A resposta de alguns dos mineiros chilenos resgatados recentemente de uma mina, onde se encontravam soterrados por mais de dois meses, ao assédio da imprensa porque esses vem passando desde o desfecho final do episódio, ressoou como um basta à estratégia revelada por boa parte da mídia mundial que, em nome da audiência, insiste em transformar pessoas comuns em celebridades instantâneas.
Ao pedir, em entrevista concedida à televisão estatal chilena TVN, que a imprensa não tratasse a ele e aos colegas como artistas, mas, simplesmente como trabalhadores mineiros que o são, Mário Sepúlveda, não apenas reivindicou para si para os demais amigos, o direito de privacidade e de poder ficar em paz ao lado de seus familiares, depois de uma dolorosa e longa experiência, como ao mesmo tempo, contrariou parte da mídia para quem todo e qualquer ser humano dá tudo pelos tão propagados quinze segundos de fama.
Outro sobrevivente do quase trágico acontecimento, consequente do descaso dos empresários do ramo de mina, a demonstrar uma postura serena frente ao assédio midiático foi o chileno Franklim Lobo. Ele criticou a tentativa sensacionalista dos meios de comunicação em tentar transformar ele e seus colegas em heróis, alertando que, na verdade, todos foram e são vítimas do dono da mina na qual ficaram presos por mais de 60 dias em clima de desespero.
Longe da máxima perseguida pelos afãs de se tornarem celebridades instantâneas - a versão do nissin miojo humano- da qual tanto se alimentam, em particular, as emissoras de TV, o breve discurso doz trabalhadores chilenos desnuda cada vez mais o espetáculo produzido pela mídia em torno do lastimável episódio de que eles e mais 30 outros trabalhadores foram vítimas, cuja cobertura transmitida ao vivo para mais de cem paises, mais parecia uma final de reality show.
Ao seu modo simples de ser, o mineiro Mário Sepúlveda deixou evidente que a privacidade e, muito menos, a experiência dolorosa não podem se reduzir ao famigerado e lucrativo jogo de mercantilização da emoção humana de que tanto se vale a mídia moderna em nome da disputa por audiência e captação de retorno financeiro.
Que a mensagem seja bem digerida por aqueles profissionais que fazem a mídia jornalística de todo o mundo e que precisam rever urgentemente o verdadeiro e relevante papel do jornalismo na sociedade, por mais que esta esteja emblematicamente associada à espetacularização. Do contrário, vivemos a iminente ameaça de vermos o mundo inteiro ser reduzido ao encantado show de truman....
Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
domingo, 17 de outubro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Mídia: a grande vilã das eleições 2010
Cresce, pelo Brasil afora, o número de políticos derrotados nas urnas nas últimas eleições revoltados com a mídia. Depois de Lula, mais recentemente foi a vez do ex-pagodeiro e apresentador Netinho de Paula (PcdoB), metralhar a imprensa, acusando-a de haver conspirado contra sua candidatura a senador.
Inconformado com a terceira colocação, Netinho considerou que os resultados das eleições foram frutos do poder de influência de 'órgãos muito poderosos', a exemplo da mídia que, fazendo côro com o presidente Lula, está tomando partido a favor de determinados candidatos e, contra outros.
O discurso de ambos personagens públicos revela uma tendência analítica de um número crescente de políticos que, a cada período eleitoral, faz da mídia uma grande vilã. A mesma que, a depender dos resultados das urnas, passa a ser amada por uns e odiada por outros. E, paradoxalmente, amada e odiada pelos mesmos personagens que, costumam alterar os seus discursos, a depender da direção dos ventos eleitorais...
Inconformado com a terceira colocação, Netinho considerou que os resultados das eleições foram frutos do poder de influência de 'órgãos muito poderosos', a exemplo da mídia que, fazendo côro com o presidente Lula, está tomando partido a favor de determinados candidatos e, contra outros.
