Além de uma audiência muito abaixo da esperada, sobretudo se comparada à primeira versão, o reality show No Limite, da Rede Globo de Televisão, chegou ao fim tendo como resultado nada bom para a emissora, uma condenação fruto de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público no Estado do Ceará, lugar que serviu de cenário para a produção do programa.
A ação foi conseqüência de uma representação da União Internacional Protetora de Animais (UIPA) na qual constam as denúncias de maus tratos a animais num dos quadros que era apresentado no programa. No "mix de gincana com reality show", os participantes eram submetidos a comerem, entre alguns dos pratos que compunham o cardápio para lá de ‘bizarro’, ovos com feto de aves em formação. A idéia provocou o repúdio e ação dos militantes em defesa dos animais no Ceará, fazendo com que a Globo fosse forçada a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) – acordo judicial mediado pelo Ministério Público – para cessar os abusos contra os animais.
O fato trouxe a tona uma discussão em torno de algo que ainda necessita de uma atenção especial por parte da sociedade civil organizada no que diz respeito à atuação da mídia, sobretudo, através de programas de espetacularização como são os reality shows em sucesso no Brasil. Trata-se do controle público e social dos meios de comunicação de massa.
O episódio, como muito bem ressaltou Rogério Tomaz em artigo publicado no site do Observatório da Imprensa, em 22 de setembro, ilustra muito didaticamente os princípios e possíveis mecanismos de aplicação do conceito de controle público e social da mídia. Mas como tem acontecido, sempre que pautado este tema é de imediato rechaçado pelos grandes grupos de comunicação do país para quem controle social é e sempre será sinônimo de censura.
Contudo, longe disto, é importante ressaltarmos que o controle público e social se trata de uma prerrogativa legítima da sociedade que tem total direito e, mais do que isso, tem o dever de monitorar, criticar, reclamar e reivindicar ajustes e mudanças em programas e demais produtos gerados pela mídia que quase sempre objetivam única e exclusivamente, a audiência como retorno financeiros para as empresas de comunicação. A Globo que o diga, para quem os programas inseridos no modelo de reality show têm se revelado verdadeira ‘mina de ouro’.
Trata-se, como se pode ver, de um tema extremamente relevante para todos os cidadãos na era da chamada sociedade da imagem em que o espetáculo se apresenta como um dos principais recursos de audiência de faturamento comercial da mídia. Época em que, paralelo ao avanço do abuso da mídia em várias situações, também se vê crescer a força do monitoramento social e força dos movimentos sociais em prol de uma política de comunicação de massa democrática e respeitosa.
Voltaremos a abordar este problema em outras oportunidades, aqui neste espaço, contando para tanto, com a participação dos colegas internautas a quem convidamos para uma discussão mais aprofundada sobre a questão em pauta.
Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
TV pública em discussão
Depois de longas três semanas que, como diz um crítico amigo meu, em tempos pós-moderno se trata de um período 'jurássico', voltamos a este espaço para compartilhar com os diletos amigos internautas de mais um tema que julgamos ser do interesse de todos: A TV Pública.
O papel das novas mídias digitais no processo de socialização da informação e, sobretudo, na configuração da esfera pública neste século XXI , sem sombra de dúvidas, se constitui um dos acontecimentos mais importantes do século XXI, conforme nos alertam diversos estudiosos em todo o mundo. Por esta razão, o engajamento efetivo da sociedade civil na discussão em torno dos diversos fenômenos que compõem essa realidade será decisivo no que diz respeito ao processo democratização da comunicação. Dentre estes, um dos mais significantes é a implantação do sistema público de TV que no Brasil, começa a ser desenhado.
Nesse sentido, implantar um sistema público de tevê que valorize a diversidade cultural brasileira e incentive a educação através das tecnologias da informação com o pluralismo de opiniões e a cidadania, é o eixo central discursivo, do qual, todos nós cidadãos brasileiros devemos participar. A reação contrária que vem sendo esboçada por parte dos grupos oligárquicos de comunicação contra a efetivação da TV pública no país sinaliza um motivo a mais para a participação efetiva de todos.
Atentos a estas posturas danosas à democratização da comunicação, entidades civis e instituições diversas começam a se mobilizar em vários estados, em busca de discutir o futuro da televisão digital no Brasil. No que diz respeito à Paraíba, professores, pesquisadores, profissionais, estudantes de comunicação e toda a sociedade civil estão convidados a participar do 1° Fórum Paraibano de TVs Públicas na era digital. O evento é organizado pelo Pólo Multimídia da Universidade Federal da Paraíba e será realizado nos dias 13 e 14 de outubro, no auditório da Reitoria da UFPB, campus I, em João Pessoa.
Serão dois dias de debates sobre diversos aspectos em torno da implantação do sistema de TV´s públicas no país, destacando dentre muitos, o papel e a grade de programação desse novo modelo de televisão que, se bem fundamentado nos princípios democráticos, tratar-se-á de uma das muitas revoluções que a era digital sinaliza para a pós-modernidade.
O evento também será um importante oportunidade de o público conhecer as aplicações interativas para a TV digital, desenvolvidas pela equipe do Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (Lavid) da UFPB, um dos centros de conhecimento tecnológico que contribuiu para a definição do sistema de TV digital recém-implantado em várias parte do país.
As inscrições para o evento podem ser feitas gratuitamente no site da UFPB (http://www.ufpb.br/). Confira abaixo, a programação:
Programação
No primeiro dia do fórum será realizada, às 9h30, a conferência “EBC e a Formação da Rede Pública de Televisão", com José Roberto Barbosa Garcez, diretor de Serviços da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). À tarde, às 14h, o professor Guido Lemos, coordenador do Laboratório de Aplicações em Vídeo Digital–Lavid/UFPB , falará sobre a “Interatividade na TV Digital Pública”.
Ainda no dia 13, às 16h, acontecerá o debate sobre a “Regulamentação, financiamento e propaganda nas TVs públicas”, tendo como palestrante Luís Henrique Martins dos Anjos, diretor Jurídico da EBC.
No segundo dia o fórum começa às 8h com uma mesa redonda sobre a “Produção audiovisual da Paraíba”, tendo Filipe Donner (assessor de Imprensa da IFPB), como mediador, e como debatedores Carlos Dowling (presidente da ABD-PB), João de Lima Gomes (coordenador do Nudoc/UFPB), Bruno de Salles (Pigmento Cinematográfico), Wilfredo Maldonado (coordenador do NPD-UFPB), Torquato Joel (Prac-Coex-UFPB), Carmélio Reynaldo (coordenador do LDMI-UFPB).
