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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Jornalismo deficiente

“Curso vai preparar jornalistas para a cobertura de gênero, raça e etnia”, noticiava uma matéria publicada recentemente no site do comuniquese. Nas entrelinhas do enunciado que falava de uma iniciativa da ONU em parceria com a FENAJ, podia-se ler, claramente, mais um diagnóstico da deficiência da imprensa brasileira no tocante a uma cobertura de qualidade, sobretudo, em se tratando de problemáticas sociais envolvendo realidades vivenciadas por grupos sociais específicos a exemplo dos mencionados no título da matéria.

Trata-se, como não é mais novidade para nenhum brasileiro, de um traço característicos do jornalismo brasileiro que, cada vez mais demonstra-se superficial e, em alguns casos, totalmente despreparado ao tratar de determinados assuntos.

Atentos a essa realidade que há décadas vem sendo objeto de estudos acadêmicos e denunciadas por pesquisas, entidades civis das mais diversas apresentam iniciativas voltadas a uma melhor qualificação do trabalho de cobertura jornalística no sentido de, não apenas capacitar melhor os profissionais da imprensa que, vale ressaltar, em sua maioria, não dispõem de recursos e condições de apresentar um trabalho devidamente qualificado, mas também contribuir com a tão propagada democratização da informação.

Informação essa que, na qualidade de produto midiático master, mesmo se tratando da mercadoria mais valiosa e vital ao desenvolvimento da sociedade contemporânea, ainda é explorado de forma muitas vezes sem nenhum esmero e, menos ainda com a profundidade necessária.

Trata-se aqui de um combate a um tipo de tratamento que compromete aquilo que é mais propagado como máxima e, por vezes, slogan pela indústria do noticiário que é o comprometimento com a cidadania. É assim que, cresce pelo país a fora, os cursos de capacitação voltadas a temáticas específicas, a exemplo dos gêneros, educação e meio ambiente.

Algo que vem sendo também combatido dentro das universidades e, sobretudo, através de cursos de comunicação social com ênfase no viés crítico na formação do comunicólogo, a exemplo dos cursos de Educomunicação que começam a surgir no Brasil.

Em outras palavras, muito mais que os cursos de jornalismo, a qualificação do processo de produção e circulação da informação é hoje um desafio de várias outras vertentes acadêmico-científicas que surgem como reflexo da ansiedade que brota do seio social por uma mídia mais eficiente e comprometida com a educação.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Encontro mundial de blogueiros

A alta audiência dos blogs espalhados pela rede mundial de computadores tem motivado a mobilização de blogueiros em todo o mundo, os quais vêm se organizando e realizando uma série de eventos voltados à discussão de interesse desta modalidade de rede social que não pára de crescer.

O evento mais recente a ser realizado e que reunirá blogueiros de várias partes do mundo é 1º Encontro Internacional de Blogueiros é o 1º Encontro Internacional de Blogueiros, que acontecerá de 28 a 30 de outubro, em Foz do Iguaçu. O evento vai discutir "O papel da globosfera na construção da democracia".

São esperados internautas dos Estados Unidos, Europa, Ásia, África e América Latina.
Dentre os convidados internacionais estão o francês Ignácio Ramonet, criador do jornal Le Monde Diplomatique; o espanhol Manuel Castells, autor de diversos livros sobre a cultural digital; a norte-americana Amy Gooldmann, responsável pela rede "Democracy Now"; o espanhol Pascual Serrano, blogueiro e fundador do sítio Rebelion; o blogueiro cubano Iroel Sanches; o coordenador da campanha de Ollanta Humala (Peru), Elvis Moris; o argentino Pedro Bringler, blogueiro e diretor da TV Pública da Argentina.

Há grande expectativa mundial sobre o Encontro Internacional de Blogueiros, uma vez que um dos principais convidados internacionais é o Julian Assange, criador do Wikileaks.

Wikileaks é uma organização transnacional sem fins lucrativos que publica em seu site posts de fontes anônimas, documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas, sobre assuntos sensíveis. Pela importância e repercussão que teve no mundo nos últimos meses, o Wikileaks e a forma como os governos e empresas de comunicação tratam as informações, devem ser alguns dos principais temas a serem debatidos no Encontro Internacional de Blogueiros.

