Sejam Bem Vindo (a)!

Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A PEC dos jornalistas: a luta continua!

Em andamento no Brasil há pouco mais de um ano, a luta da classe dos jornalistas pela restituição à obrigatoriedade do diploma acadêmico como exigência para o exercício da profissão alcança um dos momentos mais aguardados. Conforme texto divulgado no site da FEderação Nacional dos Jornalistas - FENAJ, "As atenções dos jornalistas brasileiros se voltam para o Congresso Nacional nesta semana, quando serão retomadas as atividades legislativas após o recesso parlamentar de julho".

Trata-se da decisão em cima da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 33/09, do senador Antônio Carlos Valadares (PSB/SE), uma das matérias que podem ir à votação em plenário neste período de esforço concentrado. Tramitando em regime especial de votações, a PEC 33/09, que restabelece a exigência do diploma em curso superior de Jornalismo como requisito para o exercício da profissão é uma das matérias apontadas como prioritárias por acordo entre as lideranças partidárias antes do início do recesso. Mas não foi à votação no esforço concentrado realizado no dia 7 de julho.

Não obstante, é bom lembrar que a pedra, no caso, poderíamos chamar de verdadeira 'rocha' que se encontra travada no caminho dos jornalistas para a vitória no Senado, é o seu próprio representante maior, o senador José Sarney, proprietários de um dos maiores grupos de comunicação do país e cujo cargo exercido no SEnado, certamente, está longe de qualquer isenção, ou mesmo, 'boas intenções' para com os 'proletariados da indústria da informação'.

Contudo, como a esperança é a última que morre e o brasileiro não desiste nunca. Confiemos na força credível dos jargões e aguardemos o próximo capítulo dessa novela que, a julgar pelos trâmites até aqui registrados, está mais para uma mini-série com um número de episódios indeterminado...

domingo, 1 de agosto de 2010

Jornalismo, Internet e a era da opinião....

Pesquisas realizadas em várias partes do mundo continuam revelando uma mudança significativa no modo de produção e recepção do principal produto jornalístico que é a notícia, com o advento do avanço das chamadas midias sociais. Nesse sentido, o blog continua sendo o principal canal responsável por esse fenômeno, já visto por muitos como a última maior revolução no mundo da comunicação e de transformação no jornalismo. Os últimos dados mais curiosos estão numa pesquisa norte-americana divulgada a pouco mais de um mês e que derrubou uma série de mitos e preconceitos sobre a polêmica relação entre jornalistas profissionais e blogueiros na produção de noticias. Realizado pelo Project for Excellence in Journalism (Projeto pela Excelência no Jornalismo - PEJ), o trabalho assegura que os blogs e os twitters lideram folgadamente a produção de noticias sobre ciência e tecnologia. é bom dizer que não é lá novidade, uma vez que há tres anos, já foi divulgada uma outra análise, segundo a qual, a imprensa tradicional norte-americana passou a se pautar pelos blogs mais difundidos no país do tio Sam.

Os resultados dessa última pesquisa vão ao encontro de diversas outras já divulgadas, segundo as quais, mais da metade dos norte-americanos já se informam mais na internet do que nos meios jornalísticos convencionais como jornais, revistas, rádio e televisão. Em contra-partida, segundo a pesquisa aqui mencionada, quase 99% das informações publicadas online ainda tem origem em veículos convencionais. Um dado também significativo. Mais que a resistência e permanência da existência da mídia tradicional no mundo contemporâneo dominado pelas midias virtuais, os números reforçam para um outro fenômeno ainda pouco discutido e até mesmo ignorado por muitos.

Trata-se do crescimento avassalador do gênero opinativo na chamada sociedade da informação, na qual, cresce a cada dia, a sede por explicações e interpretações acerca de muitos dos fatos e temas proliferados nos noticiários dos diversos tipos de veículos de comunicação. Pelo cenário já exposto, já se pode constatar que, mais que uma democratização e pluralização de fontes de informação, a popularização de mídias como o blog aponta para um fortalecimento de pulverização e sedimentação do mercado de consumo de opiniões. Não nos admiremos se, em breve, surgir no mercado editorial, o livro "Opinião - um produto á venda", parafraseando uma das obras clássicas do jornalismo brasileiro, de autoria da pesquisadora Cremilda Medina.