Às 9h começa o debate sobre “Programação Regional e Integração de Conteúdos”. A mediadora é a jornalista Madrilena Feitosa, da TV UFPB, e os debatedores são Rômulo Azevedo (professor da UEPB), Luís Lourenço (diretor de Programação/UFPE), Lena Guimarães (secretária de Comunicação do Estado), João de Souza Lima Neto (professor da UFCG), Lívia Carol (secretária de Comunicação de João Pessoa), Josimey Costa da Silva (superintendente de Comunicação da UFRN), Sandra Moura (diretora do Pólo Multimídia/UFPB), Indira Amaral (representante da Abepec), Gilson Ricardo (coordenador de TV e Rádio da Câmara Municipal de João Pessoa), e Giovanni Meirelles (editor da TV Assembléia/PB).
Às 14h, o pesquisador do Lavid/UFPB, Raoni Kulesza, vai realizar uma oficina com os participantes, oportunidade em que serão mostradas aplicações interativas para TV digital.
Às 16h, as discussões serão sobre o “Controle social da mídia”. Vão debater o tema Alexandre Guedes (presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PB), Luciano Bezerra Vieira (representante do Movimento LGBT), Glória Rabay (coordenadora do Nipam/PB), Maria das Graças Martins (do Conselho Regional de Psicologia/PB), Land Seixas de Carvalho (presidente do Sindicato dos Jornalistas/PB), Sonia Lima (Confecom/PB), Waldeci Ferreira das Chagas (coordenador do Movimento Negro/PB) e Marcela Sitônio (presidente da API). Annelsina Trigueiro, coordenadora do Curso de Comunicação Social da UFPB será a mediadora.
Parcerias
Para realizar o 1° Fórum Paraibano de TVs Públicas na era digital, o Pólo Multimídia da UFPB conta com alguns parceiros: EBC; LAVID/UFPB; DECOM-TUR/UFPB; Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Governo da Paraíba, Assembléia Legislativa do Estado, Prefeitura de João Pessoa, Câmara de Vereadores de João Pessoa,Tribunal de Contas do Estado (TCE), Tribunal de Justiça da Paraíba, Agência 9Idéia, Sebrae-PB, Conselho Regional de Psicologia, Sindicato dos Trabalhadores em Ensino Superior da Paraíba-Sintesp/PB, Associação dos Docentes da Universidade Federal-Aduf/PB e o Diretório Central dos Estudantes (DCE/ UFPB).
O papel das novas mídias digitais no processo de socialização da informação e, sobretudo, na configuração da esfera pública neste século XXI , sem sombra de dúvidas, se constitui um dos acontecimentos mais importantes do século XXI, conforme nos alertam diversos estudiosos em todo o mundo. Por esta razão, o engajamento efetivo da sociedade civil na discussão em torno dos diversos fenômenos que compõem essa realidade será decisivo no que diz respeito ao processo democratização da comunicação. Dentre estes, um dos mais significantes é a implantação do sistema público de TV que no Brasil, começa a ser desenhado.
Nesse sentido, implantar um sistema público de tevê que valorize a diversidade cultural brasileira e incentive a educação através das tecnologias da informação com o pluralismo de opiniões e a cidadania, é o eixo central discursivo, do qual, todos nós cidadãos brasileiros devemos participar. A reação contrária que vem sendo esboçada por parte dos grupos oligárquicos de comunicação contra a efetivação da TV pública no país sinaliza um motivo a mais para a participação efetiva de todos.
Atentos a estas posturas danosas à democratização da comunicação, entidades civis e instituições diversas começam a se mobilizar em vários estados, em busca de discutir o futuro da televisão digital no Brasil. No que diz respeito à Paraíba, professores, pesquisadores, profissionais, estudantes de comunicação e toda a sociedade civil estão convidados a participar do 1° Fórum Paraibano de TVs Públicas na era digital. O evento é organizado pelo Pólo Multimídia da Universidade Federal da Paraíba e será realizado nos dias 13 e 14 de outubro, no auditório da Reitoria da UFPB, campus I, em João Pessoa.
Serão dois dias de debates sobre diversos aspectos em torno da implantação do sistema de TV´s públicas no país, destacando dentre muitos, o papel e a grade de programação desse novo modelo de televisão que, se bem fundamentado nos princípios democráticos, tratar-se-á de uma das muitas revoluções que a era digital sinaliza para a pós-modernidade.
O evento também será um importante oportunidade de o público conhecer as aplicações interativas para a TV digital, desenvolvidas pela equipe do Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (Lavid) da UFPB, um dos centros de conhecimento tecnológico que contribuiu para a definição do sistema de TV digital recém-implantado em várias parte do país.
As inscrições para o evento podem ser feitas gratuitamente no site da UFPB (http://www.ufpb.br/). Confira abaixo, a programação:
Programação
No primeiro dia do fórum será realizada, às 9h30, a conferência “EBC e a Formação da Rede Pública de Televisão", com José Roberto Barbosa Garcez, diretor de Serviços da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). À tarde, às 14h, o professor Guido Lemos, coordenador do Laboratório de Aplicações em Vídeo Digital–Lavid/UFPB , falará sobre a “Interatividade na TV Digital Pública”.
Ainda no dia 13, às 16h, acontecerá o debate sobre a “Regulamentação, financiamento e propaganda nas TVs públicas”, tendo como palestrante Luís Henrique Martins dos Anjos, diretor Jurídico da EBC.
No segundo dia o fórum começa às 8h com uma mesa redonda sobre a “Produção audiovisual da Paraíba”, tendo Filipe Donner (assessor de Imprensa da IFPB), como mediador, e como debatedores Carlos Dowling (presidente da ABD-PB), João de Lima Gomes (coordenador do Nudoc/UFPB), Bruno de Salles (Pigmento Cinematográfico), Wilfredo Maldonado (coordenador do NPD-UFPB), Torquato Joel (Prac-Coex-UFPB), Carmélio Reynaldo (coordenador do LDMI-UFPB).
Às 9h começa o debate sobre “Programação Regional e Integração de Conteúdos”. A mediadora é a jornalista Madrilena Feitosa, da TV UFPB, e os debatedores são Rômulo Azevedo (professor da UEPB), Luís Lourenço (diretor de Programação/UFPE), Lena Guimarães (secretária de Comunicação do Estado), João de Souza Lima Neto (professor da UFCG), Lívia Carol (secretária de Comunicação de João Pessoa), Josimey Costa da Silva (superintendente de Comunicação da UFRN), Sandra Moura (diretora do Pólo Multimídia/UFPB), Indira Amaral (representante da Abepec), Gilson Ricardo (coordenador de TV e Rádio da Câmara Municipal de João Pessoa), e Giovanni Meirelles (editor da TV Assembléia/PB).
Às 14h, o pesquisador do Lavid/UFPB, Raoni Kulesza, vai realizar uma oficina com os participantes, oportunidade em que serão mostradas aplicações interativas para TV digital.
