Notícias veiculadas esta semana em alguns sites trouxeram à tona um dos temas mais polêmicos que envolvem a mídia na contemporaneidade. Trata-se da proposta de controle social da mídia, idéia esta que, mesmo de forma acanhada e contrariando o interesse dos grandes grupos de comunicação do país, começa a ganhar espaço na sociedade.
Uma das demonstrações dessa realidade foi a notícia veiculada na internet no último dia 26 e que dava conta de que, além do Ceará, pelo menos mais três Estados se preparam para criar conselhos de comunicação com o objetivo de monitorar a mídia. São eles: Maceió, Piauí e Bahia.
Tomando como exemplo a iniciativa advinda do Ceará onde a Assembleia Legislativa aprovou, no último dia 19, proposta de implementação do Conselho de Comunicação Social no Estado, em Alagoas, o Governo estuda transformar um conselho consultivo em deliberativo, com poder semelhante ao do cearense. No Piauí, conforme noticiou reportagem da Folha, “um grupo de trabalho nomeado pelo ex-governador Wellington Dias (PT) propôs a criação de órgão para, entre outras funções, vigiar o cumprimento das regras de radiodifusão”. E na Bahia, Estado governado pelo PT, o conselho seria vinculado à Secretaria de Comunicação Social do Estado.
Nesse sentido, não é de espantar que a experiência comece a despontar na região do Nordeste tendo em vista a força centralizante da chamada grande mídia sediada no eixo Rio-São Paulo.
Ao que se vê, mesmo contrariando alguns dos interesses dos donos da mídia que, vale dizer, constituem um dos grupos mais poderosos da sociedade, a idéia da implementação de instrumentos oficiais de controle e regulação da mídia começam a se erguer no seio da sociedade, fenômeno esse, vale salientar, fruto da iniciativa que foi a Primeira Conferência Nacional de Comunicação, convocada pela gestão Lula em 2009 e que resultou numa série de propostas voltadas à política pública de comunicação social para o país.
Contudo, longe de qualquer ingenuidade acerca da questão, sabemos que se trata de uma das mais conflituosas e árduas bandeiras de lutas erguidas pela sociedade civil por várias razões. Dentre essas, destacam-se como as duas principais: a contrariedade dos donos da mídia por motivos pra lá de óbvios frente à proposta e, de outro lado, a resistência advinda de boa por parte da imprensa para quem, controle social é sinônimo de censura, mordaça ou coisa parecida e, que portanto, tal proposta é uma afronta à, vale dizer, só em ocasiões como esta, tão propagada 'liberdade de expressão'.
O certo é que, queira ou não, o tema já está inserido na pauta das ações sociais mais urgentes e de grande relevância para toda a sociedade em nome do autêntico processo de democratização da comunicação no país. Fora disso, tudo se torna pura demagogia...
Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
domingo, 24 de outubro de 2010
Internet e a fronteira da desigualdade social
Os dados estatísticos publicizados pela União Internacional de Telecomunicações (OIT) e divulgados pela mídia mundial apontam para a internet como um importante parâmetro para se medir o tamanho da desigualdade social que continua separando as nações desenvolvidas das chamadas em desenvolvimento, onde se encontra situada nação brasileira.
De acordo com o órgão que integra a ONU, as estimativas são de que até o final deste ano, o planeta reúna mais de 2 bilhões de internautas. O levantamento da entidade diz ainda que o número de pessoas com acesso à Internet em casa aumentou de 1,4 bilhões em 2009 para quase 1,6 bilhões.
Não obstante, segundo a OIT, até o final do ano, 71% da população de países desenvolvidos estará conectada, enquanto que nas nações em desenvolvimento esse número é de apenas 21%. As diferenças se tornam ainda mais discrepantes em se tratando das estimativas no contexto regional, tornando o processo de acesso das pessoas à internet um fenômeno cada vez mais dispare. As diferenças regionais começam no âmbito continental onde, para se ter idéia, enquanto na Europa o índice de acesso à internet será de 65%, nos países africanos a estimativa cai para 9.6%.
Por ai, dá para se imaginar a disparidade regional em cada país, sobretudo, entre os que compõem os blocos dos subdesenvolvidos e os denominados em desenvolvimento, onde a disparidade socioeconômica por região é evidente e avassaladora. Que o diga a realidade brasileira onde, apesar da ascendência do consumo entre as faixas populares menos favorecidas ter se demonstrado evolutiva nos últimos anos, o limiar que separa as populações das regiões mais abastadas das menos desenvolvidas é ainda extremamente largo.