O discurso de ambos personagens públicos revela uma tendência analítica de um número crescente de políticos que, a cada período eleitoral, faz da mídia uma grande vilã. A mesma que, a depender dos resultados das urnas, passa a ser amada por uns e odiada por outros. E, paradoxalmente, amada e odiada pelos mesmos personagens que, costumam alterar os seus discursos, a depender da direção dos ventos eleitorais...
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Jornalismo em votação
Depois das eleições do primeiro turno, foi adiada, mais uma vez, no Senado, a votação da PEC 33/09 que trata da regulamentação da atividade jornalística com o retorno da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Marcada para o último dia 6 de outubro, a apreciação da PEC dos jornalistas foi suspensa, mais uma vez, pela falta de quorum, reforçando novamente, as reais intenções dos parlamentares para com a questão que já se tornou um dilema que se arrasta há quase dois anos, sem resposta alguma.
Como forma de fortalecer a categoria em torno da luta em prol da luta, a FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas realizam de 18 a 23 de outubro, a Semana da Comunicação, que será precedida de ato simbólico em São Paulo, dia 15. A mobilização terá a luta em defesa do diploma, a instalação do Conselho Nacional de Comunicação (CNC) e outros direitos de interesse, vale ressaltar, não apenas da categoria, mas da sociedade civil como é o caso da, enfim, implantação do CNC, como acontece há décadas com outras categorias profissionais.
Paralelo a essa, também está em trâmite há um bom tempo, a luta pela votação das novas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo, cuja grade e filosofia curricular, há tempo vem exigindo uma renovação em prol, sobretudo, das novas exigências que recaem sobre o novo perfil do profissional da comunicação.
Enfim, pautas sobre o futuro do jornalismo é o que não falta no Congresso e Senado brasileiro. Do outro lado, entretanto, sobra descaso por parte dos representantes populares para com pleitos de tamanha relevância para a sociedade.
E assim caminha o parlamento, que depois das últimas eleições, promete andar a passos ainda mais lentos e capengas...
Como forma de fortalecer a categoria em torno da luta em prol da luta, a FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas realizam de 18 a 23 de outubro, a Semana da Comunicação, que será precedida de ato simbólico em São Paulo, dia 15. A mobilização terá a luta em defesa do diploma, a instalação do Conselho Nacional de Comunicação (CNC) e outros direitos de interesse, vale ressaltar, não apenas da categoria, mas da sociedade civil como é o caso da, enfim, implantação do CNC, como acontece há décadas com outras categorias profissionais.
Paralelo a essa, também está em trâmite há um bom tempo, a luta pela votação das novas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo, cuja grade e filosofia curricular, há tempo vem exigindo uma renovação em prol, sobretudo, das novas exigências que recaem sobre o novo perfil do profissional da comunicação.
Enfim, pautas sobre o futuro do jornalismo é o que não falta no Congresso e Senado brasileiro. Do outro lado, entretanto, sobra descaso por parte dos representantes populares para com pleitos de tamanha relevância para a sociedade.
E assim caminha o parlamento, que depois das últimas eleições, promete andar a passos ainda mais lentos e capengas...
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Mídia e a escalada para o mundo político
Alguns resultados apresentados no primeiro turno das eleições 2010 evidenciaram algo cada vez mais notório e que se constitui como o principal foco de comentário deste espaço que é o poder de influência da mídia no mundo contemporâneo. Neste caso, esse fenômeno ficou, mais uma vez evidente, através da escalada de alguns personagens famosos ao mundo da política.
