surpresa a sociedade paraibana nessa quinta-feira, 3 de fevereiro, que certamente entrará para a história da imprensa paraibana e brasileira. Um lastimável e lamentável fato que marca o fim de mais de um século e meio de atividades de dois jornais cuja saída de circulação, empobrece ainda mais o jornalismo brasileiro.
Um acontecimento que, de outro lado, comprova, como já asseveram os boatos (que nada mais é do que uma notícia não publicável) a má gestão adminstrativa que vem tomando conta de alguns dos grandes grupos de veículos impressos do país. Um resultado que aponta para a incapacitação e ineficiência que alguns desses grupos empresariais tem apresentado diante dos desafios impostos pela era da comunicação contemporânea, regida de forma determinante pelas dinâmicas e contundentes inovações tecnológicas eletrônicas.
Inovações essas que, diga-se de passagem, tem se tornado o grande algoz dos jornais tradicionais em desabamento, ao serem apontadas como o grande e recente investimento de 'transformação' de tais veículos. Foi assim com o Jornal do Brasil e agora com os dois jornais paraibanos, cujo discurso oficial de despedida é revestido pelo conceito de praticidade e modernidade. É assim que se ler na tarja explicativa, porém, injustificável: DB e O Norte, agora na versão online, mais modernos, mais atuais, mais completos.....
A prova da ingerência dos grupos por trás dos veículos entretanto, se comprova, de um lado, por meio dos índices de crescimento que vários jornais tradicionais vem obtendo nos últimos anos, e por outro, pelo sucesso que vários dos periódicos impressos recém lançados em vários estados vem apresentando. Jornais que trazem consigo, inovações advindas de ideias novas e não propriamente de novas tecnologias...
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
A crise na grande mídia
As notícias divulgadas neste início de ano sobre o campo profissional jornalístico não são nada animadoras para a categoria. Ao que parece, a onda avassaladora de uma crise que se arrastou por todo o ano passado e que contabilizou mais de 500 rescisões de contratos, se perpetua varrendo as redações dos grandes veículos de comunicação do país, resultando na demissão de centenas de jornalistas. Só nos últimos 30 dias, foram anunciadas, segundo informações divulgadas no portal do comuniquese.com.br, a demissão de profissionais de três dos maiores grupos midiáticos do país: Record, Abril e Band.
A última onda de demissão coletiva anunciada foi da Band que teria dispensado de seus quadros fixos, cerca de 70 profissionais entre repórteres, produtores e editores. Na verdade, esse tipo de notícia tem ocupado, cada vez mais,as principais manchetes dos portais especializados na cobertura sobre a mídia, a exemplo do portal anunciado e, obviamente, preocupado aqueles que vivem de uma das mais relevantes - nem por isso valorizadas, profissões da contemporaneidade.
Em contra-partida, a luz no fim do túnel parece estar vindo das empresas de TV´s por assinaturas que, depois de passarem por uma forte crise no final da primeira década passada, apresentam avanços animadores. Nesse sentido, uma das noticias mais recentes divulgadas dá conta de que a TV Fox irá contratar 200 profissionais. A boa nova vem da FOX Sport Brasil, um dos braços dessa que é uma das maiores empresas midiáticas multinacionais em franco desenvolvimento no Brasil. Aliás, outras váriras contratações deverão ser feitas ao longo dos anos vindouros em que a terra de Cabral sediará dois dos maiores e mais lucrativos eventos midiáticos do mundo: a Copa e os Jogos Olímpicos. Depois disso, só Deus dirá para onde migrarão essas mãos de obras qualificadas...
Como se vê, nem tudo parece estar perdido, muito embora, sem querer ser um tanto pessimista ou desagradável, resta saber quais as condições salariais e de trabalho apresentados aos novos contratados. E essa, vale salientar, diz respeito a uma das mais duras realidades porque passa a grande maioria dos jornalistas que sobrevivem da imprensa nos veículos situados fora da área de circunscriçaõ da chamada grande mídia. Profissionais situados, bem abaixo da ‘linha do equador brasileira’. Trocando em miúdos, os profissionais que labutam fora do eixo sul-sudeste e que são responsáveis pela dinâmica rede de fluxo informacional interiorana do país. Mas essa é uma outra questão para um outro comentário...
