Finalizadas as eleições e com estas, o clima eufórico das acirradas disputas para os cargos de Presidência da República e Governador de Estado, restam agora, como é de praxe, os discursos previsíveis e emblemáticos encerrando mais uma página da história da política brasileira. Neste sentido, é momento de ouvirmos:
De um lado, os discursos de entusiasmo e bravo de vitória por parte dos eleitos pela vontade soberana do povo;
De outro, os discursos subliminares de reconhecimento da derrota em tom de agradecimento e ‘humildade’ forçada dirigida pelos candidatos esperançosos aos seus súditos eleitores;
De um lado, os discursos, como sempre, redundantes e divergentes dos cientistas políticos com suas análises pra lá de previsíveis em nome de uma ciência que se revela, cada vez mais, inexata;
De outro, os discursos analíticos soberanos dos jornalistas com o endosso da verdade midiática e suas conclusões incontestáveis;
De um lado, os discursos apocalípticos e sombrios que se propagam dentro e fora dos bastidores do que restou das campanhas políticos dos candidatos derrotados nas urnas;
De outro, os discursos demagogos e hipócritas que já começam a ser traçados nas hastes em torno dos candidatos vitoriosos cercados por promessas e cobranças por todos os lados;
De um lado, as especulações e análises diversas dos resultados das urnas que brotam das camadas dos ‘eleitores pensantes’ tidos como portadores dos votos conscientes e críticos;
De outro, a fomentação da troca de insultos e provocações diversas que brotam no seio popular realçando a divisão partidiária eleitoral e o contraste entre o cidadão eleitor e o eleitor partidarista;
De um lado, o discurso persistente e incansável dos utópicos defensores do avante social democrático e progresso nacional;
De outro, o discursso pessimista e epidêmico dos desenganados com a política e com os rumos da democracia;
De um lado, por fim, os discursos que revelam o que restou desta que, sem sombra de dúvidas, se confirma como o mais popular, envolvente e intrigante fenômeno social de massa que é a campanha político eleitoral;
De outro, a certeza inequívoca de que, política nasce, se desenvolve e se concretiza em discursos....
Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Por uma mídia sob controle...
Notícias veiculadas esta semana em alguns sites trouxeram à tona um dos temas mais polêmicos que envolvem a mídia na contemporaneidade. Trata-se da proposta de controle social da mídia, idéia esta que, mesmo de forma acanhada e contrariando o interesse dos grandes grupos de comunicação do país, começa a ganhar espaço na sociedade.
Uma das demonstrações dessa realidade foi a notícia veiculada na internet no último dia 26 e que dava conta de que, além do Ceará, pelo menos mais três Estados se preparam para criar conselhos de comunicação com o objetivo de monitorar a mídia. São eles: Maceió, Piauí e Bahia.
Tomando como exemplo a iniciativa advinda do Ceará onde a Assembleia Legislativa aprovou, no último dia 19, proposta de implementação do Conselho de Comunicação Social no Estado, em Alagoas, o Governo estuda transformar um conselho consultivo em deliberativo, com poder semelhante ao do cearense. No Piauí, conforme noticiou reportagem da Folha, “um grupo de trabalho nomeado pelo ex-governador Wellington Dias (PT) propôs a criação de órgão para, entre outras funções, vigiar o cumprimento das regras de radiodifusão”. E na Bahia, Estado governado pelo PT, o conselho seria vinculado à Secretaria de Comunicação Social do Estado.
Nesse sentido, não é de espantar que a experiência comece a despontar na região do Nordeste tendo em vista a força centralizante da chamada grande mídia sediada no eixo Rio-São Paulo.
Ao que se vê, mesmo contrariando alguns dos interesses dos donos da mídia que, vale dizer, constituem um dos grupos mais poderosos da sociedade, a idéia da implementação de instrumentos oficiais de controle e regulação da mídia começam a se erguer no seio da sociedade, fenômeno esse, vale salientar, fruto da iniciativa que foi a Primeira Conferência Nacional de Comunicação, convocada pela gestão Lula em 2009 e que resultou numa série de propostas voltadas à política pública de comunicação social para o país.
Contudo, longe de qualquer ingenuidade acerca da questão, sabemos que se trata de uma das mais conflituosas e árduas bandeiras de lutas erguidas pela sociedade civil por várias razões. Dentre essas, destacam-se como as duas principais: a contrariedade dos donos da mídia por motivos pra lá de óbvios frente à proposta e, de outro lado, a resistência advinda de boa por parte da imprensa para quem, controle social é sinônimo de censura, mordaça ou coisa parecida e, que portanto, tal proposta é uma afronta à, vale dizer, só em ocasiões como esta, tão propagada 'liberdade de expressão'.
