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sábado, 17 de outubro de 2009

Comunicação em pauta

Retornando a um tema já abordado neste espaço, comunicólogos, militantes sociais, intelectuais e representantes de diversos segmentos da sociedade civil organizada estão se mobilizando em torno da fase preparatória para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM). As conferências municipais estão se realizando em diversas cidades do país tendo como objetivo, discutir e formular propostas de políticas públicas comunicacionais para serem apresentadas posteriormente nas conferências estaduais e, por conseguinte, na etapa nacional que acontecerá entre os dias 14 e 17 de dezembro.

Em Campina Grande, atendendo a um decreto de convocação assinalado pelo prefeito Veneziano, no dia 22 de setembro, a conferencia municipal de comunicação aconteceu nos últimos dias 16 e 17 no auditório do Teatro Rosil Cavalcanti. O evento, que teve como tema central: “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital”, contou com a participação de um público de aproximadamente 100 pessoas entre estudantes, professores, representantes de movimentos sociais e alguns populares.

Na ocasião, foi proferida uma palestra com a militante social Roseli Goffman, membro de várias entidades, dentre elas, o Conselho Federal de Psicologia – CFP, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC e Comissão Organizadora da Conferência Nacional de Comunicação – CONFECOM. Na ocasião, ela falou sobre um dos temas considerados mais polêmicos envolvendo a democratização da comunicação que é o controle social da mídia.
Apesar da representatividade que se fez presente, o público esteve abaixo da expectativa em número e diversidade.

Além da baixa representação popular, o evento não foi prestigiado por alguma das categorias que, a priori, deveriam demonstrar um maior interesse pela discussão levantada na Confecom, a classe empresarial, dirigentes acadêmicos e profissionais da área da comunicação social.

Contudo, no primeiro caso, se trata de algo já aguardado uma vez que, como vem acontecendo em todo o país, os proprietários de emissoras de rádio, TV e jornais, não têm se demonstrado muito simpáticos com a iniciativa, até então, inédita no país e em cujo eixo central discursivo está o futuro da mídia no Brasil. Portanto, não é de se espantar que, sentar à mesa para se discutir as propostas advindas da sociedade civil organizada no que diz respeito ao processo de democratização da informação é algo ainda impensável para a categoria que ainda concentra o poder da comunicação em suas mãos. No que diz respeito, a ausência ou baixíssima representatividade dessa demais categorias, permanece a incógnita.

Como se pode prever, a 1ª Confecom ainda renderá muita polêmica e, sobretudo, conflito de poderes e forças sociais antagônicas em torno do processo de midiatização porque passa a sociedade em que vivemos. Algo que, vale ressaltar, é tão relevante como as demais discussões em torno das políticas públicas voltadas para as áreas de saúde, educação e segurança. Contudo, ao que se pode observar, esse cunho de relevância só será percebido pela sociedade em geral, quando a comunicação deixar de ser apreendida como um mero serviço e passar a ser aceita enquanto um patrimônio público e fenômeno global de conseqüências vitais para a vida de todos.

Nesse sentido, nunca é demais ressaltar que, na chamada era digital, cujos efeitos do redimensionamento das velhas e surgimento das novas mídias é algo que está apenas começando e que discutir o futuro da comunicação é uma necessidade básica para a qualidade de vida de todos. Só nos resta consciência plena desta realidade, pelo visto, ainda ignorada até mesmo pela maioria dos agentes sociais ativos da cadeia produtiva midiática.

Por essa razão, convocamos todos aqueles que por aqui navegaram para refletir e, mais do que isto, se engajarem nas discussões em torno dessa etapa preparatória da Confecom, cujo epicentro temático será o exercício da cidadania numa sociedade cada vez mais midiática e mitiatizada.

Para isto, nada melhor do que nos servirmos de instrumentos digitais essencialmente democráticos e revolucionários dispostos via rede mundial de computadores, a exemplo de blogs e sites, dentre os quais, destacamos para visitação os seguintes: http://proconferencia.org.br/; http://www.direitoacomunicacao.org.br/, e http://conferenciacomunicacaocg.blogspot.com/

Voltaremos a este tema, em breve!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Jornalismo Cidadão e os indicadores sociais

Jornalismo e os indicadores sociais

A Síntese dos Indicadores Sociais 2009, publicada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontando a Paraíba como o terceiro Estado brasileiro em concentração de famílias vivendo em situação de pobreza, representa mais um radiograma da realidade política de conseqüências socioeconômicas em que vive o nosso Estado.

