Em continuidade à abordagem sobre os binômios Educação/Comunicação e Comunicação/Educação, aqui desenvolvida por meio dos últimos textos postados, compartilhamos com os amigos internautas, um texto que oferece, de forma suscinta e bastante didática, uma visão esclarecedora acerca da confluência entre essas duas valiosas áreas de conhecimento e atividade humana, no contexto em que vivemos atualmente. Trata-se de um texto do Observatório do Direito à Comunicação, extraído do site: http://www.direitoacomunicacao.org.br, intitulado: "Comunicação e Educação".
Para além da concepção da Comunicação e da Educação como direitos humanos e, portanto, indivisíveis, universais e interdependentes, o ato de educar está diretamente relacionado com a afirmação do direito à comunicação e vice versa.
Preocupados com a centralidade da mídia na sociedade contemporânea, diferentes grupos de educadores, em diversas partes do mundo, vêm desenvolvendo programas que de alguma maneira alertam para questões relacionadas ao direito à comunicação e à democratização dos meios de comunicação - seja em projetos de educação formal ou informal - e com denominações também variadas. Educação para os meios, educomunicação, leitura crítica da mídia são algumas delas.
A área vem ganhando força nas últimas décadas. Em 1979, um grupo de especialistas convocados pela UNESCO estabelece uma definição que foi considerada como referência mundial na construção do conceito de educação em matéria de comunicação. "São formas de estudar, aprender e ensinar a todos os níveis (..) e em toda circunstância, a história, a criação, a utilização e a educação dos meios de comunicação como artes, práticas e técnicas, assim como o lugar que ocupam esses meios na sociedade, sua repercussão social, as conseqüências da comunicação mediatizada, da participação, da modificação que produzem no modo de perceber o mundo, a importância da criação e do acesso aos meios de comunicação".
As experiências mais recentes passam por confecção do jornal ou da rádio escola, de análise de conteúdo dos veículos, de oficinas de vídeo, produção de websites entre outras atividades. Em geral, são experiências que mostram como é possível produzir e veicular sua própria comunicação. De alguma maneira, invertem a lógica que restringe o leitor de jornal ou o ouvinte de rádio à mera condição de consumidor (lógica da informação como mercadoria), e constroem uma lógica da comunicação como direito (e da informação como bem público), segundo a qual cada um tem o direito também de produzir e veicular informação. Ao fazer sua própria comunicação e ao refletir sobre os meios, os que participam dessas iniciativas certamente saem com um olhar mais crítico sobre a mídia.
Na sociedade civil brasileira, são muitas as experiências. A lista inclui o projeto Cala a Boca já Morreu, a Revista Viração e a Fundação Casa Grande, do Ceará, projetos em que crianças, adolescentes e jovens produzem comunicação no processo educativo. Também se destacam o projeto Vídeo, Cultura e Trabalho, da ONG Ação Educativa, e organizações que contribuem com a Agência ANDI de notícias.
O tema tem ganhado destaque também na academia, sobretudo a perspectiva da Educomunicação, trabalhada, por exemplo, pelo Núcleo de Comunicação e Educação da USP. Este Núcleo esteve à frente de iniciativa pioneira, junto à prefeitura de São Paulo, do projeto Educom.radio, que capacitou todas as escolas de ensino fundamental da capital paulista para a linguagem radiofônica.
Apesar de as iniciativas da sociedade civil terem um papel central no campo da educação para os meios e das relações entre educação e comunicação, é fundamental que o tema seja também foco de políticas públicas, que garantam que crianças, adolescentes, jovens e adultos tenham acesso ao conhecimento que lhes permitirá ter uma leitura crítica da mídia, das políticas de comunicação e que, por isso, contribuirá para que venham a reivindicar seu espaço e intervenham de fato nos processos políticos e de tomada de decisão
Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
domingo, 12 de junho de 2011
sábado, 4 de junho de 2011
Os instigantes binômios: comunicação/educação e educação/comunicação
Multiplica-se pelo Brasil afora o quantitativo de pesquisas e estudos de análises publicadas sobre os binômios Educação e Comunicação/ Comunicação e Educação. Uma rápida pesquisa na internet e, de maneira específica, nos anais de congressos e demais eventos acadêmicos promovidos nos últimos anos no país e fora dele, é o suficiente para se atestar um vertiginoso crescimento no que diz respeito ao interesse dos pesquisadores para esse campo de confluência que, cada vez mais, aproxima reciprocamente a educação da comunicação, fazendo vir a tona diversas perspectivas distintas e, ao mesmo tempo complementares.