Nesse contexto se encontram a classe dos excluídos digitais que, mesmo com toda a propagação da democratização da internet pelo país, somam milhões de pessoas para quem um computador ainda é um bem de luxo. Mais ainda uma conexão à rede mundial de computadores. Uma multidão de indivíduos que vivem à margem da sociedade informatizada, para quem as políticas de democratização da comunicação é algo essencialmente virtual, ou seja, está totalmente fora de seu mundo real.
De acordo com o órgão que integra a ONU, as estimativas são de que até o final deste ano, o planeta reúna mais de 2 bilhões de internautas. O levantamento da entidade diz ainda que o número de pessoas com acesso à Internet em casa aumentou de 1,4 bilhões em 2009 para quase 1,6 bilhões.
Não obstante, segundo a OIT, até o final do ano, 71% da população de países desenvolvidos estará conectada, enquanto que nas nações em desenvolvimento esse número é de apenas 21%. As diferenças se tornam ainda mais discrepantes em se tratando das estimativas no contexto regional, tornando o processo de acesso das pessoas à internet um fenômeno cada vez mais dispare. As diferenças regionais começam no âmbito continental onde, para se ter idéia, enquanto na Europa o índice de acesso à internet será de 65%, nos países africanos a estimativa cai para 9.6%.
Por ai, dá para se imaginar a disparidade regional em cada país, sobretudo, entre os que compõem os blocos dos subdesenvolvidos e os denominados em desenvolvimento, onde a disparidade socioeconômica por região é evidente e avassaladora. Que o diga a realidade brasileira onde, apesar da ascendência do consumo entre as faixas populares menos favorecidas ter se demonstrado evolutiva nos últimos anos, o limiar que separa as populações das regiões mais abastadas das menos desenvolvidas é ainda extremamente largo.
Nesse contexto se encontram a classe dos excluídos digitais que, mesmo com toda a propagação da democratização da internet pelo país, somam milhões de pessoas para quem um computador ainda é um bem de luxo. Mais ainda uma conexão à rede mundial de computadores. Uma multidão de indivíduos que vivem à margem da sociedade informatizada, para quem as políticas de democratização da comunicação é algo essencialmente virtual, ou seja, está totalmente fora de seu mundo real.
domingo, 17 de outubro de 2010
Uma contra-resposta à espetacularização midiática
A resposta de alguns dos mineiros chilenos resgatados recentemente de uma mina, onde se encontravam soterrados por mais de dois meses, ao assédio da imprensa porque esses vem passando desde o desfecho final do episódio, ressoou como um basta à estratégia revelada por boa parte da mídia mundial que, em nome da audiência, insiste em transformar pessoas comuns em celebridades instantâneas.
Ao pedir, em entrevista concedida à televisão estatal chilena TVN, que a imprensa não tratasse a ele e aos colegas como artistas, mas, simplesmente como trabalhadores mineiros que o são, Mário Sepúlveda, não apenas reivindicou para si para os demais amigos, o direito de privacidade e de poder ficar em paz ao lado de seus familiares, depois de uma dolorosa e longa experiência, como ao mesmo tempo, contrariou parte da mídia para quem todo e qualquer ser humano dá tudo pelos tão propagados quinze segundos de fama.
Outro sobrevivente do quase trágico acontecimento, consequente do descaso dos empresários do ramo de mina, a demonstrar uma postura serena frente ao assédio midiático foi o chileno Franklim Lobo. Ele criticou a tentativa sensacionalista dos meios de comunicação em tentar transformar ele e seus colegas em heróis, alertando que, na verdade, todos foram e são vítimas do dono da mina na qual ficaram presos por mais de 60 dias em clima de desespero.
Longe da máxima perseguida pelos afãs de se tornarem celebridades instantâneas - a versão do nissin miojo humano- da qual tanto se alimentam, em particular, as emissoras de TV, o breve discurso doz trabalhadores chilenos desnuda cada vez mais o espetáculo produzido pela mídia em torno do lastimável episódio de que eles e mais 30 outros trabalhadores foram vítimas, cuja cobertura transmitida ao vivo para mais de cem paises, mais parecia uma final de reality show.
