Considerado o mais recente fenômeno de bilheteria do cinema brasileiro, com um público de mais de 3 milhões, o filme Chico Xavier, de Daniel Filho, estreado no último dia 02 de abril, continua em cartaz no país com a promessa de ser um dos maiores sucessos dos últimos tempos da história da sétima arte no Brasil.
Até a presente data, o longa que narra a história de vida do médium espírita mais famoso do país, já ocupa o terceiro lugar no ranking das maiores bilheterias deste ano no país, tendo sido recordista de maior abertura de uma produção brasileira nos últimos 20 anos. Foram 586 mil pessoas em seu fim de semana de estréia.
Muito mais que um sucesso de bilheteria, a ampla aceitação do filme em todo o país revela um redirecionamento no rumo da indústria cinematográfica brasileira que passa a investir em temáticas até então inéditas, como é o caso da espiritualidade, receita essa, vale ressaltar, em voga na indústria hollywoodiana já há bastante tempo. Não que as produções de ação, comédia e romance deixem de ser trabalhadas, mas ao menos, se diversifica o roteiro para que assim, como se já se percebe, as salas de cinemas do país voltem a se tornar mais concorridas pelos cinéfilos, muitos dos quais, já haviam aderido à dvdmania.
Ao que parece, acertou em cheio tendo em vista se tratar de uma nação extremamente religiosa e aberta à diversidade cultural. Um povo que, a julgar pelo sucesso do filme em cartaz, apesar de se declarar católico e protestante em sua maioria, ainda cultiva outras crenças não permitidas pelas igrejas, a exemplo da comunicação com o mundo dos mortos como assevera ser possível o Espiritismo de quem Chico Xavier foi e ainda continua sendo o maior representante no país.
A conclusão advém do fato de que, considerada uma minoria no país, a comunidade espírita por si só muito dificilmente seria responsável pelo estouro de bilheteriaregistrado em todo o país. Outra explicação para tamanho sucesso, argumentam alguns, seria a ampla divulgação da Globo em torno da produção, o que por si só também não justifica os números, uma vez que o marketing da Globo Filmes tem sido praticamente o mesmo para outros longa-metragem e, assim como na política, nem sempre o marketing é infalível.
Para muitos cinéfilos, a razão estaria em torno da forte admiração que os brasileiros ainda alimentam sobre Chico Xavier, alguém que, independentemente do credo que professava, se tornou um ícone de dignidade e amor ao próximo. E, nesse sentido, certamente, nós estamos cada vez mais carentes. Sobretudo, numa época em que os escândalos saem do campo político e se alastram por entre os representantes e líderes religiosos das duas maiores vertentes cristãs vigentes no país.
Por esta ótica, tal fenômeno encontra sentido na tradicional busca por ídolos e heróis latente em todas as culturas e que tem na indústria cinematográfica, o escoamento de nossos ideais utópicos de salvação da humanidade....
Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
quinta-feira, 6 de maio de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
A ciberdependência
Parafraseando o título de um comentário postado recentemente por Washington Araújo noObservatório da Imprensa on line, no qual, o autor faz uma reflexão acerca do ‘vício’ que se tornou o uso do computador no dia-a-dia da vida moderna, gostaria de deixar registrado aqui, neste ciberespaço, a minha angústia em ter passado tanto tempo off-line, provocando uma lacuna de postagem no blog.
Causada por problemas de natureza técnica e por acúmulo de outros compromissos, tal lacuna me fez ver como, de fato, estamos cada vez mais enraizados na chamada ‘tecnocultura’ como defende o estudioso da comunicação Muniz Sodré. Trata-se de uma verdade já descrita por um dos maiores estudiosos do ciberespaço que é Pierre Lévy, para quem os mundos virtual e real estão entrelaçados de tal maneira que se torna difícil separar um do outro, ou mesmo definir o que é real.
A ausência de um, anula a existência do outro. Foi assim que me senti ao passar os longos dias distante de um computador, experiência que, como descreveu Washington, nos faz chegar a conclusão de que o mundo virtual é bem mais real do que se possa imaginar.
Neste contexto, se manter fora da blogosfera - embora para muitos já seja coisa ultrapassada- parece se tornar um pecado capital. Por isso mesmo estou retornando a este espaço, na esperança de poder continuar por um longo tempo on line, deixando apenas os problemas e neuras da vida moderna, em off line.