Não obstante, é bom ressaltar, que estamos falando aqui de um produto ainda mais poderoso e com sequelas mais duradoras. Referimo-nos à opinião balizada, bem fundamentada e advinda de emissores com capacidade para emitir juízos de valores sobre os fatos e temas divulgados no espaço midiático e consumidos por milhões de pessoas.

E, nesse caso, o jornalista, por motivos óbvios, pode e deve apresentar vantagens nesse conflito que põe de um lado, a figura do profissional de imprensa como ainda o arauto da informação sólida e contextualizada, de outro, o blogueiro, esse novo ser informante e opinante que, em geral, navega ao sabor dos ventos da pluralidade comunicacional, sem o domínio da técnica de apuração e desenvolvimento dos dados de interesse público.

Uma coisa é certa, seja jornalista ou mesmo blogueiro, o fato é que a qualidade e sustentabilidade da versão dos fatos, continuará fazendo a diferença nesse mundo cada vez mais caótico e complicado em que, do contrário do que já defendia, há décadas, a dupla de ‘gurús’:Raul Seixas e Paulo Coelho, melhor seria ter uma opinião formada sobre tudo, do que ser uma metamorfose ambulante....

sexta-feira, 23 de julho de 2010

futebol, mídia e educação

Recebi recentemente de um amigo, um e-mail com uma mensagem curta mas de profunda reflexão. Nele, o mesmo trazia o seguinte enunciado: No futebol, o Brasil ficou entre os oito melhores do mundo e todos estão tristes. Na educação é o 85º e ninguém reclama...

Como sabemos, não se trata de nenhum grande absurdo em se tratando do país que ainda se auto intitula o 'pais do futebol' e onde mais da metade da população sofre do total descaso de falta de política educacionais. Mas nem por isso mesmo devemos deixar de lado tal afirmativa e menosprezar as consequencias que essa verdade acarreta para o futuro da nação.

Menos ainda, ignorar, ou fazer vistas grossas para as causas que justificam essa situação calamitosa em que a mídia, por meio de sua ambição desenfreada pelo altos lucros, vale ressaltar, tem uma grande parte de culpa. Um problema cada vez mais alimentado pela omissão dos poderes políticos constituídos que, de mãos dada com a negligência dos meios de comunicação de massa, continuam por traçar o mapa da miserabilidade social do povo brasileiro.

Nesse sentido, nunca é demais ressaltar e relembrar que a educação por parte dos meios de comunicação faz parte dos deveres legais contidos na Lei Magna da Nação. Um dever que vem sendo barganhado e sufocado pela indústria de entretenimento midiático.

terça-feira, 13 de julho de 2010

As lições que emergiram da Copa 2010....

Depois de longos e intensos 30 dias, chega ao fim mais uma edição daquele que continua, em detrimento dos jogos olímpicos, sendo o maior e mais apoteótico espetáculo esportivo do mundo. Aquela que para alguns, se trata da última Copa do planeta, uma vez que 2012 vem ai, frustando as expectativas do povo brasileiro de sobreviver até 2014...

Contudo, de concreto mesmo temos a certeza de que, mais que um evento esportivo internacional, o Campeonato Mundial de Futebol continua demonstrando a força da bola em fazer a população mundial praticamente parar, de quatro em quatro anos, reforçando a metáfora de que o mundo é uma bola. E de que assim como o orbe terrestre, são muitos e divergentes os interesses que giram em torno desta...

Mas foi nesse contexto de adoração ao asteróide mais ilustre do planeta, neste período do calendário, a majestade bola, que nações do mundo inteiro compartilharam, sob o domínio, desta feita, do continente mãe sul-africano, dos mesmos sentimentos e reações emotivas. Das mesmas expectativas e frustações. Das mesmas alegrias e tristezas.