Ao seu modo simples de ser, o mineiro Mário Sepúlveda deixou evidente que a privacidade e, muito menos, a experiência dolorosa não podem se reduzir ao famigerado e lucrativo jogo de mercantilização da emoção humana de que tanto se vale a mídia moderna em nome da disputa por audiência e captação de retorno financeiro.
Que a mensagem seja bem digerida por aqueles profissionais que fazem a mídia jornalística de todo o mundo e que precisam rever urgentemente o verdadeiro e relevante papel do jornalismo na sociedade, por mais que esta esteja emblematicamente associada à espetacularização. Do contrário, vivemos a iminente ameaça de vermos o mundo inteiro ser reduzido ao encantado show de truman....
Ao pedir, em entrevista concedida à televisão estatal chilena TVN, que a imprensa não tratasse a ele e aos colegas como artistas, mas, simplesmente como trabalhadores mineiros que o são, Mário Sepúlveda, não apenas reivindicou para si para os demais amigos, o direito de privacidade e de poder ficar em paz ao lado de seus familiares, depois de uma dolorosa e longa experiência, como ao mesmo tempo, contrariou parte da mídia para quem todo e qualquer ser humano dá tudo pelos tão propagados quinze segundos de fama.
Outro sobrevivente do quase trágico acontecimento, consequente do descaso dos empresários do ramo de mina, a demonstrar uma postura serena frente ao assédio midiático foi o chileno Franklim Lobo. Ele criticou a tentativa sensacionalista dos meios de comunicação em tentar transformar ele e seus colegas em heróis, alertando que, na verdade, todos foram e são vítimas do dono da mina na qual ficaram presos por mais de 60 dias em clima de desespero.
Longe da máxima perseguida pelos afãs de se tornarem celebridades instantâneas - a versão do nissin miojo humano- da qual tanto se alimentam, em particular, as emissoras de TV, o breve discurso doz trabalhadores chilenos desnuda cada vez mais o espetáculo produzido pela mídia em torno do lastimável episódio de que eles e mais 30 outros trabalhadores foram vítimas, cuja cobertura transmitida ao vivo para mais de cem paises, mais parecia uma final de reality show.
Ao seu modo simples de ser, o mineiro Mário Sepúlveda deixou evidente que a privacidade e, muito menos, a experiência dolorosa não podem se reduzir ao famigerado e lucrativo jogo de mercantilização da emoção humana de que tanto se vale a mídia moderna em nome da disputa por audiência e captação de retorno financeiro.
Que a mensagem seja bem digerida por aqueles profissionais que fazem a mídia jornalística de todo o mundo e que precisam rever urgentemente o verdadeiro e relevante papel do jornalismo na sociedade, por mais que esta esteja emblematicamente associada à espetacularização. Do contrário, vivemos a iminente ameaça de vermos o mundo inteiro ser reduzido ao encantado show de truman....
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Mídia: a grande vilã das eleições 2010
Cresce, pelo Brasil afora, o número de políticos derrotados nas urnas nas últimas eleições revoltados com a mídia. Depois de Lula, mais recentemente foi a vez do ex-pagodeiro e apresentador Netinho de Paula (PcdoB), metralhar a imprensa, acusando-a de haver conspirado contra sua candidatura a senador.
Inconformado com a terceira colocação, Netinho considerou que os resultados das eleições foram frutos do poder de influência de 'órgãos muito poderosos', a exemplo da mídia que, fazendo côro com o presidente Lula, está tomando partido a favor de determinados candidatos e, contra outros.
O discurso de ambos personagens públicos revela uma tendência analítica de um número crescente de políticos que, a cada período eleitoral, faz da mídia uma grande vilã. A mesma que, a depender dos resultados das urnas, passa a ser amada por uns e odiada por outros. E, paradoxalmente, amada e odiada pelos mesmos personagens que, costumam alterar os seus discursos, a depender da direção dos ventos eleitorais...
Inconformado com a terceira colocação, Netinho considerou que os resultados das eleições foram frutos do poder de influência de 'órgãos muito poderosos', a exemplo da mídia que, fazendo côro com o presidente Lula, está tomando partido a favor de determinados candidatos e, contra outros.