Às 16h, as discussões serão sobre o “Controle social da mídia”. Vão debater o tema Alexandre Guedes (presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PB), Luciano Bezerra Vieira (representante do Movimento LGBT), Glória Rabay (coordenadora do Nipam/PB), Maria das Graças Martins (do Conselho Regional de Psicologia/PB), Land Seixas de Carvalho (presidente do Sindicato dos Jornalistas/PB), Sonia Lima (Confecom/PB), Waldeci Ferreira das Chagas (coordenador do Movimento Negro/PB) e Marcela Sitônio (presidente da API). Annelsina Trigueiro, coordenadora do Curso de Comunicação Social da UFPB será a mediadora.
Parcerias
Para realizar o 1° Fórum Paraibano de TVs Públicas na era digital, o Pólo Multimídia da UFPB conta com alguns parceiros: EBC; LAVID/UFPB; DECOM-TUR/UFPB; Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Governo da Paraíba, Assembléia Legislativa do Estado, Prefeitura de João Pessoa, Câmara de Vereadores de João Pessoa,Tribunal de Contas do Estado (TCE), Tribunal de Justiça da Paraíba, Agência 9Idéia, Sebrae-PB, Conselho Regional de Psicologia, Sindicato dos Trabalhadores em Ensino Superior da Paraíba-Sintesp/PB, Associação dos Docentes da Universidade Federal-Aduf/PB e o Diretório Central dos Estudantes (DCE/ UFPB).
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
A Veja e o MST
Veículo que, depois das últimas campanhas eleitorais para Presidência da República, revelou-se, escancaradamente a serviço da elite brasileira, a Revista Veja traz como manchete principal em sua edição nº 2128, do mês de setembro, mais uma reportagem tendenciosa contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. Trata-se mais uma demonstração de ataque pesado em nome de um pseudo jornalismo investigativo.
Como das outras vezes em que o assunto é MST, a revista se dirige ao movimento rotulando-o de movimento criminoso e, mais novamente acusa o governo e outros segmentos da sociedade civil internacional de apoiarem os ‘crimes’ cometidos pelos trabalhadores sem terra.
Como os mais esclarecidos já sabem, esta não é a primeira nem será a última vez em que a Veja ataca o MST que, é bom ressaltar, nunca foi alvo de reportagens com outras conotação fora da bandidagem, em suas páginas. Essa postura da grande mídia que, vale ressaltar, tem no grupo da editora Abril – à qual pertence a revista Veja - um de seus maiores representantes - já se tornou objeto de estudo de diversos trabalhos acadêmicos realizados por várias universidades brasileiras. Em praticamente todos os estudos realizados, é concluído que o MST é totalmente ou parcialmente deturpado pelas matérias jornalísticas que ignoram o grande trabalho de assistência social que o movimento presta à milhares de famílias rurais totalmente desasistidas. Nesse sentido, está incluído o excelente trabalho de alfabetização e conscientização social, alvo, inclusive, de reconhecimento de diversos órgãos internacionais.
O crescente desenvolvimento organizacional do movimento que comemora 25 anos de luta consagrados por conquistas de avanço em defesa da reforma agrária no país, continuam a incomodar os grandes latifundiários do país, que vale ressaltar, é o segundo no ranking mundial de concentração de propriedade da terra.
Mas os desafios sempre são maiores que as conquistas. Dentre esses, está a luta para lá de desigual contra os grandes conglomerados de comunicação contra os quais perderam mais uma luta. Trata-se da queda da obrigatoriedade do diploma em Jornalismo para o exercício da profissão a pedido desses que, como se sabe, têm carta aberta para contratar qualquer pessoa para trabalhar em seus veículos em detrimento da formação crítica desses. Mas como dizem os militantes, a luta continua!.
Como das outras vezes em que o assunto é MST, a revista se dirige ao movimento rotulando-o de movimento criminoso e, mais novamente acusa o governo e outros segmentos da sociedade civil internacional de apoiarem os ‘crimes’ cometidos pelos trabalhadores sem terra.
Como os mais esclarecidos já sabem, esta não é a primeira nem será a última vez em que a Veja ataca o MST que, é bom ressaltar, nunca foi alvo de reportagens com outras conotação fora da bandidagem, em suas páginas. Essa postura da grande mídia que, vale ressaltar, tem no grupo da editora Abril – à qual pertence a revista Veja - um de seus maiores representantes - já se tornou objeto de estudo de diversos trabalhos acadêmicos realizados por várias universidades brasileiras. Em praticamente todos os estudos realizados, é concluído que o MST é totalmente ou parcialmente deturpado pelas matérias jornalísticas que ignoram o grande trabalho de assistência social que o movimento presta à milhares de famílias rurais totalmente desasistidas. Nesse sentido, está incluído o excelente trabalho de alfabetização e conscientização social, alvo, inclusive, de reconhecimento de diversos órgãos internacionais.
O crescente desenvolvimento organizacional do movimento que comemora 25 anos de luta consagrados por conquistas de avanço em defesa da reforma agrária no país, continuam a incomodar os grandes latifundiários do país, que vale ressaltar, é o segundo no ranking mundial de concentração de propriedade da terra.
Mas os desafios sempre são maiores que as conquistas. Dentre esses, está a luta para lá de desigual contra os grandes conglomerados de comunicação contra os quais perderam mais uma luta. Trata-se da queda da obrigatoriedade do diploma em Jornalismo para o exercício da profissão a pedido desses que, como se sabe, têm carta aberta para contratar qualquer pessoa para trabalhar em seus veículos em detrimento da formação crítica desses. Mas como dizem os militantes, a luta continua!.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
De olho na CONFECOM
Retornando a um tema já apresentado neste blog e que consideramos de extrema relevância para toda a sociedade brasileira, chamamos a atenção dos caros leitores navegantes para que acompanhemos com a máxima atenção os preparativos para a realização da 1ª Conferencia Nacional de Comunicação (CONFECOM). Agendado para o próximo mês de dezembro, o evento vem mobilizando pessoas do país inteiro envolvendo jornalistas e diversas outras categorias ligadas direta e indiretamente com o processo midiático. Tendo como proposta oficial a abertura para uma ampla discussão sobre os rumos da comunicação no nosso país, o caráter de interesse coletivo da proposta se vê a partir da escolha dos membros selecionados para a conferência e da definição do primeiro tema ser discutido: “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital”. A questão será discutida por uma assembléia constituída por delegados representantes da sociedade civil organizada, dos quais fazem parte várias entidades de caráter pública e privada.
