O episódio envolvendo a estudante Geyse Arruda, hostilizada pelos colegas universitários da Uniban, no último dia 22 de outubro, por adentrar na instituição comum vestido curto, vem deixando uma série de lições aos olhos dos mais atentos às mudanças impressas no cotidiano através dos holofotes midiáticos.
A primeira e mais óbvia de todas é a gerência da cultura midiática sobre o cotidiano, selecionando os fatos e temas que se sugerem ser de maior relevância para o conhecimento de todos os cidadãos. Nesse sentido, fica cada vez mais patente a banalização que hoje impera na indústria da informação, fato notório por meio do amplo espaço que continua sendo dado ao caso mencionado.
Diferentemente do que acontece com fatos de interesse público e de grande impacto nos rumos da sociedade, como alguns problemas sociais já evidenciados neste espaço, os noticiários optam pelo desdobramento de fatos pitorescos, exóticos e de cunho particular.
Por outro lado, o caso Geyse vem se revelando uma janela por meio da qual é possível aferir o grau de significância do poder da esfera midiática na sociedade moderna que, como já foi dito aqui por várias vezes, vem moldando num ritmo cada vez mais acelerado e intenso, o cotidiano.
Não é a toa que a relação entre cotidiano e mídia, vem se tornando um dos principais objetos de estudo nos mais variados campos de estudo das ciências humanas. Os estudos trazem a tona, várias das teorias desenvolvidas nos últimos dois séculos quando a indústria da comunicação, ou indústria cultural como muito bem denominou a Escola de Frankfurt, passou a ser vista como algo muito além de uma mera fábrica de entretenimento.
Entre essas, está a Teoria das Representações Sociais desenvolvida por Moscovici em 1961, a qual se respalda nas contribuições do eminente sociólogo Émile Durkheim. Nesse sentido, é indiscutível a necessidade de reestudarmos muitas das noções apresentadas por este autor para quem representações sociais equivalem a fenômenos específicos que estão relacionados com um modo particular de compreender e de se comunicar. Assim, não é preciso irmos muito longe para identificarmos quem ou o que ocupa esse papel de produção de sentido nas relações sociais vigentes. Mais importante ainda: refletirmos acerca do estratégico processo de banalização do cotidiano. Ou seja, nos dizeres sociológicos: o processo de simplificação do cotidiano socializado pelas mídias.
Enfim, todos os fenômenos de audiência gerados pela mídia espetacular, a exemplo do último deles que é caso Geyse, parem estar ressuscitando muitos dos teóricos do passado que, apesar de sofrerem diversos tipos de críticas – algumas delas com razão – estavam corretos em muitas de suas previsões, firmando-se como verdadeiros profetas. Que o digam Marshal McLuhan, Martín-Barbero, Michel Certeau e o próprio Karl Marx e duas inquietudes para com esse novo estilo de vida emergente já no século XIX.
Retomando o objeto inspirador para este comentário que foi o caso Geyse e finalizandoo de forma um tanto satírica, podemos afirmar que o vestido da 'célebre' estudante pode ter sido curto, mas a repercussão produzida pela mídia é para lá de longa....
Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
O especatular cotidiano videográfico
A veiculação de vídeos gravados através das mais diversas parafernálias tecnológicas digitais que compõem as chamadas novas tecnologias da comunicação está se tornando uma rotina na imprensa brasileira e de todo o mundo. Gravados, em sua maioria, por aparelhos de celular, os arquivos audiovisuais vem fazendo parte da pauta diária da grande mídia jornalística abrindo um espaço cada vez maior para o chamado segmento do jornalismo participativo, no qual, o uso das mídias sociais, têm revolucionando o universo informacional.
Por outro lado, a freqüência e intensidade da veiculação de vídeos em veículos de comunicaçaõ de massa reforça cada vez a sensação de todos estarmos vivendo sob constante vigilância eletrônica, perdendo a cada dia, a privacidade. É a transformação do mundo comum e ordinário para o fantástico e espetacular mundo da publicização, onde cada espaço que ocupamos - não importa se nos lares ou nas ruas- se torna um pedaço do incomensurável palco rodeado de platéia por todos os lados. O fenômeno ressalta algo já demasiadamente apontado por diversos estudiosos da sociedade moderna que são os múltiplos e paradoxos efeitos das novas mídias no cotidiano dos cidadãos.