Sobre o papel da "Globosfera no Brasil" deverão dividir mesa de debate: Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada); Luís Nassif (Blog do Nassif); Hidegard Angel (blogueira carioca); Esmael Morais (blogueiro paranaense).

Nesta semana, o blog oficial do 1º Encontro Internacional de Blogueiros deverá entrar no ar com a programação e dicas de hospedagens em Foz do Iguaçu.

Para mais informações http://participacaosocial.wordpress.com/

quarta-feira, 20 de julho de 2011

blogosfera e audiência

Mesmo em meio ao vertiginoso surgimetno de novas mídias, a blogosfera continua ocupando um espaço especial no universo das redes sociais. Mais que isso, se trata de uma das mídias que mais concorre diretamente com os meios jornalísticos tradicionais. Em mais uma pesquisa, divulgada esta semana, o blog aparece como um dos meios de maior audiência na atualidade se comparado com os veículos que compõem a grande imprensa.

De acordo com os dados, divulgados no site www.comuniquese.com.br, a abrangência da blogosfera, ao que tudo indica, é maior que a dos jornais impressos. Trata-se de uma mídia que conquista um número cada vez maior de leitores no universo dos 73 milhões de internautas no Brasil.

Dentre os blogueiros com maior índice de audiência estão Juca Kfouri (UOL), Patrícia Kogut, Fernando Moreira, Ricardo Noblat (O Globo), e Marcelo Tas (Terra). A maioria deles supera a circulação dos dez maiores jornais brasileiros, que variam entre 295 e 125 mil exemplares diários, de acordo com dados da Associação Nacional de Jornais (ANJ), conforme explicita matéria divulgada no portal do Comuniquese.

Entre as receitas de sucesso da audiência, comparado com os veículos de mídia tradicionais, descrita pelos blogueiros bem sucedidos estão:
a) A facilidade de acesso
b) Rapidez e fluidez da informação
c) Dedicação exclusiva e maior por parte dos jornalistas
d) Abordagem de temas inusitados e excluídos da mídia tradicional

Acrescente-se a esses fatores, a queda de credibilidade que a imprensa vem sofrendo nos últimos anos em todo o mundo.

Fora da perspectiva das grandes audiências, onde se incluem centenas de milhares de blogs, a exemplo deste, considero o blog, particularmente,como um dos espaços midiáticos virtuais mais fantásticos que permite com que nos expressemos de forma espontânea e com profundidade.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Regulação da mídia em discussão

Como foi abordado no último comentário aqui postado, o direito à comunicação social com dignidade perpassa necessariamente por uma mobilização da sociedade civil com o propósito de garantir esse que é um dos direitos mais essenciais na vida em sociedade. Dentro deste contexto, várias iniciativas começam a ser adotadas pelas unidades federativas do país e às quais este espaço estará atento e a disposição para uma maior difusão dessa bandeira de luta que tem na democratização real e efetiva, o anseio maior.

Nesse sentido, divulgamos um dos eventos voltados à essa discussão e que reunirá representantes de diversos segmentos sociais já engajados na luta. Trata-se do seminário MArco Regulatório e Políticas locais de comunicação, que irá ocorrer em Salvador, conforme texto transcrito abaixo:

SEMINÁRIO MARCO REGULATÓRIO E POLÍTICAS LOCAIS DE COMUNICAÇÃO

Preparar a sociedade civil baiana para novo panorama das comunicações é o objetivo do Seminário Marco Regulatório e Políticas Locais de Comunicação. A atividade ocorrerá nos dias 21 e 22 de julho, a partir das 9h ocorrerá, no Hotel Pestana, localizado no bairro do Rio Vermelho em Salvador.


Quase quarenta anos depois o Brasil retorna a discussão sobre revisão completa da revisão do setor numa conjuntura de convergência tecnológica, novos modelos de negócios e também de reivindicações da sociedade civil para a pauta ser tratada como direito humano. Neste cenário, a Bahia e as organizações sociais locais e nacionais cumprem papel destacável a ser reforçado pelo Seminário.