A última onda de demissão coletiva anunciada foi da Band que teria dispensado de seus quadros fixos, cerca de 70 profissionais entre repórteres, produtores e editores. Na verdade, esse tipo de notícia tem ocupado, cada vez mais,as principais manchetes dos portais especializados na cobertura sobre a mídia, a exemplo do portal anunciado e, obviamente, preocupado aqueles que vivem de uma das mais relevantes - nem por isso valorizadas, profissões da contemporaneidade.
Em contra-partida, a luz no fim do túnel parece estar vindo das empresas de TV´s por assinaturas que, depois de passarem por uma forte crise no final da primeira década passada, apresentam avanços animadores. Nesse sentido, uma das noticias mais recentes divulgadas dá conta de que a TV Fox irá contratar 200 profissionais. A boa nova vem da FOX Sport Brasil, um dos braços dessa que é uma das maiores empresas midiáticas multinacionais em franco desenvolvimento no Brasil. Aliás, outras váriras contratações deverão ser feitas ao longo dos anos vindouros em que a terra de Cabral sediará dois dos maiores e mais lucrativos eventos midiáticos do mundo: a Copa e os Jogos Olímpicos. Depois disso, só Deus dirá para onde migrarão essas mãos de obras qualificadas...
Como se vê, nem tudo parece estar perdido, muito embora, sem querer ser um tanto pessimista ou desagradável, resta saber quais as condições salariais e de trabalho apresentados aos novos contratados. E essa, vale salientar, diz respeito a uma das mais duras realidades porque passa a grande maioria dos jornalistas que sobrevivem da imprensa nos veículos situados fora da área de circunscriçaõ da chamada grande mídia. Profissionais situados, bem abaixo da ‘linha do equador brasileira’. Trocando em miúdos, os profissionais que labutam fora do eixo sul-sudeste e que são responsáveis pela dinâmica rede de fluxo informacional interiorana do país. Mas essa é uma outra questão para um outro comentário...
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Televangeli$mo: a arte de viver da fé
Instrumento de geração, manutenção e disputa de poder em seu sentido mais amplo, a televisão continua sendo um dos símbolos mais significantes e ao mesmo tempo reveladores dos rumos que a fé institucionalizada tem tomado no Brasil. Meio de comunicação massivo de largo alcance e fonte inesgotável de arrecadamento financeiro – o BBB que o diga -, a Tv tem se mantido , ao longo das últimas décadas, o objeto de fé maior dos líderes religiosos no terreno da acirrada e lucrativa disputa pelos fiéis.
Trata-se aqui de um dos fenômenos sociais mais instigantes desse novo milênio e que se apresenta como um dos sinais mais claros dos novos tempos. Tempos dos templos cada vez mais numerosos e multiplicados, em grande parte, pelas antenas de Tv´s, numa demonstração inequívoca da arte de se viver da fé. Algo,aliás, já apregoado, num dos grandes hits dos anos 1980, na voz do paraibano Herbert Viana, em mais uma daquelas canções que fazem dos cantores, grandes visionários e até mesmo profetas do mundo moderno.