Se de um lado, muitas das gravações – como as que assistimos diariamente nos telejornais – trazem a tona denúncias de abusos, infrações e atos moralmente condenáveis, de outro, revela a falta de limites éticos e morais que o uso das novas tecnologias tem imposto nas relações sociais no mundo contemporâneo. Mundo esse, aliás, como se pode observar, está avançando a passos largos na banalização do espetáculo, conforme, aliás, já previam diversos estudiosos.
Trata-se do desdobramento da suplantação das imagens de que nos alertava no século passado, Guy Debord, um dos primeiros a chamar-nos a atenção para as idiossincrasias da chamada sociedade do espetáculo. Sociedade esta regida sob a égide do olhar do 'grande irmão' de que nos falava George Orwell. Olhar este que a cada instante cobre a todos, transformando a vida cotidiana dos cidadãos comuns, numa espeteacular experiência videografiados.
Fenômeno este que, certamente, ainda renderá centenas de milhares de comentários e discussões dentro e fora do universo cibernético e sobre o qual, ainda voltaremos a abordar aqui, neste espaço - também espetacular - certamente, por diversas vezes...
Por outro lado, a freqüência e intensidade da veiculação de vídeos em veículos de comunicaçaõ de massa reforça cada vez a sensação de todos estarmos vivendo sob constante vigilância eletrônica, perdendo a cada dia, a privacidade. É a transformação do mundo comum e ordinário para o fantástico e espetacular mundo da publicização, onde cada espaço que ocupamos - não importa se nos lares ou nas ruas- se torna um pedaço do incomensurável palco rodeado de platéia por todos os lados. O fenômeno ressalta algo já demasiadamente apontado por diversos estudiosos da sociedade moderna que são os múltiplos e paradoxos efeitos das novas mídias no cotidiano dos cidadãos.
Se de um lado, muitas das gravações – como as que assistimos diariamente nos telejornais – trazem a tona denúncias de abusos, infrações e atos moralmente condenáveis, de outro, revela a falta de limites éticos e morais que o uso das novas tecnologias tem imposto nas relações sociais no mundo contemporâneo. Mundo esse, aliás, como se pode observar, está avançando a passos largos na banalização do espetáculo, conforme, aliás, já previam diversos estudiosos.
Trata-se do desdobramento da suplantação das imagens de que nos alertava no século passado, Guy Debord, um dos primeiros a chamar-nos a atenção para as idiossincrasias da chamada sociedade do espetáculo. Sociedade esta regida sob a égide do olhar do 'grande irmão' de que nos falava George Orwell. Olhar este que a cada instante cobre a todos, transformando a vida cotidiana dos cidadãos comuns, numa espeteacular experiência videografiados.
Fenômeno este que, certamente, ainda renderá centenas de milhares de comentários e discussões dentro e fora do universo cibernético e sobre o qual, ainda voltaremos a abordar aqui, neste espaço - também espetacular - certamente, por diversas vezes...
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
A peleja dos jornalistas com os donos da mídia
A luta dos jornalistas para a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que restitui a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão está demonstrando, de forma clara e transparente, a quebra de braços da categoria com os donos dos grupos oligopólios da mídia no país e, o interesse destes em derrubar a tentativa dos profissionais de imprensa de rever um direito garantido por lei e que foi derrubado este ano, de forma surpreendente.
A votação da PEC dos jornalistas – como está sendo chamada – agendada para outubro, foi adiada já por duas vezes, deixando patente a influência dos donos da mídia junto aos poderes constituídos, como, aliá, ficou evidente na votação do STF, em junho. A última data, agendada para o dia 21 de outubro, foi adiada, de última hora.
Conforme o texto extraído do site na FENAJ, ao contrário do que se esperava a Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados não apreciou a PEC 386/09. Numa iniciativa protelatória, o deputado Zenaldo Coutinho (PSDB-PA) apresentou voto contrário a PEC dos Jornalistas no dia anterior. Apoiadores da proposta concentrarão esforços para que a proposta seja votada na reunião da CCJC do dia 4 de novembro.Diz ainda o texto que “Identificado com os interesses dos empresários de comunicação, na justificativa de seu voto em separado Zenaldo Coutinho usou os mesmos argumentos das entidades patronais para se posicionar contra a PEC dos Jornalistas. Sua iniciativa se coaduna com a estratégia empresarial que, na semana passada, através da publicação de artigo da presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Judith Brito, em veículos de comunicação de todo o país, buscou influenciar o posicionamento dos membros da CCJC”.