O discurso de ambos personagens públicos revela uma tendência analítica de um número crescente de políticos que, a cada período eleitoral, faz da mídia uma grande vilã. A mesma que, a depender dos resultados das urnas, passa a ser amada por uns e odiada por outros. E, paradoxalmente, amada e odiada pelos mesmos personagens que, costumam alterar os seus discursos, a depender da direção dos ventos eleitorais...
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Jornalismo em votação
Depois das eleições do primeiro turno, foi adiada, mais uma vez, no Senado, a votação da PEC 33/09 que trata da regulamentação da atividade jornalística com o retorno da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Marcada para o último dia 6 de outubro, a apreciação da PEC dos jornalistas foi suspensa, mais uma vez, pela falta de quorum, reforçando novamente, as reais intenções dos parlamentares para com a questão que já se tornou um dilema que se arrasta há quase dois anos, sem resposta alguma.
Como forma de fortalecer a categoria em torno da luta em prol da luta, a FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas realizam de 18 a 23 de outubro, a Semana da Comunicação, que será precedida de ato simbólico em São Paulo, dia 15. A mobilização terá a luta em defesa do diploma, a instalação do Conselho Nacional de Comunicação (CNC) e outros direitos de interesse, vale ressaltar, não apenas da categoria, mas da sociedade civil como é o caso da, enfim, implantação do CNC, como acontece há décadas com outras categorias profissionais.
Paralelo a essa, também está em trâmite há um bom tempo, a luta pela votação das novas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo, cuja grade e filosofia curricular, há tempo vem exigindo uma renovação em prol, sobretudo, das novas exigências que recaem sobre o novo perfil do profissional da comunicação.
Enfim, pautas sobre o futuro do jornalismo é o que não falta no Congresso e Senado brasileiro. Do outro lado, entretanto, sobra descaso por parte dos representantes populares para com pleitos de tamanha relevância para a sociedade.
E assim caminha o parlamento, que depois das últimas eleições, promete andar a passos ainda mais lentos e capengas...
Como forma de fortalecer a categoria em torno da luta em prol da luta, a FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas realizam de 18 a 23 de outubro, a Semana da Comunicação, que será precedida de ato simbólico em São Paulo, dia 15. A mobilização terá a luta em defesa do diploma, a instalação do Conselho Nacional de Comunicação (CNC) e outros direitos de interesse, vale ressaltar, não apenas da categoria, mas da sociedade civil como é o caso da, enfim, implantação do CNC, como acontece há décadas com outras categorias profissionais.
Paralelo a essa, também está em trâmite há um bom tempo, a luta pela votação das novas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo, cuja grade e filosofia curricular, há tempo vem exigindo uma renovação em prol, sobretudo, das novas exigências que recaem sobre o novo perfil do profissional da comunicação.
Enfim, pautas sobre o futuro do jornalismo é o que não falta no Congresso e Senado brasileiro. Do outro lado, entretanto, sobra descaso por parte dos representantes populares para com pleitos de tamanha relevância para a sociedade.
E assim caminha o parlamento, que depois das últimas eleições, promete andar a passos ainda mais lentos e capengas...
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Mídia e a escalada para o mundo político
Alguns resultados apresentados no primeiro turno das eleições 2010 evidenciaram algo cada vez mais notório e que se constitui como o principal foco de comentário deste espaço que é o poder de influência da mídia no mundo contemporâneo. Neste caso, esse fenômeno ficou, mais uma vez evidente, através da escalada de alguns personagens famosos ao mundo da política.
O caso mais notório nesta eleição, como é do conhecimento de todos os brasileiros, é a candidatura pra lá de bem sucedida do humorista Tiririca, a quem muitos, equivocadamente, o designam como palhaço. A vitória do personagem midiático cujas apresentações no Horário de Propaganda Político Gratuito se configuraram como uma verdadeira aberração ao bom senso e desrespeito ao voto consciente tão propagado pela Justiça Eleitoral, reforça um fenômeno que há tempo vem se repetindo a cada eleição e que vulgarmente – e também equivocadamente - vem sendo denominado como um voto de ‘protesto’. Na eleição de 2006, o caso mais emblemático foi o do ex-estilista e apresentador, Clodovil que se elegeu com aproximadamente 500 mil votos, ou seja, praticamente, metade dos votos do mais novo fenômeno midiático de votação desta eleição, Tiririca que ultrapassou a margem de 1 milhão e meio de votos, se tornando o segundo deputado mais votado na história da política nacional. Mais um feito do reflexo dos efeitos midiáticos na política e, consequentemente, na vida do país.