O certo é que, queira ou não, o tema já está inserido na pauta das ações sociais mais urgentes e de grande relevância para toda a sociedade em nome do autêntico processo de democratização da comunicação no país. Fora disso, tudo se torna pura demagogia...
Uma das demonstrações dessa realidade foi a notícia veiculada na internet no último dia 26 e que dava conta de que, além do Ceará, pelo menos mais três Estados se preparam para criar conselhos de comunicação com o objetivo de monitorar a mídia. São eles: Maceió, Piauí e Bahia.
Tomando como exemplo a iniciativa advinda do Ceará onde a Assembleia Legislativa aprovou, no último dia 19, proposta de implementação do Conselho de Comunicação Social no Estado, em Alagoas, o Governo estuda transformar um conselho consultivo em deliberativo, com poder semelhante ao do cearense. No Piauí, conforme noticiou reportagem da Folha, “um grupo de trabalho nomeado pelo ex-governador Wellington Dias (PT) propôs a criação de órgão para, entre outras funções, vigiar o cumprimento das regras de radiodifusão”. E na Bahia, Estado governado pelo PT, o conselho seria vinculado à Secretaria de Comunicação Social do Estado.
Nesse sentido, não é de espantar que a experiência comece a despontar na região do Nordeste tendo em vista a força centralizante da chamada grande mídia sediada no eixo Rio-São Paulo.
Ao que se vê, mesmo contrariando alguns dos interesses dos donos da mídia que, vale dizer, constituem um dos grupos mais poderosos da sociedade, a idéia da implementação de instrumentos oficiais de controle e regulação da mídia começam a se erguer no seio da sociedade, fenômeno esse, vale salientar, fruto da iniciativa que foi a Primeira Conferência Nacional de Comunicação, convocada pela gestão Lula em 2009 e que resultou numa série de propostas voltadas à política pública de comunicação social para o país.
Contudo, longe de qualquer ingenuidade acerca da questão, sabemos que se trata de uma das mais conflituosas e árduas bandeiras de lutas erguidas pela sociedade civil por várias razões. Dentre essas, destacam-se como as duas principais: a contrariedade dos donos da mídia por motivos pra lá de óbvios frente à proposta e, de outro lado, a resistência advinda de boa por parte da imprensa para quem, controle social é sinônimo de censura, mordaça ou coisa parecida e, que portanto, tal proposta é uma afronta à, vale dizer, só em ocasiões como esta, tão propagada 'liberdade de expressão'.
O certo é que, queira ou não, o tema já está inserido na pauta das ações sociais mais urgentes e de grande relevância para toda a sociedade em nome do autêntico processo de democratização da comunicação no país. Fora disso, tudo se torna pura demagogia...
domingo, 24 de outubro de 2010
Internet e a fronteira da desigualdade social
Os dados estatísticos publicizados pela União Internacional de Telecomunicações (OIT) e divulgados pela mídia mundial apontam para a internet como um importante parâmetro para se medir o tamanho da desigualdade social que continua separando as nações desenvolvidas das chamadas em desenvolvimento, onde se encontra situada nação brasileira.
De acordo com o órgão que integra a ONU, as estimativas são de que até o final deste ano, o planeta reúna mais de 2 bilhões de internautas. O levantamento da entidade diz ainda que o número de pessoas com acesso à Internet em casa aumentou de 1,4 bilhões em 2009 para quase 1,6 bilhões.
Não obstante, segundo a OIT, até o final do ano, 71% da população de países desenvolvidos estará conectada, enquanto que nas nações em desenvolvimento esse número é de apenas 21%. As diferenças se tornam ainda mais discrepantes em se tratando das estimativas no contexto regional, tornando o processo de acesso das pessoas à internet um fenômeno cada vez mais dispare. As diferenças regionais começam no âmbito continental onde, para se ter idéia, enquanto na Europa o índice de acesso à internet será de 65%, nos países africanos a estimativa cai para 9.6%.