É preciso muita reflexão para concluirmos o final dessa história, ou mesmo, desvelarmos os reais interesses que estão por trás de tantas adiações. Vale lembrar que a votação contra o diploma também havia sido adiada por diversas vezes, culminando com o resultado lastimável que toda a sociedade brasileira foi testemunha e também vítima.
Aguardemos os próximos capítulos!.
A votação da PEC dos jornalistas – como está sendo chamada – agendada para outubro, foi adiada já por duas vezes, deixando patente a influência dos donos da mídia junto aos poderes constituídos, como, aliá, ficou evidente na votação do STF, em junho. A última data, agendada para o dia 21 de outubro, foi adiada, de última hora.
Conforme o texto extraído do site na FENAJ, ao contrário do que se esperava a Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados não apreciou a PEC 386/09. Numa iniciativa protelatória, o deputado Zenaldo Coutinho (PSDB-PA) apresentou voto contrário a PEC dos Jornalistas no dia anterior. Apoiadores da proposta concentrarão esforços para que a proposta seja votada na reunião da CCJC do dia 4 de novembro.Diz ainda o texto que “Identificado com os interesses dos empresários de comunicação, na justificativa de seu voto em separado Zenaldo Coutinho usou os mesmos argumentos das entidades patronais para se posicionar contra a PEC dos Jornalistas. Sua iniciativa se coaduna com a estratégia empresarial que, na semana passada, através da publicação de artigo da presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Judith Brito, em veículos de comunicação de todo o país, buscou influenciar o posicionamento dos membros da CCJC”.
É preciso muita reflexão para concluirmos o final dessa história, ou mesmo, desvelarmos os reais interesses que estão por trás de tantas adiações. Vale lembrar que a votação contra o diploma também havia sido adiada por diversas vezes, culminando com o resultado lastimável que toda a sociedade brasileira foi testemunha e também vítima.
Aguardemos os próximos capítulos!.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Mídia e o perigo da telerrealidade
Não há como deixar de comentar neste espaço voltado à uma análise crítica da mídia, o episódio divulgado recentemente em todo o mundo, envolvendo uma farsa montada por uma família nos EUA montada a partir de uma falsa informação de que um menino de apenas seis anos estaria voando sozinho pelo céu do Condado do Colorado, o que terminou mobilizando as autoridades policiais e a imprensa daquele estado norte-americano. Como se viu, em seguida, tudo não passava de uma tentativa de se conseguir a atenção da mídia, conseguindo-se ao máximo de publicidade, por meio um espécie de reality show.
Apesar de não sair como o planejado, o episódio, ao que se pode observar, terminou promovendo a família Heene na mídia, por meio de uma espécie de reality show mantido, desta feita, pelos veículos de imprensa de várias partes do mundo, para os quais, o evento se tornou uma pauta geradora de audiência constante.
Contudo, o mais marcante do acontecimento, na leitura que fazemos, é o fato deste ter evidenciado, de forma curiosa, as conseqüências sociais da febre que se tornou os programas de reality show´s, no seio, justamente, da nação da indústria midiática do entretenimento, que são os EUA. Não seria o momento, de a sociedade norte-americana, refletir e repensar a relevância que estão dando à disseminação desse tipo de produto midiático, hoje, propagado em praticamente, todo o mundo, gerando uma verdadeira paranóia em torno da corrida pelos holofotes?. Mais do que isto, não seria o momento de ser repensar a dimensão das irradiações da cultura midiática no mundo real?.
Conseqüente da famigerada e acelerada construção da telerrealidade - realidade paralela vivencida através da tela, como ressalta Bourdieu-, e da persistente expansão da corrida pelos tão almejados ‘15 segundos de fama’, agora, por horas e dias de evidência na telinha, a propagação desse tipo de produção midiática, chama a atenção não só dos norte-americanos, mas de toda a sociedade moderna para esse fenômeno cada vez mais evidente e, como vemos, perigoso, que é a banalização da vida real e supervalorização da vida espetacular.
Que o digam os pais do menor voador do ‘balão mágico’, Richard e Mayumi Heene, para quem o sonho de se tornarem famosos saiu como um tiro pela colatra, tornando-s eu pesadelo do qual eles terão que pagar um preço alto. Isto sim, é real, e não espetacular!.
Apesar de não sair como o planejado, o episódio, ao que se pode observar, terminou promovendo a família Heene na mídia, por meio de uma espécie de reality show mantido, desta feita, pelos veículos de imprensa de várias partes do mundo, para os quais, o evento se tornou uma pauta geradora de audiência constante.