O caso mais notório nesta eleição, como é do conhecimento de todos os brasileiros, é a candidatura pra lá de bem sucedida do humorista Tiririca, a quem muitos, equivocadamente, o designam como palhaço. A vitória do personagem midiático cujas apresentações no Horário de Propaganda Político Gratuito se configuraram como uma verdadeira aberração ao bom senso e desrespeito ao voto consciente tão propagado pela Justiça Eleitoral, reforça um fenômeno que há tempo vem se repetindo a cada eleição e que vulgarmente – e também equivocadamente - vem sendo denominado como um voto de ‘protesto’. Na eleição de 2006, o caso mais emblemático foi o do ex-estilista e apresentador, Clodovil que se elegeu com aproximadamente 500 mil votos, ou seja, praticamente, metade dos votos do mais novo fenômeno midiático de votação desta eleição, Tiririca que ultrapassou a margem de 1 milhão e meio de votos, se tornando o segundo deputado mais votado na história da política nacional. Mais um feito do reflexo dos efeitos midiáticos na política e, consequentemente, na vida do país.
O fato é que, atentas a essa possibilidade de escalada ao poder sem muitos esforços, as celebridades – incluindo aqui as duradouras e as instantâneas – se candidatam às eleições, aumentando cada vez mais o número de famosos em cada disputa. Não obstante, analisando o panorama geral de candidaturas de personagens produzidos pela mídia, os resultados desta e das eleições anteriores, também tem evidenciado que os holofotes midiáticos não se constituírem uma receita infalível para a vitória nas urnas. Basta ver o número de famosos consagrados nas urnas neste pleito. Para efeito de constatação, da longa lista de famosos que registraram candidatura no TSE, só conseguiram se eleger: o ex-jogador Romário (PSB-RJ), com 1,84% dos votos válidos, o humorista Tiririca (PR-SP), com 6,35%,; o ex-jogador do Grêmio Danrlei, com 2,90%, Stepan Nercessian (PPS-RJ), com 1,84% e o ex-BBB, Jean Wyllys (Psol-RJ), com 1,05% dos votos.
Por outro lado, não se deve ignorar o fato de que o poder eleitoral da mídia nas urnas, não beneficia apenas as celebridades. O raio de ação da fama e glamour popular conquistado por esses personagens midiaticos, sobretudo, através das aparições permanentes na TV, se estende desses aos graus de parentescos, se tornando o maior cabo eleitoral dos parentes nas disputas aos pleitos diversos. Revelando-se uma autêntica herança nas urnas.
Um dos exemplos desse efeito de influência midiática foi a eleição do filho do apresentador Ratinho, o Ratinho Jr, que, numa demonstração do que costuma acontecer nesses casos, foi o deputado federal mais votado do PR. Ou seja, não basta ser famoso, o importante é colocar a família para participar.....
O caso mais notório nesta eleição, como é do conhecimento de todos os brasileiros, é a candidatura pra lá de bem sucedida do humorista Tiririca, a quem muitos, equivocadamente, o designam como palhaço. A vitória do personagem midiático cujas apresentações no Horário de Propaganda Político Gratuito se configuraram como uma verdadeira aberração ao bom senso e desrespeito ao voto consciente tão propagado pela Justiça Eleitoral, reforça um fenômeno que há tempo vem se repetindo a cada eleição e que vulgarmente – e também equivocadamente - vem sendo denominado como um voto de ‘protesto’. Na eleição de 2006, o caso mais emblemático foi o do ex-estilista e apresentador, Clodovil que se elegeu com aproximadamente 500 mil votos, ou seja, praticamente, metade dos votos do mais novo fenômeno midiático de votação desta eleição, Tiririca que ultrapassou a margem de 1 milhão e meio de votos, se tornando o segundo deputado mais votado na história da política nacional. Mais um feito do reflexo dos efeitos midiáticos na política e, consequentemente, na vida do país.