No ano de 2008 a Bahia realizou a I Conferência Estadual de Comunicação, uma parceria entre governo e sociedade civil. Tal mecanismo estimulou o aprofundamento das políticas públicas no setor no estado, em particular, a regulamentação do Conselho Estadual de Comunicação pela Assembleia Legislativa da Bahia, em 2011, que tomará posse em agosto do mesmo ano. Em nível nacional, as ações locais também cumpriram papel impulsionador da democratização da área no país, em especial da I Conferência Nacional (Confecom) e o corrente debate sobre a renovação do marco regulatório.


Durante a atividade parlamentares federais e estaduais, acadêmicos, organizações sociais e gestores públicos vão se colocar sobre temas fundamentais na agenda política, por via de cinco mesas: A Confecom e o Marco Regulatório; Mídia e Direitos Humanos; a Bahia no Plano Nacional de Banda Larga; Radiodifusão Pública; e Participação Social e Conselhos de Comunicação


A atividade é uma realização da Frente Baiana pelo Direito à Comunicação e tem como apoiador a Secretaria de Comunicação do Governo do Estado. A Fretne é formada por cerca de 30 entidades que atuam de forma conjunta para o Estado avançar na políticas públicas para o setor.


Algumas entidades da Frente: CUT-BA, CTB, Intervozes, Cipó Comunicação, Barão de Itararé, Sinjorba, Sintterp, Sintel, Fórum de Comunicação da Região Sisaleira, Conselho Regional de Psicologia, ARPUB, FNDC, Abraço, Articulação Mulher e Mídia, ABCV-BA, Centro de Comunicação, Democracia e Cidadania da UFBA, Instituto de Mídia Étnica, ARCA, Fórum de Comunicação do São Franscisco, Portal Vermelho.


O quê: Seminário Marco Regulatório e Políticas Locais de Comunicação
Onde: Hote Pestana, Rio Vermelho.
Quando 21 e 22 e julho, a partir das 9h
Inscrição: Gratuita
Mais informações: www.softwarelivre.org/direitoacomunicacaobahia/blog
Contatos: Pedro Caribé – Intervozes – 92611026 /Julieta Palmeira – Barão de Itararé – 99834335 / Nilton Lopes – Cipó – 81444513


Programação


Quinta-feira, dia 21 de julho


9:00h -Abertura - Presença de parlamentares estaduais federais, representantes da Frente e do governo do estado.


10:00h –Mesa 1 - Confecom e Marco Regulatório – Representantes da Agência Nacional de Cinema (Ancine) e Ministério das Comunicações (Minicom)


12:00h – Almoço


1400h –Mesa 2 - A Bahia no Plano Nacional de Banda Larga – Secretário de Ciência e Tecnologia do Estado da Bahia, Paulo Câmera; Prof. Faculdade de Educação da UFBA, Maria Bonilla; e Diretor da Empresa de Tecnologias da Informação do Ceará, Fernando Carvalho.


16:00h –Mesa 3 – Mídia e Direitos Humanos – Prof. da Faculdade de Comunicação da UFRJ, Suzy dos Santos; Secretário de Justiça e Direito Humanos do Estado da Bahia, Almiro Senna; e Prof. Do departamento de Psicologia da UFSC, Marcos Ferreira.




Sexta-feira, dia 22 de julho


10:00h –Mesa 4 – Participação Social e Conselhos de Comunicação – Secretário de Comunicação do Governo da Bahia, Robinson Almeida; Doutora em Ciências Sociais e Políticas pela Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso-México),Gislene Moreira; e Prof. Da Universidade de Brasília, Venício Lima.


12:00h – Almoço


14:00h –Mesa 5 – Radiodifusão Pública – Presidente da Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais, Póla Ribeiro; João Jorge, membro o Conselho Curado da Empresa Brasil de Comunicação; e Luiz Felipe Stevanin, mestre pela Faculdade de Comunicação da UFRJ.