E, em como toda grande experiência vivida coletivamente, ficaram algumas lições a serem refletidas por todos os milhões de espectadores que acompanharam o big evento futebolístico. Nesse sentido, dentre algumas das verdades universais reforçadas pela Copa 2010, podemos destacar as seguintes:'

1 – A verdade de que, em mais uma demonstração inequívoca, somos todos de uma mesma raça e que tem na terra sul-africana o berço original;
2 - A realizada imperial da majestade bola que, como muito bem descreveu certa vez o maior cronista esportivo brasileiro de todos os tempos Armando Nogueira: "se bem soubesse o encanto que tem, não passaria a vida rolando de pé em pé...";
2 – O fato de que o futebol é e sempre será uma ‘caixinha’ de surpresa indefinível, contrariando as diversas vozes técnicas que emergem do povo e calando os 'sabios' comentaristas esportivos;
3 – Que, além da zebra – simbolicamente presente nos resultados pra lá de inesperados -, e dos diversos mascotes animais já figurados até aqui– o novo ícone da Copa é um polvo;
4 – E que, através da repercussão criada em torno do tal animal marítmo, constatou-se mais uma vez o pleno domínio e poder midiático na configuração do espetáculo futebolístico, desviando, inclusive, o glamour dos jogadores para um animal qualquer.
5 – Que, futebol é de fato um negócio milionário (ou seria melhor bilionário? ) e de que, neste sentido, de um lado estão os que mandam ( e quem dá mais...), de outro, os que devem obedecer. Dunga que o diga!
6 - De que, como todo apoteótico e megalomaníaco evento, maior ainda são as ambições e estratégias que lhes servem de sustentáculo de manutenção;

Se você caro amigo internauta, porventura, tiver interesse, favor acrescentar nessa relação, outras lições apreendidas e aprendidas pela Copa 2010. O espaço está aberto!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Dunga x Globo: resultado final

Diferentemente do resultado do jogo do Brasil x Holanda, que surpreendeu não apenas os brasileiros mas diversas outras nacionalidades para quem a Seleção Verde e Amarelo era uma das favoritas para a final da Copa, o desfecho final do confronto entre Dunga x Globo, reforçou a previsão de muitos que assim como eu e o amigo Marcos Duarte, acreditavam que o confronto de Dunga x Globo, culminaria com a queda do cargo do ex-técnico dentro da CBF.

A forma como o seu desligamento se deu – segundo informações veiculadas na internet, por telefone - corrobora com a crença de que, de fato, outras forças ‘ocultas’ atuaram nos bastidores do alto clero do futebol brasileiro para quem a cabeça do ex-técnico já estava pronta na bandeja desde o início da Copa. O que, talvez, poderia ,mudar os rumos dos planos sórdidos da ‘toda poderosa Vênus Platinada’ era a conquista do Hexacampeonato, coisa que estava além dos poderes técnicos de Dunga.

Outro sinal de que a Globo não deixaria passar barato a postura ‘atrevida’ e ‘arredia’ de Dunga em, como ele mesmo disse em sua carta aberta à CBF e, mesmo antes dessa, corrigir erros passados, dentre os quais está o amplo poder da Rede Globo de Televisão sobre a Seleção em nome de uma exclusividade fechada a um preço para lá de exorbitante. Coisa que se repetia a cada Copa.

O silêncio da alta cúpula da direção da TV dos Marinho ao técnico durou até alguns segundos após a derrota da Seleção para a Holanda. Após isso, se deu início à uma enxurrada de comentários, crônicas e reportagens detonando Dunga, sob todos os aspectos possíveis e até inimagináveis. Até o Faustão, foi escalado para chutar forte na canela do ex-técnico que nos últimos dias foi alvo de diversas e duras críticas feitas com o claro objetivo de apontá-lo como o maior culpado pela saída da Seleção da Copa 2010.

Pudera, mexer com o brio dos donos do até então, maior império de comunicação do país, não poderia ser diferente. Mas, se acaso puder servir de consolo, se o Brasil deixou a Copa com um placar de 1x2, você Dunga saiu com um empate técnico e moral de 1x1 contra a Vênus Platinada. Isso sem falar no fato de que o ex-técnico arrebatou uma legião de fãs que ultrapassa a fronteira da chuteira e da bola, se expandindo até entre o grupo dos anti-futebolísticos, no qual estou inserido, para quem o futebol, além de um dos maiores negócios de entretenimento do mundo, nada mais é do que um dos maiores recursos de entorpecimento da mente humana. Que me desculpem os que pensam o contrário!.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O olhar etnocêntrico da mídia

Ao voltar suas lentes de maneira intensiva para o espetáculo da Copa do Mundo, por mais uma vez a chamada grande mídia explicita a sua intermitente tendência à espetacularização em detrimento dos problemas sociais que ocorrem em volta do mundo. O desnivelamento na cobertura jornalística sobre os jogos da Copa x a tragédia ocorrida nos estados nordrstinos de Pernambuco e Maceió ilustram de forma incontestável esse quadro que, apesar de não ser nenhuma novidade, continua causando repúdio.

