Há anos o emprego da mídia na vida cotidiana deixou de ser um fenômeno de interesse apenas dos estudos acadêmicos e se tornou uma preocupação de praticamente, todos os segmentos da sociedade moderna e, em especial, das instituições legitimadoras de transmissão de conhecimento e valores humanos, das quais se destacam, a escola e a família. Contudo, foi indiscutivelmente, através da constante e crescente presença dos Meios de Comunicação de Massa (MCM) aliado ao dinâmico processo de expansão das chamadas Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC) registrados de maneira mais veemente a partir do início deste novo século, que os olhares mais diversos se voltaram para tal fenômeno, suscitando uma série de reflexões, discussões e debates dentro e fora do campo acadêmico.
Em meio às diversas perspectivas levantadas sobressaem-se algumas das máximas já correntes na sociedade. Dentre elas está a de que, cada vez mais se faz necessária, a formação do sujeiro crítico, plenamente cidadão,ou seja, de um sujeito consciente acerca, neste contexto, do papel da comunicação na vida de todos. É em meio a essa realidade desafiadora que a educação, não mais enquanto sinônimo de escolarização mas, sim de principal processo de desenvolvimento humanístico, é retomada veementemente por todos, apontada como a condição 'sine qua non' para lidarmos com o atual cenário.
Pautado nesse contexto e em conformidade com a proposta ideológica e pragmática de criação deste blog, bem como com a condição de membro do corpo docente do curso de Educomunicação da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)- instituição que de forma pioneira instituiu em 2010, o primeiro bacharelado do país voltado a esta que é a mais nova habilitação no campo da comunicação social fundamentado na interface da educomunicação/comunicação, – utilizarei, a partir de então, este espaço para publicação de conteúdos focados na problemática acima apresentada dentro da perspectiva educomunicacional.
Além de promover uma maior difusão deste novo campo do conhecimento que, vale ressaltar, historicamente já se fazia existente há décadas através de práticas pedagógicas e comunicacionais comunitárias, entretanto, só agora configurado no ambiente acadêmico, esta iniciativa objetiva fomentar uma maior reflexão e, quem sabe, debate, discussões sobre a problemática aqui destacada. Em suma, a proposta aqui apresentada é apenas mais uma das várias tentativas discursivas presentes, sobretudo, no espaço cibernético, de se promover uma leitura analítica acerca dos desdobramentos desta fenomenologia que envolve de um lado, o homem enquanto sujeito social historicamente situado e com plenas condições de transformar-se a si mesmo e à realidade à sua volta e, de outro, as mídias cujo manuseio e efeitos decorrentes de seu uso na vida humana e seio social, passam a ser os dois principais parâmetros para se aferir o grau de intervenção da Educomunicação em tal fenômeno.
E, para finalizar este primeiro texto de natureza introdutória que encabeça uma série de outros que aqui serão postados posteriormente, reproduzo, abaixo, um pequeno trecho de artigo produzido por Maria Aparecida Baccega, no qual a pesquisadora faz uma análise dos fenômenos da comunicação e da educação na atualidade e dentro de uma perspectiva histórica nos chama a atenção para o fato de que: ”Os agentes do processo educacional somos todos os que participamos de uma determinada comunidade, que vivemos no tempo e espaço de uma dada sociedade, que recebemos e reconfiguramos permanentemente a realidade. E hoje, essa realidade é atravessada pela presença dos meios de comunicação”. Assim, acredito que o que é colocado por Baccega nesta citação por si só, já instiga o caro amigo ou amiga a prosseguir com esta proposta e convite de leitura, acompanhando os próximos textos que aqui serão postados e por meio dos quais, compartilharei alguma das minhas – mas que acredito também ser de tantos outros – inquietações frente à problemática aqui destacada.
Portanto, até a próxima leitura!
Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
quarta-feira, 11 de maio de 2011
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Educomunicação - Guia do Estudante
A educomunicação - o mais novo campo acadêmico de habilitação em Comunicação Social no Brasil - se encontra em plena etapa processual de consolidação na comunidade acadêmica brasileira bem como no competitivo mercado de trabalho das comunicações. Além da criação de três novos cursos de graduação oferecidas, respectivamente pelas renomadas instituições de ensino superior USP, UFCG e UCG, o recente campo de estudos já consta na relação de uma das principais publicações especializadas em cursos acadêmicos do país que é o Guia de Estudante da editora Abril.