Contudo, o mais marcante do acontecimento, na leitura que fazemos, é o fato deste ter evidenciado, de forma curiosa, as conseqüências sociais da febre que se tornou os programas de reality show´s, no seio, justamente, da nação da indústria midiática do entretenimento, que são os EUA. Não seria o momento, de a sociedade norte-americana, refletir e repensar a relevância que estão dando à disseminação desse tipo de produto midiático, hoje, propagado em praticamente, todo o mundo, gerando uma verdadeira paranóia em torno da corrida pelos holofotes?. Mais do que isto, não seria o momento de ser repensar a dimensão das irradiações da cultura midiática no mundo real?.
Conseqüente da famigerada e acelerada construção da telerrealidade - realidade paralela vivencida através da tela, como ressalta Bourdieu-, e da persistente expansão da corrida pelos tão almejados ‘15 segundos de fama’, agora, por horas e dias de evidência na telinha, a propagação desse tipo de produção midiática, chama a atenção não só dos norte-americanos, mas de toda a sociedade moderna para esse fenômeno cada vez mais evidente e, como vemos, perigoso, que é a banalização da vida real e supervalorização da vida espetacular.
Que o digam os pais do menor voador do ‘balão mágico’, Richard e Mayumi Heene, para quem o sonho de se tornarem famosos saiu como um tiro pela colatra, tornando-s eu pesadelo do qual eles terão que pagar um preço alto. Isto sim, é real, e não espetacular!.
sábado, 17 de outubro de 2009
Comunicação em pauta
Retornando a um tema já abordado neste espaço, comunicólogos, militantes sociais, intelectuais e representantes de diversos segmentos da sociedade civil organizada estão se mobilizando em torno da fase preparatória para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM). As conferências municipais estão se realizando em diversas cidades do país tendo como objetivo, discutir e formular propostas de políticas públicas comunicacionais para serem apresentadas posteriormente nas conferências estaduais e, por conseguinte, na etapa nacional que acontecerá entre os dias 14 e 17 de dezembro.
Em Campina Grande, atendendo a um decreto de convocação assinalado pelo prefeito Veneziano, no dia 22 de setembro, a conferencia municipal de comunicação aconteceu nos últimos dias 16 e 17 no auditório do Teatro Rosil Cavalcanti. O evento, que teve como tema central: “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital”, contou com a participação de um público de aproximadamente 100 pessoas entre estudantes, professores, representantes de movimentos sociais e alguns populares.
Na ocasião, foi proferida uma palestra com a militante social Roseli Goffman, membro de várias entidades, dentre elas, o Conselho Federal de Psicologia – CFP, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC e Comissão Organizadora da Conferência Nacional de Comunicação – CONFECOM. Na ocasião, ela falou sobre um dos temas considerados mais polêmicos envolvendo a democratização da comunicação que é o controle social da mídia.
Apesar da representatividade que se fez presente, o público esteve abaixo da expectativa em número e diversidade.
Além da baixa representação popular, o evento não foi prestigiado por alguma das categorias que, a priori, deveriam demonstrar um maior interesse pela discussão levantada na Confecom, a classe empresarial, dirigentes acadêmicos e profissionais da área da comunicação social.
Contudo, no primeiro caso, se trata de algo já aguardado uma vez que, como vem acontecendo em todo o país, os proprietários de emissoras de rádio, TV e jornais, não têm se demonstrado muito simpáticos com a iniciativa, até então, inédita no país e em cujo eixo central discursivo está o futuro da mídia no Brasil. Portanto, não é de se espantar que, sentar à mesa para se discutir as propostas advindas da sociedade civil organizada no que diz respeito ao processo de democratização da informação é algo ainda impensável para a categoria que ainda concentra o poder da comunicação em suas mãos. No que diz respeito, a ausência ou baixíssima representatividade dessa demais categorias, permanece a incógnita.
Como se pode prever, a 1ª Confecom ainda renderá muita polêmica e, sobretudo, conflito de poderes e forças sociais antagônicas em torno do processo de midiatização porque passa a sociedade em que vivemos. Algo que, vale ressaltar, é tão relevante como as demais discussões em torno das políticas públicas voltadas para as áreas de saúde, educação e segurança. Contudo, ao que se pode observar, esse cunho de relevância só será percebido pela sociedade em geral, quando a comunicação deixar de ser apreendida como um mero serviço e passar a ser aceita enquanto um patrimônio público e fenômeno global de conseqüências vitais para a vida de todos.
