Sejam Bem Vindo (a)!

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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

SBT e o leilão das igrejas evangélicas

Pressionado pela crise financeira gigantesca envolvendo um de seus empreendimentos comerciais, o banco PanAmericano, Silvio Santos está leiloando espaços generosos da programação do SBT para igrejas evangélicas. Até o momento três delas já entraram na concorrência por espaços na terceira maior emissora de TV do país, oferecendo propostas milionárias para o 'batido do martelo final'.

As propostas – pra lá de tentadoras – advem dos três maiores grupos eclesiásticos do movimento protestante no país: a Igreja Universal do Reino de Deus, a Igreja Internacional da Graça – esta de propriedade do ex-sócio e cunhado de Edir Macedo, o pastor R.R. Soares - e o Ministério Silas Malafaia, pastor que aos poucos vêm adentrando no lucrativo mercado midiático da fé.

De acordo com noticias publicadas na internet, depois de se reunir com o pastor Malafaia há dias atrás, o SBT teria recebido uma nova proposta da Internacional, de R.R.Soares, no valor de R$ 10 milhões mensais (cinco horas diárias, de segunda a domingo). Não obstante, conforme também está sendo divulgado, as propostas são ainda mais ambiciosas e incluem a compra de todo o horário da madrugada da emissora, espaço este que, vale ressaltar, caso seja, de fato, negociado, deverá ser leiloado a um valor dos ‘céus’ para o grupo S.S, uma vez que se trata do horário em que o SBT vem tendo os maiores índices de audiências, chegando, inclusive, a vencer as suas duas maiores concorrentes: a Globo e o SBT.

Se Silvio Santos vender espaço da grade a uma igreja, seja por curto ou longo prazo, fará com que o SBT deixe de ser a única TV aberta sem qualquer programação religiosa. O SBT é o único canal laico hoje, já que até a Globo tem a "Santa Missa" católica aos domingos.

Por outro lado, o fechamento de negociação de tamanha envergadura com cifras de valores altíssimos faz aumentar ainda mais a curiosidade em torno do mercado da fé, e da fonte da riqueza, ao que parece, inesgotável, das igrejas evangélicas no país, as quais tem se configurado como o maior e mais lucrativo de todos os empreendimentos existentes dos últimos tempos.

De todas as dúvidas e especulações, fica uma certeza: a de que o fenômeno da espetacularização da fé divina faz com que, cada vez mais, aos olhos de todos, a palavra de Deus, sobretudo, na TV, indiscutivelmente, tem poder. E que poder!.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O caso Mayara: a difusão do preconceito na midia virtual

Continua repercutindo no Brasil e em outros paises, o episódio envolvendo a estudante paulista do curso de Direito Mayara Petruso, que postou no Twitter mensagens ofensivas ao povo nordestino em face da vitória da candidata Dilma Rousseff. O caso, cujos detalhes para quem, por acaso, ainda não se informou a respeito, podem ser facilmente conferidos na internet via ferramentas de busca, terminou tomando um rumo muito distante do planejado pela protagonista que agora se vê dentro de uma polêmica com efeitos nefastos para si. O fato em síntese foi que, além de causar uma onda de revolta e protestos não só de nordestinos, vale ressaltar, mas de pessoas de todo o país contra o seu ato pra lá de repugnável, a estudante está sendo processada criminalmente por racismo, discriminação e incentivo à violência e seu nome ganhou uma notoriedade que se pode chamar de as avessas. Trata-se de um clássico exemplo do que se pode chamar de feitiço contra a feiticeira.

Não obstante, deixando de lado as conseqüências nefastas geradas contra a estudante cuja atitude, como não é segredo para ninguém, na verdade espelha o modo de pensar de uma grande parcela da população brasileira ainda contaminada pelo mal do preconceito racial, quero me deter aqui num outro aspecto que este caso trouxe a tona e que julgo de extrema importância para todo internauta.