Contudo, como no Brasil toda proposta que se apresenta de cunho democrática e que parte da instância política é alvo de uma análise crítica e deve ser vista sempre pelo crivo do ceticismo, não poderia ser diferente com a Confecom. A começar pelo processo de escolha dos membros que farão parte da assembléia para a discussão. A portaria que define os organizadores da CONFECOM aponta 28 membros: 12 do poder público e 16 da "sociedade civil". Entretanto, destes últimos, 8 são representantes das associações das grandes empresas de comunicação do país. Outro detalhe tem chamado a atenção. De acordo com a Comissão Nacional Pró-conferência de Comunicação, os representantes dos grandes conglomerados de comunicação estão se negando a participar do evento. Os reais motivos de tal resistência, todos sabemos. È apenas mais uma nítida demonstração da postura antidemocrática e da face autoritária dos proprietários dos meios de comunicação do país, face esta, aliás, reforçada recentemente com o advento da queda da exigência do diploma em Jornalismo.
Paralelo a esta realidade que, já era de se esperar, diversas organizações da sociedade civil que lidam com comunicação já estão organizando reuniões para realizarem as etapas regionais. As etapas são realizadas através das Comissões Estaduais Pró- Conferênci. Tratam-se de espaços de mobilização e organização dos movimentos populares e organizações sociais que buscam envolver a sociedade em todas as etapas do processo de Conferência. Atualmente, mais de 400 entidades já estão envolvidas com as 23 Comissões Estaduais instituídas, algumas desde o início de 2008, outras mais recentemente.
Respaldados nas palavras do próprio Presidente Lula, para quem a Confecom será uma oportunidade histórica de participação da sociedade civil na forma como é tratado o direito à comunicação no Brasil, todos os cidadãos devem acompanhar esta que, no mínimo, pode ser vista como uma importante oportunidade de, pelo menos, discutirmos a realidade da comunicação de massa no Brasil, fazendo repercutir os anseios e insatisfações em relação à real situação da democratização da comunicação.
Para isto, não podemos nos esquecer de que a construção de direitos e da cidadania através dos meios de comunicação na era digital, tema da conferência, só pode ser realizada com a democratização radical dos meios de comunicação, com a revisão das concessões públicas de televisão e rádio para grandes empresas, realidade esta que espelha o quadro caótico do monopólio que rege a mídia no Brasil.
Contudo, como no Brasil toda proposta que se apresenta de cunho democrática e que parte da instância política é alvo de uma análise crítica e deve ser vista sempre pelo crivo do ceticismo, não poderia ser diferente com a Confecom. A começar pelo processo de escolha dos membros que farão parte da assembléia para a discussão. A portaria que define os organizadores da CONFECOM aponta 28 membros: 12 do poder público e 16 da "sociedade civil". Entretanto, destes últimos, 8 são representantes das associações das grandes empresas de comunicação do país. Outro detalhe tem chamado a atenção. De acordo com a Comissão Nacional Pró-conferência de Comunicação, os representantes dos grandes conglomerados de comunicação estão se negando a participar do evento. Os reais motivos de tal resistência, todos sabemos. È apenas mais uma nítida demonstração da postura antidemocrática e da face autoritária dos proprietários dos meios de comunicação do país, face esta, aliás, reforçada recentemente com o advento da queda da exigência do diploma em Jornalismo.
Paralelo a esta realidade que, já era de se esperar, diversas organizações da sociedade civil que lidam com comunicação já estão organizando reuniões para realizarem as etapas regionais. As etapas são realizadas através das Comissões Estaduais Pró- Conferênci. Tratam-se de espaços de mobilização e organização dos movimentos populares e organizações sociais que buscam envolver a sociedade em todas as etapas do processo de Conferência. Atualmente, mais de 400 entidades já estão envolvidas com as 23 Comissões Estaduais instituídas, algumas desde o início de 2008, outras mais recentemente.
Respaldados nas palavras do próprio Presidente Lula, para quem a Confecom será uma oportunidade histórica de participação da sociedade civil na forma como é tratado o direito à comunicação no Brasil, todos os cidadãos devem acompanhar esta que, no mínimo, pode ser vista como uma importante oportunidade de, pelo menos, discutirmos a realidade da comunicação de massa no Brasil, fazendo repercutir os anseios e insatisfações em relação à real situação da democratização da comunicação.
Para isto, não podemos nos esquecer de que a construção de direitos e da cidadania através dos meios de comunicação na era digital, tema da conferência, só pode ser realizada com a democratização radical dos meios de comunicação, com a revisão das concessões públicas de televisão e rádio para grandes empresas, realidade esta que espelha o quadro caótico do monopólio que rege a mídia no Brasil.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
As consequências do estrago do STF
O debate em torno da decisão do STF em derrubar a obrigatoriedade do diploma em Jornalismo continua gerando discussões em todo o país, em detrimento do silêncio orquestrado pela imprensa oficial. Paralelo às discussões envolvendo não apenas a categoria atingida pelo duro golpe oligárquico, crescem também as manifestações de apoio de diversos outros segmentos da sociedade civil à campanha de mobilização nacional em prol da reinstituição do caráter legal do diploma dentro da lei de regulamentação da profissão.
Tal reação demonstra claramente o fato já apontado por diversos estudiosos da comunicação e de outras áreas afins que defendem o avanço transparente do anseio democrático no seio da sociedade moderna. Sociedade esta que, diferentemente de antes, hoje conta com o auxílio de instrumentos essencialmente dialógicos, a exemplo deste espaço virtual, por meio do qual, pessoas do mundo todo compartilham idéias, opiniões e, mais do que isso, reformatam o seu pontos de vista sobre diversos temas e fatos, processo este não mais sob o domínio exclusivo da indústria jornalística.
É por meio de ferramentas virtuais como esta que podemos compartilhar de comentários lúcidos e esclarecedores, a exemplo do que reproduzimos, na íntegra, abaixo, de autoria de um dos mais aguerrido e prudente jornalista brasileiro ainda vivo: Alberto Dines. Vamos a ele:
O tamanho do estrago
* Alberto Dines
A "aula" do ministro Marco Aurélio Mello – veiculada na última edição televisiva do Observatório da Imprensa – sobre as duas recentes decisões do Supremo Tribunal Federal relacionadas com o exercício do jornalismo, entre outros méritos mostrou o grau de manipulação do noticiário pela grande mídia.No lugar de tornar o processo jornalístico mais claro, mais compreensível e mais eficaz, as duas decisões – fim da Lei de Imprensa e da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão – estabeleceram uma tremenda confusão.
A pretexto de restabelecer a normalidade democrática foram criados dois vácuos legais, rigorosamente injustificados, com enorme prejuízo para a magistratura que fica sem referências para a tomada de decisões e, principalmente, para a sociedade empurrada a um perigoso ceticismo no tocante à racionalidade da nossa Suprema Corte.Se os juízes iludiram-se, o problema é de Suas Excelências, mas se à cidadania não foram oferecidas as informações necessárias para avaliar a exata dimensão do que foi decidido pelo egrégio colegiado, a falha é da imprensa que, assim, abdica do seu papel institucional e desabilita-se como guardiã do interesse público.