O fato é que, atentas a essa possibilidade de escalada ao poder sem muitos esforços, as celebridades – incluindo aqui as duradouras e as instantâneas – se candidatam às eleições, aumentando cada vez mais o número de famosos em cada disputa. Não obstante, analisando o panorama geral de candidaturas de personagens produzidos pela mídia, os resultados desta e das eleições anteriores, também tem evidenciado que os holofotes midiáticos não se constituírem uma receita infalível para a vitória nas urnas. Basta ver o número de famosos consagrados nas urnas neste pleito. Para efeito de constatação, da longa lista de famosos que registraram candidatura no TSE, só conseguiram se eleger: o ex-jogador Romário (PSB-RJ), com 1,84% dos votos válidos, o humorista Tiririca (PR-SP), com 6,35%,; o ex-jogador do Grêmio Danrlei, com 2,90%, Stepan Nercessian (PPS-RJ), com 1,84% e o ex-BBB, Jean Wyllys (Psol-RJ), com 1,05% dos votos.
Por outro lado, não se deve ignorar o fato de que o poder eleitoral da mídia nas urnas, não beneficia apenas as celebridades. O raio de ação da fama e glamour popular conquistado por esses personagens midiaticos, sobretudo, através das aparições permanentes na TV, se estende desses aos graus de parentescos, se tornando o maior cabo eleitoral dos parentes nas disputas aos pleitos diversos. Revelando-se uma autêntica herança nas urnas.
Um dos exemplos desse efeito de influência midiática foi a eleição do filho do apresentador Ratinho, o Ratinho Jr, que, numa demonstração do que costuma acontecer nesses casos, foi o deputado federal mais votado do PR. Ou seja, não basta ser famoso, o importante é colocar a família para participar.....
O caso mais notório nesta eleição, como é do conhecimento de todos os brasileiros, é a candidatura pra lá de bem sucedida do humorista Tiririca, a quem muitos, equivocadamente, o designam como palhaço. A vitória do personagem midiático cujas apresentações no Horário de Propaganda Político Gratuito se configuraram como uma verdadeira aberração ao bom senso e desrespeito ao voto consciente tão propagado pela Justiça Eleitoral, reforça um fenômeno que há tempo vem se repetindo a cada eleição e que vulgarmente – e também equivocadamente - vem sendo denominado como um voto de ‘protesto’. Na eleição de 2006, o caso mais emblemático foi o do ex-estilista e apresentador, Clodovil que se elegeu com aproximadamente 500 mil votos, ou seja, praticamente, metade dos votos do mais novo fenômeno midiático de votação desta eleição, Tiririca que ultrapassou a margem de 1 milhão e meio de votos, se tornando o segundo deputado mais votado na história da política nacional. Mais um feito do reflexo dos efeitos midiáticos na política e, consequentemente, na vida do país.
O fato é que, atentas a essa possibilidade de escalada ao poder sem muitos esforços, as celebridades – incluindo aqui as duradouras e as instantâneas – se candidatam às eleições, aumentando cada vez mais o número de famosos em cada disputa. Não obstante, analisando o panorama geral de candidaturas de personagens produzidos pela mídia, os resultados desta e das eleições anteriores, também tem evidenciado que os holofotes midiáticos não se constituírem uma receita infalível para a vitória nas urnas. Basta ver o número de famosos consagrados nas urnas neste pleito. Para efeito de constatação, da longa lista de famosos que registraram candidatura no TSE, só conseguiram se eleger: o ex-jogador Romário (PSB-RJ), com 1,84% dos votos válidos, o humorista Tiririca (PR-SP), com 6,35%,; o ex-jogador do Grêmio Danrlei, com 2,90%, Stepan Nercessian (PPS-RJ), com 1,84% e o ex-BBB, Jean Wyllys (Psol-RJ), com 1,05% dos votos.
Por outro lado, não se deve ignorar o fato de que o poder eleitoral da mídia nas urnas, não beneficia apenas as celebridades. O raio de ação da fama e glamour popular conquistado por esses personagens midiaticos, sobretudo, através das aparições permanentes na TV, se estende desses aos graus de parentescos, se tornando o maior cabo eleitoral dos parentes nas disputas aos pleitos diversos. Revelando-se uma autêntica herança nas urnas.