Trata-se do grau de responsabilidade por parte de quem posta qualquer que seja a mensagem no espaço virtual e, sobretudo, por meio da chamada rede social, chamando-nos a atenção para os efeitos que isso pode acarretar. O fato é que, por se tratar de um meio que goza da mais ampla liberdade de expressão já vista na história da humanidade, possibilitando a todo e qualquer cidadão manifestar seu pensamento, idéia ou opinião em larga escala, muitos dos usuários terminam ignorando por completo as conseqüências geradas por meio de palavras ofensivas e, mais ainda, acreditando, de maneira ingênua, na crença da internet enquanto um meio sem vigilância o qualquer tipo de controle.

Como defendem diversos especialistas, muitos dos quais, vale ressaltar, são formados na área em que a estudante mencionada se encontra inserida que é a do Direito, é preciso muita cautela e, sobretudo, senso de responsabilidade ao postar nominalmente qualquer que seja a mensagem na internet. Só assim, como se pode comprovar por meio deste episódio, se pode evitar constrangimentos de tamanha envergadura.

Finalizando, reproduzo aqui uma declaração feita por um destes especialistas que é o promotor Augusto Rossino, para quem a repercussão de casos como esse envolvendo Mayara Petruso podem servir de exemplo e inibir a prática desses crimes na web, que muitas vezes não são punidos porque as pessoas simplesmente não denunciam. Nesse sentido, estão de parabéns os nossos vizinhos pernambucanos que, por meio da seção estadual da OAB, processaram a aspirante a função de advogada (e, pelo jeito, mais uma a envergonhar a tão valiosa profissão), numa clara demonstração do orgulho de serem nordestinos, o que, ao que parece, ainda falta em muitos de nós.

Portanto, fica aqui mais um alerta para aqueles internautas que, semelhantes a estudante, se demonsrtam desavisados e para quem as ferramentas de comunicação virtual não passam de meros brinquedinhos de vaidade e banalidade bestial.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O que restou das campanhas políticas (parte II)

Retomando o teor da última mensagem aqui postada, não poderíamos deixar de comentar neste espaçoo fato de que, além da noção de que a política, em síntese e essencialmentem, se reduz à prática discursiva, também restaram outras certezas ao final das últimas campanhas eleitorais realizadas no nosso país.

Entre essas, está a crescente força das chamadas novas mídias sociais que, por meio do avanço social da Internet, abrem, cada vez mais pelas redes telemáticas, o espaço verdadeiramente democrático para difusão de idéias, mensagens diversas, opiniões e informações de todos os tipos. Contudo, como não poderia ser diferente, este caráter essencilamente democrático da internet que, vale ressaltar, nos é negado nos meios de comunicação tradicionais - termina abrindo espaço para a circulação de pensamentos e posturas pessoais que apontam para o estágio inferior porque ainda atravessa a humanidade.

E, nesse contexto, diversas pessoas usam esse meio de comunica ção para disseminar, dentre vários, o preconceito fruto do orgulho e da mais brutal ignorância que ainda brota no coração e mente de centenas de milhares de cidadãos e cidadãs. Uma demonstração inequívoca de que, de fato, o mal não está nos meios - leia-se na mídia - como defendem muitos - mas sim, naqueles que estão medianto, ou seja, usando deste meios que por si só, constituem algo neutro e que, quando usados para o bem, demonstram uma força ainda maior do bem na Terra.

Pois bem, como todos foram testemunhos, mais uma vez, a participação popular nas campanhas eleitorais ocorreram de forma ainda mais massiva com a interação de milhões de internautas trocando idéias durante e pós campanha. E, nesse cenário, como também assistimos, a rede de mentiras absurdas e provocações - muitas destas em nome da religião - foram tantas que chocam até mesmo quem ainda não fez germinar dentro de si, a semente do bom senso e do discernimento tão essenciais para uma convivência verdadeiramente humana e, acima de tudo, cristã.

Como se não bastassem os diversos exemplos dessa natureza testemunhados durante a campanha, muitos internautas não se deram por satisfeitos e, agora apelam para uma prática pra lá de condenatória que é o preconceito regional. O fato é que, para muitos destes, a vitória da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, se deu graças à mentalidade inferior do povo nordestino, ainda tido para muitos como uma sub-raça, coisa que, a essa altura do campeonato, e melhor dizendo, dos avanços que já tivemos com a democracia no nosso país, considero desnecessário maiores comentários.