16:00h – Plenária da Frente Baiana pelo Direito à Comunicação

Para mais informações, visite o endereço eletrônico: www.softwarelivre.org/direitoacomunicacaobahia/blog

sábado, 9 de julho de 2011

O direito à comunicação com dignidade

Mesmo atrasada em relação a garantia de direitos humanos já conquistada em outros países e ainda distantes da real e concreta consolidação da democracia, a sociedade brasileira tem dado passos firmes rumo à conquista de direitos constitucionalmente já garantidos mas ainda fora da realiadde cotidiana. É inegável que, como diria o ex-presidente Lula (mas que fique claro que, não por conta dele), nunca antes na história do Brasil, se houve tamanha abertura para discussões e frentes de luta em prol de garantia legais diversas.

Embora recentemente só se fale das bandeiras de luta dos chamados grupos minoritários, não devemos deixar de lado, a luta pelos direitos do grupo majoritário que é aquele constituído por todos os cidadãos em nome de quem me refiro neste espaço ao tratar deste que, se não mais importante na atualidade, é sem sombra de dúvidas, um dos pleitos mais urgentes para a sociedade brasileira. Refiro-me ao direito pleno à comunicação, processo essencial ao desenvolvimento individual e, mais ainda à vida em sociedade com dignidade e justiça social.

Nesse sentido, é importante frisar que, muito mais que a defesa da tão propagada liberdade de expressão, o direito à comunicação é algo muito mais amplo e abarca, além da democracia, o exercício da própria dignidade humana, algo que, no atual estágio do mundo em que vivemos, perpassa o acesso democrático aos diversos meios de comunicação social.

Cada vez mais ciente dessa realidade, a sociedade civil vem se organizando e, paulatinamente, se mobilizando através dos diversos segmentos sociais em prol da conquista dessa garantia que, uma vez alcançada, certamente irá reduzir em muito as desigualdades que tanto maculam a nação brasileira. Assim, surgem, por várias partes do país, frentes de mobilização focada nos diversos mecanismos específicos considerados cruciais para se conseguir, de maneira, concreta, esse direito. E, um desses mecanismos – também considerado um dos mais polêmicos – é o chamado controle social da mídia, algo detestável para os donos das grandes corporações mediáticas, os quais não tem poupado esforços para retirar da agenda pública essa discussão pra lá de perigosa. E, poder para isso, as empresas de comunicação têm.

Mas afinal de contas, o cidadão brasileiro está satisfeito com a mídia que tem? O conteúdo midiático em circulação, sobretudo, nas emissoras de TV e rádio que são os meios de comunicação de concessão pública tem se apresentado de qualidade e, mais que isso, tem respeitado os princípios básicos da ética e bons costumes apregoados tradicionalmente pelas famílias?

Em resposta a essas questões é que diversos segmentos sociais vem se mobilizando para pressionar o Governo Federal e os demais governantes brasileiros a, por fim, adotarem medidas mais contundentes de controle social da mídia. Numa das ações mais recentes, ocorrida semana passada, pesquisadores, consultores, comunicólogos e parlamentares se reuniram para discutir a implantação de instrumentos de regulação da mídia.

A discussão foi realizada no seminário promovido pela Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular, onde os participantes foram unânimes em atestar a insuficiência dos instrumentos de autorregulação para garantir a liberdade de expressão e o direito à comunicação. Presente ao evento, o consultor internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Andrew Puddephatt, ressaltou que a liberdade de expressão deve ser garantida e deve ser protegida a independência dos órgãos de mídia, devendo os conteúdos jornalísticos serem autorregulados.Acrescentou ainda que para tal, como qualquer outro mercado, são necessárias regras para o funcionamento do mercado de mídia, algo que, diga-se de passagem é óbvio mas que mesmo assim, não deixa de ser um dos pleitos sociais mais difíceis de serem alcançados em decorrência do motivo aqui já exposto.

O que não impede de, na condição de cidadãos insatisfeitos e, mais que isso, indignados com a mídia que temos, a qual, vale ressaltar invade todos os dias nossas casas, ambientes de trabalho e até o meio da rua via aparelhos de comunicação móveis, unamo-nos em prol dessa causa que, volto a reforçar é certamente, hoje em dia, muito mais que ontem, algo essencial para que nos mantenhamos minimamente cidadãos e até mesmo civilizados. Por isso mesmo fiquemos com um olho na mídia e outro nessa importante bandeira de luta que já chegou no Congresso onde se exige um marco regulatório para a comunicação social no nosso país.