Causada por problemas de natureza técnica e por acúmulo de outros compromissos, tal lacuna me fez ver como, de fato, estamos cada vez mais enraizados na chamada ‘tecnocultura’ como defende o estudioso da comunicação Muniz Sodré. Trata-se de uma verdade já descrita por um dos maiores estudiosos do ciberespaço que é Pierre Lévy, para quem os mundos virtual e real estão entrelaçados de tal maneira que se torna difícil separar um do outro, ou mesmo definir o que é real.
A ausência de um, anula a existência do outro. Foi assim que me senti ao passar os longos dias distante de um computador, experiência que, como descreveu Washington, nos faz chegar a conclusão de que o mundo virtual é bem mais real do que se possa imaginar.
Neste contexto, se manter fora da blogosfera - embora para muitos já seja coisa ultrapassada- parece se tornar um pecado capital. Por isso mesmo estou retornando a este espaço, na esperança de poder continuar por um longo tempo on line, deixando apenas os problemas e neuras da vida moderna, em off line.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Suzana Vieira: a escandalosa Maria
A atriz global Suzana Vieira esteve recentemente em Caruaru, interior de Pernambuco, onde representou o personagem de Nossa Senhora a convite da produção de um dos maiores eventos do calendário turístico da região, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém. Contudo, ao contrário de outros astros do cast global, a exemplo de Eriberto Leão e Mauro Mendonça, ao invés de gloriosa, a passagem da atriz terminou sendo marcada pela revolta dos pernambucanos.
A reação foi causada por uma demonstração de desrespeito da artista à região considerada por ela como uma 'selva'.Em declaração feita à imprensa nacional a atriz sexagenária afirmou ter ferido um dos olhos por um graveto seco típico do lugar, 'existente há mais de cinco mil anos na região', onde ela afirmou ter sido 'abandonada pelo namorado, que a deixou sedenta por sexo'. Nada de outro mundo para quem conhece a persona de Suzana Vieira, figura lendária da televisão brasileira colecionadora de escândalos na vida privada.
As palavras polêmicas desferidas pela atriz reforça o preconceito secular de que o Nordeste ainda é vítima, mesmo em tempos de globalização em que a quebra das fronteiras geográficas levam a um hibridismo cultural jamais visto na história da humanidade.
Por outro lado, o episódio ressalta a postura (ou seria melhor, a falta desta..) de determinados artistas cujo perfil e histórico de vida pessoal são marcados por polêmicas e atitudes no mínimo questionáveis. Profissionais para quem o glamour representa sinônimo de arrogância e mediocridade.
Erro maior, contudo, não foi o de Suzana Vieira, e sim, da comissão organizadora do evento que convidou para o papel da mãe de Jesus, aquela que deveria fazer o personagem de Maria Madalena. Claro, que com todo respeito à Madalena!. A escolha de artistas para determinados papéis que fogem totalmente ao seu perfil enquanto pessoas, ao que parece, aponta para intenção de mudança de enredo da história sagrada mais respeitada pelos cristãos que é a morte de Jesus CRisto.
Vale ressaltar ainda que além do desrespeito ao lugar e, portanto, aos seus moradores, a atriz desrespeito o próprio evento ao se negar em ensaiar o texto dublado. Algo que rendeu duras criticas pela imprensa local em meio à total falta de sincronia entre os jestos e a voz da atriz no papel de Maria. Algo que ela se defendeu, posteriomente, alegando ser 'uma forma de interpretação criada pelo pessoal do lugar, a qual ela não estaria acostumada a trabalhar'.
E neste sentido, ao que tudo indica, muito mais que espetacularizar a história, a intenção é de profanização e, o pior, de ridicularização. Que o diga a escandalosa Maria.
A reação foi causada por uma demonstração de desrespeito da artista à região considerada por ela como uma 'selva'.Em declaração feita à imprensa nacional a atriz sexagenária afirmou ter ferido um dos olhos por um graveto seco típico do lugar, 'existente há mais de cinco mil anos na região', onde ela afirmou ter sido 'abandonada pelo namorado, que a deixou sedenta por sexo'. Nada de outro mundo para quem conhece a persona de Suzana Vieira, figura lendária da televisão brasileira colecionadora de escândalos na vida privada.
As palavras polêmicas desferidas pela atriz reforça o preconceito secular de que o Nordeste ainda é vítima, mesmo em tempos de globalização em que a quebra das fronteiras geográficas levam a um hibridismo cultural jamais visto na história da humanidade.