Entretanto, deixo a resposta para esse tipo de postura verdadeiramente inferior, por conta de uma carta escrita por uma amiga, a qual, posto logo abaixo e peço aos colegas internautas um pouco de sua atenção e reflexão.

CARTA DE REPÚDIO Por Andrea Grace
Não sou uma pessoa que costuma envolver-se em polêmicas ou declarar seus posicionamentos de forma ferrenha, pois acredito na palavra “Democracia” em toda a sua extensão e profundidade. Entretanto, diante de alguns – para não dizer centenas - de comentários que li via twitter, decidi escrever essa carta.

No último dia 31/10, dia em que o Brasil votou e elegeu a sua primeira presidente mulher – um avanço para o nosso país- os nordestinos foram extremamente desrespeitados e discriminados por terem sido os protagonistas do resultado eleitoral nacional. Comentários como “pessoas sem esclarecimento”, “sem acesso a informação”, “alienadas” foram difundidas, em pleno século XXI, apregoando uma ideia ridícula de segregação do norte e nordeste, em relação ao resto do país.

Para surpresa de alguns desinformados que twitaram tais absurdos, nós nordestinos conseguimos ler, fato que alguns julgaram impossível, pois acreditavam que no nordeste “ninguém sabia nem o que era twitter”. Engraçado é que muitos nordestinos acessam o twitter, o orkut, o facebook e os seus blogs, a partir de notebooks, netbooks, Iphones e Smartphones que, pasmem, nós sabemos o que é cada ferramenta dessa e trabalhamos a ponto de ter acesso a comprá-los, inclusive através dos websites do sudeste. É... os correios também atendem à região nordeste... Além disso, escrevo de uma cidade do interior paraibano – Campina Grande- situada entre as nove cidades tecnológicas do mundo, segundo a revista NewsWeek (vide: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=7202)., exportando tecnologia da informação para países, como Espanha, EUA e China.

Ademais, somos a primeira cidade do Brasil a dominar a tecnologia do plantio de algodão colorido ecologicamente correto. Vivemos num estado, assim como todos, com uma indiscutível má distribuição de renda, fato que não impede que campus de universidades particulares e públicas ofereçam oportunidades de acesso ao ensino superior a todas as classes sociais.Dentro dessa desigualdade social, ferida aberta em todos os grandes centros urbanos, vemos shoppings (é... nós temos shoppings no nordeste) oferecendo produtos que apenas uma parte da população pode ter acesso, contrastando com casas paupérrimas . Vemos as simples bicicletas, meio de transporte ultimamente eleito como o melhor para o meio ambiente, disputarem espaço com grandes carros de empresas estrangeiras, a exemplo da Hyndai, Honda, Kya, bem como com carros mais populares, produzidos pela Fiat, Chevrolet, e Volkswagen. É... aqui já faz algum tempo que a carroça deixou de ser o principal meio de transporte.

O que mais me assusta é que, diante de pessoas que se declaram tão superiores e esclarecidas, nós nordestinos demonstramos mais poder de decisão e escolha, pois não nos guiamos pelas opiniões alienantes e oligárquicas difundidas pelos principais meios de comunicação nacional. Fato que também deve estarrecer os mais desinformados, pois nós aqui temos televisão, inclusive de plasma, LCD e de LED, e recebemos os sinais das principais redes de televisões do Brasil, sem falar que nos mantemos informados também através de tvs à cabo – mais de uma empresa? – pois é... isso pode ser um tanto quanto impactante para alguns habitantes da parte inferior do nosso mapa brasileiro.

O que observamos é que o Brasil, nesses últimos quatro anos, assistiu a uma expansão do ensino superior, a uma diminuição da miserabilidade do país, a uma estabilidade econômica e a uma descentralização da distribuição de recursos federais, e isso foi determinante, acredito eu, para a escolha verificada com tanta revolta por alguns. A demagogia, o autoritarismo, os sorrisos forçados, a imagem da oligarquia não satisfaz mais a um povo que já sofreu muito com a falta de um olhar de credibilidade para a nossa região.

