A intervenção do Ministério Público Federal de São Paulo no caso que diz respeito aos episódios exibidos do quadro do programa Silvio Santos envolvendo a garota Maísa emocionalmente afetada incluindo, além de choro, sinais de desespero, mais do que providencial é um sinal de alerta para os abusos cometidos pela mídia no Brasil que, como não é muito diferente do restante do mundo, comete excessos constantes ferindo os direitos e a dignidade humana.
O caso em questão deixa patente o total desrespeito por parte do proprietário da emissora, Silvio Santos, à condição emocional da criança que se tornou um dos últimos grandes fenômenos da TV brasileira no papel da apresentadora-mirim prematura. Por outro lado, o MPF também investiga a suspeita de exploração de trabalho infantil por parte da emissora frente Maísa. O fato despertou a atenção dos órgãos de defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes que acusam o empresário de submeter a menina a situações de constrangimento e humilhação em seu programa semanal.
O caso será levado adiante mesmo os familiares da menina negarem as acusações. Trata-se de algo já esperado, tendo em vista o fato de a pequena menina ter se tornado uma importante fonte financeira para a família e uma promessa do mundo business. O fato é que a justiça e os órgãos competentes precisam estar mais atentos para outros casos de abusos explícitos cometidos por diversos programas televisivos que ignoram totalmente a dignidade humama promovendo o que podemos chamar de circo de horror.
Isto, aliás, ficou para lá de evidente na cena em que a personagem em questão aparece correndo desesperada no programa com medo de uma outra criança que aparece no set de gravação maquiada nefastamente a pontada como um ‘monstro’. O quadro de horror se caracteriza ainda mais com os aplausos da platéria, instigada pelo apresentador
Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
sexta-feira, 22 de maio de 2009
segunda-feira, 27 de abril de 2009
A mídia e a onda de moralização da política
O Brasil vivencia mais uma vez, uma daquelas ondas sazonais pela moralização da política encabeçada pela mídia que, no seu papel de observatório social, centra sua atenção nos desmandos do Poder Legislativo. A crise, desta feita, tem como tema a ‘farra das passagens’, através da qual terminam vindo à tona uma série de outros desmandos cometidos pelos parlamentares.
Apesar de não se tratar de nenhuma novidade para quem quer que seja, nem tão pouco representar a resolução do problema apontado, a mobilização da grande imprensa em torno dessa questão termina sendo algo positivo uma vez que provoca um efeito cascata fazendo com que a imprensa local e, por conseguinte, os cidadãos, também fiscalizem de maneira mais rigorosa o papel dos parlamentares in loco. Só desta maneira, a população será capaz de abrir mais os olhos, não apenas para o papel dos seus mandatários políticos, mas para o seu próprio papel de fiscalizadora da gestão política de sua cidade e de seu Estado, atuando como co-responsáveis pela administração da vida pública de sua cidade e de seu estado.
Nesse sentido, a população da cidade do interior de Pernambuco, São Bento do Una, vem dando exemplo honroso de como os cidadãos eleitores devem agir mediante o funcionamento do Poder Legislativo Municipal. Conscientes da verdadeira função dos vereadores, os moradores da pequena cidade, incluindo os residentes na zona rural, lotam as sessões na Câmara, acompanhando de perto a atuação de cada um dos seus representantes, ação esta que inclusive, ganhou repercussão na mídia nacional. A atuação da população está tendo tanto efeitos positivo que o presidente daquela casa legislativa em conluio com os demais vereadores já anunciou uma alteração no horário das sessões, fazendo valer o velho adágio popular de que: quem deve teme!. E neste caso não há nada mais temeroso para os maus políticos do que uma postura popular consciente e fiscalizadora.
Trata-se de um autêntico exercício de cidadania que vai muito mais além da onda de reclamação e insatisfação e por vezes, alguns protestos isolados, da população frente à falta de compromisso dos parlamentares e, de como os órgãos de imprensa são grandes aliados da cidadania, quando agem dentro de seus propósitos mais democráticos e princípios que os regem.