Trata-se, em síntese, de uma pluralidade de olhares lançados sobre os novos horizontes que começam a se vislumbrar a partir desta interface e, de maneira ainda mais específica, do desdobramento das múltiplas situações concretas e também possibilidades que surgem das relações mediadoras frutos dessa confluência aqui destacada.
Decorrente dessa realidade prolifera-se, no campo acadêmico, estudos fundamentados na Educomunicação, com ênfase, sobretudo, em análises sobre a mediação tecnológica na educação com um olhar especial para as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC´s).
Nesse sentido, também se tornado praticamente um consenso o fato de que nessa nova era – a qual vem sendo apontada por diversos estudiosos como ‘era tecnocêntrica’,- a confluência entre comunicação e educação é algo inevitável. Não apenas no sentido de que o espaço da educação formal, como é o caso especialmente das escolas e universidades, tem sido invadido pelas novas tecnologias de processamento e transmissão do conhecimento fomentada via comunicação mediada, mas, de um modo mais amplo, a vida em sociedade em geral que, como se percebe, tem sido regida, em grande parte, pelas estratégias comunicacionais posta em prática via ferramentas e recursos de cunho educacional. Educação aqui entendida, vale reforçar, não como sinônimo de escolarização e formação técnica, mas enquanto um processo abrangente que atinge a vida em sociedade como um todo.
Paralelo a essa realidade, também tem se tornado perceptível um aumento considerável da inserção do tema educação no cenário da imprensa brasileira. Tal fenômeno ficou ainda mais evidenciado através da pesquisa A Educação na Imprensa Brasileira , promovida em 2004 pela Agencia Nacional dos Direitos da Infância (ANDI) e o Ministério da Educação e Cultura (MEC) com o apoio da Unesco, por meio da qual se traçou uma radiografia da qualidade em torno da cobertura jornalística sobre a educação. Dentre as conclusões apresentadas pelo relatório da pesquisa está a de que, de fato, a educação havia se tornado a pauta social mais veiculada pelos diários de todas as unidades da federação, contudo, a abordagem adotada em geral, demonstrava-se ainda superficial em vários aspectos.
Como se pode perceber, a problemática em destaque aponta para outro importante fenômeno de inter-relação entre comunicação e educação que, por sua vez, se revela uma instigante vertente dentro do campo investigativo da interface em questão.
Tais fatos aqui mencionados, fazem parte de uma pequena parte de uma radiografia maior que aponta para a emergência e relevância da difusão e discussão em torno do binômio comunicação e educação (ou vice-versa), do qual tratam especificamente os conteúdos aqui postados, binômio este que tem sido sintetizado através da designação Educomunicação, tema central, no momento, deste blog. Até o próximo texto!.
Trata-se, em síntese, de uma pluralidade de olhares lançados sobre os novos horizontes que começam a se vislumbrar a partir desta interface e, de maneira ainda mais específica, do desdobramento das múltiplas situações concretas e também possibilidades que surgem das relações mediadoras frutos dessa confluência aqui destacada.
Decorrente dessa realidade prolifera-se, no campo acadêmico, estudos fundamentados na Educomunicação, com ênfase, sobretudo, em análises sobre a mediação tecnológica na educação com um olhar especial para as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC´s).
Nesse sentido, também se tornado praticamente um consenso o fato de que nessa nova era – a qual vem sendo apontada por diversos estudiosos como ‘era tecnocêntrica’,- a confluência entre comunicação e educação é algo inevitável. Não apenas no sentido de que o espaço da educação formal, como é o caso especialmente das escolas e universidades, tem sido invadido pelas novas tecnologias de processamento e transmissão do conhecimento fomentada via comunicação mediada, mas, de um modo mais amplo, a vida em sociedade em geral que, como se percebe, tem sido regida, em grande parte, pelas estratégias comunicacionais posta em prática via ferramentas e recursos de cunho educacional. Educação aqui entendida, vale reforçar, não como sinônimo de escolarização e formação técnica, mas enquanto um processo abrangente que atinge a vida em sociedade como um todo.
Paralelo a essa realidade, também tem se tornado perceptível um aumento considerável da inserção do tema educação no cenário da imprensa brasileira. Tal fenômeno ficou ainda mais evidenciado através da pesquisa A Educação na Imprensa Brasileira , promovida em 2004 pela Agencia Nacional dos Direitos da Infância (ANDI) e o Ministério da Educação e Cultura (MEC) com o apoio da Unesco, por meio da qual se traçou uma radiografia da qualidade em torno da cobertura jornalística sobre a educação. Dentre as conclusões apresentadas pelo relatório da pesquisa está a de que, de fato, a educação havia se tornado a pauta social mais veiculada pelos diários de todas as unidades da federação, contudo, a abordagem adotada em geral, demonstrava-se ainda superficial em vários aspectos.