E para aqueles que não acompanharam muito de perto os resultados eleitorais por região, os estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, localizados na região Sudeste, também elegeram a candidata petista.Apesar da grande votação da candidata petista na região nordeste, essa decisão não foi tão unâmime como todos pensam, pois em Campina Grande, repito, na Paraíba, o candidato José Serra teve mais de 60% dos votos. O que prova que democracia é uma palavra que, além de exigir respeito, é imprevisível.

Por tudo isso, venho com todo o meu sentimento de pesar, pelos comentários lidos, não defender um candidato ou outro, mas defender o povo nordestino que possui o direito de votar, bem como todas as demais regiões possui, e esclarecer, àqueles que acreditam em sua superioridade de reflexão e tomada de decisões, que os nordestinos não são a escória do Brasil, mas que contribuímos economicamente com o nosso país e merecemos receber em troca investimento e respeito.

Aconselho também, a tais pessoas e às que pensam como elas, a conhecer o Brasil como um todo, antes de denegrir as pessoas, baseados em informações frágeis e opiniões preconceituosas. Quem não conhece o nordeste, não acredite em tudo que é veiculado pela televisão: venha aqui e se encante!
Andrea Grace(Nordestina, paraibana e mestranda em letras pela Universidade Federal de Campina Grande
Por Andrea Grace

Não sou uma pessoa que costuma envolver-se em polêmicas ou declarar seus posicionamentos de forma ferrenha, pois acredito na palavra “Democracia” em toda a sua extensão e profundidade. Entretanto, diante de alguns – para não dizer centenas - de comentários que li via twitter, decidi escrever essa carta.

No último dia 31/10, dia em que o Brasil votou e elegeu a sua primeira presidente mulher – um avanço para o nosso país- os nordestinos foram extremamente desrespeitados e discriminados por terem sido os protagonistas do resultado eleitoral nacional. Comentários como “pessoas sem esclarecimento”, “sem acesso a informação”, “alienadas” foram difundidas, em pleno século XXI, apregoando uma ideia ridícula de segregação do norte e nordeste, em relação ao resto do país.

Para surpresa de alguns desinformados que twitaram tais absurdos, nós nordestinos conseguimos ler, fato que alguns julgaram impossível, pois acreditavam que no nordeste “ninguém sabia nem o que era twitter”. Engraçado é que muitos nordestinos acessam o twitter, o orkut, o facebook e os seus blogs, a partir de notebooks, netbooks, Iphones e Smartphones que, pasmem, nós sabemos o que é cada ferramenta dessa e trabalhamos a ponto de ter acesso a comprá-los, inclusive através dos websites do sudeste. É... os correios também atendem à região nordeste... Além disso, escrevo de uma cidade do interior paraibano – Campina Grande- situada entre as nove cidades tecnológicas do mundo, segundo a revista NewsWeek (vide: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=7202)., exportando tecnologia da informação para países, como Espanha, EUA e China.

Ademais, somos a primeira cidade do Brasil a dominar a tecnologia do plantio de algodão colorido ecologicamente correto. Vivemos num estado, assim como todos, com uma indiscutível má distribuição de renda, fato que não impede que campus de universidades particulares e públicas ofereçam oportunidades de acesso ao ensino superior a todas as classes sociais.Dentro dessa desigualdade social, ferida aberta em todos os grandes centros urbanos, vemos shoppings (é... nós temos shoppings no nordeste) oferecendo produtos que apenas uma parte da população pode ter acesso, contrastando com casas paupérrimas . Vemos as simples bicicletas, meio de transporte ultimamente eleito como o melhor para o meio ambiente, disputarem espaço com grandes carros de empresas estrangeiras, a exemplo da Hyndai, Honda, Kya, bem como com carros mais populares, produzidos pela Fiat, Chevrolet, e Volkswagen. É... aqui já faz algum tempo que a carroça deixou de ser o principal meio de transporte.