O fato é que, atentas a essa possibilidade de escalada ao poder sem muitos esforços, as celebridades – incluindo aqui as duradouras e as instantâneas – se candidatam às eleições, aumentando cada vez mais o número de famosos em cada disputa. Não obstante, analisando o panorama geral de candidaturas de personagens produzidos pela mídia, os resultados desta e das eleições anteriores, também tem evidenciado que os holofotes midiáticos não se constituírem uma receita infalível para a vitória nas urnas. Basta ver o número de famosos consagrados nas urnas neste pleito. Para efeito de constatação, da longa lista de famosos que registraram candidatura no TSE, só conseguiram se eleger: o ex-jogador Romário (PSB-RJ), com 1,84% dos votos válidos, o humorista Tiririca (PR-SP), com 6,35%,; o ex-jogador do Grêmio Danrlei, com 2,90%, Stepan Nercessian (PPS-RJ), com 1,84% e o ex-BBB, Jean Wyllys (Psol-RJ), com 1,05% dos votos.
Por outro lado, não se deve ignorar o fato de que o poder eleitoral da mídia nas urnas, não beneficia apenas as celebridades. O raio de ação da fama e glamour popular conquistado por esses personagens midiaticos, sobretudo, através das aparições permanentes na TV, se estende desses aos graus de parentescos, se tornando o maior cabo eleitoral dos parentes nas disputas aos pleitos diversos. Revelando-se uma autêntica herança nas urnas.
Um dos exemplos desse efeito de influência midiática foi a eleição do filho do apresentador Ratinho, o Ratinho Jr, que, numa demonstração do que costuma acontecer nesses casos, foi o deputado federal mais votado do PR. Ou seja, não basta ser famoso, o importante é colocar a família para participar.....
domingo, 3 de outubro de 2010
Embate político-partidário e midiático
Em continuação a um fenômeno que tem se tornado repetitivo na história recente das eleições político-partidárias da Paraíba, os eleitores paraibanos prorrogaram para um segundo turno, a decisão da campanha eleitoral para o Governo do Estado.
Mais que a continuação da disputa entre os dois candidatos mais votados para o cargo - Ricardo (PSB) e Maranhão (PMDB)- a decisão pelo segundo turno implica, como é do conhecimento de toda a Paraíba, pelo embate dos dois principais grupos midiáticos do Estado, os quais vem colocando - ora de forma implícita, ora nem tanto -, os seus diversos veículos de comunicação à serviço da campanha dos dois postulantes ao Poder Executivo Estadual.
Tal realidade foi perfeitamente explicitada, na etapa final da disputa eleitoral, através da cobertura da apuração dos votos feita por jornalistas representantes de ambos os grupos, cujas falas, longe da imparcialidade que rege os manuais de jornalismo, deixaram transparecer o duelo político partidiário e midiático que envolve a eleição no Estado, o qual, como se não bastasse, terá de arcar, mais uma vez, com a prorrogação de mais uma campanha pra lá de cara aos cofres públicos...
Bom seria, poder ver, ao menos parte do montante gasto nesses embates, empregado em prol da melhoria de serviços básicos e essenciais à vida dos cidadãos eleitores, a exemplo da melhoria da saúde e da educaçaõ pública, para os quais, os holofotes da mídia, aliás, deveriam estar focados com uma maior atenção, ao invés de se restringir à divulgação da agenda dos candidatos, pelos próximos dias...
A decisão, desta vez, conforme se pode prever, está nas mãos dos eleitores que voram em branco ou anularam os votos, para quem, os candidatos deverão se voltar com uma atenção especial. Afora isso, é tudo no mesmo.
Por isso mesmo, aproveitamos para reforçar o alerta aos caros amigos internautas no sentido de que, além da mídia, mantenhamos os nossos olho bem abertos para o segundo turno das urnas...
Mais que a continuação da disputa entre os dois candidatos mais votados para o cargo - Ricardo (PSB) e Maranhão (PMDB)- a decisão pelo segundo turno implica, como é do conhecimento de toda a Paraíba, pelo embate dos dois principais grupos midiáticos do Estado, os quais vem colocando - ora de forma implícita, ora nem tanto -, os seus diversos veículos de comunicação à serviço da campanha dos dois postulantes ao Poder Executivo Estadual.