Por ai, dá para se imaginar a disparidade regional em cada país, sobretudo, entre os que compõem os blocos dos subdesenvolvidos e os denominados em desenvolvimento, onde a disparidade socioeconômica por região é evidente e avassaladora. Que o diga a realidade brasileira onde, apesar da ascendência do consumo entre as faixas populares menos favorecidas ter se demonstrado evolutiva nos últimos anos, o limiar que separa as populações das regiões mais abastadas das menos desenvolvidas é ainda extremamente largo.
Nesse contexto se encontram a classe dos excluídos digitais que, mesmo com toda a propagação da democratização da internet pelo país, somam milhões de pessoas para quem um computador ainda é um bem de luxo. Mais ainda uma conexão à rede mundial de computadores. Uma multidão de indivíduos que vivem à margem da sociedade informatizada, para quem as políticas de democratização da comunicação é algo essencialmente virtual, ou seja, está totalmente fora de seu mundo real.
De acordo com o órgão que integra a ONU, as estimativas são de que até o final deste ano, o planeta reúna mais de 2 bilhões de internautas. O levantamento da entidade diz ainda que o número de pessoas com acesso à Internet em casa aumentou de 1,4 bilhões em 2009 para quase 1,6 bilhões.
Não obstante, segundo a OIT, até o final do ano, 71% da população de países desenvolvidos estará conectada, enquanto que nas nações em desenvolvimento esse número é de apenas 21%. As diferenças se tornam ainda mais discrepantes em se tratando das estimativas no contexto regional, tornando o processo de acesso das pessoas à internet um fenômeno cada vez mais dispare. As diferenças regionais começam no âmbito continental onde, para se ter idéia, enquanto na Europa o índice de acesso à internet será de 65%, nos países africanos a estimativa cai para 9.6%.
Por ai, dá para se imaginar a disparidade regional em cada país, sobretudo, entre os que compõem os blocos dos subdesenvolvidos e os denominados em desenvolvimento, onde a disparidade socioeconômica por região é evidente e avassaladora. Que o diga a realidade brasileira onde, apesar da ascendência do consumo entre as faixas populares menos favorecidas ter se demonstrado evolutiva nos últimos anos, o limiar que separa as populações das regiões mais abastadas das menos desenvolvidas é ainda extremamente largo.
Nesse contexto se encontram a classe dos excluídos digitais que, mesmo com toda a propagação da democratização da internet pelo país, somam milhões de pessoas para quem um computador ainda é um bem de luxo. Mais ainda uma conexão à rede mundial de computadores. Uma multidão de indivíduos que vivem à margem da sociedade informatizada, para quem as políticas de democratização da comunicação é algo essencialmente virtual, ou seja, está totalmente fora de seu mundo real.
domingo, 17 de outubro de 2010
Uma contra-resposta à espetacularização midiática
A resposta de alguns dos mineiros chilenos resgatados recentemente de uma mina, onde se encontravam soterrados por mais de dois meses, ao assédio da imprensa porque esses vem passando desde o desfecho final do episódio, ressoou como um basta à estratégia revelada por boa parte da mídia mundial que, em nome da audiência, insiste em transformar pessoas comuns em celebridades instantâneas.
Ao pedir, em entrevista concedida à televisão estatal chilena TVN, que a imprensa não tratasse a ele e aos colegas como artistas, mas, simplesmente como trabalhadores mineiros que o são, Mário Sepúlveda, não apenas reivindicou para si para os demais amigos, o direito de privacidade e de poder ficar em paz ao lado de seus familiares, depois de uma dolorosa e longa experiência, como ao mesmo tempo, contrariou parte da mídia para quem todo e qualquer ser humano dá tudo pelos tão propagados quinze segundos de fama.
Outro sobrevivente do quase trágico acontecimento, consequente do descaso dos empresários do ramo de mina, a demonstrar uma postura serena frente ao assédio midiático foi o chileno Franklim Lobo. Ele criticou a tentativa sensacionalista dos meios de comunicação em tentar transformar ele e seus colegas em heróis, alertando que, na verdade, todos foram e são vítimas do dono da mina na qual ficaram presos por mais de 60 dias em clima de desespero.
Longe da máxima perseguida pelos afãs de se tornarem celebridades instantâneas - a versão do nissin miojo humano- da qual tanto se alimentam, em particular, as emissoras de TV, o breve discurso doz trabalhadores chilenos desnuda cada vez mais o espetáculo produzido pela mídia em torno do lastimável episódio de que eles e mais 30 outros trabalhadores foram vítimas, cuja cobertura transmitida ao vivo para mais de cem paises, mais parecia uma final de reality show.