O que mais me assusta é que, diante de pessoas que se declaram tão superiores e esclarecidas, nós nordestinos demonstramos mais poder de decisão e escolha, pois não nos guiamos pelas opiniões alienantes e oligárquicas difundidas pelos principais meios de comunicação nacional. Fato que também deve estarrecer os mais desinformados, pois nós aqui temos televisão, inclusive de plasma, LCD e de LED, e recebemos os sinais das principais redes de televisões do Brasil, sem falar que nos mantemos informados também através de tvs à cabo – mais de uma empresa? – pois é... isso pode ser um tanto quanto impactante para alguns habitantes da parte inferior do nosso mapa brasileiro.

O que observamos é que o Brasil, nesses últimos quatro anos, assistiu a uma expansão do ensino superior, a uma diminuição da miserabilidade do país, a uma estabilidade econômica e a uma descentralização da distribuição de recursos federais, e isso foi determinante, acredito eu, para a escolha verificada com tanta revolta por alguns. A demagogia, o autoritarismo, os sorrisos forçados, a imagem da oligarquia não satisfaz mais a um povo que já sofreu muito com a falta de um olhar de credibilidade para a nossa região.

E para aqueles que não acompanharam muito de perto os resultados eleitorais por região, os estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, localizados na região Sudeste, também elegeram a candidata petista.Apesar da grande votação da candidata petista na região nordeste, essa decisão não foi tão unâmime como todos pensam, pois em Campina Grande, repito, na Paraíba, o candidato José Serra teve mais de 60% dos votos. O que prova que democracia é uma palavra que, além de exigir respeito, é imprevisível.

Por tudo isso, venho com todo o meu sentimento de pesar, pelos comentários lidos, não defender um candidato ou outro, mas defender o povo nordestino que possui o direito de votar, bem como todas as demais regiões possui, e esclarecer, àqueles que acreditam em sua superioridade de reflexão e tomada de decisões, que os nordestinos não são a escória do Brasil, mas que contribuímos economicamente com o nosso país e merecemos receber em troca investimento e respeito.

Aconselho também, a tais pessoas e às que pensam como elas, a conhecer o Brasil como um todo, antes de denegrir as pessoas, baseados em informações frágeis e opiniões preconceituosas. Quem não conhece o nordeste, não acredite em tudo que é veiculado pela televisão: venha aqui e se encante!

Andrea Grace(Nordestina, paraibana e mestranda em letras pela Universidade Federal de Campina Grande

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O que restou das campanhas políticas...

Finalizadas as eleições e com estas, o clima eufórico das acirradas disputas para os cargos de Presidência da República e Governador de Estado, restam agora, como é de praxe, os discursos previsíveis e emblemáticos encerrando mais uma página da história da política brasileira. Neste sentido, é momento de ouvirmos:

De um lado, os discursos de entusiasmo e bravo de vitória por parte dos eleitos pela vontade soberana do povo;
De outro, os discursos subliminares de reconhecimento da derrota em tom de agradecimento e ‘humildade’ forçada dirigida pelos candidatos esperançosos aos seus súditos eleitores;

De um lado, os discursos, como sempre, redundantes e divergentes dos cientistas políticos com suas análises pra lá de previsíveis em nome de uma ciência que se revela, cada vez mais, inexata;
De outro, os discursos analíticos soberanos dos jornalistas com o endosso da verdade midiática e suas conclusões incontestáveis;

De um lado, os discursos apocalípticos e sombrios que se propagam dentro e fora dos bastidores do que restou das campanhas políticos dos candidatos derrotados nas urnas;
De outro, os discursos demagogos e hipócritas que já começam a ser traçados nas hastes em torno dos candidatos vitoriosos cercados por promessas e cobranças por todos os lados;

De um lado, as especulações e análises diversas dos resultados das urnas que brotam das camadas dos ‘eleitores pensantes’ tidos como portadores dos votos conscientes e críticos;
De outro, a fomentação da troca de insultos e provocações diversas que brotam no seio popular realçando a divisão partidiária eleitoral e o contraste entre o cidadão eleitor e o eleitor partidarista;

De um lado, o discurso persistente e incansável dos utópicos defensores do avante social democrático e progresso nacional;
De outro, o discursso pessimista e epidêmico dos desenganados com a política e com os rumos da democracia;

De um lado, por fim, os discursos que revelam o que restou desta que, sem sombra de dúvidas, se confirma como o mais popular, envolvente e intrigante fenômeno social de massa que é a campanha político eleitoral;
De outro, a certeza inequívoca de que, política nasce, se desenvolve e se concretiza em discursos....