Como se pode perceber, a problemática em destaque aponta para outro importante fenômeno de inter-relação entre comunicação e educação que, por sua vez, se revela uma instigante vertente dentro do campo investigativo da interface em questão.
Tais fatos aqui mencionados, fazem parte de uma pequena parte de uma radiografia maior que aponta para a emergência e relevância da difusão e discussão em torno do binômio comunicação e educação (ou vice-versa), do qual tratam especificamente os conteúdos aqui postados, binômio este que tem sido sintetizado através da designação Educomunicação, tema central, no momento, deste blog. Até o próximo texto!.
terça-feira, 24 de maio de 2011
O lugar da educomunicação
Vivenciamos no início deste novo século, sem sombra de dúvidas, uma das épocas de transformações globais mais contundentes da história da humanidade. Trata-se de uma verdadeira avalanche provocada por mudanças e inovações que têm, certamente, no campo das relações sociais e, de maneira ainda mais particular, das relações interpessoais, o cerne central de tudo de mais significativo que ocorre na contemporaneidade e que vem (re) significando o modo de ser e estar no mundo.
Nesse contexto, a comunicação no seu sentido mais estrito que é o de tornar comum, interligar: pessoas, ideias e ações, passa a desempenhar um papel determinante no que diz respeito ao processo de (re) estruturação desse mundo novo. Fenômeno este, vale salientar, já corrente desde o surgimento e, sobretudo, desenvolvimento e expansão da indústria dos chamados meios de comunicação de massa, fato este registrado no início do século passado e que hoje sofre, como se pode observar facilmente, um maior aceleramento face aos avanços científicos e tecnológicos que vem se desenvolvendo numa dinâmica jamais vista em toda a história.
Em meio a esse cenário, as NTIC´s (Novas Tecnologias de Informação e Comunicação) ganham um destaque cada vez maior atraindo os olhares de pesquisadores de diversas áreas das ciências humanas e sociais. Estes, por sua vez, preocupados em compreender melhor, os efeitos e interferências do uso do grupo denominado de novas mídias no seio do atual modelo de sociedade vigente. Uma sociedade predominantemente tecnocêntrica, cujo aparelhamento midiático da comunicação se expande para todos os segmentos sociais (que o diga a esfera da medicina moderna que, muito mais que no campo da comunicação social, o diagnóstico e compreensão da realidade tratada é totalmente dependente do processamento das informações geridas por meio do uso dos sofisticados aparelhos que mediam a relação : médico e paciente).
Assim, ganham um novo fôlego os estudos realizados no campo das ciências da comunicação que, na condição de um dos – se não o maior de todos – fenômenos de natureza interdi, multi e transdisciplinar, abarca reflexões advindas de diversas áreas do conhecimento humano. Da mesma forma que, nesse mesmo sentido, também se renova a linha de pesquisa empírica da qual brotaram os primeiros estudos da comunicação de massa e que têm na práxi comunicacional cotidiana, a fonte para configuração de várias teorias, formulação de conceitos e até mesmo surgimento de novos campos de conhecimento reflexivo.
É dentro dessa última vertente que se encontra situada, portanto, o campo designado de Educomunicação, o qual tem nas experiências práticas comunicativas de caráter educativas registradas em diversas partes do mundo e, em especial, no continente latino-americano, o eixo central para a construção de várias reflexões dentro da perspectiva educomunicacional.
É, portanto, seguindo essa perspectiva, por sua vez, calcada na visão triádica: comunicação – educação – cidadania, que nos deteremos em produzir os novos conteúdos deste blog com o foco voltado para os novos horizontes e paradigmas que configuram o campo da educomunicação.
Nesse contexto, a comunicação no seu sentido mais estrito que é o de tornar comum, interligar: pessoas, ideias e ações, passa a desempenhar um papel determinante no que diz respeito ao processo de (re) estruturação desse mundo novo. Fenômeno este, vale salientar, já corrente desde o surgimento e, sobretudo, desenvolvimento e expansão da indústria dos chamados meios de comunicação de massa, fato este registrado no início do século passado e que hoje sofre, como se pode observar facilmente, um maior aceleramento face aos avanços científicos e tecnológicos que vem se desenvolvendo numa dinâmica jamais vista em toda a história.
