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quarta-feira, 18 de março de 2009

CONFERÊNCIA IRÁ DISCUTIR O FUTURO DA COMUNICAÇÃO NO PAÍS

O Governo Federal irá realizar, pela primeira vez no país, a Conferência Nacional de Comunicação. Agendado para os dias 1, 2 e 3 de dezembro, o evento terá como temática central: “Comunicação: direito e cidadania na era digital”. Até lá, porém, serão realizadas conferências preparatórias nos vários estados brasileiros. O foco das discussões, conforme publicação do decreto governamental convocando a conferência, deverá ser a construção de políticas públicas para o setor de comunicação no país.

De acordo com reportagem publicada na Folha de São Paulo, o governo reservou o montante de R$ 8,2 milhões para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação que, vale salientar, foi definida com a participação de grupos de pressão, a exemplo de vários movimento sociais interessados numa discussão mais ampla e verdadeiramente plural acerca dos meios de comunicação sob o ângulo da democratização.

Trata-se, como se pode perceber, de uma importante iniciativa do interesse não apenas dos profissionais da área, mas para toda a sociedade civil organizada que terá uma oportunidade de discutir as principais preocupações surgidas com o ainda inigmático advento da digitalização dos meios eletrônicos. Trazer à tona as inquietações que giram em torno da tão conclamada era digital.

Um dos assuntos a serem discutidos será o obscuro processo de concessão das emissoras de rádio e tv, fato este que já está incomodando algumas das entidades representativas dos meios de comunicação, o que não podeira ser diferente. Resta, portanto, aos cidadãos conscientes no que diz respeito às significantes e contundentes mudanças porque passarão os meios de comunicação neste novo século com o advento da revolução digital, participarem de forma efetiva e responsável deste advento, cujos recursos de verbas públicas, como vemos, por si só já justificam a nossa atenção especial.

Portanto, fiquemos de olho atentos para a conferência e, claro, de olho na mídia !!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A (IN) COBERTURA DA MÍDIA NO CARNAVAL

Uma enquete realizada pelo portal do Observatório da Imprensa sobre a qualidade da cobertura da mídia em feriados prolongados, nos coloca mais uma vez frente a frente com a imagem desgasgante que a mídia vem sofrendo perante a opinião pública. A enquete apontou para num alto índice de reprovação dos espectadores acerca do trabalho desempenhado pela imprensa. De acordo com uma parcial apresentada pelo site, mais de 90% das pessoas que opinaram, demonstraram-se insatisfeitas com o trabalho apresentado pela grande mídia. Não é para menos.

Tomando como parâmetro, o último feriado do carnaval, não é difícil de se compreender esse resultado. Além de repetitiva e superficial, a cobertura da grande mídia, com algumas raras exceções, se demonstrou uma atividade de caráter essencialmente comercial, voltada quase que unicamente para a espetacularização da notícia.

Que o diga a TV Globo que, assim como a TV Bandeirante, focaram a produção jornalística nos desfiles das escolas de samba, trios elétricos baianos e nos blocos carnavalescos pernambucanos que, aliás, é importante ressaltar, continua sendo originalmente popular, promovendo uma transmissão totalmente promocional, propagandística, fruto dos acordos firmados entre as empresas de comunicação via departamentos comerciais e os poderes públicos (governos municipais e estaduais).

Nesse acordo comercial, ficaram e fora os princípios básicos que regem uma boa e ampla cobertura jornalística que no caso em questão, por exemplo, excluíram as cenas de violência envolvendo foliões e policiais truculentos. Mas é claro, trata-se de um tipo de episódio que nada combina com o espetáculo midiático carnavalesco onde o que se deve cobrir é a felicidade virtual multicolorida em detrimento dos excessos de descasos e estatísticas negativas que permeiam tradicionalmente os feriadões carnavalescos. Esses sim, devem ser incobertos. Razão pela qual a mídia tem realizado eficientemente a sua (in)cobertura.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A polêmica da mídia no caso "Paula Oliveira".