Por outro lado, o episódio ressalta a postura (ou seria melhor, a falta desta..) de determinados artistas cujo perfil e histórico de vida pessoal são marcados por polêmicas e atitudes no mínimo questionáveis. Profissionais para quem o glamour representa sinônimo de arrogância e mediocridade.
Erro maior, contudo, não foi o de Suzana Vieira, e sim, da comissão organizadora do evento que convidou para o papel da mãe de Jesus, aquela que deveria fazer o personagem de Maria Madalena. Claro, que com todo respeito à Madalena!. A escolha de artistas para determinados papéis que fogem totalmente ao seu perfil enquanto pessoas, ao que parece, aponta para intenção de mudança de enredo da história sagrada mais respeitada pelos cristãos que é a morte de Jesus CRisto.
Vale ressaltar ainda que além do desrespeito ao lugar e, portanto, aos seus moradores, a atriz desrespeito o próprio evento ao se negar em ensaiar o texto dublado. Algo que rendeu duras criticas pela imprensa local em meio à total falta de sincronia entre os jestos e a voz da atriz no papel de Maria. Algo que ela se defendeu, posteriomente, alegando ser 'uma forma de interpretação criada pelo pessoal do lugar, a qual ela não estaria acostumada a trabalhar'.
E neste sentido, ao que tudo indica, muito mais que espetacularizar a história, a intenção é de profanização e, o pior, de ridicularização. Que o diga a escandalosa Maria.
Rio e a inundação midiática
Como é de praxe na imprensa brasileira e, também fora do país, as tragédias costumam pautar os noticiários que vorazmente invadem os lares traduzindo os aspectos mais trágicos dos episódios. Tem sido assim nos últimos dias no país em relação às consequencias nefastas das chuvas que abateram o Rio de Janeiro provocando mais de 100 vítimas fatais.
Contudo, são em momentos como esses que observamos que mais forte e devastador que as correntezas d´águas, parece ser a fome da mídia por desastres, catástrofes, fatos nem sempre eticamente reportados. Tem sido essa nossa impressão quando, principalmente, assistimos a coberturas em que imagens trágicas são repetidas dezenas de vezes por determinados programas que, como se não bastasse, não trazem nenhuma nova informação a respeito do desdobramento do episódio. Como se não bastasse isto, as tais imagens, a exemplo de carros sendo arrastados pelas águas e pessoal sendo retirado de dentro de buracos, acompanham textos ainda mais repetitivos e repletos de lamentação e exclamações calamitosas.
Outros profissionais da mídia, ao contrário, saem com iniciativas para lá de criativas e informacionais, como o fez a apresentadora 'multimídia' Ana Maria Braga, que diante do quadro calamitoso porque passam os moradores do Rio, resolveu sair passeando com um celular em mãos pelo jardim do seu cenário, no Projac, mostrando a água que escorria em torno do mesmo. Detalhe: a apresentadora não deixou de ressaltar, em sua fala, as belezas do cenário, a exemplo da 'mansão' - dito assim pela própria - em que essa aparece todos os dias no 'Mais Você', esbanjando luxo por todos os lados. Algo que beirou o surrealismo....
Uma das conclusões a que chegamos claramente a partir de casos desse tipo, é a de que, de fato, a intenção de tais profissionais não é a de retratar a dimensão da tragédia mas sim, redimensioná-la através de sua limitação e competência jornalística. Trata-se da inundação das mentes vazias nos noticiários e programas vazios.
Contudo, são em momentos como esses que observamos que mais forte e devastador que as correntezas d´águas, parece ser a fome da mídia por desastres, catástrofes, fatos nem sempre eticamente reportados. Tem sido essa nossa impressão quando, principalmente, assistimos a coberturas em que imagens trágicas são repetidas dezenas de vezes por determinados programas que, como se não bastasse, não trazem nenhuma nova informação a respeito do desdobramento do episódio. Como se não bastasse isto, as tais imagens, a exemplo de carros sendo arrastados pelas águas e pessoal sendo retirado de dentro de buracos, acompanham textos ainda mais repetitivos e repletos de lamentação e exclamações calamitosas.
Outros profissionais da mídia, ao contrário, saem com iniciativas para lá de criativas e informacionais, como o fez a apresentadora 'multimídia' Ana Maria Braga, que diante do quadro calamitoso porque passam os moradores do Rio, resolveu sair passeando com um celular em mãos pelo jardim do seu cenário, no Projac, mostrando a água que escorria em torno do mesmo. Detalhe: a apresentadora não deixou de ressaltar, em sua fala, as belezas do cenário, a exemplo da 'mansão' - dito assim pela própria - em que essa aparece todos os dias no 'Mais Você', esbanjando luxo por todos os lados. Algo que beirou o surrealismo....