Vale ressaltar ainda que, na relação de instituições que oferecem o curso de Educomunicação mencionadas na versão recente do Guia, não consta a UFCG pelo fato de, na ocasião do fechamento da edição, a instituição não haver divulgado a nova habilitação, que se encontra funcionando desde o segundo semestre do ano passado.
Postamos, neste espaço, um link do Guia do Estudante, para os interessados em ler mais sobre a Educomunicação e se inteirar sobre o conceito e o perfil profissional deste mais novo trabalhador pós-moderno que é o educomunicador. O endereço é Educomunicação - Guia do Estudante
Vale ressaltar ainda que, na relação de instituições que oferecem o curso de Educomunicação mencionadas na versão recente do Guia, não consta a UFCG pelo fato de, na ocasião do fechamento da edição, a instituição não haver divulgado a nova habilitação, que se encontra funcionando desde o segundo semestre do ano passado.
Postamos, neste espaço, um link do Guia do Estudante, para os interessados em ler mais sobre a Educomunicação e se inteirar sobre o conceito e o perfil profissional deste mais novo trabalhador pós-moderno que é o educomunicador. O endereço é Educomunicação - Guia do Estudante
Mídia: a maior indústria de faturamento no mercado global
Embora inserida num cenário mercadológico global permeado de incertezas face ao ritmo acelerado das transformações registradas nas ultimas décadas, muitas das quais põem em xeque mate os mais consolidados e tradicionais modelos de empresas e negócios, a indústria midiática se destaca como por apresentar uma situação confortável,promissora e até certo ponto, pode-se afirmar, cômoda.
Pelo menos é o que revelam prognósticos baseados em diversos dados estatísticos e financeiros publicados por pesquisas em todo o mundo, afora o que se vê, é claro, a olho nu, no cotidiano da sociedade em que vivemos a qual cada vez mais se caracteriza como, de fato, uma grande aldeia midiática global.
Dentre os dados que apontam para essa realidade estão os números revelados recentemente pelo Projeto Inter-Meios, frutos de uma pesquisa realizada pelo Grupo M&M em conjunto com a PrincewaterhouseCoopers, cujos resultados apontam a trajetória pra lá de ascendente da mídia em 2010. Segundo a pesquisa, os meios de comunicação faturaram R$ 29,1 bilhões no ano passado. O montante aponta para um crescimento de aproximadamente 20% em relação a 2009, índice este, vale ressaltar, alcançado por poucos segmentos no mercado mundial.
E a previsão, segundo os institutos é que o crescimento continue vigoroso neste ano e nos demais que virão, com uma média satisfatória para os veículos de comunicação que constituem o universo das chamadas mídias de massa, a exemplo dos impressos e meios eletrônicos.
Para o Brasil, em particular, as expectativas são ainda melhores tendo em vista o país deter os direitos de divulgação dos dois maiores espetáculos midiáticos da Terra: os jogos olímpicos e a Copa Mundial de Futebol que, juntos, se traduzirão em bilhões de reais para o segmento.
Trata-se de uma realidade já apresentada por diversos estudiosos do campo das ciências Sociais, para quem a mídia se tornou o centro das atenções de suas pesquisas e análises. E, nesse sentido, como afirmam diversos analistas, a indústria midiática é o segmento mais bem sucedido e que alcançará, certamente, os maiores lucros no cenário mercadológico mundial, sobretudo, por meio da produção de entretenimento, apontada como o ‘carro chefe’ dos conglomerados de comunicação de massa.
É o que defende por exemplo, Todd Gitlin que, em seu livro “Mídias sem limite”, no qual o estudioso apresenta um esclarecedor e amplo diagnóstico sociológico da indústria midiática na sociedade contemporânea. Respaldado em diversas pesquisas recentes, o autor descreve o processo de mercantilização generalizada promovido pelo império de imagens e sons comandados pelas mídias e de como esse vem transformando audiências em dinheiro mas também em nova forma de cultura, de vida.