Trata-se de uma notícia que, no contexto do jornalismo cidadão, deveria ser explorada ao máximo pela imprensa estadual, procurando cobrar da classe política não apenas respostas para esse quadro lastimável de indicador social, mas, sobretudo, solução para os problemas apresentados na pesquisa.

Os dados, referentes ao ano de 2008, mostram que 37,3% das famílias paraibanas que vivem em domicílios permanentes urbanos, sobrevivem com até meio salário mínimo por pessoa, patamar considerado pelo IBGE como situação de pobreza. Os números revelam o que está sendo viver nas cidades para onde, vale ressaltar, um número de pessoas cada vez maior, continua a migrar em busca de condições de vida melhor.

Afora os baixos salários, a falta de infraestrutura dos centros urbanos também revelados nos indicadores sociais, ressaltam o total descaso dos políticos para com os cidadãos, sobretudo, de baixa renda, para quem, o paliativo, conforme se vê, continua sendo apelar para o amparo divino. Não é a toa que as igrejas estão cada vez mais lotadas.

Pena que, ao contrário do que acontece com os fatos de natureza trágica, informações desse tipo não rendem uma cobertura jornalística extensa com um espaço maior nos noticiários diários. Trata-se de uma carência de que sofre toda a imprensa nacional para quem a prática do chamado Jornalismo Cidadão se restringe à criação de quadros temporários de prestação de serviços básicos para as comunidades que continuam desinformadas no que diz respeito aos seus direitos enquanto cidadãos eleitores. È o tipo de coisa que, enquanto não se mudar na imprensa como um todo, o descaso continuará reinando no campo das políticas públicas.

É preciso repensarmos o jornalismo enquanto a prática da responsabilidade social e não um mero mecanismo de registro de fatos e acontecimentos.Isso fica para os historiadores de quem estamos muito próximos no aspecto narrativo, mas distantes no papel social que nos compete.

sábado, 3 de outubro de 2009

Olimpíada 2016: nossa honra e glória dos outros

A vitória do Rio de Janeiro consolidando-se como sede para a Olimpíada de 2016 foi recebida pelos brasileiros em meio a um clima misto de festa e satisfação, mas também de espanto e receio. Além do orgulho patriota que, vale ressaltar, é compartilhado por todos os sul-americanos para quem, parafraseando o Presidente Lula: ‘nunca na história desse continente’ tiveram a honra de sediar o maior evento esportivo do planeta, a conquista, de fato, traz consigo algumas perplexidades que merecem uma reflexão de nossa parte.

A primeira delas diz respeito à vitória do Brasil frente a grandes potencias mundiais, a exemplo dos EUA e Tóquio as quais, além de contar com uma reserva financeira e estruturas físicas e logísticas indiscutivelmente mais satisfatórias para a realização do evento, oferecem um sistema de serviço público bem mais eficiente para os milhares de turistas e atletas que participarão do espetáculo.

Outro aspecto inquietante a ser levantado é que, além de não responder de forma concreta à maior parte das exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI), apresentando para tal apenas garantias que a cidade do Rio cumprirá com todos os 25 itens de obrigatoriedade expostos, o Brasil passou por cima da série das falhas e compromissos não cumpridos para a realização do Pan. Para colocar os Jogos Pan-Americanos de 2007 de pé, o Rio gastou bem mais do que estava previsto no orçamento e não entregou alguns pontos chaves do projeto, como a melhoria na rede de transporte. Nada assegura, portanto, que muitas das tais garantias não sejam novamente descumpridas.Como se não bastasse esses aspectos, como todo bom brasileiro sabe e costuma assistir via mídia, o Brasil continua sendo uma nação que não investe em esporte e cultura, desprezando, inclusive, o apoio aos seus atletas olímpicos, para quem continuar representando o país em eventos de caráter internacional é uma prova de sacrifício e verdadeiro amor á pátria. A situação em que se encontram os nossos ginastas olímpicos espelha muito bem esse quadro lastimável. Quem não se recorda do episódio recente da ginasta Jader Barbosa aparecendo chorando na mídia, reclamando da falta de apoio financeiro para cuidar de uma grave lesão no punho direito, problema este que a fez buscar ajuda dos fãs para seguir com o tratamento?. Isto sem falar nos atletas paraolímpicos, cuja situação é bem pior. É por essas e outras que o Brasil continua fazendo jus ao título de ‘o país do futebol’. Precisa dizer por quê?