Em meio a esse cenário, as NTIC´s (Novas Tecnologias de Informação e Comunicação) ganham um destaque cada vez maior atraindo os olhares de pesquisadores de diversas áreas das ciências humanas e sociais. Estes, por sua vez, preocupados em compreender melhor, os efeitos e interferências do uso do grupo denominado de novas mídias no seio do atual modelo de sociedade vigente. Uma sociedade predominantemente tecnocêntrica, cujo aparelhamento midiático da comunicação se expande para todos os segmentos sociais (que o diga a esfera da medicina moderna que, muito mais que no campo da comunicação social, o diagnóstico e compreensão da realidade tratada é totalmente dependente do processamento das informações geridas por meio do uso dos sofisticados aparelhos que mediam a relação : médico e paciente).
Assim, ganham um novo fôlego os estudos realizados no campo das ciências da comunicação que, na condição de um dos – se não o maior de todos – fenômenos de natureza interdi, multi e transdisciplinar, abarca reflexões advindas de diversas áreas do conhecimento humano. Da mesma forma que, nesse mesmo sentido, também se renova a linha de pesquisa empírica da qual brotaram os primeiros estudos da comunicação de massa e que têm na práxi comunicacional cotidiana, a fonte para configuração de várias teorias, formulação de conceitos e até mesmo surgimento de novos campos de conhecimento reflexivo.
É dentro dessa última vertente que se encontra situada, portanto, o campo designado de Educomunicação, o qual tem nas experiências práticas comunicativas de caráter educativas registradas em diversas partes do mundo e, em especial, no continente latino-americano, o eixo central para a construção de várias reflexões dentro da perspectiva educomunicacional.
É, portanto, seguindo essa perspectiva, por sua vez, calcada na visão triádica: comunicação – educação – cidadania, que nos deteremos em produzir os novos conteúdos deste blog com o foco voltado para os novos horizontes e paradigmas que configuram o campo da educomunicação.
domingo, 22 de maio de 2011
Educação x mídia: de que educação estamos tratando?
Voltando ao tema do último comentário aqui postado, julgo saliente, antes de fazer qualquer abordagem conceitual sobre o campo do conhecimento acadêmico denominado de educomunicação, apresentar um breve panorama contextual em torno do qual este se situa enquanto uma proposta de natureza inter, multi e transdisciplinar fundamentada na interface da Educação e Comunicação.
Como defendem diversos autores, tanto de uma como da outra área, tem se tornado cada vez mais inevitável pensar a educação sem nos remetermos á comunicação e vice-versa. Não somente pelo fato de vivermos na era midiática por excelência, em que as relações sociais e, mais ainda, interpessoais, perpassam necessariamente pelo uso das novas mídias, mas porque já é sabido de que o processo de educação depende, cada vez mais dos canais de comunicação midiática, ou melhor dizendo, ambos estão imbricados.
Afora isso, não é mais novidade para ninguém o fato de que, muito mais que a escola e a família que até bem pouco tempo se configuravam como as duas mais significativas e poderosas instituições de caráter educativo, esse papel vem ficando, em grande parte, a cargo dos meios de comunicação de massa, os quais muito mais que canais de comunicação, informação e entretenimento, são fortes instrumentos de formação educativa.
Nesse sentido, é sempre importante relembrar que, no contexto aqui desenhado, a compreensão da educação extrapola a visão restrita do caráter escolar que quase sempre predomina o termo, relegando o processo educacional à prática da escolarização. Indo além do espaço da cultura letrada de que dá conta as instituições escolares em geral, embora julgue um tanto desnecessário, é sempre bom ressaltar que o sentido estrito da educação aponta para um fenômeno mais amplo voltado, como, aliás, descrevem os dicionários, ao estado de formação intelecto, psíquico e moral de todo indivíduo em contato com o mundo à sua volta.
E é justamente nesse sentido em que a educação e a comunicação se entrecruzam de tal forma que se torna muito difícil dissociar uma da outra ou mesmo apontar para qual dessas nasce primeiro.
É, portanto, em meio a essa máxima que partem as discussões da educomunicação se irradiando para todos os aspectos e demais campos voltados ao complexo processo de construção do indivíduo enquanto um ser pensante, evolutivo, sem deixar de lado, obviamente, a esfera escolar que, como sabemos, constitui um aspecto extremamente relevante na vida deste.
No próximo comentário darei continuidade a esta discussão com foco voltado em particular, a uma leitura sobre os desafios das instituições de caráter educadoras frente à realidade midiática e ao surgimento de uma nova necessidade de se comunicar. Até lá!