Apesar de não se tratar de nenhuma novidade para quem quer que seja, nem tão pouco representar a resolução do problema apontado, a mobilização da grande imprensa em torno dessa questão termina sendo algo positivo uma vez que provoca um efeito cascata fazendo com que a imprensa local e, por conseguinte, os cidadãos, também fiscalizem de maneira mais rigorosa o papel dos parlamentares in loco. Só desta maneira, a população será capaz de abrir mais os olhos, não apenas para o papel dos seus mandatários políticos, mas para o seu próprio papel de fiscalizadora da gestão política de sua cidade e de seu Estado, atuando como co-responsáveis pela administração da vida pública de sua cidade e de seu estado.
Nesse sentido, a população da cidade do interior de Pernambuco, São Bento do Una, vem dando exemplo honroso de como os cidadãos eleitores devem agir mediante o funcionamento do Poder Legislativo Municipal. Conscientes da verdadeira função dos vereadores, os moradores da pequena cidade, incluindo os residentes na zona rural, lotam as sessões na Câmara, acompanhando de perto a atuação de cada um dos seus representantes, ação esta que inclusive, ganhou repercussão na mídia nacional. A atuação da população está tendo tanto efeitos positivo que o presidente daquela casa legislativa em conluio com os demais vereadores já anunciou uma alteração no horário das sessões, fazendo valer o velho adágio popular de que: quem deve teme!. E neste caso não há nada mais temeroso para os maus políticos do que uma postura popular consciente e fiscalizadora.
Trata-se de um autêntico exercício de cidadania que vai muito mais além da onda de reclamação e insatisfação e por vezes, alguns protestos isolados, da população frente à falta de compromisso dos parlamentares e, de como os órgãos de imprensa são grandes aliados da cidadania, quando agem dentro de seus propósitos mais democráticos e princípios que os regem.
quarta-feira, 18 de março de 2009
CONFERÊNCIA IRÁ DISCUTIR O FUTURO DA COMUNICAÇÃO NO PAÍS
O Governo Federal irá realizar, pela primeira vez no país, a Conferência Nacional de Comunicação. Agendado para os dias 1, 2 e 3 de dezembro, o evento terá como temática central: “Comunicação: direito e cidadania na era digital”. Até lá, porém, serão realizadas conferências preparatórias nos vários estados brasileiros. O foco das discussões, conforme publicação do decreto governamental convocando a conferência, deverá ser a construção de políticas públicas para o setor de comunicação no país.
De acordo com reportagem publicada na Folha de São Paulo, o governo reservou o montante de R$ 8,2 milhões para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação que, vale salientar, foi definida com a participação de grupos de pressão, a exemplo de vários movimento sociais interessados numa discussão mais ampla e verdadeiramente plural acerca dos meios de comunicação sob o ângulo da democratização.
Trata-se, como se pode perceber, de uma importante iniciativa do interesse não apenas dos profissionais da área, mas para toda a sociedade civil organizada que terá uma oportunidade de discutir as principais preocupações surgidas com o ainda inigmático advento da digitalização dos meios eletrônicos. Trazer à tona as inquietações que giram em torno da tão conclamada era digital.
Um dos assuntos a serem discutidos será o obscuro processo de concessão das emissoras de rádio e tv, fato este que já está incomodando algumas das entidades representativas dos meios de comunicação, o que não podeira ser diferente. Resta, portanto, aos cidadãos conscientes no que diz respeito às significantes e contundentes mudanças porque passarão os meios de comunicação neste novo século com o advento da revolução digital, participarem de forma efetiva e responsável deste advento, cujos recursos de verbas públicas, como vemos, por si só já justificam a nossa atenção especial.
Portanto, fiquemos de olho atentos para a conferência e, claro, de olho na mídia !!
De acordo com reportagem publicada na Folha de São Paulo, o governo reservou o montante de R$ 8,2 milhões para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação que, vale salientar, foi definida com a participação de grupos de pressão, a exemplo de vários movimento sociais interessados numa discussão mais ampla e verdadeiramente plural acerca dos meios de comunicação sob o ângulo da democratização.
Trata-se, como se pode perceber, de uma importante iniciativa do interesse não apenas dos profissionais da área, mas para toda a sociedade civil organizada que terá uma oportunidade de discutir as principais preocupações surgidas com o ainda inigmático advento da digitalização dos meios eletrônicos. Trazer à tona as inquietações que giram em torno da tão conclamada era digital.