Um dos exemplos desse efeito de influência midiática foi a eleição do filho do apresentador Ratinho, o Ratinho Jr, que, numa demonstração do que costuma acontecer nesses casos, foi o deputado federal mais votado do PR. Ou seja, não basta ser famoso, o importante é colocar a família para participar.....
domingo, 3 de outubro de 2010
Embate político-partidário e midiático
Em continuação a um fenômeno que tem se tornado repetitivo na história recente das eleições político-partidárias da Paraíba, os eleitores paraibanos prorrogaram para um segundo turno, a decisão da campanha eleitoral para o Governo do Estado.
Mais que a continuação da disputa entre os dois candidatos mais votados para o cargo - Ricardo (PSB) e Maranhão (PMDB)- a decisão pelo segundo turno implica, como é do conhecimento de toda a Paraíba, pelo embate dos dois principais grupos midiáticos do Estado, os quais vem colocando - ora de forma implícita, ora nem tanto -, os seus diversos veículos de comunicação à serviço da campanha dos dois postulantes ao Poder Executivo Estadual.
Tal realidade foi perfeitamente explicitada, na etapa final da disputa eleitoral, através da cobertura da apuração dos votos feita por jornalistas representantes de ambos os grupos, cujas falas, longe da imparcialidade que rege os manuais de jornalismo, deixaram transparecer o duelo político partidiário e midiático que envolve a eleição no Estado, o qual, como se não bastasse, terá de arcar, mais uma vez, com a prorrogação de mais uma campanha pra lá de cara aos cofres públicos...
Bom seria, poder ver, ao menos parte do montante gasto nesses embates, empregado em prol da melhoria de serviços básicos e essenciais à vida dos cidadãos eleitores, a exemplo da melhoria da saúde e da educaçaõ pública, para os quais, os holofotes da mídia, aliás, deveriam estar focados com uma maior atenção, ao invés de se restringir à divulgação da agenda dos candidatos, pelos próximos dias...
A decisão, desta vez, conforme se pode prever, está nas mãos dos eleitores que voram em branco ou anularam os votos, para quem, os candidatos deverão se voltar com uma atenção especial. Afora isso, é tudo no mesmo.
Por isso mesmo, aproveitamos para reforçar o alerta aos caros amigos internautas no sentido de que, além da mídia, mantenhamos os nossos olho bem abertos para o segundo turno das urnas...
Mais que a continuação da disputa entre os dois candidatos mais votados para o cargo - Ricardo (PSB) e Maranhão (PMDB)- a decisão pelo segundo turno implica, como é do conhecimento de toda a Paraíba, pelo embate dos dois principais grupos midiáticos do Estado, os quais vem colocando - ora de forma implícita, ora nem tanto -, os seus diversos veículos de comunicação à serviço da campanha dos dois postulantes ao Poder Executivo Estadual.
Tal realidade foi perfeitamente explicitada, na etapa final da disputa eleitoral, através da cobertura da apuração dos votos feita por jornalistas representantes de ambos os grupos, cujas falas, longe da imparcialidade que rege os manuais de jornalismo, deixaram transparecer o duelo político partidiário e midiático que envolve a eleição no Estado, o qual, como se não bastasse, terá de arcar, mais uma vez, com a prorrogação de mais uma campanha pra lá de cara aos cofres públicos...
Bom seria, poder ver, ao menos parte do montante gasto nesses embates, empregado em prol da melhoria de serviços básicos e essenciais à vida dos cidadãos eleitores, a exemplo da melhoria da saúde e da educaçaõ pública, para os quais, os holofotes da mídia, aliás, deveriam estar focados com uma maior atenção, ao invés de se restringir à divulgação da agenda dos candidatos, pelos próximos dias...
A decisão, desta vez, conforme se pode prever, está nas mãos dos eleitores que voram em branco ou anularam os votos, para quem, os candidatos deverão se voltar com uma atenção especial. Afora isso, é tudo no mesmo.
Por isso mesmo, aproveitamos para reforçar o alerta aos caros amigos internautas no sentido de que, além da mídia, mantenhamos os nossos olho bem abertos para o segundo turno das urnas...
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