Ao seu modo simples de ser, o mineiro Mário Sepúlveda deixou evidente que a privacidade e, muito menos, a experiência dolorosa não podem se reduzir ao famigerado e lucrativo jogo de mercantilização da emoção humana de que tanto se vale a mídia moderna em nome da disputa por audiência e captação de retorno financeiro.
Que a mensagem seja bem digerida por aqueles profissionais que fazem a mídia jornalística de todo o mundo e que precisam rever urgentemente o verdadeiro e relevante papel do jornalismo na sociedade, por mais que esta esteja emblematicamente associada à espetacularização. Do contrário, vivemos a iminente ameaça de vermos o mundo inteiro ser reduzido ao encantado show de truman....
Ao pedir, em entrevista concedida à televisão estatal chilena TVN, que a imprensa não tratasse a ele e aos colegas como artistas, mas, simplesmente como trabalhadores mineiros que o são, Mário Sepúlveda, não apenas reivindicou para si para os demais amigos, o direito de privacidade e de poder ficar em paz ao lado de seus familiares, depois de uma dolorosa e longa experiência, como ao mesmo tempo, contrariou parte da mídia para quem todo e qualquer ser humano dá tudo pelos tão propagados quinze segundos de fama.
Outro sobrevivente do quase trágico acontecimento, consequente do descaso dos empresários do ramo de mina, a demonstrar uma postura serena frente ao assédio midiático foi o chileno Franklim Lobo. Ele criticou a tentativa sensacionalista dos meios de comunicação em tentar transformar ele e seus colegas em heróis, alertando que, na verdade, todos foram e são vítimas do dono da mina na qual ficaram presos por mais de 60 dias em clima de desespero.
Longe da máxima perseguida pelos afãs de se tornarem celebridades instantâneas - a versão do nissin miojo humano- da qual tanto se alimentam, em particular, as emissoras de TV, o breve discurso doz trabalhadores chilenos desnuda cada vez mais o espetáculo produzido pela mídia em torno do lastimável episódio de que eles e mais 30 outros trabalhadores foram vítimas, cuja cobertura transmitida ao vivo para mais de cem paises, mais parecia uma final de reality show.
Ao seu modo simples de ser, o mineiro Mário Sepúlveda deixou evidente que a privacidade e, muito menos, a experiência dolorosa não podem se reduzir ao famigerado e lucrativo jogo de mercantilização da emoção humana de que tanto se vale a mídia moderna em nome da disputa por audiência e captação de retorno financeiro.
Que a mensagem seja bem digerida por aqueles profissionais que fazem a mídia jornalística de todo o mundo e que precisam rever urgentemente o verdadeiro e relevante papel do jornalismo na sociedade, por mais que esta esteja emblematicamente associada à espetacularização. Do contrário, vivemos a iminente ameaça de vermos o mundo inteiro ser reduzido ao encantado show de truman....
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Mídia: a grande vilã das eleições 2010
Cresce, pelo Brasil afora, o número de políticos derrotados nas urnas nas últimas eleições revoltados com a mídia. Depois de Lula, mais recentemente foi a vez do ex-pagodeiro e apresentador Netinho de Paula (PcdoB), metralhar a imprensa, acusando-a de haver conspirado contra sua candidatura a senador.
Inconformado com a terceira colocação, Netinho considerou que os resultados das eleições foram frutos do poder de influência de 'órgãos muito poderosos', a exemplo da mídia que, fazendo côro com o presidente Lula, está tomando partido a favor de determinados candidatos e, contra outros.
O discurso de ambos personagens públicos revela uma tendência analítica de um número crescente de políticos que, a cada período eleitoral, faz da mídia uma grande vilã. A mesma que, a depender dos resultados das urnas, passa a ser amada por uns e odiada por outros. E, paradoxalmente, amada e odiada pelos mesmos personagens que, costumam alterar os seus discursos, a depender da direção dos ventos eleitorais...
Inconformado com a terceira colocação, Netinho considerou que os resultados das eleições foram frutos do poder de influência de 'órgãos muito poderosos', a exemplo da mídia que, fazendo côro com o presidente Lula, está tomando partido a favor de determinados candidatos e, contra outros.
O discurso de ambos personagens públicos revela uma tendência analítica de um número crescente de políticos que, a cada período eleitoral, faz da mídia uma grande vilã. A mesma que, a depender dos resultados das urnas, passa a ser amada por uns e odiada por outros. E, paradoxalmente, amada e odiada pelos mesmos personagens que, costumam alterar os seus discursos, a depender da direção dos ventos eleitorais...