O fato, como muito bem ressaltou o vigilante observatório da imprensa brasileira, Alberto Dines, reforça a lamentável realidade de que a imprensa nacional continua fechando os olhos para as tragédias fora do eixo sul-sudeste e, mais ainda, quando isso ocorre em época do maior e mais lucrativo espetáculo midiático do mundo que se constitui a Copa.

Trata-se de mais um episódio a desnudar o olhar etnocêntrico que pauta os maiores meios de comunicação do país para quem o relato humanístico - algo tido como o cerne central do jornalismo - cai por terra frente aos interesses mercadológicos que norteiam os grandes grupos midiáticos. É em ocasiões como essas que se deixa perceber de maneira ainda mais clara a inversão dos valores-notícias que verdadeiramente regem a imprensa cotidiandamente.

Nesse sentido, como se pode constatar, estatísticamente ganha maior relevância as cifras que fazem da Copa, o maior evento esportivo do mundo, em detrimento da morte de algumas dezenas de pessoas e centenas de milhares de outras desabrigadas vítimas da inoperância dos governos públicos que, como vemos, continuarão a culpar a mãe natureza, pelas terríveis catástrofes que castigam grande parte da população. E em se tratando no Nordeste, isso se torna ainda mais patente...

E como diz uma das ilustres canções do ex-ministro Gilberto Gil:"Entra ano, sai ano e nada vem/Meu sertão continua ao Deus dará/Mas se existe Jesus no firmamento/Cá na Terra Isso tem que se acabar.."

Enquanto isso, aos cidadãos vigilantes acerca dessa postura condenável por parte da grande imprensa, resta o nosso repúdio e registro aqui, nesse espaço que, como já ressaltamos por diversas vezes, ainda se constitui um dos fenômenos midiáticos autenticamente democrático e aberto a novos olhares midiáticos.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Dunga, Globo e a mídia

O episódio de desentendimento entre Dunga e a Rede Globo de Televisão continua repercutindo como uma atração a parte na Copa 2010 para os brasileiros. O confronto entre o técnico já apelidado de ‘Dunga – o zangado’, e a Vênus Platinada tem provocado uma série de discussões e dividido a opinião dos torcedores 'verde e amarelo'.

Para uns, Dunga vem sendo taxado de grosseiro e intolerante. Para outros, a atitude dele em dar um chute bem no meio da canela de parte dos profissionais da Globo que trabalham fazendo a cobertura dos jogos da Copa, significou uma bravura, um gesto aplaudido por muitos.

O fato é que o episódio vem dando o que falar, sobretudo, no ciberespaço, onde a emissão de opinião é soberana e por meio do qual se pode perceber a revolução que a blogosfera, em especial, continua representando para a relação da sociedade civil com a mídia.

Detalhes do duelo entre Dunga x Globo a parte, o interessante é ressaltarmos a forma como episódios dessa natureza vem repercutindo nos dias de hoje em que, longe do controle da mídia oficial, os olhares do espectador comum conseguem enxergar algo a mais do que é transmitido pelas redes de TV´s e emissoras de rádio. Em outras palavras, conseguem ir além das lentes 'objetivas' das câmaras televisivas e dos discursos padronizados radiofônicos de cabines de transmissão.

E isso é algo, ao nosso ver, a ser melhor refletido por todos os cidadãos para quem o desdobramento de notícias veiculadas pela grande mídia representa um sinal significativo da reformulação da relação destes com os meios de comunicação permitindo cada vez mais uma certa margem de democratização na troca de informações e, sobretudo, opiniões e interpretações sobre algo em destaque na esfera midiática.

Fazendo uma ponte desse ponto de vista com o episódio em questão, desdobramento como esse que acompanhamos no momento, ao que tudo indica, vem corroborar em muito com a corrente conspiradora contra a Vênus Platinada do grupo Marinho, coisa até pouco tempo, restrita aos muros universitários e parcela da sociedade civil mais crítica.