Uma das conclusões a que chegamos claramente a partir de casos desse tipo, é a de que, de fato, a intenção de tais profissionais não é a de retratar a dimensão da tragédia mas sim, redimensioná-la através de sua limitação e competência jornalística. Trata-se da inundação das mentes vazias nos noticiários e programas vazios.
quarta-feira, 31 de março de 2010
O BBB: o fenômeno lucrativo da indústria do entretenimento
Os números do Ibope registrados na noite de encerramento do BBB 10 mostrando a disparada da Globo (média de 440 pontos com pico de 43,5 e share de 60,8%) frente às duas maiores concorrentes, a Record (9 pontos) e SBT (4 pontos) revela a força da audiência que a “venus de prata” ainda sustenta no país, sobretudo, quando o assunto é entretenimento. E neste sentido, a receita do reality show desenvolvido no país pela emissora realmente se consolida como o mais duradouro e de maior sucesso comparativo ao que ocorre nas demais partes do mundo onde essa modalidade de espetáculo televisivo é explorado.
Responsável pelo maior prêmio já pago pela TV brasileira – R$ 1,5 milhão – que se configura como outro recorde da TV 'Boninho', o programa vem abrindo um leque de discussões variado pelo pais afora. Em meio a essa variação discursiva da opinião pública estão as reflexões acadêmicas acerca do sucesso estrondoso do fenômeno de audiência que se tornou esse formato de entretenimento midiático que teve origem – como não poderia ser diferente – nos EUA, nos anos 1970, a partir da série An American Family, retomado com nova formatação na década de 90, na europa, com a versão do Big Brother.
Apreciado por uns e depreciado por outros, o fato é que muito mais que exclusivamente um jogo com a proposta – duvidosa, é bom que se diga – de reproduzir a vida real através da telinha da TV, o formato do reality show brasileiro continua sendo um desafio, ou no mínimo, um objeto de estudo para pesquisadores dos mais diversos campos de conhecimentos acadêmicos existentes.
De jogo criado exclusivamente para entreter o público e faturar, o programa vem se tornando um dos maiores fenômenos televisivos agraciado pelo povo brasileiro, penetrando em todas as camadas sociais sem distinção de classe social, raça, credo e o mais intrigante para muitos: também de grau de escolaridade. Tanto o é que assistem, participam votando e torcendo fervorosamente donas de casas, empregadas domésticas, comerciários, empresários, analfabetos, estudantes e professores universitários de todo o país.
Outro fenômeno intrigante por muitos, sobretudo pela classe jornalística, atrelado ao BBB diz respeito ao fato de se tratar de um programa que reformatou por completo o perfil e atuação profissional de Pedro Bial, considerado um ser com marco histórico divisório entre antes e depois do BBB. Visto por muitos como um dos grandes ícones do jornalismo brasileiro contemporâneo especializado em coberturas internacionais, autor de textos inteligentes sobre conflitos sociais diversos e que hoje se restringe a produção de editoriais sobre o conflito comportamental dos BBB´s voltado à alimentação do voyeurismo, essência do programa.
Por fim, o Big Brother Brasil pode até não ser fielmente a reprodução da vida como ela é, mas certamente, é a reprodução fidedigníssima da primazia do espetáculo do entretenimento que cresce a cada dia no mundo pós-moderno se tornando, como já apontam diversos estudiosos, a maior indústria do século XXI em faturamento e mobilização de mentes humanas. E neste caso, os números e cifras não mentem jamais!.
Responsável pelo maior prêmio já pago pela TV brasileira – R$ 1,5 milhão – que se configura como outro recorde da TV 'Boninho', o programa vem abrindo um leque de discussões variado pelo pais afora. Em meio a essa variação discursiva da opinião pública estão as reflexões acadêmicas acerca do sucesso estrondoso do fenômeno de audiência que se tornou esse formato de entretenimento midiático que teve origem – como não poderia ser diferente – nos EUA, nos anos 1970, a partir da série An American Family, retomado com nova formatação na década de 90, na europa, com a versão do Big Brother.
Apreciado por uns e depreciado por outros, o fato é que muito mais que exclusivamente um jogo com a proposta – duvidosa, é bom que se diga – de reproduzir a vida real através da telinha da TV, o formato do reality show brasileiro continua sendo um desafio, ou no mínimo, um objeto de estudo para pesquisadores dos mais diversos campos de conhecimentos acadêmicos existentes.