Um fenômeno observado, Vale ressaltar, de maneira cada vez mais explícita através, sobretudo, das políticas de incentivo da larga produção e disseminação das novas mídias digitais, fomentadas em grande parte por parcerias entre as iniciativas privada e pública vistas em várias parte do mundo e que tem nos aparatos eletrônicos móveis de leituras, a exemplo dos iPas, tablets e smarthfone, um dos maiores investimentos do mercado moderno. Verdadeiras 'minas de ouro' que vem sendo lapidadas por conglomerados midiáticos de várias parte do mundo que não apenas os EUA.
Tais reflexos nos colocam diante de uma realidade que, como muito bem descreve Todd Giltin, revela não apenas o poder econômico e financeiro inesgotável da indústria midiática mas, principalmente, uma nova ordem mundial movida por esta que, sem sombra alguma, vem se tornando o ‘centro de nossa civilização’. Uma modalidade mercadológica movida pela febre incontida por lucros exorbitantes em que, o que mai vale é captar e reter a atenção de usuários e consumidores de tecnologias e audiências.
Pelo menos é o que revelam prognósticos baseados em diversos dados estatísticos e financeiros publicados por pesquisas em todo o mundo, afora o que se vê, é claro, a olho nu, no cotidiano da sociedade em que vivemos a qual cada vez mais se caracteriza como, de fato, uma grande aldeia midiática global.
Dentre os dados que apontam para essa realidade estão os números revelados recentemente pelo Projeto Inter-Meios, frutos de uma pesquisa realizada pelo Grupo M&M em conjunto com a PrincewaterhouseCoopers, cujos resultados apontam a trajetória pra lá de ascendente da mídia em 2010. Segundo a pesquisa, os meios de comunicação faturaram R$ 29,1 bilhões no ano passado. O montante aponta para um crescimento de aproximadamente 20% em relação a 2009, índice este, vale ressaltar, alcançado por poucos segmentos no mercado mundial.
E a previsão, segundo os institutos é que o crescimento continue vigoroso neste ano e nos demais que virão, com uma média satisfatória para os veículos de comunicação que constituem o universo das chamadas mídias de massa, a exemplo dos impressos e meios eletrônicos.
Para o Brasil, em particular, as expectativas são ainda melhores tendo em vista o país deter os direitos de divulgação dos dois maiores espetáculos midiáticos da Terra: os jogos olímpicos e a Copa Mundial de Futebol que, juntos, se traduzirão em bilhões de reais para o segmento.
Trata-se de uma realidade já apresentada por diversos estudiosos do campo das ciências Sociais, para quem a mídia se tornou o centro das atenções de suas pesquisas e análises. E, nesse sentido, como afirmam diversos analistas, a indústria midiática é o segmento mais bem sucedido e que alcançará, certamente, os maiores lucros no cenário mercadológico mundial, sobretudo, por meio da produção de entretenimento, apontada como o ‘carro chefe’ dos conglomerados de comunicação de massa.
É o que defende por exemplo, Todd Gitlin que, em seu livro “Mídias sem limite”, no qual o estudioso apresenta um esclarecedor e amplo diagnóstico sociológico da indústria midiática na sociedade contemporânea. Respaldado em diversas pesquisas recentes, o autor descreve o processo de mercantilização generalizada promovido pelo império de imagens e sons comandados pelas mídias e de como esse vem transformando audiências em dinheiro mas também em nova forma de cultura, de vida.
Um fenômeno observado, Vale ressaltar, de maneira cada vez mais explícita através, sobretudo, das políticas de incentivo da larga produção e disseminação das novas mídias digitais, fomentadas em grande parte por parcerias entre as iniciativas privada e pública vistas em várias parte do mundo e que tem nos aparatos eletrônicos móveis de leituras, a exemplo dos iPas, tablets e smarthfone, um dos maiores investimentos do mercado moderno. Verdadeiras 'minas de ouro' que vem sendo lapidadas por conglomerados midiáticos de várias parte do mundo que não apenas os EUA.