Como defendem diversos autores, tanto de uma como da outra área, tem se tornado cada vez mais inevitável pensar a educação sem nos remetermos á comunicação e vice-versa. Não somente pelo fato de vivermos na era midiática por excelência, em que as relações sociais e, mais ainda, interpessoais, perpassam necessariamente pelo uso das novas mídias, mas porque já é sabido de que o processo de educação depende, cada vez mais dos canais de comunicação midiática, ou melhor dizendo, ambos estão imbricados.
Afora isso, não é mais novidade para ninguém o fato de que, muito mais que a escola e a família que até bem pouco tempo se configuravam como as duas mais significativas e poderosas instituições de caráter educativo, esse papel vem ficando, em grande parte, a cargo dos meios de comunicação de massa, os quais muito mais que canais de comunicação, informação e entretenimento, são fortes instrumentos de formação educativa.
Nesse sentido, é sempre importante relembrar que, no contexto aqui desenhado, a compreensão da educação extrapola a visão restrita do caráter escolar que quase sempre predomina o termo, relegando o processo educacional à prática da escolarização. Indo além do espaço da cultura letrada de que dá conta as instituições escolares em geral, embora julgue um tanto desnecessário, é sempre bom ressaltar que o sentido estrito da educação aponta para um fenômeno mais amplo voltado, como, aliás, descrevem os dicionários, ao estado de formação intelecto, psíquico e moral de todo indivíduo em contato com o mundo à sua volta.
E é justamente nesse sentido em que a educação e a comunicação se entrecruzam de tal forma que se torna muito difícil dissociar uma da outra ou mesmo apontar para qual dessas nasce primeiro.
É, portanto, em meio a essa máxima que partem as discussões da educomunicação se irradiando para todos os aspectos e demais campos voltados ao complexo processo de construção do indivíduo enquanto um ser pensante, evolutivo, sem deixar de lado, obviamente, a esfera escolar que, como sabemos, constitui um aspecto extremamente relevante na vida deste.
No próximo comentário darei continuidade a esta discussão com foco voltado em particular, a uma leitura sobre os desafios das instituições de caráter educadoras frente à realidade midiática e ao surgimento de uma nova necessidade de se comunicar. Até lá!
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Educomunicação e o desafio no mundo midiático
Há anos o emprego da mídia na vida cotidiana deixou de ser um fenômeno de interesse apenas dos estudos acadêmicos e se tornou uma preocupação de praticamente, todos os segmentos da sociedade moderna e, em especial, das instituições legitimadoras de transmissão de conhecimento e valores humanos, das quais se destacam, a escola e a família. Contudo, foi indiscutivelmente, através da constante e crescente presença dos Meios de Comunicação de Massa (MCM) aliado ao dinâmico processo de expansão das chamadas Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC) registrados de maneira mais veemente a partir do início deste novo século, que os olhares mais diversos se voltaram para tal fenômeno, suscitando uma série de reflexões, discussões e debates dentro e fora do campo acadêmico.
Em meio às diversas perspectivas levantadas sobressaem-se algumas das máximas já correntes na sociedade. Dentre elas está a de que, cada vez mais se faz necessária, a formação do sujeiro crítico, plenamente cidadão,ou seja, de um sujeito consciente acerca, neste contexto, do papel da comunicação na vida de todos. É em meio a essa realidade desafiadora que a educação, não mais enquanto sinônimo de escolarização mas, sim de principal processo de desenvolvimento humanístico, é retomada veementemente por todos, apontada como a condição 'sine qua non' para lidarmos com o atual cenário.
Pautado nesse contexto e em conformidade com a proposta ideológica e pragmática de criação deste blog, bem como com a condição de membro do corpo docente do curso de Educomunicação da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)- instituição que de forma pioneira instituiu em 2010, o primeiro bacharelado do país voltado a esta que é a mais nova habilitação no campo da comunicação social fundamentado na interface da educomunicação/comunicação, – utilizarei, a partir de então, este espaço para publicação de conteúdos focados na problemática acima apresentada dentro da perspectiva educomunicacional.