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Jornalismo em votação
Depois das eleições do primeiro turno, foi adiada, mais uma vez, no Senado, a votação da PEC 33/09 que trata da regulamentação da atividade jornalística com o retorno da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Marcada para o último dia 6 de outubro, a apreciação da PEC dos jornalistas foi suspensa, mais uma vez, pela falta de quorum, reforçando novamente, as reais intenções dos parlamentares para com a questão que já se tornou um dilema que se arrasta há quase dois anos, sem resposta alguma.
Como forma de fortalecer a categoria em torno da luta em prol da luta, a FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas realizam de 18 a 23 de outubro, a Semana da Comunicação, que será precedida de ato simbólico em São Paulo, dia 15. A mobilização terá a luta em defesa do diploma, a instalação do Conselho Nacional de Comunicação (CNC) e outros direitos de interesse, vale ressaltar, não apenas da categoria, mas da sociedade civil como é o caso da, enfim, implantação do CNC, como acontece há décadas com outras categorias profissionais.
Paralelo a essa, também está em trâmite há um bom tempo, a luta pela votação das novas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo, cuja grade e filosofia curricular, há tempo vem exigindo uma renovação em prol, sobretudo, das novas exigências que recaem sobre o novo perfil do profissional da comunicação.
Enfim, pautas sobre o futuro do jornalismo é o que não falta no Congresso e Senado brasileiro. Do outro lado, entretanto, sobra descaso por parte dos representantes populares para com pleitos de tamanha relevância para a sociedade.
E assim caminha o parlamento, que depois das últimas eleições, promete andar a passos ainda mais lentos e capengas...
Como forma de fortalecer a categoria em torno da luta em prol da luta, a FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas realizam de 18 a 23 de outubro, a Semana da Comunicação, que será precedida de ato simbólico em São Paulo, dia 15. A mobilização terá a luta em defesa do diploma, a instalação do Conselho Nacional de Comunicação (CNC) e outros direitos de interesse, vale ressaltar, não apenas da categoria, mas da sociedade civil como é o caso da, enfim, implantação do CNC, como acontece há décadas com outras categorias profissionais.
Paralelo a essa, também está em trâmite há um bom tempo, a luta pela votação das novas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo, cuja grade e filosofia curricular, há tempo vem exigindo uma renovação em prol, sobretudo, das novas exigências que recaem sobre o novo perfil do profissional da comunicação.
Enfim, pautas sobre o futuro do jornalismo é o que não falta no Congresso e Senado brasileiro. Do outro lado, entretanto, sobra descaso por parte dos representantes populares para com pleitos de tamanha relevância para a sociedade.
E assim caminha o parlamento, que depois das últimas eleições, promete andar a passos ainda mais lentos e capengas...
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Mídia e a escalada para o mundo político
Alguns resultados apresentados no primeiro turno das eleições 2010 evidenciaram algo cada vez mais notório e que se constitui como o principal foco de comentário deste espaço que é o poder de influência da mídia no mundo contemporâneo. Neste caso, esse fenômeno ficou, mais uma vez evidente, através da escalada de alguns personagens famosos ao mundo da política.
O caso mais notório nesta eleição, como é do conhecimento de todos os brasileiros, é a candidatura pra lá de bem sucedida do humorista Tiririca, a quem muitos, equivocadamente, o designam como palhaço. A vitória do personagem midiático cujas apresentações no Horário de Propaganda Político Gratuito se configuraram como uma verdadeira aberração ao bom senso e desrespeito ao voto consciente tão propagado pela Justiça Eleitoral, reforça um fenômeno que há tempo vem se repetindo a cada eleição e que vulgarmente – e também equivocadamente - vem sendo denominado como um voto de ‘protesto’. Na eleição de 2006, o caso mais emblemático foi o do ex-estilista e apresentador, Clodovil que se elegeu com aproximadamente 500 mil votos, ou seja, praticamente, metade dos votos do mais novo fenômeno midiático de votação desta eleição, Tiririca que ultrapassou a margem de 1 milhão e meio de votos, se tornando o segundo deputado mais votado na história da política nacional. Mais um feito do reflexo dos efeitos midiáticos na política e, consequentemente, na vida do país.