Tais reflexos nos colocam diante de uma realidade que, como muito bem descreve Todd Giltin, revela não apenas o poder econômico e financeiro inesgotável da indústria midiática mas, principalmente, uma nova ordem mundial movida por esta que, sem sombra alguma, vem se tornando o ‘centro de nossa civilização’. Uma modalidade mercadológica movida pela febre incontida por lucros exorbitantes em que, o que mai vale é captar e reter a atenção de usuários e consumidores de tecnologias e audiências.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Jornalistas e bandeira de luta da PEC
Jornalistas de todo o Brasil realizam, nesta quarta-feira, 4, mais um manifesto de mobilização a favor da A PEC que restitui a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão, bandeira de luta levantada pela categoria nso ultimos dois anos. Tratam-se, na verdade de duas emendas constitucionais, a PEC 33/2009, de autoria do senador Antônio Carlos Valadares e relatoria do senador Inácio Arruda, e a PEC 386/2009, de autoria do deputado Paulo Pimenta e relatoria do deputado Maurício Rands, por um lado resgatam a dignidade dos jornalistas brasileiros e contribuem para a garantia do jornalismo de qualidade, as quais serão apreciadas pelo Senado, nesta semana.
A mobilização desta feita junto aos parlamentares promete ser decisiva e visa a votação de ambas as propostas. A ideia dos jornalistas é fazer com que os senadores votem a favor das PEC´s e assim, devolva à categoria, um direito conquistado desde o século XX e que tem na formação qualificada do profissional da imprensa, um dos instrumentos de democracia e aprimoramento do exercício do jornalismo.
Veremos se desta feita, a mobilização resultará em alguma solução concreta para o problema enfrentado pelso jornalistas brasileiros ou se, mais uma vez, a petição será prorrogada por mais um período inexato. Enquanto isso, os jornalistas, por meio da FENAJ, continuam a defender a bandeira de luta em todos os estados da Federação e fortalecer a petição pública a favor da mesma, a qual pode ser acessada atraves do site: www.peticaopublica.com.br . ATé lá, as expectativas continuam grandes.
A mobilização desta feita junto aos parlamentares promete ser decisiva e visa a votação de ambas as propostas. A ideia dos jornalistas é fazer com que os senadores votem a favor das PEC´s e assim, devolva à categoria, um direito conquistado desde o século XX e que tem na formação qualificada do profissional da imprensa, um dos instrumentos de democracia e aprimoramento do exercício do jornalismo.
Veremos se desta feita, a mobilização resultará em alguma solução concreta para o problema enfrentado pelso jornalistas brasileiros ou se, mais uma vez, a petição será prorrogada por mais um período inexato. Enquanto isso, os jornalistas, por meio da FENAJ, continuam a defender a bandeira de luta em todos os estados da Federação e fortalecer a petição pública a favor da mesma, a qual pode ser acessada atraves do site: www.peticaopublica.com.br . ATé lá, as expectativas continuam grandes.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Mídia e a segmentação do mundo
O mundo contemporâneo vive, indiscutivelmente, sob a égide das comunicações midiáticas. Uma realidade que solta aos olhos de todos, a cada dia, por meio, sobretudo, dos novos adventos do fantástico universo digital que, cada vez mais, segmenta a comunicação gerando, através desse processo, novas tribos de emissores e receptores modernos espalhados pelos cinco continentes do planeta Terra. Orbe esse que, como um muito bem previu, no início do século passado o pensador canadense Marshal McLuhan, se restringe a uma grande aldeia global. E que aldeia...
Apesar deste processo dinâmico de segmentação não ser algo novo (basta citar como exemplo a vertente criada há mais de dois séculos pela indústria jornalística, denominada de ‘jornalismo especializado’ e que, através dos diferentes veículos e linguagens específicas trabalha a segmentação de públicos receptores), é cada vez mais notório o poder de estratificação da população de comunicantes determinado pelas novas mídias.
E, nesse contexto, mais ainda da força de (re)configuração dos sujeitos comunicantes no espaço midiático advinda das denominadas e tão badaladas redes sociais. Basta citar como exemplo, o rápido processo de surgimento e multiplicação dos novos canais voltados às camadas específicas da sociedade onde se encontram sujeitos com afinidades entre si, sejam ideias, pensamentos, desejos e/ou comportamentos similares.