A ampla divulgação do polêmico caso envolvendo a brasileira Paula Oliveira, supostamente agredida por um grupo de neonazista europeu, caiu como uma luva nas mãos dos críticos de plantão da imprensa. Dúvidas acerca da veracidade do fato, a parte, a discussão girou em torno da 'barrigada' (termo utilizado no meio jornalístico para designar a divulgação de uma informação inverídica) dada por vários órgãos de imprensa e jornalistas renomados, a exemplo da Globo e de Luis Nassif, dois dos alvos dos críticos mais ferrenhos.

O portal eletrônico do Observatório de Imprensa, como já era de se esperar, fez do fato, um prato cheio, abrindo espaço para vários comentários, teses e antíteses acerca da postura apressada por parte dos arautos do jornalismo brasileiro em prestar o 'furo' à sociedade. Trata-se, sem sombra de dúvidas, de algo sempre notável de análises uma vez que faz referência a uma das maiores falhas da práxi jornalística, ou seja, a de não averiguar com cautela as informações antes de levá-la ao conhecimento do público.
Entretanto, como levantaram muitos dos críticos mais amenos, diferentemente de tantos outros, o caso em questão teve algumas particularidades que dividiram a opinião da crítica. A principal delas diz respeito à natureza das fontes de informação que repassaram à notícia da agressão contra a advogada, no caso, o pai e o noivo da vítima (só não se sabe ainda se dos neonazistas ou dela mesma?).

A priori sou franco em dizer que não tenho ainda uma opinião finalizada em torno da postura da imprensa brasileira em torno do fato. E, sem querer colocar mais lenha nessa fogueira, mesmo porque, nesse sentido, recomendo o portal do observatório da imprensa como o caldeirão efervescente, deixo registrado aqui a polêmica, para que, quem sabe, possa pautar outras reflexões em torno dessa que, polêmica a parte, é uma das mais comprometedoras práticas do jornalismo: o de averiguar toda e qualquer informação antes de transformá-la em notícia.

E nesse sentido, nunca é demais repetir que, além de se tratar de um dos códigos de ética básicos da imprensa para os quais todo jornalista deve estar atento, conduzir com responsabilidade a apuração dos fato fugindo ao máximo do sensacionalismo, é um dever cívico do jornalista. Sem esquecer que, em tempos de realidade virtual, da rapidez na transmissão da informação jornalística, postura ética é um desafio ainda maior, diria mais, quase que intransponível para o profissional da imprensa. O conflito da guerra da velocidade x veracidade.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Vitória do coronelismo eletrônico no Senado

Méritos políticos e celebrações a parte, a conquista da Presidência do Senado, pelo senador José Sarney, traz consigo uma suspeita nociva para a democracia brasileira. Trata-se do possível fortalecimento do chamado coronelismo eletrônico, termo este utilizado para explicar um fenômeno bastante particular, que é a utilização política de estações de rádio e de televisão por grupos familiares das elites políticas locais ou regionais.

Como se sabe, a família Sarney representa um dos mais escancarados casos desse novo tipo de manipulação política midiática. A família Sarney é proprietária de uma rede de veículos de mídia (além da TV Mirante, afiliada da Rede Globo, e do jornal), além da detenção de retransmissoras no interior e uma rede de rádios. Muito mais que uma concessão para a exploração comercial de difusão de informação e entretenimento, a família faz uso político desses veículos, ao arrepio da legislação, conforme observa a reportagem da Folha (a lei 4.117/62 proíbe uso de emissoras de TV para fins políticos).

Num dos trechos da reportagem, é reproduzido uma conversação entre o agora presidente do senado e um dos seus filhos, no qual este dá ordens para o uso político da TV que, diga-se de passagem, continua sendo o principal instrumento do coronelismo eletrônico, desde Chateaubriand. No trecho, Sarney pede para o filho colocar na TV uma matéria de interesse do grupo político dos Sarney. "Põe na TV. Manda botar o destino do dinheiro recebido", diz o pai, referindo-se a uma denúncia envolvendo Aderson Lago, primo do governador Jackson, que por sinal enfrenta na Justiça um processo que pode lhe custar o cargo e colocar no lugar a filha de Sarney, senadora Roseana (PMDB-MA). A reportagem da Folha, acentua uma preocupação maior por partes de toda a nação e mais ainda daqueles que lutam pela real democratização da comunicação no país, e pela existência de uma mídia livre, utopia que dificilmente deixará de existir...