Um dos assuntos a serem discutidos será o obscuro processo de concessão das emissoras de rádio e tv, fato este que já está incomodando algumas das entidades representativas dos meios de comunicação, o que não podeira ser diferente. Resta, portanto, aos cidadãos conscientes no que diz respeito às significantes e contundentes mudanças porque passarão os meios de comunicação neste novo século com o advento da revolução digital, participarem de forma efetiva e responsável deste advento, cujos recursos de verbas públicas, como vemos, por si só já justificam a nossa atenção especial.
Portanto, fiquemos de olho atentos para a conferência e, claro, de olho na mídia !!
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
A (IN) COBERTURA DA MÍDIA NO CARNAVAL
Uma enquete realizada pelo portal do Observatório da Imprensa sobre a qualidade da cobertura da mídia em feriados prolongados, nos coloca mais uma vez frente a frente com a imagem desgasgante que a mídia vem sofrendo perante a opinião pública. A enquete apontou para num alto índice de reprovação dos espectadores acerca do trabalho desempenhado pela imprensa. De acordo com uma parcial apresentada pelo site, mais de 90% das pessoas que opinaram, demonstraram-se insatisfeitas com o trabalho apresentado pela grande mídia. Não é para menos.
Tomando como parâmetro, o último feriado do carnaval, não é difícil de se compreender esse resultado. Além de repetitiva e superficial, a cobertura da grande mídia, com algumas raras exceções, se demonstrou uma atividade de caráter essencialmente comercial, voltada quase que unicamente para a espetacularização da notícia.
Que o diga a TV Globo que, assim como a TV Bandeirante, focaram a produção jornalística nos desfiles das escolas de samba, trios elétricos baianos e nos blocos carnavalescos pernambucanos que, aliás, é importante ressaltar, continua sendo originalmente popular, promovendo uma transmissão totalmente promocional, propagandística, fruto dos acordos firmados entre as empresas de comunicação via departamentos comerciais e os poderes públicos (governos municipais e estaduais).
Nesse acordo comercial, ficaram e fora os princípios básicos que regem uma boa e ampla cobertura jornalística que no caso em questão, por exemplo, excluíram as cenas de violência envolvendo foliões e policiais truculentos. Mas é claro, trata-se de um tipo de episódio que nada combina com o espetáculo midiático carnavalesco onde o que se deve cobrir é a felicidade virtual multicolorida em detrimento dos excessos de descasos e estatísticas negativas que permeiam tradicionalmente os feriadões carnavalescos. Esses sim, devem ser incobertos. Razão pela qual a mídia tem realizado eficientemente a sua (in)cobertura.
Tomando como parâmetro, o último feriado do carnaval, não é difícil de se compreender esse resultado. Além de repetitiva e superficial, a cobertura da grande mídia, com algumas raras exceções, se demonstrou uma atividade de caráter essencialmente comercial, voltada quase que unicamente para a espetacularização da notícia.
Que o diga a TV Globo que, assim como a TV Bandeirante, focaram a produção jornalística nos desfiles das escolas de samba, trios elétricos baianos e nos blocos carnavalescos pernambucanos que, aliás, é importante ressaltar, continua sendo originalmente popular, promovendo uma transmissão totalmente promocional, propagandística, fruto dos acordos firmados entre as empresas de comunicação via departamentos comerciais e os poderes públicos (governos municipais e estaduais).
Nesse acordo comercial, ficaram e fora os princípios básicos que regem uma boa e ampla cobertura jornalística que no caso em questão, por exemplo, excluíram as cenas de violência envolvendo foliões e policiais truculentos. Mas é claro, trata-se de um tipo de episódio que nada combina com o espetáculo midiático carnavalesco onde o que se deve cobrir é a felicidade virtual multicolorida em detrimento dos excessos de descasos e estatísticas negativas que permeiam tradicionalmente os feriadões carnavalescos. Esses sim, devem ser incobertos. Razão pela qual a mídia tem realizado eficientemente a sua (in)cobertura.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
A polêmica da mídia no caso "Paula Oliveira".