Confusão simplista. Acontece que a imprensa (hoje chamada de indústria jornalística) era parte interessada nos dois casos. Não apareceu formalmente na proposta de extinção da Lei de Imprensa, mas estimulou, criou o clima, deu total cobertura ao autor da ação, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).No caso do fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, a indústria jornalística foi parte, atuou direta e ostensivamente através de uma de suas entidades corporativas (o Sindicato de Empresas da Rádio e Televisão do Estado de São Paulo – SERTESP). Agora, quando começa a ficar visível o tamanho do estrago produzido pela afoiteza da maioria dos ministros do STF, as empresas de comunicação engavetam qualquer tipo de reflexão sobre o ocorrido. Aquele resultado de 8 votos a 1 é irreversível – ninguém discute – mas além de um placar conviria rever os principais lances daquela desgraçada partida.O voto do relator da matéria, ministro Gilmar Mendes, atual presidente do STF, deveria ser exposto, traduzido e discutido em detalhes. Uma imprensa evoluída e qualificada não admitiria que este lance histórico permanecesse envolto em suspeitas e dúvidas.
O Meritíssimo partiu de uma premissa errada ao endossar a tese de que a exigência do diploma para o exercício do jornalismo constitui um entrave à liberdade de expressão. Entusiasmado com a sua cruzada libertária, acabou com a profissão de jornalista no Brasil. Passou ao largo de diversos estatutos que sequer estavam mencionados na questão e passou uma borracha num pedaço da história política do país. Na realidade, fez tabelinha com a grande imprensa que em 2008 decretou a inexistência da história do jornalismo brasileiro. Agora, somos meros mestres cucas: quando nos for exigida uma qualificação profissional, basta escrever "sem ofício conhecido".O enorme saber jurídico do relator-presidente do STF não o animou a estudar os antecedentes históricos do caso que o Estado colocara em suas mãos: ignorou que no Senado romano já existiam jornalistas (diurnarii ou actuarii, redatores das Actae Diurnae), ignorou a designação de "redatores das folhas públicas" consignada por Hipólito da Costa em junho de 1808 e, como grande apreciador da cultura alemã, ignorou que em Leipzig, 1690, um teólogo de nome Tobias Paucer apresentou uma tese de doutoramento, De relationibus novellis – O Relato Jornalístico – comprovando a sua especificidade e suas diferenças com outros gêneros narrativos. Segundo Paucer, a publicação de notícias (novellae) tem uma técnica e uma ética próprias.Antes de determinar a extinção da profissão de jornalista confundindo-a simplisticamente com a questão do diploma, o ministro Gilmar Mendes deveria ter estudado a questão com mais cuidado e profundidade.
Para inteirar-se a respeito de Paucer, bastaria mandar comprar o recém-publicado Ética, Jornalismo e Nova Mídia, de autoria do jornalista, crítico e professor Caio Túlio Costa (Zahar, 2009, págs. 41-46), de onde essas informações foram extraídas.Acusações contra o establishmentDe nada adianta aquela formidável exibição de malabarismo jurídico nas 91 páginas do seu parecer, se o ministro Mendes não conseguiu compreender duas questões comezinhas e cruciais:1. O fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício profissional é apenas um aspecto da questão. A especificidade da profissão de jornalista é outra. O ministro Gilmar Mendes sabe que as grandes empresas jornalísticas mantêm há décadas cursos de aperfeiçoamento para formandos de jornalismo. Viu neles apenas uma prova da deficiência acadêmica, não conseguiu enxergar neste mesmo fato a demonstração cabal de que a própria indústria reconhece a especificidade do conhecimento para o exercício do jornalismo.2. Ao aceitar a ação proposta pelo Ministério Público Federal e o SERTESP, o ministro Mendes caiu na armadilha armada pelo seu vasto arsenal de conhecimentos.
No final da argumentação [o formato da íntegra fornecida pelo STF não permite a numeração das páginas], faz pesada carga contra as empresas de comunicação:"No Estado democrático de Direito, a proteção da liberdade de imprensa também leva em conta a proteção contra a própria imprensa". Ora, se a imprensa está envolta em suspeições por que razão Sua Excelência endossa as teses de uma corporação empresarial ainda mais suspeita?Como a sua fonte é portuguesa (ANDRADE, Manuel da Costa, Liberdade de Imprensa e inviolabilidade pessoal: uma perspectiva jurídico-criminal, Coimbra Editora, 1996, pág. 63), o ministro Mendes designa acertamente a mídia como os media e tasca as seguintes acusações contra o establishment jornalístico:** "...hoje não são tanto os media que têm de defender a sua posição contra o Estado, mas, inversamente, é o Estado que tem de acautelar-se para não ser cercado, isto é, manipulado pelos media..."** "...os meios de comunicação de massa já não são expressão da liberdade e autonomia individual dos cidadãos, antes relevam dos interesses comerciais ou ideológicos de grandes organizações empresariais, institucionais ou de grupos de interesse."** "...o exercício da atividade jornalística está invariavelmente associado à mobilização de recursos e investimentos de peso considerável. O que, se por um lado resulta em ganhos indisfarçáveis de poder, redunda ao mesmo tempo na submissão a uma lógica orientada para valores de racionalidade econômica.
"Os dispensáveisComo explicar tamanha contradição? Como conciliar este arrasador ataque aos grandes grupos de comunicação com o generoso acolhimento dos argumentos propostos por um sindicato de empresas do ramo beneficiadas por concessões públicas e notoriamente desatentas aos seus compromissos sociais?Esquizofrenia ideológica, exercício de retórica jurídica ou a certeza de que este relatório jamais seria publicado na íntegra em veículos de grande tiragem? Qualquer que seja a explicação – certamente haverá outras menos drásticas – flagrou-se a precariedade do processo decisório vigente nesta República.
O fim da exigência do diploma era uma fixação do empresariado jornalístico, obsessão alimentada pela má consciência do patronato durante os 21 anos de regime militar. Em 1985, ao invés da purgação saneadora, a exacerbação dos piores instintos acaba por extinguir a própria profissão de jornalista.A indústria e os industriais do jornalismo finalmente desfizeram-se dos industriários. Com o twitter são perfeitamente dispensáveis. Como diz José Saramago, com o twitter nos encaminhamos decisivamente para o grunhido. E o STF oferece o suporte legal.
*Jornalista, editor do Observatório da Imprensa.
Artigo publicado no Observatório da Imprensa em 28/7/2009
Tal reação demonstra claramente o fato já apontado por diversos estudiosos da comunicação e de outras áreas afins que defendem o avanço transparente do anseio democrático no seio da sociedade moderna. Sociedade esta que, diferentemente de antes, hoje conta com o auxílio de instrumentos essencialmente dialógicos, a exemplo deste espaço virtual, por meio do qual, pessoas do mundo todo compartilham idéias, opiniões e, mais do que isso, reformatam o seu pontos de vista sobre diversos temas e fatos, processo este não mais sob o domínio exclusivo da indústria jornalística.