Tal realidade foi perfeitamente explicitada, na etapa final da disputa eleitoral, através da cobertura da apuração dos votos feita por jornalistas representantes de ambos os grupos, cujas falas, longe da imparcialidade que rege os manuais de jornalismo, deixaram transparecer o duelo político partidiário e midiático que envolve a eleição no Estado, o qual, como se não bastasse, terá de arcar, mais uma vez, com a prorrogação de mais uma campanha pra lá de cara aos cofres públicos...
Bom seria, poder ver, ao menos parte do montante gasto nesses embates, empregado em prol da melhoria de serviços básicos e essenciais à vida dos cidadãos eleitores, a exemplo da melhoria da saúde e da educaçaõ pública, para os quais, os holofotes da mídia, aliás, deveriam estar focados com uma maior atenção, ao invés de se restringir à divulgação da agenda dos candidatos, pelos próximos dias...
A decisão, desta vez, conforme se pode prever, está nas mãos dos eleitores que voram em branco ou anularam os votos, para quem, os candidatos deverão se voltar com uma atenção especial. Afora isso, é tudo no mesmo.
Por isso mesmo, aproveitamos para reforçar o alerta aos caros amigos internautas no sentido de que, além da mídia, mantenhamos os nossos olho bem abertos para o segundo turno das urnas...
sábado, 2 de outubro de 2010
De olho na urna!
Na condição de eleitor cidadão, jornalista e blogueiro, gostaria de deixar registrado aqui neste espaço, um pedido de alerta aos amigos e amigas junto aos quais iremos, neste dia 3 de outubro, decidir os rumos do nosso país e, consequentemente, de nossas vidas, por no mínimo, mais quatro anos: De olho na urna!.
E não nos esqueçamos de que discursos são apenas palavras organizadas retoricamente com o poder de persuasão e, pesquisas eleitorais, são apenas números organizados estatisticamente como o mesmo fim....
E não nos esqueçamos de que discursos são apenas palavras organizadas retoricamente com o poder de persuasão e, pesquisas eleitorais, são apenas números organizados estatisticamente como o mesmo fim....
domingo, 26 de setembro de 2010
Lula, mídia e a velha retórica socialista
Incomodado com as reincidentes críticas dirigidas por parte da imprensa, o presidente Lula saiu em defesa própria e em discurso proferido recentemente ao portal Terra, rebateu acusações de autoritarismo, reafirmou seu papel de líder partidário simultâneo ao de chefe de Estado e reativou argumentos utilizados ainda na época de sua retórica enquanto sindicalista e pré-candidato a Presidência da República.
Na entrevista concedida ao Terra - publicada no dia 23 de setembro - o presidente foi categórico ao afirmar que, na sua opinião, assim como acontece nos E.U.A, a imprensa brasileira deveria assumir uma postura política-partidária explícita durante as campanhas eleitorais presidenciáveis, criticando a pseuda neutralidade jornalística, algo já apresentado neste espaço.
Questionado sobre os ataques feitos anteriormente à imprensa, Lula se auto-intitulou como uma autoridade essencialmente democrática afirmando duvidar da existência de um país na face da terra com mais liberdade de comunicação do que o Brasil em se tratando do tratamento do Governo. Para Lula, "o que acontece muitas vezes é que uma crítica que você recebe é tida como democrática e uma crítica que você faz é tida como antidemocrática”, o que, em parte, tem toda a razão.
Aprofundando-se mais na questão da democratização da comunicação no país, o presidente foi mais além e mencionou o monopólio que caracteriza a realidade no Brasil em que os meios de comunicação de massa estão concentrados nas mãos de pouco mais de nove famílias. Ao falar dos grupos oligopólios de comunicação – sem citar nomes – ele acrescentou que "muita gente" não teria gostado do fato de seu governo ter distribuído os recursos para publicidade para imprensa entre vários Estados brasileiros".