Além de promover uma maior difusão deste novo campo do conhecimento que, vale ressaltar, historicamente já se fazia existente há décadas através de práticas pedagógicas e comunicacionais comunitárias, entretanto, só agora configurado no ambiente acadêmico, esta iniciativa objetiva fomentar uma maior reflexão e, quem sabe, debate, discussões sobre a problemática aqui destacada. Em suma, a proposta aqui apresentada é apenas mais uma das várias tentativas discursivas presentes, sobretudo, no espaço cibernético, de se promover uma leitura analítica acerca dos desdobramentos desta fenomenologia que envolve de um lado, o homem enquanto sujeito social historicamente situado e com plenas condições de transformar-se a si mesmo e à realidade à sua volta e, de outro, as mídias cujo manuseio e efeitos decorrentes de seu uso na vida humana e seio social, passam a ser os dois principais parâmetros para se aferir o grau de intervenção da Educomunicação em tal fenômeno.
E, para finalizar este primeiro texto de natureza introdutória que encabeça uma série de outros que aqui serão postados posteriormente, reproduzo, abaixo, um pequeno trecho de artigo produzido por Maria Aparecida Baccega, no qual a pesquisadora faz uma análise dos fenômenos da comunicação e da educação na atualidade e dentro de uma perspectiva histórica nos chama a atenção para o fato de que: ”Os agentes do processo educacional somos todos os que participamos de uma determinada comunidade, que vivemos no tempo e espaço de uma dada sociedade, que recebemos e reconfiguramos permanentemente a realidade. E hoje, essa realidade é atravessada pela presença dos meios de comunicação”. Assim, acredito que o que é colocado por Baccega nesta citação por si só, já instiga o caro amigo ou amiga a prosseguir com esta proposta e convite de leitura, acompanhando os próximos textos que aqui serão postados e por meio dos quais, compartilharei alguma das minhas – mas que acredito também ser de tantos outros – inquietações frente à problemática aqui destacada.
Portanto, até a próxima leitura!
Em meio às diversas perspectivas levantadas sobressaem-se algumas das máximas já correntes na sociedade. Dentre elas está a de que, cada vez mais se faz necessária, a formação do sujeiro crítico, plenamente cidadão,ou seja, de um sujeito consciente acerca, neste contexto, do papel da comunicação na vida de todos. É em meio a essa realidade desafiadora que a educação, não mais enquanto sinônimo de escolarização mas, sim de principal processo de desenvolvimento humanístico, é retomada veementemente por todos, apontada como a condição 'sine qua non' para lidarmos com o atual cenário.
Pautado nesse contexto e em conformidade com a proposta ideológica e pragmática de criação deste blog, bem como com a condição de membro do corpo docente do curso de Educomunicação da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)- instituição que de forma pioneira instituiu em 2010, o primeiro bacharelado do país voltado a esta que é a mais nova habilitação no campo da comunicação social fundamentado na interface da educomunicação/comunicação, – utilizarei, a partir de então, este espaço para publicação de conteúdos focados na problemática acima apresentada dentro da perspectiva educomunicacional.
Além de promover uma maior difusão deste novo campo do conhecimento que, vale ressaltar, historicamente já se fazia existente há décadas através de práticas pedagógicas e comunicacionais comunitárias, entretanto, só agora configurado no ambiente acadêmico, esta iniciativa objetiva fomentar uma maior reflexão e, quem sabe, debate, discussões sobre a problemática aqui destacada. Em suma, a proposta aqui apresentada é apenas mais uma das várias tentativas discursivas presentes, sobretudo, no espaço cibernético, de se promover uma leitura analítica acerca dos desdobramentos desta fenomenologia que envolve de um lado, o homem enquanto sujeito social historicamente situado e com plenas condições de transformar-se a si mesmo e à realidade à sua volta e, de outro, as mídias cujo manuseio e efeitos decorrentes de seu uso na vida humana e seio social, passam a ser os dois principais parâmetros para se aferir o grau de intervenção da Educomunicação em tal fenômeno.
E, para finalizar este primeiro texto de natureza introdutória que encabeça uma série de outros que aqui serão postados posteriormente, reproduzo, abaixo, um pequeno trecho de artigo produzido por Maria Aparecida Baccega, no qual a pesquisadora faz uma análise dos fenômenos da comunicação e da educação na atualidade e dentro de uma perspectiva histórica nos chama a atenção para o fato de que: ”Os agentes do processo educacional somos todos os que participamos de uma determinada comunidade, que vivemos no tempo e espaço de uma dada sociedade, que recebemos e reconfiguramos permanentemente a realidade. E hoje, essa realidade é atravessada pela presença dos meios de comunicação”. Assim, acredito que o que é colocado por Baccega nesta citação por si só, já instiga o caro amigo ou amiga a prosseguir com esta proposta e convite de leitura, acompanhando os próximos textos que aqui serão postados e por meio dos quais, compartilharei alguma das minhas – mas que acredito também ser de tantos outros – inquietações frente à problemática aqui destacada.