Pelo menos é assim que se tem percebido o movimento já denominado de televangelismo que se propaga pelo país com uma grande intensidade. Algo iniciado pela Igreja Católica que detém cerca de 200 emissoras de rádio e 50 de TV´s espalhadas pelo país e de que agora se vale a Igreja Protestante com 80 emissoras de rádio e aproximadamente 300 emissoras de Tv. Fenômeno esse descrito de maneira extremamente esclarecedora e lúcida pelo jornalista Luiz Cláudio Cunha, em artigo postado recentemente no portal www.observatoriodaimprensa. O texto se constitui numa contundente análise histórica e sociológica em torno do fenômeno aqui apresentado, de onde, se pode extrair os seguintes fatos para apreciação:
Fato 1: Depois de uma negociação milionária com a TV de Jonh Saad (a Bandeirantes), o pastor R.R. Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, comprou um espaço no horário nobre da programação para ampliação de seu ‘Show da Fé’,programa já exibido pelo religioso, por meio do qual, esse faz uma ampla arrecadação de dízimo e vende uma série de produtos bíblicos. O valor da transação especula-se em torno de R$ 10 milhões ao mês. Fazendo um breve adendo, a título de complemento, para aquele que não sabem, R. R. Soares é ex-cunhado de Edir Macedo e, assim como o mais novo fenômeno do movimento neopentecostal brasileiro, o pastor Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, é um membro dissidente desgarrado da Igreja Universal do Reino de Deus, o primeiro grande empreendimento que escancarou as portas do mercado da fé no Brasil.
Fato 2: em notícias veiculadas na imprensa brasileira no ano passado, quatro dos líderes do movimento avangélico no país, dentre os quais fazem parte os já citados e Silas Malafaias (esse mais mala do qualquer outra coisa), rondaram o empresário Silvio Santos na esperança de amealhar o espaço da madrugada do SBT, oferecendo para tanto, a cifra de R$ 20 milhões mensais.
Fato3: Além dos fatos anteriores, também se tornou pública para toda a nação em 2011, a informação da proposta pra lá de convidativa feita por Edir Macedo à alta cúpula da Globo, a quem o líder religioso teria oferecido nada mais nada menos que meio bilhão de reais pelo horário na madrugada da TV Globo. Proposta essa que, como era de se esperar, mesmo sendo ávida pelo vil metal, a empresa dos Marinhos recusou.
Essas são apenas alguma das diversas transações feita envolvendo televangeli$tas e empresários das TV´s que, diga-se de passagem, tratam-se de empresas que exploram uma concessão pública e como tal, regida por leis, que, por sua vez, a mercê do Estado que até onde se sabe, continua laico e pautado nos direitos igualitários de expressão de pensamento e credo. Mas essa já é uma outra questão para uma outra ocasião...
O fato é que, como se vê, TV, fé e dinheiro, tem se tornado uma mistura pra lá de pro(e)missora de que tem se valido os líderes religiosos ao propagar aos quatro cantos, a teologia da prosperidade, por meio da qual, fé e dinheiro tem absolutamente tudo a ver. E, nesse contexto, a tv é sim, uma arte de se viver da fé, só não se sabe fé em quê...
Trata-se aqui de um dos fenômenos sociais mais instigantes desse novo milênio e que se apresenta como um dos sinais mais claros dos novos tempos. Tempos dos templos cada vez mais numerosos e multiplicados, em grande parte, pelas antenas de Tv´s, numa demonstração inequívoca da arte de se viver da fé. Algo,aliás, já apregoado, num dos grandes hits dos anos 1980, na voz do paraibano Herbert Viana, em mais uma daquelas canções que fazem dos cantores, grandes visionários e até mesmo profetas do mundo moderno.
Pelo menos é assim que se tem percebido o movimento já denominado de televangelismo que se propaga pelo país com uma grande intensidade. Algo iniciado pela Igreja Católica que detém cerca de 200 emissoras de rádio e 50 de TV´s espalhadas pelo país e de que agora se vale a Igreja Protestante com 80 emissoras de rádio e aproximadamente 300 emissoras de Tv. Fenômeno esse descrito de maneira extremamente esclarecedora e lúcida pelo jornalista Luiz Cláudio Cunha, em artigo postado recentemente no portal www.observatoriodaimprensa. O texto se constitui numa contundente análise histórica e sociológica em torno do fenômeno aqui apresentado, de onde, se pode extrair os seguintes fatos para apreciação:
Fato 1: Depois de uma negociação milionária com a TV de Jonh Saad (a Bandeirantes), o pastor R.R. Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, comprou um espaço no horário nobre da programação para ampliação de seu ‘Show da Fé’,programa já exibido pelo religioso, por meio do qual, esse faz uma ampla arrecadação de dízimo e vende uma série de produtos bíblicos. O valor da transação especula-se em torno de R$ 10 milhões ao mês. Fazendo um breve adendo, a título de complemento, para aquele que não sabem, R. R. Soares é ex-cunhado de Edir Macedo e, assim como o mais novo fenômeno do movimento neopentecostal brasileiro, o pastor Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, é um membro dissidente desgarrado da Igreja Universal do Reino de Deus, o primeiro grande empreendimento que escancarou as portas do mercado da fé no Brasil.