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Por uma mídia sob controle...

Notícias veiculadas esta semana em alguns sites trouxeram à tona um dos temas mais polêmicos que envolvem a mídia na contemporaneidade. Trata-se da proposta de controle social da mídia, idéia esta que, mesmo de forma acanhada e contrariando o interesse dos grandes grupos de comunicação do país, começa a ganhar espaço na sociedade.

Uma das demonstrações dessa realidade foi a notícia veiculada na internet no último dia 26 e que dava conta de que, além do Ceará, pelo menos mais três Estados se preparam para criar conselhos de comunicação com o objetivo de monitorar a mídia. São eles: Maceió, Piauí e Bahia.

Tomando como exemplo a iniciativa advinda do Ceará onde a Assembleia Legislativa aprovou, no último dia 19, proposta de implementação do Conselho de Comunicação Social no Estado, em Alagoas, o Governo estuda transformar um conselho consultivo em deliberativo, com poder semelhante ao do cearense. No Piauí, conforme noticiou reportagem da Folha, “um grupo de trabalho nomeado pelo ex-governador Wellington Dias (PT) propôs a criação de órgão para, entre outras funções, vigiar o cumprimento das regras de radiodifusão”. E na Bahia, Estado governado pelo PT, o conselho seria vinculado à Secretaria de Comunicação Social do Estado.

Nesse sentido, não é de espantar que a experiência comece a despontar na região do Nordeste tendo em vista a força centralizante da chamada grande mídia sediada no eixo Rio-São Paulo.
Ao que se vê, mesmo contrariando alguns dos interesses dos donos da mídia que, vale dizer, constituem um dos grupos mais poderosos da sociedade, a idéia da implementação de instrumentos oficiais de controle e regulação da mídia começam a se erguer no seio da sociedade, fenômeno esse, vale salientar, fruto da iniciativa que foi a Primeira Conferência Nacional de Comunicação, convocada pela gestão Lula em 2009 e que resultou numa série de propostas voltadas à política pública de comunicação social para o país.

Contudo, longe de qualquer ingenuidade acerca da questão, sabemos que se trata de uma das mais conflituosas e árduas bandeiras de lutas erguidas pela sociedade civil por várias razões. Dentre essas, destacam-se como as duas principais: a contrariedade dos donos da mídia por motivos pra lá de óbvios frente à proposta e, de outro lado, a resistência advinda de boa por parte da imprensa para quem, controle social é sinônimo de censura, mordaça ou coisa parecida e, que portanto, tal proposta é uma afronta à, vale dizer, só em ocasiões como esta, tão propagada 'liberdade de expressão'.

O certo é que, queira ou não, o tema já está inserido na pauta das ações sociais mais urgentes e de grande relevância para toda a sociedade em nome do autêntico processo de democratização da comunicação no país. Fora disso, tudo se torna pura demagogia...

domingo, 24 de outubro de 2010

Internet e a fronteira da desigualdade social

Os dados estatísticos publicizados pela União Internacional de Telecomunicações (OIT) e divulgados pela mídia mundial apontam para a internet como um importante parâmetro para se medir o tamanho da desigualdade social que continua separando as nações desenvolvidas das chamadas em desenvolvimento, onde se encontra situada nação brasileira.

De acordo com o órgão que integra a ONU, as estimativas são de que até o final deste ano, o planeta reúna mais de 2 bilhões de internautas. O levantamento da entidade diz ainda que o número de pessoas com acesso à Internet em casa aumentou de 1,4 bilhões em 2009 para quase 1,6 bilhões.