A pergunta que permanece é: até que ponto essa tradição de coronelismo maranhense não irá fortalecer essa perversa tradição de jogo político que vigora no país há séculos e que fere em cheio a mais sagrada das leis humanas que é a democracia?. O tempo dirá...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Midia Livre e os midialivristas do FMS

Assim como acontece com todo evento de grande proporção, o Fórum Mundial Social – que acontece em Belém do Pará, desde o dia 26 -, abraça uma série de outros eventos, gerando um grande mosaico de discussões variadas. Dentre esses está o Fórum de Mídia Livre, espaço voltado às discussões sobre os avanços desta categoria alternativa de comunicação também conhecida como midialivrismo. Em linhas gerais, se trata de mais um movimento criado em resistência e contraponto aos grupos hegemônicos da comunicação que centralizam e comandam os grandes fluxos de informação no mundo, a exemplo dos grupos Globo, Abril e Record, no caso do Brasil.

O evento reuniu dezenas de midialivristas de vários paises em torno de uma série de discussões sobre os avanços e desafios da democratização da comunicação - fenômeno central em torno do qual são construídos os discursos dos chamados midialivristas. A horizontalização dos meios de informação foi uma das temáticas defendidas por vários participantes no que diz respeito à democratização da informação na sociedade, uma forma de contraposição à verticalização e lógica mercantilista reinante na mídia tradicional.

Para os midialivristas, a crise econômica – principal tema discutido em todos os subgrupos do FMS – é vista com bons olhos. Eles acreditam que ela acentuou o questionamento em torno da ideologia neoliberal, e provocou uma crescente democratização dos meios de comunicação na América Latina e, de outro lado, um declínio dos meios dominantes que, para muitos, em grande parte, também são responsáveis pela tal crise econômica.

No tocante à opinião consensual depois das várias discussões levantadas acerca dos avanços e impecilhos da Midia Livre, os participantes defenderam a idéia de que só quando esta lutar de igual para igual contra os grandes conglomerados é que haverá uma verdadeira liberdade de expressão, devendo-se para isso apostar de forma incondicional na profissionalização e na articulação internacional dos movimentos sociais. Só dessa maneira, acreditam, é possível proporcionar uma oportunidade única para a propagação dos meios de informação alternativa, diz a declaração final dos participantes no Fórum da Mídia Livre, que foi objeto de críticas pela falta de propostas concretas.

Trata-se, sem sombra de dúvidas, de uma proposta muito promissora essa dos midialivristas. Resta-nos saber, até que ponto está sendo conduzida de maneira serena e estratégica, ou se não passa de mais um mero movimento de oba oba sem grandes frutos concretos que venham a consolidar esse que é um direito universal mas que até hoje continua sendo um dos mais contrariados, na prática: o direito à informação e à livre comunicação. Aliás, essa é uma suspeita já levantada dentro do próprio midialivrismo.....

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A mídia e o Fórum Social Mundial

O Brasil sediará, no período de 27 de janeiro a 1 de fevereiro próximo, um dos encontros internacionais mais polêmicos que acontecem anualmente no mundo. Trata-se do Fórum Social Mundial, que desta feita, acontecerá em BElém e que mais uma vez, promete atrair a atenção dos holofotes dos diversos grandes grupos midiáticos do mundo.

Pauta de discussão a parte, um dos elementos que já vêm sendo discutidos é a cobertura da mídia para este importante acontecimento que, apesar das duras críticas das quais vêm sendo alvo nos ultimos anos, ainda representa um dos poucos espaços democráticos de grande repercussão em que se discute de maneira crítica e dialeticamente, os problemas sociais decorrentes da política capitalista que governa o mundo.

Antenado com esta questão, o jornalista Paulo Roberto, escreveu um artigo comentando a participação das empresas jornalísticas no que diz respeito à divulgação desse evento, o qual reproduzimos, em parte, abaixo, como marco inicial desse blog para o ano novo que se inicia. Aproveitamos para desejar a todos os colegas internautas, um 2009 de muito êxito e sobretudo, consciência crítica acerca da atuação da mídia no mundo e em nossas vidas, esse cada vez mais marcante e decisivo instrumento sóciohistórico e também psíquicosocial. No que depender deste modesto espaço dialético, cuja proposta principal, é a de suscitar discussões a respeito deste fenômeno, nos tornando um pouco mais atentos às suas consequências em nossas mentes e cotidiano, nos esforçaremos para que este blog esteja a serviço desse propósito.