Fato 2: em notícias veiculadas na imprensa brasileira no ano passado, quatro dos líderes do movimento avangélico no país, dentre os quais fazem parte os já citados e Silas Malafaias (esse mais mala do qualquer outra coisa), rondaram o empresário Silvio Santos na esperança de amealhar o espaço da madrugada do SBT, oferecendo para tanto, a cifra de R$ 20 milhões mensais.
Fato3: Além dos fatos anteriores, também se tornou pública para toda a nação em 2011, a informação da proposta pra lá de convidativa feita por Edir Macedo à alta cúpula da Globo, a quem o líder religioso teria oferecido nada mais nada menos que meio bilhão de reais pelo horário na madrugada da TV Globo. Proposta essa que, como era de se esperar, mesmo sendo ávida pelo vil metal, a empresa dos Marinhos recusou.
Essas são apenas alguma das diversas transações feita envolvendo televangeli$tas e empresários das TV´s que, diga-se de passagem, tratam-se de empresas que exploram uma concessão pública e como tal, regida por leis, que, por sua vez, a mercê do Estado que até onde se sabe, continua laico e pautado nos direitos igualitários de expressão de pensamento e credo. Mas essa já é uma outra questão para uma outra ocasião...
O fato é que, como se vê, TV, fé e dinheiro, tem se tornado uma mistura pra lá de pro(e)missora de que tem se valido os líderes religiosos ao propagar aos quatro cantos, a teologia da prosperidade, por meio da qual, fé e dinheiro tem absolutamente tudo a ver. E, nesse contexto, a tv é sim, uma arte de se viver da fé, só não se sabe fé em quê...
sábado, 21 de janeiro de 2012
Luiza e a midiocrização contagiante
Corroborando com a opinião do jornalista e apresentador do telejornal do SBT, Carlos Nascimento, os últimos episódios destacados pelos principais veículos de comunicação do país apontam, de fato, para um quadro de total idiotices que parece dominar a mídia brasileira. A sucessão de episódios midiáticos que teve início com o primeiro caso de estupro consentido da história -protagonizado por um dos casais geniais do BBB-, seguido da notícia falsa da barriga de quadrigêmeos e que deixou toda a mídia literalmente de’ quatro’, completada com o meme da paraibana Luiza e que se tornou o fato mais comentado da última semana, realmente merece uma reflexão de toda a nação.
Uma reflexão acerca do processo de ‘midiocrização’ contagiante que se propaga na nova era da comunicação social. Um fenômeno preocupante que tem na efemeridade e futilidade dois de seus principais elementos configuradores da nova era midiática que vivenciamos. Uma época em que a mediocridade parece ser eleita como o mais valioso dos crivos de produção midiática, colocando abaixo todos os princípios éticos, morais e até mesmo os valores-notícias clássicos de que a imprensa tem se valido há séculos. Época em que a relevância dos fatos para a sociedade era o primeiro e mais importante crivo para a pauta jornalística.
Analisando sob a ótica da sociologia moderna, trata-se da confirmação do que já vem sendo denunciado há algumas décadas por vários estudiosos e que dá conta do ápice da espetacularização da vida cotidiana. Um fenômeno que tem na ânsia acelerada pela notoriedade massiva, um de seus motores propulsores, causando, dentre vários efeitos de massificação, a formatação da produção das celebridades instantâneas. A quebra total da linha tênue que separa a vida privada da vida pública e que torna o cotidiano um permanente reality show.