Algo que cada vez mais põe em xeque-mate a velha teoria da comunicação de massa nos moldes atuais de processo de comunicação digital. Mais do que isso, a explosão permanente de mídias sociais, por toda parte, abre um fantástico universo de possibilidades de exploração da informação, de maneira segmentada, como jamais vista na história da humanidade, formando redes de conexões entre sujeitos que, por muito tempo, ficaram a mercê do jornalismo especializado ou alternativo como únicas formas de consumo de determinados tipos de conteúdos e bens simbólicos de forma geral. E, isso tudo, vale ressaltar, de forma passiva, submetidos a um processo de comunicação unilateral.
A realidade hoje demonstra que, além de terem acesso a conteúdos específicos de seus interesses e de forma mais fácil, os sujeitos podem interagir de forma direta no processo de emissão e circulação desses conteúdos, tornando a comunicação mais democrática e interessante.
E, para ilustrar esse leque de possibilidades infinitas de segmentação da comunicação hodierna, basta citar como exemplos, as diversas novas mídias sociais que estão surgindo e, aos poucos, sendo agregadas ao cotidiano dos sujeitos. Fazem parte dessa nova aldeia de redes sociais, além das já conhecidas em todo o mundo: Orkut, Twitter e Facebook, as várias redes criadas para fãs de cinema, literatura ou línguas estrangeiras, das quais, como muito bem ilustrou uma matéria publicada recentemente no site www.comunique-se.com.br, já começam a se destacar as seguintes:
A rede Flixter(reúne perfis e comunidades de amantes do cinema, com discussões sobre filmes, atores e roteiros);
A brasileira O Livreiro (ponto de encontro para os internautas que adoram ler e compartilhar experiências sobre suas leituras);
A LiveMocha (rede que integra interessados em aprender línguas estrangeiras. No site, há lições para 38 idiomas diferentes. Além de acompanhar as lições, os internautas podem fazer exercícios de áudio para que sua pronúncia seja avaliada por usuários nativos no idioma escolhido. Os internautas também podem falar entre si e melhorar a conversação. O serviço é gratuito).
A Classmates.com, (canais para quem deseja encontrar amigos de escolas e faculdades e que dispõe de acervo de livros e vídeos de turmas de alunos de diferentes instituições).
Estamos todos diante, portanto, como se pode perceber, de um processo de segmentação em larga escala e numa velocidade jamais imaginada na história da comunicação social, universo este que, mais do que qualquer outro, passa por transformações gigantescas, formidáveis, mas também, de certo ponto, assustadoras e que atinge a vida de todos os seres sociais deste velho mundo que por força das novidades digitais se transforma cada vez mais no admirado mundo novo!
Apesar deste processo dinâmico de segmentação não ser algo novo (basta citar como exemplo a vertente criada há mais de dois séculos pela indústria jornalística, denominada de ‘jornalismo especializado’ e que, através dos diferentes veículos e linguagens específicas trabalha a segmentação de públicos receptores), é cada vez mais notório o poder de estratificação da população de comunicantes determinado pelas novas mídias.
E, nesse contexto, mais ainda da força de (re)configuração dos sujeitos comunicantes no espaço midiático advinda das denominadas e tão badaladas redes sociais. Basta citar como exemplo, o rápido processo de surgimento e multiplicação dos novos canais voltados às camadas específicas da sociedade onde se encontram sujeitos com afinidades entre si, sejam ideias, pensamentos, desejos e/ou comportamentos similares.
Algo que cada vez mais põe em xeque-mate a velha teoria da comunicação de massa nos moldes atuais de processo de comunicação digital. Mais do que isso, a explosão permanente de mídias sociais, por toda parte, abre um fantástico universo de possibilidades de exploração da informação, de maneira segmentada, como jamais vista na história da humanidade, formando redes de conexões entre sujeitos que, por muito tempo, ficaram a mercê do jornalismo especializado ou alternativo como únicas formas de consumo de determinados tipos de conteúdos e bens simbólicos de forma geral. E, isso tudo, vale ressaltar, de forma passiva, submetidos a um processo de comunicação unilateral.
A realidade hoje demonstra que, além de terem acesso a conteúdos específicos de seus interesses e de forma mais fácil, os sujeitos podem interagir de forma direta no processo de emissão e circulação desses conteúdos, tornando a comunicação mais democrática e interessante.