É por meio de ferramentas virtuais como esta que podemos compartilhar de comentários lúcidos e esclarecedores, a exemplo do que reproduzimos, na íntegra, abaixo, de autoria de um dos mais aguerrido e prudente jornalista brasileiro ainda vivo: Alberto Dines. Vamos a ele:
O tamanho do estrago
* Alberto Dines
A "aula" do ministro Marco Aurélio Mello – veiculada na última edição televisiva do Observatório da Imprensa – sobre as duas recentes decisões do Supremo Tribunal Federal relacionadas com o exercício do jornalismo, entre outros méritos mostrou o grau de manipulação do noticiário pela grande mídia.No lugar de tornar o processo jornalístico mais claro, mais compreensível e mais eficaz, as duas decisões – fim da Lei de Imprensa e da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão – estabeleceram uma tremenda confusão.
A pretexto de restabelecer a normalidade democrática foram criados dois vácuos legais, rigorosamente injustificados, com enorme prejuízo para a magistratura que fica sem referências para a tomada de decisões e, principalmente, para a sociedade empurrada a um perigoso ceticismo no tocante à racionalidade da nossa Suprema Corte.Se os juízes iludiram-se, o problema é de Suas Excelências, mas se à cidadania não foram oferecidas as informações necessárias para avaliar a exata dimensão do que foi decidido pelo egrégio colegiado, a falha é da imprensa que, assim, abdica do seu papel institucional e desabilita-se como guardiã do interesse público.
Confusão simplista. Acontece que a imprensa (hoje chamada de indústria jornalística) era parte interessada nos dois casos. Não apareceu formalmente na proposta de extinção da Lei de Imprensa, mas estimulou, criou o clima, deu total cobertura ao autor da ação, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).No caso do fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, a indústria jornalística foi parte, atuou direta e ostensivamente através de uma de suas entidades corporativas (o Sindicato de Empresas da Rádio e Televisão do Estado de São Paulo – SERTESP). Agora, quando começa a ficar visível o tamanho do estrago produzido pela afoiteza da maioria dos ministros do STF, as empresas de comunicação engavetam qualquer tipo de reflexão sobre o ocorrido. Aquele resultado de 8 votos a 1 é irreversível – ninguém discute – mas além de um placar conviria rever os principais lances daquela desgraçada partida.O voto do relator da matéria, ministro Gilmar Mendes, atual presidente do STF, deveria ser exposto, traduzido e discutido em detalhes. Uma imprensa evoluída e qualificada não admitiria que este lance histórico permanecesse envolto em suspeitas e dúvidas.
O Meritíssimo partiu de uma premissa errada ao endossar a tese de que a exigência do diploma para o exercício do jornalismo constitui um entrave à liberdade de expressão. Entusiasmado com a sua cruzada libertária, acabou com a profissão de jornalista no Brasil. Passou ao largo de diversos estatutos que sequer estavam mencionados na questão e passou uma borracha num pedaço da história política do país. Na realidade, fez tabelinha com a grande imprensa que em 2008 decretou a inexistência da história do jornalismo brasileiro. Agora, somos meros mestres cucas: quando nos for exigida uma qualificação profissional, basta escrever "sem ofício conhecido".O enorme saber jurídico do relator-presidente do STF não o animou a estudar os antecedentes históricos do caso que o Estado colocara em suas mãos: ignorou que no Senado romano já existiam jornalistas (diurnarii ou actuarii, redatores das Actae Diurnae), ignorou a designação de "redatores das folhas públicas" consignada por Hipólito da Costa em junho de 1808 e, como grande apreciador da cultura alemã, ignorou que em Leipzig, 1690, um teólogo de nome Tobias Paucer apresentou uma tese de doutoramento, De relationibus novellis – O Relato Jornalístico – comprovando a sua especificidade e suas diferenças com outros gêneros narrativos. Segundo Paucer, a publicação de notícias (novellae) tem uma técnica e uma ética próprias.Antes de determinar a extinção da profissão de jornalista confundindo-a simplisticamente com a questão do diploma, o ministro Gilmar Mendes deveria ter estudado a questão com mais cuidado e profundidade.
Para inteirar-se a respeito de Paucer, bastaria mandar comprar o recém-publicado Ética, Jornalismo e Nova Mídia, de autoria do jornalista, crítico e professor Caio Túlio Costa (Zahar, 2009, págs. 41-46), de onde essas informações foram extraídas.Acusações contra o establishmentDe nada adianta aquela formidável exibição de malabarismo jurídico nas 91 páginas do seu parecer, se o ministro Mendes não conseguiu compreender duas questões comezinhas e cruciais:1. O fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício profissional é apenas um aspecto da questão. A especificidade da profissão de jornalista é outra. O ministro Gilmar Mendes sabe que as grandes empresas jornalísticas mantêm há décadas cursos de aperfeiçoamento para formandos de jornalismo. Viu neles apenas uma prova da deficiência acadêmica, não conseguiu enxergar neste mesmo fato a demonstração cabal de que a própria indústria reconhece a especificidade do conhecimento para o exercício do jornalismo.2. Ao aceitar a ação proposta pelo Ministério Público Federal e o SERTESP, o ministro Mendes caiu na armadilha armada pelo seu vasto arsenal de conhecimentos.
No final da argumentação [o formato da íntegra fornecida pelo STF não permite a numeração das páginas], faz pesada carga contra as empresas de comunicação:"No Estado democrático de Direito, a proteção da liberdade de imprensa também leva em conta a proteção contra a própria imprensa". Ora, se a imprensa está envolta em suspeições por que razão Sua Excelência endossa as teses de uma corporação empresarial ainda mais suspeita?Como a sua fonte é portuguesa (ANDRADE, Manuel da Costa, Liberdade de Imprensa e inviolabilidade pessoal: uma perspectiva jurídico-criminal, Coimbra Editora, 1996, pág. 63), o ministro Mendes designa acertamente a mídia como os media e tasca as seguintes acusações contra o establishment jornalístico:** "...hoje não são tanto os media que têm de defender a sua posição contra o Estado, mas, inversamente, é o Estado que tem de acautelar-se para não ser cercado, isto é, manipulado pelos media..."** "...os meios de comunicação de massa já não são expressão da liberdade e autonomia individual dos cidadãos, antes relevam dos interesses comerciais ou ideológicos de grandes organizações empresariais, institucionais ou de grupos de interesse."** "...o exercício da atividade jornalística está invariavelmente associado à mobilização de recursos e investimentos de peso considerável. O que, se por um lado resulta em ganhos indisfarçáveis de poder, redunda ao mesmo tempo na submissão a uma lógica orientada para valores de racionalidade econômica.