Ao reativar uma velha retórica socialista e dizer algumas verdades que, de fato, ainda incomodam aqueles que lutam pela tão sonhada democratização da comunicação no país - e, mais ainda os que estão na contra-mão dessa expectativa-, o presidente só esqueceu de falar a respeito dos resultados concretos da 1ª Conferencia Nacional de Comunicação (CONFECOM), realizada em abril de 2009 com a proposta de debater as políticas de comunicação social nos vários setores e a efetivação da democratização da comunicação no país.
Considerado um marco na história da comunicação social no país, passados quase dois anos, o fato é que até o momento, o evento caiu no vazio e nenhuma das propostas de políticas de comunicação a favor do interesse público dicutidas foram efetivadas. AS razões para tal resultado, como se pode prevê sem nenhum grande esforço está na soberania dos grupos oligopólios que continuam detendo o poder majoritário da mídia no país e cujos representantes, vale lembrar, fugiram das discussões apresentadas na Confecom.
Assim, o presidente perdeu uma excelente oportunidade de, na retomada de um velho discurso repleto de verdades e anseios imorredouros demonstrar, além das palavras de alerta que já se tornaram clichês na boca de políticos da velha ‘esquerda’, ações concretas e reais de mudanças na história da comunicação social no Brasil. Como diria um velho jargão: palavras soltas ao vento....
Na entrevista concedida ao Terra - publicada no dia 23 de setembro - o presidente foi categórico ao afirmar que, na sua opinião, assim como acontece nos E.U.A, a imprensa brasileira deveria assumir uma postura política-partidária explícita durante as campanhas eleitorais presidenciáveis, criticando a pseuda neutralidade jornalística, algo já apresentado neste espaço.
Questionado sobre os ataques feitos anteriormente à imprensa, Lula se auto-intitulou como uma autoridade essencialmente democrática afirmando duvidar da existência de um país na face da terra com mais liberdade de comunicação do que o Brasil em se tratando do tratamento do Governo. Para Lula, "o que acontece muitas vezes é que uma crítica que você recebe é tida como democrática e uma crítica que você faz é tida como antidemocrática”, o que, em parte, tem toda a razão.
Aprofundando-se mais na questão da democratização da comunicação no país, o presidente foi mais além e mencionou o monopólio que caracteriza a realidade no Brasil em que os meios de comunicação de massa estão concentrados nas mãos de pouco mais de nove famílias. Ao falar dos grupos oligopólios de comunicação – sem citar nomes – ele acrescentou que "muita gente" não teria gostado do fato de seu governo ter distribuído os recursos para publicidade para imprensa entre vários Estados brasileiros".
Ao reativar uma velha retórica socialista e dizer algumas verdades que, de fato, ainda incomodam aqueles que lutam pela tão sonhada democratização da comunicação no país - e, mais ainda os que estão na contra-mão dessa expectativa-, o presidente só esqueceu de falar a respeito dos resultados concretos da 1ª Conferencia Nacional de Comunicação (CONFECOM), realizada em abril de 2009 com a proposta de debater as políticas de comunicação social nos vários setores e a efetivação da democratização da comunicação no país.
Considerado um marco na história da comunicação social no país, passados quase dois anos, o fato é que até o momento, o evento caiu no vazio e nenhuma das propostas de políticas de comunicação a favor do interesse público dicutidas foram efetivadas. AS razões para tal resultado, como se pode prevê sem nenhum grande esforço está na soberania dos grupos oligopólios que continuam detendo o poder majoritário da mídia no país e cujos representantes, vale lembrar, fugiram das discussões apresentadas na Confecom.
Assim, o presidente perdeu uma excelente oportunidade de, na retomada de um velho discurso repleto de verdades e anseios imorredouros demonstrar, além das palavras de alerta que já se tornaram clichês na boca de políticos da velha ‘esquerda’, ações concretas e reais de mudanças na história da comunicação social no Brasil. Como diria um velho jargão: palavras soltas ao vento....
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