Nesse sentido, nunca é demais ressaltar que, na chamada era digital, cujos efeitos do redimensionamento das velhas e surgimento das novas mídias é algo que está apenas começando e que discutir o futuro da comunicação é uma necessidade básica para a qualidade de vida de todos. Só nos resta consciência plena desta realidade, pelo visto, ainda ignorada até mesmo pela maioria dos agentes sociais ativos da cadeia produtiva midiática.
Por essa razão, convocamos todos aqueles que por aqui navegaram para refletir e, mais do que isto, se engajarem nas discussões em torno dessa etapa preparatória da Confecom, cujo epicentro temático será o exercício da cidadania numa sociedade cada vez mais midiática e mitiatizada.
Para isto, nada melhor do que nos servirmos de instrumentos digitais essencialmente democráticos e revolucionários dispostos via rede mundial de computadores, a exemplo de blogs e sites, dentre os quais, destacamos para visitação os seguintes: http://proconferencia.org.br/; http://www.direitoacomunicacao.org.br/, e http://conferenciacomunicacaocg.blogspot.com/
Voltaremos a este tema, em breve!
Em Campina Grande, atendendo a um decreto de convocação assinalado pelo prefeito Veneziano, no dia 22 de setembro, a conferencia municipal de comunicação aconteceu nos últimos dias 16 e 17 no auditório do Teatro Rosil Cavalcanti. O evento, que teve como tema central: “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital”, contou com a participação de um público de aproximadamente 100 pessoas entre estudantes, professores, representantes de movimentos sociais e alguns populares.
Na ocasião, foi proferida uma palestra com a militante social Roseli Goffman, membro de várias entidades, dentre elas, o Conselho Federal de Psicologia – CFP, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC e Comissão Organizadora da Conferência Nacional de Comunicação – CONFECOM. Na ocasião, ela falou sobre um dos temas considerados mais polêmicos envolvendo a democratização da comunicação que é o controle social da mídia.
Apesar da representatividade que se fez presente, o público esteve abaixo da expectativa em número e diversidade.
Além da baixa representação popular, o evento não foi prestigiado por alguma das categorias que, a priori, deveriam demonstrar um maior interesse pela discussão levantada na Confecom, a classe empresarial, dirigentes acadêmicos e profissionais da área da comunicação social.
Contudo, no primeiro caso, se trata de algo já aguardado uma vez que, como vem acontecendo em todo o país, os proprietários de emissoras de rádio, TV e jornais, não têm se demonstrado muito simpáticos com a iniciativa, até então, inédita no país e em cujo eixo central discursivo está o futuro da mídia no Brasil. Portanto, não é de se espantar que, sentar à mesa para se discutir as propostas advindas da sociedade civil organizada no que diz respeito ao processo de democratização da informação é algo ainda impensável para a categoria que ainda concentra o poder da comunicação em suas mãos. No que diz respeito, a ausência ou baixíssima representatividade dessa demais categorias, permanece a incógnita.
Como se pode prever, a 1ª Confecom ainda renderá muita polêmica e, sobretudo, conflito de poderes e forças sociais antagônicas em torno do processo de midiatização porque passa a sociedade em que vivemos. Algo que, vale ressaltar, é tão relevante como as demais discussões em torno das políticas públicas voltadas para as áreas de saúde, educação e segurança. Contudo, ao que se pode observar, esse cunho de relevância só será percebido pela sociedade em geral, quando a comunicação deixar de ser apreendida como um mero serviço e passar a ser aceita enquanto um patrimônio público e fenômeno global de conseqüências vitais para a vida de todos.
Nesse sentido, nunca é demais ressaltar que, na chamada era digital, cujos efeitos do redimensionamento das velhas e surgimento das novas mídias é algo que está apenas começando e que discutir o futuro da comunicação é uma necessidade básica para a qualidade de vida de todos. Só nos resta consciência plena desta realidade, pelo visto, ainda ignorada até mesmo pela maioria dos agentes sociais ativos da cadeia produtiva midiática.
Por essa razão, convocamos todos aqueles que por aqui navegaram para refletir e, mais do que isto, se engajarem nas discussões em torno dessa etapa preparatória da Confecom, cujo epicentro temático será o exercício da cidadania numa sociedade cada vez mais midiática e mitiatizada.
Para isto, nada melhor do que nos servirmos de instrumentos digitais essencialmente democráticos e revolucionários dispostos via rede mundial de computadores, a exemplo de blogs e sites, dentre os quais, destacamos para visitação os seguintes: http://proconferencia.org.br/; http://www.direitoacomunicacao.org.br/, e http://conferenciacomunicacaocg.blogspot.com/
Voltaremos a este tema, em breve!