E, para ilustrar esse leque de possibilidades infinitas de segmentação da comunicação hodierna, basta citar como exemplos, as diversas novas mídias sociais que estão surgindo e, aos poucos, sendo agregadas ao cotidiano dos sujeitos. Fazem parte dessa nova aldeia de redes sociais, além das já conhecidas em todo o mundo: Orkut, Twitter e Facebook, as várias redes criadas para fãs de cinema, literatura ou línguas estrangeiras, das quais, como muito bem ilustrou uma matéria publicada recentemente no site www.comunique-se.com.br, já começam a se destacar as seguintes:
A rede Flixter(reúne perfis e comunidades de amantes do cinema, com discussões sobre filmes, atores e roteiros);
A brasileira O Livreiro (ponto de encontro para os internautas que adoram ler e compartilhar experiências sobre suas leituras);
A LiveMocha (rede que integra interessados em aprender línguas estrangeiras. No site, há lições para 38 idiomas diferentes. Além de acompanhar as lições, os internautas podem fazer exercícios de áudio para que sua pronúncia seja avaliada por usuários nativos no idioma escolhido. Os internautas também podem falar entre si e melhorar a conversação. O serviço é gratuito).
A Classmates.com, (canais para quem deseja encontrar amigos de escolas e faculdades e que dispõe de acervo de livros e vídeos de turmas de alunos de diferentes instituições).
Estamos todos diante, portanto, como se pode perceber, de um processo de segmentação em larga escala e numa velocidade jamais imaginada na história da comunicação social, universo este que, mais do que qualquer outro, passa por transformações gigantescas, formidáveis, mas também, de certo ponto, assustadoras e que atinge a vida de todos os seres sociais deste velho mundo que por força das novidades digitais se transforma cada vez mais no admirado mundo novo!
terça-feira, 19 de abril de 2011
Chico e a intolerância cultural na mídia radiofônica
A declaração feita há alguns dias pelo secretário de Cultura do Estado, Chico César, sobre a não contratação, por parte do Governo do Estado, das chamadas bandas de forró estilizo, estilo esse citado por ele mesmo de “forró de plástico’, trouxe a tona, mais uma vez, uma discussão que, há anos, divide opiniões e aponta para a polêmica dicotomia entre o forró autêntico x forró eletrônico.
Mais muito mais do que isso, ao emitir uma nota esclarecendo o seu ponto de vista sobre a questão e, assim, deixar mais claro a postura dele e do Governo Ricardo Coutinho sobre o fato em si, Chico teceu uma crítica à mídia radiofônica paraibana.
Para ele, que vem sendo classificado por intolerante por alguns pelo fato de não gostar e até repudiar esse tipo de estilo musical moderno, intolerância mesmo é “excluir da programação do rádio paraibano (concessão pública) durante o ano inteiro, artistas como Parrá, Baixinho do Pandeiro, Cátia de França, Zabé da Loca, Escurinho, Beto Brito, Dejinha de Monteiro, Livardo Alves, Pinto do Acordeon, Mestre Fuba, Vital Farias, Biliu de Campina, Fuba de Taperoá, Sandra Belê e excluí-los de novo na hora em que se deve celebrar a música regional e a cultura popular”.
Não há dúvidas de que, não são poucos os paraibanos que, assim como o autor deste blog, coadunam em número, grau e gênero com o pensamento do compositor, cantor e militante político e cultural. Já está mais do que na hora de vozes de dentro da esfera política se levantar contra esse que é um dos maiores descasos para com a legítima expressão da nossa cultura.
Isso sem falar na discrepância dos valores dos cachês pagos às chamadas bandas de forró eletrônicos e duplas de ‘breganejos’ a que se dá o nome de sertanejo, uma outra agressão à legítima e riquíssima música e cultura sertaneja.
E, como se não bastasse esse fator de desnivelamento de valores financeiros, há ainda o longo atraso no pagamento dos denominados 'artistas da terra' que, assim como deixa a entender a própria designação, quase sempre ficam a rastejar, feito minhocas, a suplicar às secretarias de turismo e cultura municipais espalhadas pelo Estado, pelo pagamento de seus insignificantes cachês.