Para mais informações, sugiro a leitura ao endereço eletrônico:
http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/COMUNICACAO/199680-AUTORREGULACAO-DEVE-SER-APLICADA-A-CONTEUDOS-JORNALISTICOS,-DIZ-DEBATEDOR.html

sábado, 2 de julho de 2011

A Paraíba contra a baixaria na TV

Não é de hoje que a mídia e, de maneira particular, a TV, vem preocupando a sociedade civil em decorrência do péssimo nível de qualidade de boa parte do conteúdo programático veiculado. Trata-se de um problema que vem se expandindo ao longo dos anos e que tem no total desrespeito à dignidade e aos direitos humanos, o aspecto mais agravante.

É o que se vê, por exemplo, em muito dos programas veiculados pelas emissoras de TV e rádio locais e estaduais, em especial, aqueles voltados á cobertura de ocorrências policiais e que sempre descambam no sensacionalismo e banalização da violência. Uma realidade com que os cidadãos paraibanos, por exemplo, infelizmente tem sido cada vez mais expostos ao ligarem os aparelhos de rádio e TV e se depararem com os tais estilos de programas caracterizados, sobretudo, pela apresentação vulgar e esdrúxula, de imagens e palavras de baixo calão, isto sem falar na postura dos apresentadores que estão a frente destes.

Trata-se de uma ação que distorce por completo o papel e a função social desses meios de comunicação de massa que, conforme apregoa a própria Constituição, em seu artigo 221, em suas grades de programação, devem “dar preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”, bem como, também “primar pelo respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família”.

Nem é preciso ir muito longe para constarmos até que ponto essas tais funções vêm sendo seguidas a risco por esses veículos que, vale salientar, funcionam legalmente em condição de concessão pública, o que torna a situação ainda mais insustentável.

E é por essa razão que diversos segmentos da sociedade civil, cientes do papel de cidadania que os meios de comunicação social deveriam estar operacionalizando, de alguns anos pra cá, estão se mobilizando e combatendo a essa situação que vez por outra ressurge no bojo das discussões da esfera pública no intuito de chamar a atenção das autoridades competentes para uma mudança necessária e cada vez mais urgente.

Nesse sentido, o ‘carro-chefe’ dessa bandeira de luta em nível nacional tem sido a campanha a campanha “Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania” que este ano comemora, através do Dia Nacional Contra a Baixaria na TV – realizada no dia 21 de outubro próximo- , a quinta edição de mobilização em todo o Brasil, fortalecendo o grito pela dignidade na mídia. Em síntese são promovidas diferentes ações para marcar a data, como protestos em vias públicas, exibição de programas e documentários especiais em algumas emissoras de TV´s e rádios.

Não obstante, na Paraíba, a situação tem chegado a níveis tão esdrúxulos que antes mesmo da data de mobilização nacional, a sociedade civil tem se organizado e demonstra, mais uma vez, a sua total indignação diante da realidade que vem sendo apresentada por algumas emissoras de TV´s e rádios e parte para um combate à baixaria de determinados programas em exibição em rede estadual.

A ação envolve, dentre várias entidades e associações, a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Paraíba (OAB-PB), a Associação Paraibana de Imprensa (API), o Sindicato dos Jornalistas e o Fórum de Ética e Mídia da Paraíba. Trata-se de um conjunto de ações que têm início este semestre e, dentro da proposta da campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania”, visa conscientizar as empresas jornalísticas de seu papel social e as empresas patrocinadoras desses programas para a vinculação de sua marca ao incitamento ao crime, atentados aos direitos humanos de minorias, preconceito racial, homofobia, dentre outras violações aos direitos humanos e cidadania propagadas através dos programas.

E, como muito bem lembrou recentemente o coordenador do curso de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Dinarte Bezerra, as empresas de comunicação não devem esquecer de que, na condição de prestadoras de serviço e, mais que isso, de comércio de notícia que não podemos ignorar de que se trata de uma mercadoria, essas empresas devem enquadrar-se às normas referentes à Comunicação no Direito do Consumidor”.