"Os dispensáveisComo explicar tamanha contradição? Como conciliar este arrasador ataque aos grandes grupos de comunicação com o generoso acolhimento dos argumentos propostos por um sindicato de empresas do ramo beneficiadas por concessões públicas e notoriamente desatentas aos seus compromissos sociais?Esquizofrenia ideológica, exercício de retórica jurídica ou a certeza de que este relatório jamais seria publicado na íntegra em veículos de grande tiragem? Qualquer que seja a explicação – certamente haverá outras menos drásticas – flagrou-se a precariedade do processo decisório vigente nesta República.
O fim da exigência do diploma era uma fixação do empresariado jornalístico, obsessão alimentada pela má consciência do patronato durante os 21 anos de regime militar. Em 1985, ao invés da purgação saneadora, a exacerbação dos piores instintos acaba por extinguir a própria profissão de jornalista.A indústria e os industriais do jornalismo finalmente desfizeram-se dos industriários. Com o twitter são perfeitamente dispensáveis. Como diz José Saramago, com o twitter nos encaminhamos decisivamente para o grunhido. E o STF oferece o suporte legal.
*Jornalista, editor do Observatório da Imprensa.
Artigo publicado no Observatório da Imprensa em 28/7/2009
terça-feira, 21 de julho de 2009
Jornalistas com diplomacia!
Como já era previsto, a recente atitude do STF em extinguir a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, mexeu afundo com o ‘brio’ dos colegas de profissão, abrindo margem para uma discussão plural por meio da qual se vê dos mais variados pontos de vistas sendo explicitados. Alguns mais sóbrios, outros nem tanto, mas todos, ao nosso ver válidos. Trata-se de uma reação em cadeia vista nos quatro cantos do país e que, muito mais que a indignação, tem revelado talvez mais do que nunca antes, a complexidade que toma conta desta que é considerada uma das categorias mais controversas existente no mundo.
E, claro que não poderia ser diferente, uma vez que estamos nos referindo aqueles que lidam com o exercício diário da palavra, na condição de arautos da informação, de representantes maiores da liberdade de expressão e de pensamentos. Condição esta, aliás, utilizada como principal argumento dos opositores do diploma em Jornalismo e apresentada de maneira para lá de equivocado pelos pareceristas do STF ao aprovarem a medida acima mencionada.
O fato é que o episódio em questão acabou por reacender uma discussão antiga e sem fim envolvendo, de um lado os jornalistas diplomados e, de outro, os jornalistas de fato respaldados na larga experiência no mercado de trabalho. Trata-se de uma fronteira delicada marcada por discussões acirradas e repletas de argumentos favoráveis a cada um dos lados, na incessante busca pela afirmação da legitimidade do ofício, com ou sem a chancela da academia.
Isto fica ainda mais evidente ao lermos os diversos comentários postados nos vários sites do universo online, onde jornalistas diplomados e não diplomados já deixaram de discutir a questão central da polêmica para emitir opiniões contrárias e, por vezes, conflitantes, acerca da postura dos colegas mediante a medida do STF. Os comentários deixam externar, mesmo que inconsciente, o clima de disputa e desrespeito que há tempos marca a divisória fronteiriça entre os dois lados.
Entre os vários pontos de vistas explicitados, está a condenação ao ato de protesto que vem sendo manifestado por vários colegas jornalistas diplomados que, levados pelo clima de indignação mediante a postura do STF e, em especial, a do representante maior, o ministro Gilmar Mendes, têm esboçado gestos mais severos contra este. Muito mais que uma mera representação de liberdade de expressão mediante um fato, a recriminação a tal atitude advindo de dentro da mesma categoria ressalta a falta de sincronia e o espírito de discordância que rege a relação dos membros que integram este mesma categoria cuja fragilidade a levou a sofrer a punição dos senhores ministros. E levará a sofrer ainda muitas outras, certamente, uma vez que um reino desunido, sempre será vencido!.
É sempre bom lembrar que na guerra, há várias frentes de luta. A cada uma, os seus instrumentos. Claro que o bom senso sempre deve nortear toda estratégia de luta, contudo, o respeito à diferença de pensamento e formas de atitude, ao nosso ver, deve permanecer resguardado. Até mesmo como forma de não se fragilizar ainda mais, esta já tão fragmentada e dispersa categoria. Com ou sem diploma, o que não podemos perder de vista, jamais, é a diplomacia!.
OBS: Vale dizer que não participei de nenhum dos manifestos por não concordar com as estratégias montadas, porém, defendo até a última instância o direito de todos de reagir conforme a sua livre consciência.
E, claro que não poderia ser diferente, uma vez que estamos nos referindo aqueles que lidam com o exercício diário da palavra, na condição de arautos da informação, de representantes maiores da liberdade de expressão e de pensamentos. Condição esta, aliás, utilizada como principal argumento dos opositores do diploma em Jornalismo e apresentada de maneira para lá de equivocado pelos pareceristas do STF ao aprovarem a medida acima mencionada.
O fato é que o episódio em questão acabou por reacender uma discussão antiga e sem fim envolvendo, de um lado os jornalistas diplomados e, de outro, os jornalistas de fato respaldados na larga experiência no mercado de trabalho. Trata-se de uma fronteira delicada marcada por discussões acirradas e repletas de argumentos favoráveis a cada um dos lados, na incessante busca pela afirmação da legitimidade do ofício, com ou sem a chancela da academia.
Isto fica ainda mais evidente ao lermos os diversos comentários postados nos vários sites do universo online, onde jornalistas diplomados e não diplomados já deixaram de discutir a questão central da polêmica para emitir opiniões contrárias e, por vezes, conflitantes, acerca da postura dos colegas mediante a medida do STF. Os comentários deixam externar, mesmo que inconsciente, o clima de disputa e desrespeito que há tempos marca a divisória fronteiriça entre os dois lados.
Entre os vários pontos de vistas explicitados, está a condenação ao ato de protesto que vem sendo manifestado por vários colegas jornalistas diplomados que, levados pelo clima de indignação mediante a postura do STF e, em especial, a do representante maior, o ministro Gilmar Mendes, têm esboçado gestos mais severos contra este. Muito mais que uma mera representação de liberdade de expressão mediante um fato, a recriminação a tal atitude advindo de dentro da mesma categoria ressalta a falta de sincronia e o espírito de discordância que rege a relação dos membros que integram este mesma categoria cuja fragilidade a levou a sofrer a punição dos senhores ministros. E levará a sofrer ainda muitas outras, certamente, uma vez que um reino desunido, sempre será vencido!.