Não obstante, segundo a OIT, até o final do ano, 71% da população de países desenvolvidos estará conectada, enquanto que nas nações em desenvolvimento esse número é de apenas 21%. As diferenças se tornam ainda mais discrepantes em se tratando das estimativas no contexto regional, tornando o processo de acesso das pessoas à internet um fenômeno cada vez mais dispare. As diferenças regionais começam no âmbito continental onde, para se ter idéia, enquanto na Europa o índice de acesso à internet será de 65%, nos países africanos a estimativa cai para 9.6%.

Por ai, dá para se imaginar a disparidade regional em cada país, sobretudo, entre os que compõem os blocos dos subdesenvolvidos e os denominados em desenvolvimento, onde a disparidade socioeconômica por região é evidente e avassaladora. Que o diga a realidade brasileira onde, apesar da ascendência do consumo entre as faixas populares menos favorecidas ter se demonstrado evolutiva nos últimos anos, o limiar que separa as populações das regiões mais abastadas das menos desenvolvidas é ainda extremamente largo.

Nesse contexto se encontram a classe dos excluídos digitais que, mesmo com toda a propagação da democratização da internet pelo país, somam milhões de pessoas para quem um computador ainda é um bem de luxo. Mais ainda uma conexão à rede mundial de computadores. Uma multidão de indivíduos que vivem à margem da sociedade informatizada, para quem as políticas de democratização da comunicação é algo essencialmente virtual, ou seja, está totalmente fora de seu mundo real.

domingo, 17 de outubro de 2010

Uma contra-resposta à espetacularização midiática

A resposta de alguns dos mineiros chilenos resgatados recentemente de uma mina, onde se encontravam soterrados por mais de dois meses, ao assédio da imprensa porque esses vem passando desde o desfecho final do episódio, ressoou como um basta à estratégia revelada por boa parte da mídia mundial que, em nome da audiência, insiste em transformar pessoas comuns em celebridades instantâneas.

Ao pedir, em entrevista concedida à televisão estatal chilena TVN, que a imprensa não tratasse a ele e aos colegas como artistas, mas, simplesmente como trabalhadores mineiros que o são, Mário Sepúlveda, não apenas reivindicou para si para os demais amigos, o direito de privacidade e de poder ficar em paz ao lado de seus familiares, depois de uma dolorosa e longa experiência, como ao mesmo tempo, contrariou parte da mídia para quem todo e qualquer ser humano dá tudo pelos tão propagados quinze segundos de fama.

Outro sobrevivente do quase trágico acontecimento, consequente do descaso dos empresários do ramo de mina, a demonstrar uma postura serena frente ao assédio midiático foi o chileno Franklim Lobo. Ele criticou a tentativa sensacionalista dos meios de comunicação em tentar transformar ele e seus colegas em heróis, alertando que, na verdade, todos foram e são vítimas do dono da mina na qual ficaram presos por mais de 60 dias em clima de desespero.

Longe da máxima perseguida pelos afãs de se tornarem celebridades instantâneas - a versão do nissin miojo humano- da qual tanto se alimentam, em particular, as emissoras de TV, o breve discurso doz trabalhadores chilenos desnuda cada vez mais o espetáculo produzido pela mídia em torno do lastimável episódio de que eles e mais 30 outros trabalhadores foram vítimas, cuja cobertura transmitida ao vivo para mais de cem paises, mais parecia uma final de reality show.

Ao seu modo simples de ser, o mineiro Mário Sepúlveda deixou evidente que a privacidade e, muito menos, a experiência dolorosa não podem se reduzir ao famigerado e lucrativo jogo de mercantilização da emoção humana de que tanto se vale a mídia moderna em nome da disputa por audiência e captação de retorno financeiro.

Que a mensagem seja bem digerida por aqueles profissionais que fazem a mídia jornalística de todo o mundo e que precisam rever urgentemente o verdadeiro e relevante papel do jornalismo na sociedade, por mais que esta esteja emblematicamente associada à espetacularização. Do contrário, vivemos a iminente ameaça de vermos o mundo inteiro ser reduzido ao encantado show de truman....