Como já foi dito, nunca na história do mundo, os 15 segundos de fama foram tão almejados e fabricados dentro de um padrão esdrúxulo. Algo capaz de tirar do sério até mesmos os menos idiotas – assim como eu -e causar um terrível sentimento de saudosismo. Saudosismo, por exemplo, do tempo em que ‘Luiza” era sinônimo de uma das mais belas canções de amor composta por Tom Jobim. Mas, isso , é claro, é coisa do passado. Um passado bem menos espetacular, mas sem sombra de dúvidas, fantástico!.
Uma reflexão acerca do processo de ‘midiocrização’ contagiante que se propaga na nova era da comunicação social. Um fenômeno preocupante que tem na efemeridade e futilidade dois de seus principais elementos configuradores da nova era midiática que vivenciamos. Uma época em que a mediocridade parece ser eleita como o mais valioso dos crivos de produção midiática, colocando abaixo todos os princípios éticos, morais e até mesmo os valores-notícias clássicos de que a imprensa tem se valido há séculos. Época em que a relevância dos fatos para a sociedade era o primeiro e mais importante crivo para a pauta jornalística.
Analisando sob a ótica da sociologia moderna, trata-se da confirmação do que já vem sendo denunciado há algumas décadas por vários estudiosos e que dá conta do ápice da espetacularização da vida cotidiana. Um fenômeno que tem na ânsia acelerada pela notoriedade massiva, um de seus motores propulsores, causando, dentre vários efeitos de massificação, a formatação da produção das celebridades instantâneas. A quebra total da linha tênue que separa a vida privada da vida pública e que torna o cotidiano um permanente reality show.
Como já foi dito, nunca na história do mundo, os 15 segundos de fama foram tão almejados e fabricados dentro de um padrão esdrúxulo. Algo capaz de tirar do sério até mesmos os menos idiotas – assim como eu -e causar um terrível sentimento de saudosismo. Saudosismo, por exemplo, do tempo em que ‘Luiza” era sinônimo de uma das mais belas canções de amor composta por Tom Jobim. Mas, isso , é claro, é coisa do passado. Um passado bem menos espetacular, mas sem sombra de dúvidas, fantástico!.
domingo, 1 de janeiro de 2012
O espetáculo do ano novo
Em São Paulo, na avenida Paulista, cerca de 2 milhões de pessoas acompanharam sob chuva de bolinhas de sabão e o tradicional show pirotécnico, a chegada do ano novo. No mesmo instante, em Nova York, no Time Square, outras centenas de milhares de pessoas festejavam ao som de Lady Gaga, o início de 2012. Tanto lá como aqui, ou em qualquer outra parte do mundo, a passagem de ano ficou registrada, como sempre ocorre, de maneira espetacular. Um show de proporções gigantescas constituído de imagens coloridas, fascinantes e inebriantes. Um acontecimento feito na medida para uma multidão cada vez mais insaciável pelo aspecto espetacular da vida.
Trata-se aqui de um dos fenômenos mais emblemáticos e reveladores daquilo que o pensador francês Guy Debord intitulou, há mais de cinco décadas, como a sociedade do espetáculo. Um fenômeno caracterizado, sobretudo, pela eminência da espetacularização e debilidade espiritual da modernidade frente ao avanço da força do capital que dá o tom e nuances da vida na sociedade em que vivemos.
É assim que, esses primeiros instantes da virada de ano nos faz compreender o mundo em que vivemos. Mais que isso. Faz-nos enxergar de forma mais transparente o prisma por meio do qual um número cada vez maior de pessoas em toda a parte do planeta vêem a si mesmo e o mundo a sua volta. Uma ótica totalmente projetada através de lentes fantasiosas e multicoloridas que fazem da vida e do mundo em que habitamos um grande palco de emoções e sensações efêmeras e megalomaníacas.