Segue abaixo, trechos do artigo, publicado no site do observatoriodaimprensa.


FÓRUM SOCIAL MUNDIAL
Uma outra mídia seria possível?
Por Paulo Roberto de Almeida em 20/1/2009


Aproximando-se mais um piquenique anual dos antiglobalizadores, desta vez com sabores amazônicos – em Belém do Pará, de 27 de janeiro a 1º de fevereiro de 2009 – e alguns toques indigenistas, pode-se perguntar se, adotando o slogan preferido desse heteróclito e surrealista movimento, não estaríamos também precisando de uma outra mídia, ou pelo menos de uma imprensa capaz de tratar da substância, não da superfície, desses animados encontros anuais.

Desde os anos 1990, quando começaram as ruidosas manifestações dos antiglobalizadores, a imprensa acompanha zelosamente esses caóticos encontros, como é obviamente seu dever. São, assim, reportados o número de participantes, as marchas que eles empreendem, a presença de algumas vedetes da antiglobalização internacional e, eventualmente, até um pouco do que se discutiu nesses encontros.

O que se registra menos, contudo, é o que esses alternativos da globalização têm a dizer de concreto sobre os problemas do mundo ao qual se referem. A impressão que se tem, da leitura dessas matérias, é a de que a imprensa não alimenta o mesmo cuidado que tem com o aspecto externo desses encontros quando se trata de comentar as propostas ou a plataforma de seus organizadores, indagando, por exemplo, se elas guardam alguma coerência com suas motivações.

Muita transpiração, pouca inspiração

De fato, existe até a preocupação da mídia em registrar o que dizem os antiglobalizadores, mas pouco em comentar se o que eles dizem guarda relação com a realidade do mundo concreto. De minha experiência com a cobertura atenta desses eventos, ao longo dos últimos dez anos, observei que o que os antiglobalizadores mais produzem, na verdade, é o próprio movimento, e não exatamente propostas concretas: eles certamente quebram muitas vitrines, queimam alguns carros, mas jamais conseguem dizer em que, exatamente, consistiria o "outro mundo possível", sempre prometido, mas nunca explicitado. Será que a imprensa não tem a obrigação de cobrar-lhes essa falta de coerência?

A julgar pela intensa agitação e reduzida capacidade de proposta dos últimos dez anos, não se deveria esperar grandes novidades neste novo jamboree de Belém. De fato, o que eles mais produzem, efetivamente, é muita transpiração e pouca inspiração. Não cabe, talvez, sequer cobrar novas idéias, pois isto poderia deixá-los embaraçados.

Qual a viabilidade das utopias?

Mas, considerando-se que o papel dos grandes veículos de imprensa é o de não apenas reportar, mas também o de oferecer um "espaço de reflexão" – como sugerem os próprios antiglobalizadores –, não seria de se esperar um pouco mais de profundidade no tratamento do conteúdo que está sendo supostamente discutido? Afinal de contas, a concentração da atenção da mídia na cobertura do evento em si, em lugar de sua substância, representa uma perda de oportunidade de falar de coisas mais interessantes do que simplesmente reportar slogans simplistas. De fato, a agitação de alguns milhares de jovens pode não ser mais excitante, no plano das idéias, do que um congresso de dentistas ou de corretores de imóveis.

A pergunta que se deve fazer seria esta: o que, de fato, os antiglobalizadores têm a dizer de inteligente sobre o mundo atual e seus problemas? Onde está e como seria construído esse "outro mundo possível"? De que seria feita sua arquitetura? Ela seria capaz de se sustentar, no plano das relações econômicas concretas? Qual a viabilidade, finalmente, de suas utopias?.