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Jornalismo Cidadão e os indicadores sociais
Jornalismo e os indicadores sociais
A Síntese dos Indicadores Sociais 2009, publicada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontando a Paraíba como o terceiro Estado brasileiro em concentração de famílias vivendo em situação de pobreza, representa mais um radiograma da realidade política de conseqüências socioeconômicas em que vive o nosso Estado.
Trata-se de uma notícia que, no contexto do jornalismo cidadão, deveria ser explorada ao máximo pela imprensa estadual, procurando cobrar da classe política não apenas respostas para esse quadro lastimável de indicador social, mas, sobretudo, solução para os problemas apresentados na pesquisa.
Os dados, referentes ao ano de 2008, mostram que 37,3% das famílias paraibanas que vivem em domicílios permanentes urbanos, sobrevivem com até meio salário mínimo por pessoa, patamar considerado pelo IBGE como situação de pobreza. Os números revelam o que está sendo viver nas cidades para onde, vale ressaltar, um número de pessoas cada vez maior, continua a migrar em busca de condições de vida melhor.
Afora os baixos salários, a falta de infraestrutura dos centros urbanos também revelados nos indicadores sociais, ressaltam o total descaso dos políticos para com os cidadãos, sobretudo, de baixa renda, para quem, o paliativo, conforme se vê, continua sendo apelar para o amparo divino. Não é a toa que as igrejas estão cada vez mais lotadas.
Pena que, ao contrário do que acontece com os fatos de natureza trágica, informações desse tipo não rendem uma cobertura jornalística extensa com um espaço maior nos noticiários diários. Trata-se de uma carência de que sofre toda a imprensa nacional para quem a prática do chamado Jornalismo Cidadão se restringe à criação de quadros temporários de prestação de serviços básicos para as comunidades que continuam desinformadas no que diz respeito aos seus direitos enquanto cidadãos eleitores. È o tipo de coisa que, enquanto não se mudar na imprensa como um todo, o descaso continuará reinando no campo das políticas públicas.
É preciso repensarmos o jornalismo enquanto a prática da responsabilidade social e não um mero mecanismo de registro de fatos e acontecimentos.Isso fica para os historiadores de quem estamos muito próximos no aspecto narrativo, mas distantes no papel social que nos compete.
A Síntese dos Indicadores Sociais 2009, publicada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontando a Paraíba como o terceiro Estado brasileiro em concentração de famílias vivendo em situação de pobreza, representa mais um radiograma da realidade política de conseqüências socioeconômicas em que vive o nosso Estado.
Trata-se de uma notícia que, no contexto do jornalismo cidadão, deveria ser explorada ao máximo pela imprensa estadual, procurando cobrar da classe política não apenas respostas para esse quadro lastimável de indicador social, mas, sobretudo, solução para os problemas apresentados na pesquisa.
Os dados, referentes ao ano de 2008, mostram que 37,3% das famílias paraibanas que vivem em domicílios permanentes urbanos, sobrevivem com até meio salário mínimo por pessoa, patamar considerado pelo IBGE como situação de pobreza. Os números revelam o que está sendo viver nas cidades para onde, vale ressaltar, um número de pessoas cada vez maior, continua a migrar em busca de condições de vida melhor.
Afora os baixos salários, a falta de infraestrutura dos centros urbanos também revelados nos indicadores sociais, ressaltam o total descaso dos políticos para com os cidadãos, sobretudo, de baixa renda, para quem, o paliativo, conforme se vê, continua sendo apelar para o amparo divino. Não é a toa que as igrejas estão cada vez mais lotadas.
Pena que, ao contrário do que acontece com os fatos de natureza trágica, informações desse tipo não rendem uma cobertura jornalística extensa com um espaço maior nos noticiários diários. Trata-se de uma carência de que sofre toda a imprensa nacional para quem a prática do chamado Jornalismo Cidadão se restringe à criação de quadros temporários de prestação de serviços básicos para as comunidades que continuam desinformadas no que diz respeito aos seus direitos enquanto cidadãos eleitores. È o tipo de coisa que, enquanto não se mudar na imprensa como um todo, o descaso continuará reinando no campo das políticas públicas.