A ampla divulgação do polêmico caso envolvendo a brasileira Paula Oliveira, supostamente agredida por um grupo de neonazista europeu, caiu como uma luva nas mãos dos críticos de plantão da imprensa. Dúvidas acerca da veracidade do fato, a parte, a discussão girou em torno da 'barrigada' (termo utilizado no meio jornalístico para designar a divulgação de uma informação inverídica) dada por vários órgãos de imprensa e jornalistas renomados, a exemplo da Globo e de Luis Nassif, dois dos alvos dos críticos mais ferrenhos.
O portal eletrônico do Observatório de Imprensa, como já era de se esperar, fez do fato, um prato cheio, abrindo espaço para vários comentários, teses e antíteses acerca da postura apressada por parte dos arautos do jornalismo brasileiro em prestar o 'furo' à sociedade. Trata-se, sem sombra de dúvidas, de algo sempre notável de análises uma vez que faz referência a uma das maiores falhas da práxi jornalística, ou seja, a de não averiguar com cautela as informações antes de levá-la ao conhecimento do público.
Entretanto, como levantaram muitos dos críticos mais amenos, diferentemente de tantos outros, o caso em questão teve algumas particularidades que dividiram a opinião da crítica. A principal delas diz respeito à natureza das fontes de informação que repassaram à notícia da agressão contra a advogada, no caso, o pai e o noivo da vítima (só não se sabe ainda se dos neonazistas ou dela mesma?).
A priori sou franco em dizer que não tenho ainda uma opinião finalizada em torno da postura da imprensa brasileira em torno do fato. E, sem querer colocar mais lenha nessa fogueira, mesmo porque, nesse sentido, recomendo o portal do observatório da imprensa como o caldeirão efervescente, deixo registrado aqui a polêmica, para que, quem sabe, possa pautar outras reflexões em torno dessa que, polêmica a parte, é uma das mais comprometedoras práticas do jornalismo: o de averiguar toda e qualquer informação antes de transformá-la em notícia.
E nesse sentido, nunca é demais repetir que, além de se tratar de um dos códigos de ética básicos da imprensa para os quais todo jornalista deve estar atento, conduzir com responsabilidade a apuração dos fato fugindo ao máximo do sensacionalismo, é um dever cívico do jornalista. Sem esquecer que, em tempos de realidade virtual, da rapidez na transmissão da informação jornalística, postura ética é um desafio ainda maior, diria mais, quase que intransponível para o profissional da imprensa. O conflito da guerra da velocidade x veracidade.
O portal eletrônico do Observatório de Imprensa, como já era de se esperar, fez do fato, um prato cheio, abrindo espaço para vários comentários, teses e antíteses acerca da postura apressada por parte dos arautos do jornalismo brasileiro em prestar o 'furo' à sociedade. Trata-se, sem sombra de dúvidas, de algo sempre notável de análises uma vez que faz referência a uma das maiores falhas da práxi jornalística, ou seja, a de não averiguar com cautela as informações antes de levá-la ao conhecimento do público.
Entretanto, como levantaram muitos dos críticos mais amenos, diferentemente de tantos outros, o caso em questão teve algumas particularidades que dividiram a opinião da crítica. A principal delas diz respeito à natureza das fontes de informação que repassaram à notícia da agressão contra a advogada, no caso, o pai e o noivo da vítima (só não se sabe ainda se dos neonazistas ou dela mesma?).
A priori sou franco em dizer que não tenho ainda uma opinião finalizada em torno da postura da imprensa brasileira em torno do fato. E, sem querer colocar mais lenha nessa fogueira, mesmo porque, nesse sentido, recomendo o portal do observatório da imprensa como o caldeirão efervescente, deixo registrado aqui a polêmica, para que, quem sabe, possa pautar outras reflexões em torno dessa que, polêmica a parte, é uma das mais comprometedoras práticas do jornalismo: o de averiguar toda e qualquer informação antes de transformá-la em notícia.
E nesse sentido, nunca é demais repetir que, além de se tratar de um dos códigos de ética básicos da imprensa para os quais todo jornalista deve estar atento, conduzir com responsabilidade a apuração dos fato fugindo ao máximo do sensacionalismo, é um dever cívico do jornalista. Sem esquecer que, em tempos de realidade virtual, da rapidez na transmissão da informação jornalística, postura ética é um desafio ainda maior, diria mais, quase que intransponível para o profissional da imprensa. O conflito da guerra da velocidade x veracidade.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Vitória do coronelismo eletrônico no Senado
Méritos políticos e celebrações a parte, a conquista da Presidência do Senado, pelo senador José Sarney, traz consigo uma suspeita nociva para a democracia brasileira. Trata-se do possível fortalecimento do chamado coronelismo eletrônico, termo este utilizado para explicar um fenômeno bastante particular, que é a utilização política de estações de rádio e de televisão por grupos familiares das elites políticas locais ou regionais.