De jogo criado exclusivamente para entreter o público e faturar, o programa vem se tornando um dos maiores fenômenos televisivos agraciado pelo povo brasileiro, penetrando em todas as camadas sociais sem distinção de classe social, raça, credo e o mais intrigante para muitos: também de grau de escolaridade. Tanto o é que assistem, participam votando e torcendo fervorosamente donas de casas, empregadas domésticas, comerciários, empresários, analfabetos, estudantes e professores universitários de todo o país.
Outro fenômeno intrigante por muitos, sobretudo pela classe jornalística, atrelado ao BBB diz respeito ao fato de se tratar de um programa que reformatou por completo o perfil e atuação profissional de Pedro Bial, considerado um ser com marco histórico divisório entre antes e depois do BBB. Visto por muitos como um dos grandes ícones do jornalismo brasileiro contemporâneo especializado em coberturas internacionais, autor de textos inteligentes sobre conflitos sociais diversos e que hoje se restringe a produção de editoriais sobre o conflito comportamental dos BBB´s voltado à alimentação do voyeurismo, essência do programa.
Por fim, o Big Brother Brasil pode até não ser fielmente a reprodução da vida como ela é, mas certamente, é a reprodução fidedigníssima da primazia do espetáculo do entretenimento que cresce a cada dia no mundo pós-moderno se tornando, como já apontam diversos estudiosos, a maior indústria do século XXI em faturamento e mobilização de mentes humanas. E neste caso, os números e cifras não mentem jamais!.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Futebol, violência e a mídia
O gesto obsceno reproduzido recentemente pelas vigilantes lentes midiáticas envolvendo o jogador Ronaldo que após a derrota por 1 a 0 para o Paulista, em São Paulo, mostrou o dedo anelar para torcedores do Corinthians, após ser criticado por estes, justifica em grande parte um dos problemas mais evidenciados pela imprensa envolvendo a prática do futebol no país que é o alto índice de violência em torno desta modalidade esportiva.
A manifestação grosseira de um dos maiores ídolos do futebol brasileiro evidencia, de maneira explícita, a influência direta dos jogadores neste que vem se tornando um problema de segurança pública. Neste contexto, a postura dos jogadores, sobretudo, mediante as torcidas perante as quais esses assumem uma condição de exemplo, é algo de suma importância para a reversão do dilema em questão. Ou seja, combater a violência apenas fora do campo, como defendem as várias tentativas de campanhas governamentais e como defende boa parte da mídia será sempre uma atitude inválida se os protagonistas principais do espetáculo futebolístico não se reeducarem.
E neste sentido, saber reagir diante de críticas, sobretudo, quando jogam mal – como foi o caso de Ronaldo na partida no episódio em questão – não justifica de modo algum a agressividade contra o seu público fiel. Ainda mais quando o jogador, como o fez Ronaldo, pediu para ser criticado em nome de proteger os jogadores mais jovens do seu time.
No que diz respeito a mídia, a principal responsável pela construção da idolatria em torno do futebol, fenômeno este justificado por motivos de interesse econômico óbvios, cabe também fazer a sua ‘mea culpa’ e se posicionar de maneira isenta e, sobretudo, com bom senso mediante ocasiões e personagens especificas como essa aqui ressaltada. E nesse sentido, a relação de amor e ódio, respeito e ofensa, promoção e ataque, que vem mantida de boa parte da mídia para com a criatura em questão, é algo que deve ser repensada. Em nome da paz no futebol!
A manifestação grosseira de um dos maiores ídolos do futebol brasileiro evidencia, de maneira explícita, a influência direta dos jogadores neste que vem se tornando um problema de segurança pública. Neste contexto, a postura dos jogadores, sobretudo, mediante as torcidas perante as quais esses assumem uma condição de exemplo, é algo de suma importância para a reversão do dilema em questão. Ou seja, combater a violência apenas fora do campo, como defendem as várias tentativas de campanhas governamentais e como defende boa parte da mídia será sempre uma atitude inválida se os protagonistas principais do espetáculo futebolístico não se reeducarem.
E neste sentido, saber reagir diante de críticas, sobretudo, quando jogam mal – como foi o caso de Ronaldo na partida no episódio em questão – não justifica de modo algum a agressividade contra o seu público fiel. Ainda mais quando o jogador, como o fez Ronaldo, pediu para ser criticado em nome de proteger os jogadores mais jovens do seu time.