É preciso repensarmos o jornalismo enquanto a prática da responsabilidade social e não um mero mecanismo de registro de fatos e acontecimentos.Isso fica para os historiadores de quem estamos muito próximos no aspecto narrativo, mas distantes no papel social que nos compete.
sábado, 3 de outubro de 2009
Olimpíada 2016: nossa honra e glória dos outros
A vitória do Rio de Janeiro consolidando-se como sede para a Olimpíada de 2016 foi recebida pelos brasileiros em meio a um clima misto de festa e satisfação, mas também de espanto e receio. Além do orgulho patriota que, vale ressaltar, é compartilhado por todos os sul-americanos para quem, parafraseando o Presidente Lula: ‘nunca na história desse continente’ tiveram a honra de sediar o maior evento esportivo do planeta, a conquista, de fato, traz consigo algumas perplexidades que merecem uma reflexão de nossa parte.
A primeira delas diz respeito à vitória do Brasil frente a grandes potencias mundiais, a exemplo dos EUA e Tóquio as quais, além de contar com uma reserva financeira e estruturas físicas e logísticas indiscutivelmente mais satisfatórias para a realização do evento, oferecem um sistema de serviço público bem mais eficiente para os milhares de turistas e atletas que participarão do espetáculo.
Outro aspecto inquietante a ser levantado é que, além de não responder de forma concreta à maior parte das exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI), apresentando para tal apenas garantias que a cidade do Rio cumprirá com todos os 25 itens de obrigatoriedade expostos, o Brasil passou por cima da série das falhas e compromissos não cumpridos para a realização do Pan. Para colocar os Jogos Pan-Americanos de 2007 de pé, o Rio gastou bem mais do que estava previsto no orçamento e não entregou alguns pontos chaves do projeto, como a melhoria na rede de transporte. Nada assegura, portanto, que muitas das tais garantias não sejam novamente descumpridas.Como se não bastasse esses aspectos, como todo bom brasileiro sabe e costuma assistir via mídia, o Brasil continua sendo uma nação que não investe em esporte e cultura, desprezando, inclusive, o apoio aos seus atletas olímpicos, para quem continuar representando o país em eventos de caráter internacional é uma prova de sacrifício e verdadeiro amor á pátria. A situação em que se encontram os nossos ginastas olímpicos espelha muito bem esse quadro lastimável. Quem não se recorda do episódio recente da ginasta Jader Barbosa aparecendo chorando na mídia, reclamando da falta de apoio financeiro para cuidar de uma grave lesão no punho direito, problema este que a fez buscar ajuda dos fãs para seguir com o tratamento?. Isto sem falar nos atletas paraolímpicos, cuja situação é bem pior. É por essas e outras que o Brasil continua fazendo jus ao título de ‘o país do futebol’. Precisa dizer por quê?
Contudo, como se não bastasse, a preocupação maior por parte de muitos brasileiros entre os quais, eu me incluo, diz respeito a desproporção dos investimentos a serem feitos e já aplicados na corrida pelos jogos olímpicos (cerca de R$ 180 mil, de 1992 à 2009) em detrimento da falta de recursos para as políticas públicas necessárias, dentre essas, as próprias ações desportivas. Nesse sentido, distribuir igualitariamente os poucos incentivos na área que, é bom frisar, em sua maioria se concentra nas regiões sul-sudeste, é outro grande desafio do Governo brasileiro que, certamente, ainda está longe de resolver esta desigualdade não apenas econômica mas também sociocultural.
No tocante a desproporção de prioridade de investimentos na vida pública e esse contexto, é bom lembrarmos que a Olimpíada de 2016 vai custar cerca de R$ 25,9 bilhões. Parte deste investimento, vale ressaltar, irá para a rede hoteleira privada para amenizar o grande déficit de leitos que a cidade do Rio apresenta para comportar evento do porte de uma olimpíada. Um descaso de proporções gigantescas para uma cidade com o maior número de favelados do país.
Encerramos o comentário com uma afirmação do advogado Alberto Neto Murray, ex-membro do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), para quem “o Brasil tem outras prioridades e carências sociais para serem resolvidas, como educação, saúde, esporte para todos, habitação", conclusão esta um tanto óbvia para os brasileiros, até mesmo para aqueles que ainda se encontram sob o encanto do espetaculoso sonho olímpico.