Contudo, como se não bastasse, a preocupação maior por parte de muitos brasileiros entre os quais, eu me incluo, diz respeito a desproporção dos investimentos a serem feitos e já aplicados na corrida pelos jogos olímpicos (cerca de R$ 180 mil, de 1992 à 2009) em detrimento da falta de recursos para as políticas públicas necessárias, dentre essas, as próprias ações desportivas. Nesse sentido, distribuir igualitariamente os poucos incentivos na área que, é bom frisar, em sua maioria se concentra nas regiões sul-sudeste, é outro grande desafio do Governo brasileiro que, certamente, ainda está longe de resolver esta desigualdade não apenas econômica mas também sociocultural.

No tocante a desproporção de prioridade de investimentos na vida pública e esse contexto, é bom lembrarmos que a Olimpíada de 2016 vai custar cerca de R$ 25,9 bilhões. Parte deste investimento, vale ressaltar, irá para a rede hoteleira privada para amenizar o grande déficit de leitos que a cidade do Rio apresenta para comportar evento do porte de uma olimpíada. Um descaso de proporções gigantescas para uma cidade com o maior número de favelados do país.

Encerramos o comentário com uma afirmação do advogado Alberto Neto Murray, ex-membro do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), para quem “o Brasil tem outras prioridades e carências sociais para serem resolvidas, como educação, saúde, esporte para todos, habitação", conclusão esta um tanto óbvia para os brasileiros, até mesmo para aqueles que ainda se encontram sob o encanto do espetaculoso sonho olímpico.

Bom, mas enquanto essas necessidades não são suprimidas, vamos ao show, diga-se de passagem, o maior espetáculo do planeta que teremos a honra de sediar para todo o mundo, mesmo cientes de que, a glória, será das nações que subirão ao pódio por mais vezes, consagrando-se vitoriosas em medalhas. Paises esses que levam no peito não apenas o ouro, a prata e o bronze, mas, sobretudo, a lição de que uma Nação se faz com homens e atletas, esses autênticos ídolos patriotas. Para nós, o contento de que, a vitória em sediar a olimpíada 2016 faz com que acreditemos que, de fato, como bem disse o presidente Obama, Lula “é o cara!”.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Mídia: controle x censura

Além de uma audiência muito abaixo da esperada, sobretudo se comparada à primeira versão, o reality show No Limite, da Rede Globo de Televisão, chegou ao fim tendo como resultado nada bom para a emissora, uma condenação fruto de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público no Estado do Ceará, lugar que serviu de cenário para a produção do programa.

A ação foi conseqüência de uma representação da União Internacional Protetora de Animais (UIPA) na qual constam as denúncias de maus tratos a animais num dos quadros que era apresentado no programa. No "mix de gincana com reality show", os participantes eram submetidos a comerem, entre alguns dos pratos que compunham o cardápio para lá de ‘bizarro’, ovos com feto de aves em formação. A idéia provocou o repúdio e ação dos militantes em defesa dos animais no Ceará, fazendo com que a Globo fosse forçada a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) – acordo judicial mediado pelo Ministério Público – para cessar os abusos contra os animais.

O fato trouxe a tona uma discussão em torno de algo que ainda necessita de uma atenção especial por parte da sociedade civil organizada no que diz respeito à atuação da mídia, sobretudo, através de programas de espetacularização como são os reality shows em sucesso no Brasil. Trata-se do controle público e social dos meios de comunicação de massa.

O episódio, como muito bem ressaltou Rogério Tomaz em artigo publicado no site do Observatório da Imprensa, em 22 de setembro, ilustra muito didaticamente os princípios e possíveis mecanismos de aplicação do conceito de controle público e social da mídia. Mas como tem acontecido, sempre que pautado este tema é de imediato rechaçado pelos grandes grupos de comunicação do país para quem controle social é e sempre será sinônimo de censura.