Como se sabe, a família Sarney representa um dos mais escancarados casos desse novo tipo de manipulação política midiática. A família Sarney é proprietária de uma rede de veículos de mídia (além da TV Mirante, afiliada da Rede Globo, e do jornal), além da detenção de retransmissoras no interior e uma rede de rádios. Muito mais que uma concessão para a exploração comercial de difusão de informação e entretenimento, a família faz uso político desses veículos, ao arrepio da legislação, conforme observa a reportagem da Folha (a lei 4.117/62 proíbe uso de emissoras de TV para fins políticos).
Num dos trechos da reportagem, é reproduzido uma conversação entre o agora presidente do senado e um dos seus filhos, no qual este dá ordens para o uso político da TV que, diga-se de passagem, continua sendo o principal instrumento do coronelismo eletrônico, desde Chateaubriand. No trecho, Sarney pede para o filho colocar na TV uma matéria de interesse do grupo político dos Sarney. "Põe na TV. Manda botar o destino do dinheiro recebido", diz o pai, referindo-se a uma denúncia envolvendo Aderson Lago, primo do governador Jackson, que por sinal enfrenta na Justiça um processo que pode lhe custar o cargo e colocar no lugar a filha de Sarney, senadora Roseana (PMDB-MA). A reportagem da Folha, acentua uma preocupação maior por partes de toda a nação e mais ainda daqueles que lutam pela real democratização da comunicação no país, e pela existência de uma mídia livre, utopia que dificilmente deixará de existir...
A pergunta que permanece é: até que ponto essa tradição de coronelismo maranhense não irá fortalecer essa perversa tradição de jogo político que vigora no país há séculos e que fere em cheio a mais sagrada das leis humanas que é a democracia?. O tempo dirá...
Como se sabe, a família Sarney representa um dos mais escancarados casos desse novo tipo de manipulação política midiática. A família Sarney é proprietária de uma rede de veículos de mídia (além da TV Mirante, afiliada da Rede Globo, e do jornal), além da detenção de retransmissoras no interior e uma rede de rádios. Muito mais que uma concessão para a exploração comercial de difusão de informação e entretenimento, a família faz uso político desses veículos, ao arrepio da legislação, conforme observa a reportagem da Folha (a lei 4.117/62 proíbe uso de emissoras de TV para fins políticos).
Num dos trechos da reportagem, é reproduzido uma conversação entre o agora presidente do senado e um dos seus filhos, no qual este dá ordens para o uso político da TV que, diga-se de passagem, continua sendo o principal instrumento do coronelismo eletrônico, desde Chateaubriand. No trecho, Sarney pede para o filho colocar na TV uma matéria de interesse do grupo político dos Sarney. "Põe na TV. Manda botar o destino do dinheiro recebido", diz o pai, referindo-se a uma denúncia envolvendo Aderson Lago, primo do governador Jackson, que por sinal enfrenta na Justiça um processo que pode lhe custar o cargo e colocar no lugar a filha de Sarney, senadora Roseana (PMDB-MA). A reportagem da Folha, acentua uma preocupação maior por partes de toda a nação e mais ainda daqueles que lutam pela real democratização da comunicação no país, e pela existência de uma mídia livre, utopia que dificilmente deixará de existir...
A pergunta que permanece é: até que ponto essa tradição de coronelismo maranhense não irá fortalecer essa perversa tradição de jogo político que vigora no país há séculos e que fere em cheio a mais sagrada das leis humanas que é a democracia?. O tempo dirá...
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Midia Livre e os midialivristas do FMS
Assim como acontece com todo evento de grande proporção, o Fórum Mundial Social – que acontece em Belém do Pará, desde o dia 26 -, abraça uma série de outros eventos, gerando um grande mosaico de discussões variadas. Dentre esses está o Fórum de Mídia Livre, espaço voltado às discussões sobre os avanços desta categoria alternativa de comunicação também conhecida como midialivrismo. Em linhas gerais, se trata de mais um movimento criado em resistência e contraponto aos grupos hegemônicos da comunicação que centralizam e comandam os grandes fluxos de informação no mundo, a exemplo dos grupos Globo, Abril e Record, no caso do Brasil.