Que o diga a realidade dos trios de forró que tocam nos festejos juninos no interior do Estado durante, sobretudo, a festa de São João e que já se acostumaram a enfrentar essa triste realidade. Esses que permanecem fora dos padrões de consumo estipulado pela indústria contemporânea de entretenimento sustentada por uma lógica puramente mercadológica, da qual, as empresas radiofônica são as maiores parceiras no processo de difundir massivamente os tais novos produtos musicais. Uma lógica mercantil que, além de excluir os legítimos elementos de nossa identidade cultura, a exemplo do que era cantado por Luiz Gonzaga e tantos outros - fomenta a disseminação da vulgaridade e ridiculariza os sentimentos nobres, presentes em toda expressão da boa arte.
Por isso mesmo, parabenizo o nosso fiel e renomado representante da boa música popular brasileira (e nordestina) pelas declarações. E mais, ainda pela postura a frente da pasta em que lhe foi confiada e que, esperamos, agora na esfera estadual, possa levantar a moral dos nossos maiores representantes no cenário da legítima cultura musical local e regional.
Mais muito mais do que isso, ao emitir uma nota esclarecendo o seu ponto de vista sobre a questão e, assim, deixar mais claro a postura dele e do Governo Ricardo Coutinho sobre o fato em si, Chico teceu uma crítica à mídia radiofônica paraibana.
Para ele, que vem sendo classificado por intolerante por alguns pelo fato de não gostar e até repudiar esse tipo de estilo musical moderno, intolerância mesmo é “excluir da programação do rádio paraibano (concessão pública) durante o ano inteiro, artistas como Parrá, Baixinho do Pandeiro, Cátia de França, Zabé da Loca, Escurinho, Beto Brito, Dejinha de Monteiro, Livardo Alves, Pinto do Acordeon, Mestre Fuba, Vital Farias, Biliu de Campina, Fuba de Taperoá, Sandra Belê e excluí-los de novo na hora em que se deve celebrar a música regional e a cultura popular”.
Não há dúvidas de que, não são poucos os paraibanos que, assim como o autor deste blog, coadunam em número, grau e gênero com o pensamento do compositor, cantor e militante político e cultural. Já está mais do que na hora de vozes de dentro da esfera política se levantar contra esse que é um dos maiores descasos para com a legítima expressão da nossa cultura.
Isso sem falar na discrepância dos valores dos cachês pagos às chamadas bandas de forró eletrônicos e duplas de ‘breganejos’ a que se dá o nome de sertanejo, uma outra agressão à legítima e riquíssima música e cultura sertaneja.
E, como se não bastasse esse fator de desnivelamento de valores financeiros, há ainda o longo atraso no pagamento dos denominados 'artistas da terra' que, assim como deixa a entender a própria designação, quase sempre ficam a rastejar, feito minhocas, a suplicar às secretarias de turismo e cultura municipais espalhadas pelo Estado, pelo pagamento de seus insignificantes cachês.
Que o diga a realidade dos trios de forró que tocam nos festejos juninos no interior do Estado durante, sobretudo, a festa de São João e que já se acostumaram a enfrentar essa triste realidade. Esses que permanecem fora dos padrões de consumo estipulado pela indústria contemporânea de entretenimento sustentada por uma lógica puramente mercadológica, da qual, as empresas radiofônica são as maiores parceiras no processo de difundir massivamente os tais novos produtos musicais. Uma lógica mercantil que, além de excluir os legítimos elementos de nossa identidade cultura, a exemplo do que era cantado por Luiz Gonzaga e tantos outros - fomenta a disseminação da vulgaridade e ridiculariza os sentimentos nobres, presentes em toda expressão da boa arte.
Por isso mesmo, parabenizo o nosso fiel e renomado representante da boa música popular brasileira (e nordestina) pelas declarações. E mais, ainda pela postura a frente da pasta em que lhe foi confiada e que, esperamos, agora na esfera estadual, possa levantar a moral dos nossos maiores representantes no cenário da legítima cultura musical local e regional.
terça-feira, 12 de abril de 2011
O espaço da boa notícia na mídia...
Há muito tempo se questiona a ausência de boas notícias na imprensa que, de modo geral, vem se dedicando quase que totalmente a divulgação de fatos de natureza violento e chocante. De certo que, não há como a indústria jornalística se esquivar desse tipo de produção por dois motivos: primeiro porque se trata de um traço da realidade do mundo em que vivemos e, de outro, porque, historicamente, boa parte dos consumidores, clama por manchetes atreladas ao chamado ‘fait divers’, ou seja, sensacionalismo.