No que diz respeito a mídia, a principal responsável pela construção da idolatria em torno do futebol, fenômeno este justificado por motivos de interesse econômico óbvios, cabe também fazer a sua ‘mea culpa’ e se posicionar de maneira isenta e, sobretudo, com bom senso mediante ocasiões e personagens especificas como essa aqui ressaltada. E nesse sentido, a relação de amor e ódio, respeito e ofensa, promoção e ataque, que vem mantida de boa parte da mídia para com a criatura em questão, é algo que deve ser repensada. Em nome da paz no futebol!
quarta-feira, 24 de março de 2010
O poder de manipulação global no BBB
O comentário do jornalista e colunista da UOL, Maurício Styler, publicado recentemente no site e no qual ele descreve, em linhas gerais, o poder de manipulação administrado pelo trabalho de edição desenvolvido no programa BBB, com o objetivo de conduzir a opinião pública a favor ou contra um determinado jogador, nos faz refletir sobre uma das práticas comunicacionais ideológico- estratégicas mais utilizadas pela TV Globo ao longo de sua luta pelo poder hegemônico. No comentário, Maurício ressalta algumas das ações que influenciaram diretamente o resultado referente a decisão do que é chamado de 'paredão' entre os jogadores, destacando dentre essas, o uso de edição de imagens fora de contexto, a fala do 'MC Bial” perante os participantes e o uso da opinião de celebridades, dentre essas, Luciano Hulk e sua digníssima esposa Angélica, e Preta Gil, acerca de uma das votações.
Ampliando essa análise para um cenário marco que ultrapasse a miserável realidade do programa em questão, veremos que o episódio em si ressalta a velha prática que, não uma ou outra, mas muitas vezes, a 'Venus platinada' jogou contra a vontade da maioria da população para garantir o seu quinhão. Os clássicos episódios da edição do debate entre Collor e Lula veiculada no Jornal Nacional dias antes da eleição de 89 (que apresentava os bons momentos do alagoano e os maus do hoje presidente da república) e a total omissão da emissora diante das mobilizações pelas Diretas Já em 1984 (chegando a afirmar que o histórico comício pró-diretas no Vale do Anhangabaú era uma comemoração do aniversário de São Paulo) são bons exemplos desta prática maniqueísta global.
Algo que, como vemos, se repete até mesmo em programas aparentemente isento de elemento político ideológico, mas que como sabemos, representa algo sagrado para as Organizações Globo, a audiência que continua a fazer da empresa, o império da mídia brasileira. Impérfio que comemora os 40 anos de sucesso e, claro, manipulação da opinião pública brasileira.
Enfim, como lembrou-me muito bem um amigo recentemente, o velho jeito da Globo de contar história do seu jeito, ao seu modo, e forma conveniente e que para isso agora conta com novas ferramentas que são as redes sociais, por meio das quais, as votações dos paredões do BBB, são reforçadamente jogadas ao público telespectador com uma pintada de glamour, é claro!.
Ampliando essa análise para um cenário marco que ultrapasse a miserável realidade do programa em questão, veremos que o episódio em si ressalta a velha prática que, não uma ou outra, mas muitas vezes, a 'Venus platinada' jogou contra a vontade da maioria da população para garantir o seu quinhão. Os clássicos episódios da edição do debate entre Collor e Lula veiculada no Jornal Nacional dias antes da eleição de 89 (que apresentava os bons momentos do alagoano e os maus do hoje presidente da república) e a total omissão da emissora diante das mobilizações pelas Diretas Já em 1984 (chegando a afirmar que o histórico comício pró-diretas no Vale do Anhangabaú era uma comemoração do aniversário de São Paulo) são bons exemplos desta prática maniqueísta global.
Algo que, como vemos, se repete até mesmo em programas aparentemente isento de elemento político ideológico, mas que como sabemos, representa algo sagrado para as Organizações Globo, a audiência que continua a fazer da empresa, o império da mídia brasileira. Impérfio que comemora os 40 anos de sucesso e, claro, manipulação da opinião pública brasileira.
Enfim, como lembrou-me muito bem um amigo recentemente, o velho jeito da Globo de contar história do seu jeito, ao seu modo, e forma conveniente e que para isso agora conta com novas ferramentas que são as redes sociais, por meio das quais, as votações dos paredões do BBB, são reforçadamente jogadas ao público telespectador com uma pintada de glamour, é claro!.
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