Um calidoscópio que tem nas estratégias midiáticas que regem o cotidiano das pessoas, o principal mecanismo de espetacularização desse mesmo cotidiano. Rotina essa que somos forçados a enxergar como algo cada vez mais enfadonho, cinza e, portanto, carente de uma pigmentação de luzes, cores e estética ludibriante.
É assim que damos as boas vindas a mais um ano novo, mesmo muitas vezes cientes de que, como nos diz sabiamente uma das músicas dos Titãs, o novo fica por conta das novidades antigas. Por isso mesmo, é mais válido desejarmos, hoje em dia, um ano novo espetacular!!!???
De toda forma, desejo a todos os amigos um feliz 2012.
OBS: Como complemento, deixo aqui a letra da música dos Titãs, para sugestão para uma das nossas primeiras reflexões de 2012, não esquecendo de que continuaremos vivendo sob a égida da era midiática!
A MELHO BANDA DE TODOS OS TEMPOS DA ÚLTIMA SEMANA (TITÃS)
Quinze minutos de fama
Mais um pros comerciais,
Quinze minutos de fama
Depois descanse em paz.
O gênio da última hora,
É o idiota do ano seguinte
O último novo-rico,
É o mais novo pedinte
A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores
fracassos
Não importa contradição
O que importa é televisão
Dizem que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume então
As músicas mais pedidas
Os discos que vendem mais,
As novidades antigas
Nas páginas do jornais
Um idiota em inglês,
Se é um idiota, é bem menos que nós
Um idiota em inglês
É bem melhor do que eu e vocês
A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos
Trata-se aqui de um dos fenômenos mais emblemáticos e reveladores daquilo que o pensador francês Guy Debord intitulou, há mais de cinco décadas, como a sociedade do espetáculo. Um fenômeno caracterizado, sobretudo, pela eminência da espetacularização e debilidade espiritual da modernidade frente ao avanço da força do capital que dá o tom e nuances da vida na sociedade em que vivemos.
É assim que, esses primeiros instantes da virada de ano nos faz compreender o mundo em que vivemos. Mais que isso. Faz-nos enxergar de forma mais transparente o prisma por meio do qual um número cada vez maior de pessoas em toda a parte do planeta vêem a si mesmo e o mundo a sua volta. Uma ótica totalmente projetada através de lentes fantasiosas e multicoloridas que fazem da vida e do mundo em que habitamos um grande palco de emoções e sensações efêmeras e megalomaníacas.
Um calidoscópio que tem nas estratégias midiáticas que regem o cotidiano das pessoas, o principal mecanismo de espetacularização desse mesmo cotidiano. Rotina essa que somos forçados a enxergar como algo cada vez mais enfadonho, cinza e, portanto, carente de uma pigmentação de luzes, cores e estética ludibriante.
É assim que damos as boas vindas a mais um ano novo, mesmo muitas vezes cientes de que, como nos diz sabiamente uma das músicas dos Titãs, o novo fica por conta das novidades antigas. Por isso mesmo, é mais válido desejarmos, hoje em dia, um ano novo espetacular!!!???
De toda forma, desejo a todos os amigos um feliz 2012.
OBS: Como complemento, deixo aqui a letra da música dos Titãs, para sugestão para uma das nossas primeiras reflexões de 2012, não esquecendo de que continuaremos vivendo sob a égida da era midiática!
A MELHO BANDA DE TODOS OS TEMPOS DA ÚLTIMA SEMANA (TITÃS)
Quinze minutos de fama
Mais um pros comerciais,
Quinze minutos de fama
Depois descanse em paz.
O gênio da última hora,
É o idiota do ano seguinte
O último novo-rico,
É o mais novo pedinte
A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores
fracassos
Não importa contradição
O que importa é televisão
Dizem que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume então
As músicas mais pedidas
Os discos que vendem mais,
As novidades antigas
Nas páginas do jornais
Um idiota em inglês,
Se é um idiota, é bem menos que nós
Um idiota em inglês
É bem melhor do que eu e vocês
A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos
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