Portanto, até a próxima leitura!
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Educomunicação - Guia do Estudante
A educomunicação - o mais novo campo acadêmico de habilitação em Comunicação Social no Brasil - se encontra em plena etapa processual de consolidação na comunidade acadêmica brasileira bem como no competitivo mercado de trabalho das comunicações. Além da criação de três novos cursos de graduação oferecidas, respectivamente pelas renomadas instituições de ensino superior USP, UFCG e UCG, o recente campo de estudos já consta na relação de uma das principais publicações especializadas em cursos acadêmicos do país que é o Guia de Estudante da editora Abril.
Vale ressaltar ainda que, na relação de instituições que oferecem o curso de Educomunicação mencionadas na versão recente do Guia, não consta a UFCG pelo fato de, na ocasião do fechamento da edição, a instituição não haver divulgado a nova habilitação, que se encontra funcionando desde o segundo semestre do ano passado.
Postamos, neste espaço, um link do Guia do Estudante, para os interessados em ler mais sobre a Educomunicação e se inteirar sobre o conceito e o perfil profissional deste mais novo trabalhador pós-moderno que é o educomunicador. O endereço é Educomunicação - Guia do Estudante
Vale ressaltar ainda que, na relação de instituições que oferecem o curso de Educomunicação mencionadas na versão recente do Guia, não consta a UFCG pelo fato de, na ocasião do fechamento da edição, a instituição não haver divulgado a nova habilitação, que se encontra funcionando desde o segundo semestre do ano passado.
Postamos, neste espaço, um link do Guia do Estudante, para os interessados em ler mais sobre a Educomunicação e se inteirar sobre o conceito e o perfil profissional deste mais novo trabalhador pós-moderno que é o educomunicador. O endereço é Educomunicação - Guia do Estudante
Mídia: a maior indústria de faturamento no mercado global
Embora inserida num cenário mercadológico global permeado de incertezas face ao ritmo acelerado das transformações registradas nas ultimas décadas, muitas das quais põem em xeque mate os mais consolidados e tradicionais modelos de empresas e negócios, a indústria midiática se destaca como por apresentar uma situação confortável,promissora e até certo ponto, pode-se afirmar, cômoda.
Pelo menos é o que revelam prognósticos baseados em diversos dados estatísticos e financeiros publicados por pesquisas em todo o mundo, afora o que se vê, é claro, a olho nu, no cotidiano da sociedade em que vivemos a qual cada vez mais se caracteriza como, de fato, uma grande aldeia midiática global.
Dentre os dados que apontam para essa realidade estão os números revelados recentemente pelo Projeto Inter-Meios, frutos de uma pesquisa realizada pelo Grupo M&M em conjunto com a PrincewaterhouseCoopers, cujos resultados apontam a trajetória pra lá de ascendente da mídia em 2010. Segundo a pesquisa, os meios de comunicação faturaram R$ 29,1 bilhões no ano passado. O montante aponta para um crescimento de aproximadamente 20% em relação a 2009, índice este, vale ressaltar, alcançado por poucos segmentos no mercado mundial.
E a previsão, segundo os institutos é que o crescimento continue vigoroso neste ano e nos demais que virão, com uma média satisfatória para os veículos de comunicação que constituem o universo das chamadas mídias de massa, a exemplo dos impressos e meios eletrônicos.
Para o Brasil, em particular, as expectativas são ainda melhores tendo em vista o país deter os direitos de divulgação dos dois maiores espetáculos midiáticos da Terra: os jogos olímpicos e a Copa Mundial de Futebol que, juntos, se traduzirão em bilhões de reais para o segmento.
Trata-se de uma realidade já apresentada por diversos estudiosos do campo das ciências Sociais, para quem a mídia se tornou o centro das atenções de suas pesquisas e análises. E, nesse sentido, como afirmam diversos analistas, a indústria midiática é o segmento mais bem sucedido e que alcançará, certamente, os maiores lucros no cenário mercadológico mundial, sobretudo, por meio da produção de entretenimento, apontada como o ‘carro chefe’ dos conglomerados de comunicação de massa.
É o que defende por exemplo, Todd Gitlin que, em seu livro “Mídias sem limite”, no qual o estudioso apresenta um esclarecedor e amplo diagnóstico sociológico da indústria midiática na sociedade contemporânea. Respaldado em diversas pesquisas recentes, o autor descreve o processo de mercantilização generalizada promovido pelo império de imagens e sons comandados pelas mídias e de como esse vem transformando audiências em dinheiro mas também em nova forma de cultura, de vida.