Contudo, longe disto, é importante ressaltarmos que o controle público e social se trata de uma prerrogativa legítima da sociedade que tem total direito e, mais do que isso, tem o dever de monitorar, criticar, reclamar e reivindicar ajustes e mudanças em programas e demais produtos gerados pela mídia que quase sempre objetivam única e exclusivamente, a audiência como retorno financeiros para as empresas de comunicação. A Globo que o diga, para quem os programas inseridos no modelo de reality show têm se revelado verdadeira ‘mina de ouro’.

Trata-se, como se pode ver, de um tema extremamente relevante para todos os cidadãos na era da chamada sociedade da imagem em que o espetáculo se apresenta como um dos principais recursos de audiência de faturamento comercial da mídia. Época em que, paralelo ao avanço do abuso da mídia em várias situações, também se vê crescer a força do monitoramento social e força dos movimentos sociais em prol de uma política de comunicação de massa democrática e respeitosa.

Voltaremos a abordar este problema em outras oportunidades, aqui neste espaço, contando para tanto, com a participação dos colegas internautas a quem convidamos para uma discussão mais aprofundada sobre a questão em pauta.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

TV pública em discussão

Depois de longas três semanas que, como diz um crítico amigo meu, em tempos pós-moderno se trata de um período 'jurássico', voltamos a este espaço para compartilhar com os diletos amigos internautas de mais um tema que julgamos ser do interesse de todos: A TV Pública.


O papel das novas mídias digitais no processo de socialização da informação e, sobretudo, na configuração da esfera pública neste século XXI , sem sombra de dúvidas, se constitui um dos acontecimentos mais importantes do século XXI, conforme nos alertam diversos estudiosos em todo o mundo. Por esta razão, o engajamento efetivo da sociedade civil na discussão em torno dos diversos fenômenos que compõem essa realidade será decisivo no que diz respeito ao processo democratização da comunicação. Dentre estes, um dos mais significantes é a implantação do sistema público de TV que no Brasil, começa a ser desenhado.

Nesse sentido, implantar um sistema público de tevê que valorize a diversidade cultural brasileira e incentive a educação através das tecnologias da informação com o pluralismo de opiniões e a cidadania, é o eixo central discursivo, do qual, todos nós cidadãos brasileiros devemos participar. A reação contrária que vem sendo esboçada por parte dos grupos oligárquicos de comunicação contra a efetivação da TV pública no país sinaliza um motivo a mais para a participação efetiva de todos.

Atentos a estas posturas danosas à democratização da comunicação, entidades civis e instituições diversas começam a se mobilizar em vários estados, em busca de discutir o futuro da televisão digital no Brasil. No que diz respeito à Paraíba, professores, pesquisadores, profissionais, estudantes de comunicação e toda a sociedade civil estão convidados a participar do 1° Fórum Paraibano de TVs Públicas na era digital. O evento é organizado pelo Pólo Multimídia da Universidade Federal da Paraíba e será realizado nos dias 13 e 14 de outubro, no auditório da Reitoria da UFPB, campus I, em João Pessoa.

Serão dois dias de debates sobre diversos aspectos em torno da implantação do sistema de TV´s públicas no país, destacando dentre muitos, o papel e a grade de programação desse novo modelo de televisão que, se bem fundamentado nos princípios democráticos, tratar-se-á de uma das muitas revoluções que a era digital sinaliza para a pós-modernidade.

O evento também será um importante oportunidade de o público conhecer as aplicações interativas para a TV digital, desenvolvidas pela equipe do Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (Lavid) da UFPB, um dos centros de conhecimento tecnológico que contribuiu para a definição do sistema de TV digital recém-implantado em várias parte do país.

As inscrições para o evento podem ser feitas gratuitamente no site da UFPB (http://www.ufpb.br/). Confira abaixo, a programação:


Programação
No primeiro dia do fórum será realizada, às 9h30, a conferência “EBC e a Formação da Rede Pública de Televisão", com José Roberto Barbosa Garcez, diretor de Serviços da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). À tarde, às 14h, o professor Guido Lemos, coordenador do Laboratório de Aplicações em Vídeo Digital–Lavid/UFPB , falará sobre a “Interatividade na TV Digital Pública”.
Ainda no dia 13, às 16h, acontecerá o debate sobre a “Regulamentação, financiamento e propaganda nas TVs públicas”, tendo como palestrante Luís Henrique Martins dos Anjos, diretor Jurídico da EBC.