Não obstante, nada impede de os diletos amigos jornalistas produzirem relatos de fatos e acontecimentos com foco em realidade e ações positivas, ou seja, de que produzam simplesmente boas notícias. Embora, esteja fora da cultura predominante em praticamente todas as sociedades midiáticas, certamente esse tipo de produto haveria de ser consumido e, mais do que isso, com um certo tempo, quem sabe, começar a alterar a cultura aberrante e de violência que ainda predomina no espaço midiático.
Foi assim que, por exemplo, o fez o site do paraiba1 recentemente quando trouxe como manchete o seguinte enunciado: “Em 66 cidades da PB não foram registrados homicídios por dois anos”. Revelando uma outra face de uma mesma realidade vivida por todos os paraibanos que, assim como os demais brasileiros, já se habituaram – e ao que parece, mais ainda nos últimos meses – a só testemunharem desgraças de todos os tipos (crimes, catástrofes, golpes, acidentes, etc.).
Mais do que atestar, em detrimento de toda a onda de violência que se espalha na Paraíba, a existência do clima de tranqüilidade e paz em diversas localidades do Estado, o veículo atestou a possibilidade real de a mídia noticiar coisas boas. Algo fora do padrão aberrante. Mostrar que a antítese do que nos costumamos a ver nos jornais, ouvirmos nos rádios e assistirmos nos telejornais, também rende manchete. Essa possibilidade, aliás, já é ventilada por diversos profissionais da imprensa e estudiosos da comunicação a exemplo de Ricardo Noblat que em seu livro intitulado "A arte de fazer um jornal diário", defende essa ideia, vista como algo perfeitamente possível de atrair audiência.
Que bom será o dia em que esse tipo de pauta tomar conta de todas as redações jornalísticas dos veículos de comunicação e assim, propiciarem um equilíbrio no processo de difusão de notícias, assegurando que, apesar do mal, o bem continua fazendo parte desse mundo tão complicado e que também é digno de ser pautado e socializado via indústria jornalística.
Não obstante, nada impede de os diletos amigos jornalistas produzirem relatos de fatos e acontecimentos com foco em realidade e ações positivas, ou seja, de que produzam simplesmente boas notícias. Embora, esteja fora da cultura predominante em praticamente todas as sociedades midiáticas, certamente esse tipo de produto haveria de ser consumido e, mais do que isso, com um certo tempo, quem sabe, começar a alterar a cultura aberrante e de violência que ainda predomina no espaço midiático.
Foi assim que, por exemplo, o fez o site do paraiba1 recentemente quando trouxe como manchete o seguinte enunciado: “Em 66 cidades da PB não foram registrados homicídios por dois anos”. Revelando uma outra face de uma mesma realidade vivida por todos os paraibanos que, assim como os demais brasileiros, já se habituaram – e ao que parece, mais ainda nos últimos meses – a só testemunharem desgraças de todos os tipos (crimes, catástrofes, golpes, acidentes, etc.).
Mais do que atestar, em detrimento de toda a onda de violência que se espalha na Paraíba, a existência do clima de tranqüilidade e paz em diversas localidades do Estado, o veículo atestou a possibilidade real de a mídia noticiar coisas boas. Algo fora do padrão aberrante. Mostrar que a antítese do que nos costumamos a ver nos jornais, ouvirmos nos rádios e assistirmos nos telejornais, também rende manchete. Essa possibilidade, aliás, já é ventilada por diversos profissionais da imprensa e estudiosos da comunicação a exemplo de Ricardo Noblat que em seu livro intitulado "A arte de fazer um jornal diário", defende essa ideia, vista como algo perfeitamente possível de atrair audiência.
Que bom será o dia em que esse tipo de pauta tomar conta de todas as redações jornalísticas dos veículos de comunicação e assim, propiciarem um equilíbrio no processo de difusão de notícias, assegurando que, apesar do mal, o bem continua fazendo parte desse mundo tão complicado e que também é digno de ser pautado e socializado via indústria jornalística.
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