O evento reuniu dezenas de midialivristas de vários paises em torno de uma série de discussões sobre os avanços e desafios da democratização da comunicação - fenômeno central em torno do qual são construídos os discursos dos chamados midialivristas. A horizontalização dos meios de informação foi uma das temáticas defendidas por vários participantes no que diz respeito à democratização da informação na sociedade, uma forma de contraposição à verticalização e lógica mercantilista reinante na mídia tradicional.
Para os midialivristas, a crise econômica – principal tema discutido em todos os subgrupos do FMS – é vista com bons olhos. Eles acreditam que ela acentuou o questionamento em torno da ideologia neoliberal, e provocou uma crescente democratização dos meios de comunicação na América Latina e, de outro lado, um declínio dos meios dominantes que, para muitos, em grande parte, também são responsáveis pela tal crise econômica.
No tocante à opinião consensual depois das várias discussões levantadas acerca dos avanços e impecilhos da Midia Livre, os participantes defenderam a idéia de que só quando esta lutar de igual para igual contra os grandes conglomerados é que haverá uma verdadeira liberdade de expressão, devendo-se para isso apostar de forma incondicional na profissionalização e na articulação internacional dos movimentos sociais. Só dessa maneira, acreditam, é possível proporcionar uma oportunidade única para a propagação dos meios de informação alternativa, diz a declaração final dos participantes no Fórum da Mídia Livre, que foi objeto de críticas pela falta de propostas concretas.
Trata-se, sem sombra de dúvidas, de uma proposta muito promissora essa dos midialivristas. Resta-nos saber, até que ponto está sendo conduzida de maneira serena e estratégica, ou se não passa de mais um mero movimento de oba oba sem grandes frutos concretos que venham a consolidar esse que é um direito universal mas que até hoje continua sendo um dos mais contrariados, na prática: o direito à informação e à livre comunicação. Aliás, essa é uma suspeita já levantada dentro do próprio midialivrismo.....
O evento reuniu dezenas de midialivristas de vários paises em torno de uma série de discussões sobre os avanços e desafios da democratização da comunicação - fenômeno central em torno do qual são construídos os discursos dos chamados midialivristas. A horizontalização dos meios de informação foi uma das temáticas defendidas por vários participantes no que diz respeito à democratização da informação na sociedade, uma forma de contraposição à verticalização e lógica mercantilista reinante na mídia tradicional.
Para os midialivristas, a crise econômica – principal tema discutido em todos os subgrupos do FMS – é vista com bons olhos. Eles acreditam que ela acentuou o questionamento em torno da ideologia neoliberal, e provocou uma crescente democratização dos meios de comunicação na América Latina e, de outro lado, um declínio dos meios dominantes que, para muitos, em grande parte, também são responsáveis pela tal crise econômica.
No tocante à opinião consensual depois das várias discussões levantadas acerca dos avanços e impecilhos da Midia Livre, os participantes defenderam a idéia de que só quando esta lutar de igual para igual contra os grandes conglomerados é que haverá uma verdadeira liberdade de expressão, devendo-se para isso apostar de forma incondicional na profissionalização e na articulação internacional dos movimentos sociais. Só dessa maneira, acreditam, é possível proporcionar uma oportunidade única para a propagação dos meios de informação alternativa, diz a declaração final dos participantes no Fórum da Mídia Livre, que foi objeto de críticas pela falta de propostas concretas.
Trata-se, sem sombra de dúvidas, de uma proposta muito promissora essa dos midialivristas. Resta-nos saber, até que ponto está sendo conduzida de maneira serena e estratégica, ou se não passa de mais um mero movimento de oba oba sem grandes frutos concretos que venham a consolidar esse que é um direito universal mas que até hoje continua sendo um dos mais contrariados, na prática: o direito à informação e à livre comunicação. Aliás, essa é uma suspeita já levantada dentro do próprio midialivrismo.....
Assinar:
Postagens (Atom)