No segundo dia o fórum começa às 8h com uma mesa redonda sobre a “Produção audiovisual da Paraíba”, tendo Filipe Donner (assessor de Imprensa da IFPB), como mediador, e como debatedores Carlos Dowling (presidente da ABD-PB), João de Lima Gomes (coordenador do Nudoc/UFPB), Bruno de Salles (Pigmento Cinematográfico), Wilfredo Maldonado (coordenador do NPD-UFPB), Torquato Joel (Prac-Coex-UFPB), Carmélio Reynaldo (coordenador do LDMI-UFPB).

Às 9h começa o debate sobre “Programação Regional e Integração de Conteúdos”. A mediadora é a jornalista Madrilena Feitosa, da TV UFPB, e os debatedores são Rômulo Azevedo (professor da UEPB), Luís Lourenço (diretor de Programação/UFPE), Lena Guimarães (secretária de Comunicação do Estado), João de Souza Lima Neto (professor da UFCG), Lívia Carol (secretária de Comunicação de João Pessoa), Josimey Costa da Silva (superintendente de Comunicação da UFRN), Sandra Moura (diretora do Pólo Multimídia/UFPB), Indira Amaral (representante da Abepec), Gilson Ricardo (coordenador de TV e Rádio da Câmara Municipal de João Pessoa), e Giovanni Meirelles (editor da TV Assembléia/PB).

Às 14h, o pesquisador do Lavid/UFPB, Raoni Kulesza, vai realizar uma oficina com os participantes, oportunidade em que serão mostradas aplicações interativas para TV digital.

Às 16h, as discussões serão sobre o “Controle social da mídia”. Vão debater o tema Alexandre Guedes (presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PB), Luciano Bezerra Vieira (representante do Movimento LGBT), Glória Rabay (coordenadora do Nipam/PB), Maria das Graças Martins (do Conselho Regional de Psicologia/PB), Land Seixas de Carvalho (presidente do Sindicato dos Jornalistas/PB), Sonia Lima (Confecom/PB), Waldeci Ferreira das Chagas (coordenador do Movimento Negro/PB) e Marcela Sitônio (presidente da API). Annelsina Trigueiro, coordenadora do Curso de Comunicação Social da UFPB será a mediadora.


Parcerias
Para realizar o 1° Fórum Paraibano de TVs Públicas na era digital, o Pólo Multimídia da UFPB conta com alguns parceiros: EBC; LAVID/UFPB; DECOM-TUR/UFPB; Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Governo da Paraíba, Assembléia Legislativa do Estado, Prefeitura de João Pessoa, Câmara de Vereadores de João Pessoa,Tribunal de Contas do Estado (TCE), Tribunal de Justiça da Paraíba, Agência 9Idéia, Sebrae-PB, Conselho Regional de Psicologia, Sindicato dos Trabalhadores em Ensino Superior da Paraíba-Sintesp/PB, Associação dos Docentes da Universidade Federal-Aduf/PB e o Diretório Central dos Estudantes (DCE/ UFPB).

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A Veja e o MST

Veículo que, depois das últimas campanhas eleitorais para Presidência da República, revelou-se, escancaradamente a serviço da elite brasileira, a Revista Veja traz como manchete principal em sua edição nº 2128, do mês de setembro, mais uma reportagem tendenciosa contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. Trata-se mais uma demonstração de ataque pesado em nome de um pseudo jornalismo investigativo.

Como das outras vezes em que o assunto é MST, a revista se dirige ao movimento rotulando-o de movimento criminoso e, mais novamente acusa o governo e outros segmentos da sociedade civil internacional de apoiarem os ‘crimes’ cometidos pelos trabalhadores sem terra.

Como os mais esclarecidos já sabem, esta não é a primeira nem será a última vez em que a Veja ataca o MST que, é bom ressaltar, nunca foi alvo de reportagens com outras conotação fora da bandidagem, em suas páginas. Essa postura da grande mídia que, vale ressaltar, tem no grupo da editora Abril – à qual pertence a revista Veja - um de seus maiores representantes - já se tornou objeto de estudo de diversos trabalhos acadêmicos realizados por várias universidades brasileiras. Em praticamente todos os estudos realizados, é concluído que o MST é totalmente ou parcialmente deturpado pelas matérias jornalísticas que ignoram o grande trabalho de assistência social que o movimento presta à milhares de famílias rurais totalmente desasistidas. Nesse sentido, está incluído o excelente trabalho de alfabetização e conscientização social, alvo, inclusive, de reconhecimento de diversos órgãos internacionais.