Um fenômeno observado, Vale ressaltar, de maneira cada vez mais explícita através, sobretudo, das políticas de incentivo da larga produção e disseminação das novas mídias digitais, fomentadas em grande parte por parcerias entre as iniciativas privada e pública vistas em várias parte do mundo e que tem nos aparatos eletrônicos móveis de leituras, a exemplo dos iPas, tablets e smarthfone, um dos maiores investimentos do mercado moderno. Verdadeiras 'minas de ouro' que vem sendo lapidadas por conglomerados midiáticos de várias parte do mundo que não apenas os EUA.
Tais reflexos nos colocam diante de uma realidade que, como muito bem descreve Todd Giltin, revela não apenas o poder econômico e financeiro inesgotável da indústria midiática mas, principalmente, uma nova ordem mundial movida por esta que, sem sombra alguma, vem se tornando o ‘centro de nossa civilização’. Uma modalidade mercadológica movida pela febre incontida por lucros exorbitantes em que, o que mai vale é captar e reter a atenção de usuários e consumidores de tecnologias e audiências.
Pelo menos é o que revelam prognósticos baseados em diversos dados estatísticos e financeiros publicados por pesquisas em todo o mundo, afora o que se vê, é claro, a olho nu, no cotidiano da sociedade em que vivemos a qual cada vez mais se caracteriza como, de fato, uma grande aldeia midiática global.
Dentre os dados que apontam para essa realidade estão os números revelados recentemente pelo Projeto Inter-Meios, frutos de uma pesquisa realizada pelo Grupo M&M em conjunto com a PrincewaterhouseCoopers, cujos resultados apontam a trajetória pra lá de ascendente da mídia em 2010. Segundo a pesquisa, os meios de comunicação faturaram R$ 29,1 bilhões no ano passado. O montante aponta para um crescimento de aproximadamente 20% em relação a 2009, índice este, vale ressaltar, alcançado por poucos segmentos no mercado mundial.
E a previsão, segundo os institutos é que o crescimento continue vigoroso neste ano e nos demais que virão, com uma média satisfatória para os veículos de comunicação que constituem o universo das chamadas mídias de massa, a exemplo dos impressos e meios eletrônicos.
Para o Brasil, em particular, as expectativas são ainda melhores tendo em vista o país deter os direitos de divulgação dos dois maiores espetáculos midiáticos da Terra: os jogos olímpicos e a Copa Mundial de Futebol que, juntos, se traduzirão em bilhões de reais para o segmento.
Trata-se de uma realidade já apresentada por diversos estudiosos do campo das ciências Sociais, para quem a mídia se tornou o centro das atenções de suas pesquisas e análises. E, nesse sentido, como afirmam diversos analistas, a indústria midiática é o segmento mais bem sucedido e que alcançará, certamente, os maiores lucros no cenário mercadológico mundial, sobretudo, por meio da produção de entretenimento, apontada como o ‘carro chefe’ dos conglomerados de comunicação de massa.
É o que defende por exemplo, Todd Gitlin que, em seu livro “Mídias sem limite”, no qual o estudioso apresenta um esclarecedor e amplo diagnóstico sociológico da indústria midiática na sociedade contemporânea. Respaldado em diversas pesquisas recentes, o autor descreve o processo de mercantilização generalizada promovido pelo império de imagens e sons comandados pelas mídias e de como esse vem transformando audiências em dinheiro mas também em nova forma de cultura, de vida.
Um fenômeno observado, Vale ressaltar, de maneira cada vez mais explícita através, sobretudo, das políticas de incentivo da larga produção e disseminação das novas mídias digitais, fomentadas em grande parte por parcerias entre as iniciativas privada e pública vistas em várias parte do mundo e que tem nos aparatos eletrônicos móveis de leituras, a exemplo dos iPas, tablets e smarthfone, um dos maiores investimentos do mercado moderno. Verdadeiras 'minas de ouro' que vem sendo lapidadas por conglomerados midiáticos de várias parte do mundo que não apenas os EUA.
Tais reflexos nos colocam diante de uma realidade que, como muito bem descreve Todd Giltin, revela não apenas o poder econômico e financeiro inesgotável da indústria midiática mas, principalmente, uma nova ordem mundial movida por esta que, sem sombra alguma, vem se tornando o ‘centro de nossa civilização’. Uma modalidade mercadológica movida pela febre incontida por lucros exorbitantes em que, o que mai vale é captar e reter a atenção de usuários e consumidores de tecnologias e audiências.
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