O fato é que, do jeito que está não pode permanecer. E para isto, a união de todos em prol dessa mobilização é algo crucial para que, enfim, moralizemos a programação midiática fazendo valer, mais que direitos constitucionais garantidos, os bons costumes e moral tão conclamadas pelas famílias.

domingo, 12 de junho de 2011

Os instigantes binômios Comunicação/Educação e Educação/Comunicação (parte II)

Em continuidade à abordagem sobre os binômios Educação/Comunicação e Comunicação/Educação, aqui desenvolvida por meio dos últimos textos postados, compartilhamos com os amigos internautas, um texto que oferece, de forma suscinta e bastante didática, uma visão esclarecedora acerca da confluência entre essas duas valiosas áreas de conhecimento e atividade humana, no contexto em que vivemos atualmente. Trata-se de um texto do Observatório do Direito à Comunicação, extraído do site: http://www.direitoacomunicacao.org.br, intitulado: "Comunicação e Educação".

Para além da concepção da Comunicação e da Educação como direitos humanos e, portanto, indivisíveis, universais e interdependentes, o ato de educar está diretamente relacionado com a afirmação do direito à comunicação e vice versa.

Preocupados com a centralidade da mídia na sociedade contemporânea, diferentes grupos de educadores, em diversas partes do mundo, vêm desenvolvendo programas que de alguma maneira alertam para questões relacionadas ao direito à comunicação e à democratização dos meios de comunicação - seja em projetos de educação formal ou informal - e com denominações também variadas. Educação para os meios, educomunicação, leitura crítica da mídia são algumas delas.

A área vem ganhando força nas últimas décadas. Em 1979, um grupo de especialistas convocados pela UNESCO estabelece uma definição que foi considerada como referência mundial na construção do conceito de educação em matéria de comunicação. "São formas de estudar, aprender e ensinar a todos os níveis (..) e em toda circunstância, a história, a criação, a utilização e a educação dos meios de comunicação como artes, práticas e técnicas, assim como o lugar que ocupam esses meios na sociedade, sua repercussão social, as conseqüências da comunicação mediatizada, da participação, da modificação que produzem no modo de perceber o mundo, a importância da criação e do acesso aos meios de comunicação".

As experiências mais recentes passam por confecção do jornal ou da rádio escola, de análise de conteúdo dos veículos, de oficinas de vídeo, produção de websites entre outras atividades. Em geral, são experiências que mostram como é possível produzir e veicular sua própria comunicação. De alguma maneira, invertem a lógica que restringe o leitor de jornal ou o ouvinte de rádio à mera condição de consumidor (lógica da informação como mercadoria), e constroem uma lógica da comunicação como direito (e da informação como bem público), segundo a qual cada um tem o direito também de produzir e veicular informação. Ao fazer sua própria comunicação e ao refletir sobre os meios, os que participam dessas iniciativas certamente saem com um olhar mais crítico sobre a mídia.

Na sociedade civil brasileira, são muitas as experiências. A lista inclui o projeto Cala a Boca já Morreu, a Revista Viração e a Fundação Casa Grande, do Ceará, projetos em que crianças, adolescentes e jovens produzem comunicação no processo educativo. Também se destacam o projeto Vídeo, Cultura e Trabalho, da ONG Ação Educativa, e organizações que contribuem com a Agência ANDI de notícias.

O tema tem ganhado destaque também na academia, sobretudo a perspectiva da Educomunicação, trabalhada, por exemplo, pelo Núcleo de Comunicação e Educação da USP. Este Núcleo esteve à frente de iniciativa pioneira, junto à prefeitura de São Paulo, do projeto Educom.radio, que capacitou todas as escolas de ensino fundamental da capital paulista para a linguagem radiofônica.

Apesar de as iniciativas da sociedade civil terem um papel central no campo da educação para os meios e das relações entre educação e comunicação, é fundamental que o tema seja também foco de políticas públicas, que garantam que crianças, adolescentes, jovens e adultos tenham acesso ao conhecimento que lhes permitirá ter uma leitura crítica da mídia, das políticas de comunicação e que, por isso, contribuirá para que venham a reivindicar seu espaço e intervenham de fato nos processos políticos e de tomada de decisão