O fato é que, atentas a essa possibilidade de escalada ao poder sem muitos esforços, as celebridades – incluindo aqui as duradouras e as instantâneas – se candidatam às eleições, aumentando cada vez mais o número de famosos em cada disputa. Não obstante, analisando o panorama geral de candidaturas de personagens produzidos pela mídia, os resultados desta e das eleições anteriores, também tem evidenciado que os holofotes midiáticos não se constituírem uma receita infalível para a vitória nas urnas. Basta ver o número de famosos consagrados nas urnas neste pleito. Para efeito de constatação, da longa lista de famosos que registraram candidatura no TSE, só conseguiram se eleger: o ex-jogador Romário (PSB-RJ), com 1,84% dos votos válidos, o humorista Tiririca (PR-SP), com 6,35%,; o ex-jogador do Grêmio Danrlei, com 2,90%, Stepan Nercessian (PPS-RJ), com 1,84% e o ex-BBB, Jean Wyllys (Psol-RJ), com 1,05% dos votos.
Por outro lado, não se deve ignorar o fato de que o poder eleitoral da mídia nas urnas, não beneficia apenas as celebridades. O raio de ação da fama e glamour popular conquistado por esses personagens midiaticos, sobretudo, através das aparições permanentes na TV, se estende desses aos graus de parentescos, se tornando o maior cabo eleitoral dos parentes nas disputas aos pleitos diversos. Revelando-se uma autêntica herança nas urnas.
Um dos exemplos desse efeito de influência midiática foi a eleição do filho do apresentador Ratinho, o Ratinho Jr, que, numa demonstração do que costuma acontecer nesses casos, foi o deputado federal mais votado do PR. Ou seja, não basta ser famoso, o importante é colocar a família para participar.....
O caso mais notório nesta eleição, como é do conhecimento de todos os brasileiros, é a candidatura pra lá de bem sucedida do humorista Tiririca, a quem muitos, equivocadamente, o designam como palhaço. A vitória do personagem midiático cujas apresentações no Horário de Propaganda Político Gratuito se configuraram como uma verdadeira aberração ao bom senso e desrespeito ao voto consciente tão propagado pela Justiça Eleitoral, reforça um fenômeno que há tempo vem se repetindo a cada eleição e que vulgarmente – e também equivocadamente - vem sendo denominado como um voto de ‘protesto’. Na eleição de 2006, o caso mais emblemático foi o do ex-estilista e apresentador, Clodovil que se elegeu com aproximadamente 500 mil votos, ou seja, praticamente, metade dos votos do mais novo fenômeno midiático de votação desta eleição, Tiririca que ultrapassou a margem de 1 milhão e meio de votos, se tornando o segundo deputado mais votado na história da política nacional. Mais um feito do reflexo dos efeitos midiáticos na política e, consequentemente, na vida do país.
O fato é que, atentas a essa possibilidade de escalada ao poder sem muitos esforços, as celebridades – incluindo aqui as duradouras e as instantâneas – se candidatam às eleições, aumentando cada vez mais o número de famosos em cada disputa. Não obstante, analisando o panorama geral de candidaturas de personagens produzidos pela mídia, os resultados desta e das eleições anteriores, também tem evidenciado que os holofotes midiáticos não se constituírem uma receita infalível para a vitória nas urnas. Basta ver o número de famosos consagrados nas urnas neste pleito. Para efeito de constatação, da longa lista de famosos que registraram candidatura no TSE, só conseguiram se eleger: o ex-jogador Romário (PSB-RJ), com 1,84% dos votos válidos, o humorista Tiririca (PR-SP), com 6,35%,; o ex-jogador do Grêmio Danrlei, com 2,90%, Stepan Nercessian (PPS-RJ), com 1,84% e o ex-BBB, Jean Wyllys (Psol-RJ), com 1,05% dos votos.
Por outro lado, não se deve ignorar o fato de que o poder eleitoral da mídia nas urnas, não beneficia apenas as celebridades. O raio de ação da fama e glamour popular conquistado por esses personagens midiaticos, sobretudo, através das aparições permanentes na TV, se estende desses aos graus de parentescos, se tornando o maior cabo eleitoral dos parentes nas disputas aos pleitos diversos. Revelando-se uma autêntica herança nas urnas.
Um dos exemplos desse efeito de influência midiática foi a eleição do filho do apresentador Ratinho, o Ratinho Jr, que, numa demonstração do que costuma acontecer nesses casos, foi o deputado federal mais votado do PR. Ou seja, não basta ser famoso, o importante é colocar a família para participar.....
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