É sempre bom lembrar que na guerra, há várias frentes de luta. A cada uma, os seus instrumentos. Claro que o bom senso sempre deve nortear toda estratégia de luta, contudo, o respeito à diferença de pensamento e formas de atitude, ao nosso ver, deve permanecer resguardado. Até mesmo como forma de não se fragilizar ainda mais, esta já tão fragmentada e dispersa categoria. Com ou sem diploma, o que não podemos perder de vista, jamais, é a diplomacia!.
OBS: Vale dizer que não participei de nenhum dos manifestos por não concordar com as estratégias montadas, porém, defendo até a última instância o direito de todos de reagir conforme a sua livre consciência.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Os novos rumos em torno da profissão jornalista
A recente discussão do STF em extinguir a obrigatoriedade do diploma em Jornalismo como condição legalpara o exercício da profissão tem desencadeado uma série de reflexões distintas, a partir do episódio em destaque. Ao que se pode perceber, a discussão, de início restrita ao ato, no mínimo, criticável, dos juízes pareceristas perante o caso julgado vem se fragmentando através das diversas opiniões e análises mais detalhadas compartilhadas pelos jornalistas, professores e estudantes de jornalismo.
Incrementadas pela dinâmica comunicacional plural da rede mundial de computadores que, diga-se de passagem, mais uma vez tem se demonstrado um autêntico meio democrático de permuta de idéias, as discussões apontam para um olhar mais atento à questão central em torno da prática jornalística e que há tempo, vem exigindo uma atenção especial por parte de todos os que compõem este ofício.
Referimo-nos à reflexão sobre o perfil do jornalista no mundo contemporâneo com destaque para os desafios impostos pelas transformações não apenas de ordem técnico-operacional mas humanista, por parte das novas tecnologias da comunicação, as quais têm modificado o globo em que vivemos. E, nesse sentido, a discussão ganha outros rumos e proporções que vão muito além da decisão do STF, medida esta que, parafraseando Grabriel García Márquez, já vinha sendo considerada por muitos como a crônica de uma morte anunciada. E com certa razão.
Sem sombra de dúvidas, é em torno desta questão que residem os fatores reais de sobrevivência do jornalismo. Os aspectos que desenharão o destino deste ofício que nos arriscamos a dizer que, como nenhum outro, é tão frágil às transformações que atingem à denominada sociedade da informação. Dentro desta conjuntura, portanto, compreender, primeiramente as novas formas de sociabilidade geradas e/ou alimentadas pelos novos instrumentos e dinâmicas das novas tecnologias comunicacionais passa a ser um imperativo para aqueles que se candidatam ao ofício de jornalista de fato e de direito.
Além do mais, não podemos perder de vista também o fato de que, independentemente dos rumos e resultados definitivos que esta polêmica em torno da suspensão da obrigatoriedade do diploma em jornalismo para o exercício da profissão venha a apresentar, estamos tratando de uma realidade que se arrasta por todo o país desde 2001, com a adoção do registro provisório que dá o direito de qualquer pessoa atuar em veículos de comunicação sem o respectivo documento e que mesmo sendo revogada a medida do STF, esta realidade continuará existindo por força da influência e poder exercido pelos donos da mídia em todas as instâncias políticas e jurídicas de nosso país. Trata-se de um duelo traçado particularmente entre esses e a esfera sindical da categoria jornalística que, diga-se de passagem, quem sabe a partir deste mais novo embate, passa a existir também de fato e de direito!.
Por fim, esperamos que estes e outros fragmento discursivo, olhares, em torno da problemática os quais se multiplicam a cada dia, sobretudo, por meio da internet e que tem nos professores, coordenadores, pesquisadores e estudantes de Jornlaismo uma das principais vertentes mais interessadas no desenrolar final de toda esta celeuma, venham a contribuir para uma consolidação em torno da questão central aqui descrita e que, consideramos vital para a sobreviência do bom jornalismo. E que venham os debates, colocando abaixo as omissões. O silêncio daqueles que, seja por comodismo, seja por quaisquer outros motivos de ordem pessoais e ideológicas, têm relevado esta discussão a uma 'quinta categoria'....
Incrementadas pela dinâmica comunicacional plural da rede mundial de computadores que, diga-se de passagem, mais uma vez tem se demonstrado um autêntico meio democrático de permuta de idéias, as discussões apontam para um olhar mais atento à questão central em torno da prática jornalística e que há tempo, vem exigindo uma atenção especial por parte de todos os que compõem este ofício.
Referimo-nos à reflexão sobre o perfil do jornalista no mundo contemporâneo com destaque para os desafios impostos pelas transformações não apenas de ordem técnico-operacional mas humanista, por parte das novas tecnologias da comunicação, as quais têm modificado o globo em que vivemos. E, nesse sentido, a discussão ganha outros rumos e proporções que vão muito além da decisão do STF, medida esta que, parafraseando Grabriel García Márquez, já vinha sendo considerada por muitos como a crônica de uma morte anunciada. E com certa razão.
Sem sombra de dúvidas, é em torno desta questão que residem os fatores reais de sobrevivência do jornalismo. Os aspectos que desenharão o destino deste ofício que nos arriscamos a dizer que, como nenhum outro, é tão frágil às transformações que atingem à denominada sociedade da informação. Dentro desta conjuntura, portanto, compreender, primeiramente as novas formas de sociabilidade geradas e/ou alimentadas pelos novos instrumentos e dinâmicas das novas tecnologias comunicacionais passa a ser um imperativo para aqueles que se candidatam ao ofício de jornalista de fato e de direito.
Além do mais, não podemos perder de vista também o fato de que, independentemente dos rumos e resultados definitivos que esta polêmica em torno da suspensão da obrigatoriedade do diploma em jornalismo para o exercício da profissão venha a apresentar, estamos tratando de uma realidade que se arrasta por todo o país desde 2001, com a adoção do registro provisório que dá o direito de qualquer pessoa atuar em veículos de comunicação sem o respectivo documento e que mesmo sendo revogada a medida do STF, esta realidade continuará existindo por força da influência e poder exercido pelos donos da mídia em todas as instâncias políticas e jurídicas de nosso país. Trata-se de um duelo traçado particularmente entre esses e a esfera sindical da categoria jornalística que, diga-se de passagem, quem sabe a partir deste mais novo embate, passa a existir também de fato e de direito!.
Por fim, esperamos que estes e outros fragmento discursivo, olhares, em torno da problemática os quais se multiplicam a cada dia, sobretudo, por meio da internet e que tem nos professores, coordenadores, pesquisadores e estudantes de Jornlaismo uma das principais vertentes mais interessadas no desenrolar final de toda esta celeuma, venham a contribuir para uma consolidação em torno da questão central aqui descrita e que, consideramos vital para a sobreviência do bom jornalismo. E que venham os debates, colocando abaixo as omissões. O silêncio daqueles que, seja por comodismo, seja por quaisquer outros motivos de ordem pessoais e ideológicas, têm relevado esta discussão a uma 'quinta categoria'....
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