O crescente desenvolvimento organizacional do movimento que comemora 25 anos de luta consagrados por conquistas de avanço em defesa da reforma agrária no país, continuam a incomodar os grandes latifundiários do país, que vale ressaltar, é o segundo no ranking mundial de concentração de propriedade da terra.

Mas os desafios sempre são maiores que as conquistas. Dentre esses, está a luta para lá de desigual contra os grandes conglomerados de comunicação contra os quais perderam mais uma luta. Trata-se da queda da obrigatoriedade do diploma em Jornalismo para o exercício da profissão a pedido desses que, como se sabe, têm carta aberta para contratar qualquer pessoa para trabalhar em seus veículos em detrimento da formação crítica desses. Mas como dizem os militantes, a luta continua!.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

De olho na CONFECOM

Retornando a um tema já apresentado neste blog e que consideramos de extrema relevância para toda a sociedade brasileira, chamamos a atenção dos caros leitores navegantes para que acompanhemos com a máxima atenção os preparativos para a realização da 1ª Conferencia Nacional de Comunicação (CONFECOM). Agendado para o próximo mês de dezembro, o evento vem mobilizando pessoas do país inteiro envolvendo jornalistas e diversas outras categorias ligadas direta e indiretamente com o processo midiático. Tendo como proposta oficial a abertura para uma ampla discussão sobre os rumos da comunicação no nosso país, o caráter de interesse coletivo da proposta se vê a partir da escolha dos membros selecionados para a conferência e da definição do primeiro tema ser discutido: “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital”. A questão será discutida por uma assembléia constituída por delegados representantes da sociedade civil organizada, dos quais fazem parte várias entidades de caráter pública e privada.

Contudo, como no Brasil toda proposta que se apresenta de cunho democrática e que parte da instância política é alvo de uma análise crítica e deve ser vista sempre pelo crivo do ceticismo, não poderia ser diferente com a Confecom. A começar pelo processo de escolha dos membros que farão parte da assembléia para a discussão. A portaria que define os organizadores da CONFECOM aponta 28 membros: 12 do poder público e 16 da "sociedade civil". Entretanto, destes últimos, 8 são representantes das associações das grandes empresas de comunicação do país. Outro detalhe tem chamado a atenção. De acordo com a Comissão Nacional Pró-conferência de Comunicação, os representantes dos grandes conglomerados de comunicação estão se negando a participar do evento. Os reais motivos de tal resistência, todos sabemos. È apenas mais uma nítida demonstração da postura antidemocrática e da face autoritária dos proprietários dos meios de comunicação do país, face esta, aliás, reforçada recentemente com o advento da queda da exigência do diploma em Jornalismo.

Paralelo a esta realidade que, já era de se esperar, diversas organizações da sociedade civil que lidam com comunicação já estão organizando reuniões para realizarem as etapas regionais. As etapas são realizadas através das Comissões Estaduais Pró- Conferênci. Tratam-se de espaços de mobilização e organização dos movimentos populares e organizações sociais que buscam envolver a sociedade em todas as etapas do processo de Conferência. Atualmente, mais de 400 entidades já estão envolvidas com as 23 Comissões Estaduais instituídas, algumas desde o início de 2008, outras mais recentemente.

Respaldados nas palavras do próprio Presidente Lula, para quem a Confecom será uma oportunidade histórica de participação da sociedade civil na forma como é tratado o direito à comunicação no Brasil, todos os cidadãos devem acompanhar esta que, no mínimo, pode ser vista como uma importante oportunidade de, pelo menos, discutirmos a realidade da comunicação de massa no Brasil, fazendo repercutir os anseios e insatisfações em relação à real situação da democratização da comunicação.

Para isto, não podemos nos esquecer de que a construção de direitos e da cidadania através dos meios de comunicação na era digital, tema da conferência, só pode ser realizada com a democratização radical dos meios de comunicação, com a revisão das concessões públicas de televisão e rádio para grandes empresas, realidade esta que espelha o quadro caótico do monopólio que rege a mídia no Brasil.