Bom, mas enquanto essas necessidades não são suprimidas, vamos ao show, diga-se de passagem, o maior espetáculo do planeta que teremos a honra de sediar para todo o mundo, mesmo cientes de que, a glória, será das nações que subirão ao pódio por mais vezes, consagrando-se vitoriosas em medalhas. Paises esses que levam no peito não apenas o ouro, a prata e o bronze, mas, sobretudo, a lição de que uma Nação se faz com homens e atletas, esses autênticos ídolos patriotas. Para nós, o contento de que, a vitória em sediar a olimpíada 2016 faz com que acreditemos que, de fato, como bem disse o presidente Obama, Lula “é o cara!”.
A primeira delas diz respeito à vitória do Brasil frente a grandes potencias mundiais, a exemplo dos EUA e Tóquio as quais, além de contar com uma reserva financeira e estruturas físicas e logísticas indiscutivelmente mais satisfatórias para a realização do evento, oferecem um sistema de serviço público bem mais eficiente para os milhares de turistas e atletas que participarão do espetáculo.
Outro aspecto inquietante a ser levantado é que, além de não responder de forma concreta à maior parte das exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI), apresentando para tal apenas garantias que a cidade do Rio cumprirá com todos os 25 itens de obrigatoriedade expostos, o Brasil passou por cima da série das falhas e compromissos não cumpridos para a realização do Pan. Para colocar os Jogos Pan-Americanos de 2007 de pé, o Rio gastou bem mais do que estava previsto no orçamento e não entregou alguns pontos chaves do projeto, como a melhoria na rede de transporte. Nada assegura, portanto, que muitas das tais garantias não sejam novamente descumpridas.Como se não bastasse esses aspectos, como todo bom brasileiro sabe e costuma assistir via mídia, o Brasil continua sendo uma nação que não investe em esporte e cultura, desprezando, inclusive, o apoio aos seus atletas olímpicos, para quem continuar representando o país em eventos de caráter internacional é uma prova de sacrifício e verdadeiro amor á pátria. A situação em que se encontram os nossos ginastas olímpicos espelha muito bem esse quadro lastimável. Quem não se recorda do episódio recente da ginasta Jader Barbosa aparecendo chorando na mídia, reclamando da falta de apoio financeiro para cuidar de uma grave lesão no punho direito, problema este que a fez buscar ajuda dos fãs para seguir com o tratamento?. Isto sem falar nos atletas paraolímpicos, cuja situação é bem pior. É por essas e outras que o Brasil continua fazendo jus ao título de ‘o país do futebol’. Precisa dizer por quê?
Contudo, como se não bastasse, a preocupação maior por parte de muitos brasileiros entre os quais, eu me incluo, diz respeito a desproporção dos investimentos a serem feitos e já aplicados na corrida pelos jogos olímpicos (cerca de R$ 180 mil, de 1992 à 2009) em detrimento da falta de recursos para as políticas públicas necessárias, dentre essas, as próprias ações desportivas. Nesse sentido, distribuir igualitariamente os poucos incentivos na área que, é bom frisar, em sua maioria se concentra nas regiões sul-sudeste, é outro grande desafio do Governo brasileiro que, certamente, ainda está longe de resolver esta desigualdade não apenas econômica mas também sociocultural.
No tocante a desproporção de prioridade de investimentos na vida pública e esse contexto, é bom lembrarmos que a Olimpíada de 2016 vai custar cerca de R$ 25,9 bilhões. Parte deste investimento, vale ressaltar, irá para a rede hoteleira privada para amenizar o grande déficit de leitos que a cidade do Rio apresenta para comportar evento do porte de uma olimpíada. Um descaso de proporções gigantescas para uma cidade com o maior número de favelados do país.
Encerramos o comentário com uma afirmação do advogado Alberto Neto Murray, ex-membro do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), para quem “o Brasil tem outras prioridades e carências sociais para serem resolvidas, como educação, saúde, esporte para todos, habitação", conclusão esta um tanto óbvia para os brasileiros, até mesmo para aqueles que ainda se encontram sob o encanto do espetaculoso sonho olímpico.
Bom, mas enquanto essas necessidades não são suprimidas, vamos ao show, diga-se de passagem, o maior espetáculo do planeta que teremos a honra de sediar para todo o mundo, mesmo cientes de que, a glória, será das nações que subirão ao pódio por mais vezes, consagrando-se vitoriosas em medalhas. Paises esses que levam no peito não apenas o ouro, a prata e o bronze, mas, sobretudo, a lição de que uma Nação se faz com homens e atletas, esses autênticos ídolos patriotas. Para nós, o contento de que, a vitória em sediar a olimpíada 2016 faz com que acreditemos que, de fato, como bem disse o presidente Obama, Lula “é o cara!”.
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