Para leitura do artigo na íntegra, acessar o site:www.observatoriodaimprensa.com.br

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Mídia, Política e Cidadania na PB

Professores, jornalistas, marketeiros e outros profissionais envolvidos direta e indiretamente com o processo eleitoral na Paraíba se reuniram no último dia 19 em Campina Grande para participar do Simpósio Mídia, Política e Cidadania, promovido pela UEPB e a Faculdade Cesrei. Apesar de se tratar da primeira versão, o que naturalmente implica em algumas limitações de ordem estrutural, o evento já se revelou como um importante instrumento dialético voltado a uma discussão sobre as transformações porque passa o cenário político contemporâneo e de que maneira este fenômeno vem se configurando no contexto local.

Nesse sentido, nada mais oportuno do que reunir os diversos agentes sociais partícipes desse quadro, buscando através de uma discussão plural, se compreender melhor tal fenômeno que, diga-se de passagem, apresenta alguns aspectos um tanto assustadores. Foi o que fizeram, por exemplo, os convidados debatedores ao apresentarem uma análise acerca das duas temáticas sugeridas pela organização do evento: “ As Tendências e Perspectivas da Mídia e da Política na Paraíba”, e “A Cobertura Jornalística das Últimas Eleições Municipais em CG”. Além disso, também foi aberto espaço para apresentação de diversos estudos de pesquisa focados na relação existente entre a política e a mídia, relação esta que ocorre de maneira cada vez mais estreita, se tornado alvo constante de reflexões.

O resultado foi a apresentação de uma série de análises, ora divergentes, ora convergentes, mas que tinham em comum, a preocupação com os novos rumos da política no cenário local. Nesse contexto, como já era esperado, boa parte das discussões convergiu para o quadro lamentável da eleição ocorrida em Campina Grande, o qual, conforme ficou ressaltado nas falas dos diversos debatedores, muito mais que o fenômeno da espetacularização, ficou marcado pela escandalização. Trata-se de um traço que, como muito bem destacaram os analistas, ficou evidente nas estratégias de disputa eleitoral traçadas, sobretudo, pelos dois principais candidatos ao cargo do Poder Executivo Municipal, estratégias essas que, como toda a sociedade campinense testemunhou, não saíram do campo das baixarias, insultos e provocações, em detrimento do confronto salutar de propostas e idéias voltadas à implantação de medidas e políticas públicas.

No tocante à participação da mídia, as análises ficaram focada, de um lado, na censura sofrida pelos meios de comunicação por parte da Justiça Eleitoral que, como também ficou evidenciado, movida pela intenção de evitar qualquer tipo de abuso e infração por parte da mídia à legislação eleitoral, terminou pecando no que diz respeito ao sagrado exercício de liberdade de expressão. O outro enfoque apontou para a parcialidade explícita, porém, não assumida por parte dos grandes grupos de comunicação do Estado, os quais foram utilizados como uma extensão do horário político gratuito por cada um dos candidatos, com fins eleitoreiros.

Por fim, o evento chamou a atenção para a necessidade de um maior envolvimento da sociedade nesse quadro de transformação social, cujos efeitos, repercutem para todos os cidadãos em nome de quem a política deve continuar sendo o seu maior instrumento de democratização e desenvolvimento. Perder essa condição, portanto, é regredir e emergirmos na contra-mão da civilização, dando margens para a barbárie, o radicalismo e irracionalidade, coisas aliás, que mais caracterizam a última disputa eleitoral em CG, onde mais uma vez se fez necessária, a intervenção do Exército como garantia da ordem pública.

É nesse sentido, que o Simpósio Mídia, Política e Cidadania se configura como uma iniciativa para lá de oportuna, no intuito de resgatar o que ainda resta dos bons princípios que devem regir a política, sobretudo, convidando a todos (cidadãos e políticos) para uma discussão reflexiva. Evento, cuja proposta, é lançar as bases para a consolidação do Simpósio Internacional Mídia, Política e Cidadania, com a finalidade maior de fomentar, logo imediatamente a cada pleito eleitoral, a avaliação crítica por parte da comunidade acadêmica, profissionais de comunicação e outros segmentos da sociedade do papel da mídia na democracia contemporânea, .

E-mail para contato com a comissão organizadora: simposio.midia.politica.cidadania@gmail.com