Méritos políticos e celebrações a parte, a conquista da Presidência do Senado, pelo senador José Sarney, traz consigo uma suspeita nociva para a democracia brasileira. Trata-se do possível fortalecimento do chamado coronelismo eletrônico, termo este utilizado para explicar um fenômeno bastante particular, que é a utilização política de estações de rádio e de televisão por grupos familiares das elites políticas locais ou regionais.
Como se sabe, a família Sarney representa um dos mais escancarados casos desse novo tipo de manipulação política midiática. A família Sarney é proprietária de uma rede de veículos de mídia (além da TV Mirante, afiliada da Rede Globo, e do jornal), além da detenção de retransmissoras no interior e uma rede de rádios. Muito mais que uma concessão para a exploração comercial de difusão de informação e entretenimento, a família faz uso político desses veículos, ao arrepio da legislação, conforme observa a reportagem da Folha (a lei 4.117/62 proíbe uso de emissoras de TV para fins políticos).
Num dos trechos da reportagem, é reproduzido uma conversação entre o agora presidente do senado e um dos seus filhos, no qual este dá ordens para o uso político da TV que, diga-se de passagem, continua sendo o principal instrumento do coronelismo eletrônico, desde Chateaubriand. No trecho, Sarney pede para o filho colocar na TV uma matéria de interesse do grupo político dos Sarney. "Põe na TV. Manda botar o destino do dinheiro recebido", diz o pai, referindo-se a uma denúncia envolvendo Aderson Lago, primo do governador Jackson, que por sinal enfrenta na Justiça um processo que pode lhe custar o cargo e colocar no lugar a filha de Sarney, senadora Roseana (PMDB-MA). A reportagem da Folha, acentua uma preocupação maior por partes de toda a nação e mais ainda daqueles que lutam pela real democratização da comunicação no país, e pela existência de uma mídia livre, utopia que dificilmente deixará de existir...
A pergunta que permanece é: até que ponto essa tradição de coronelismo maranhense não irá fortalecer essa perversa tradição de jogo político que vigora no país há séculos e que fere em cheio a mais sagrada das leis humanas que é a democracia?. O tempo dirá...
Sejam Bem Vindo (a)!
Mostre que você não apenas é observado, mas também um observador da mídia...
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Midia Livre e os midialivristas do FMS
Assim como acontece com todo evento de grande proporção, o Fórum Mundial Social – que acontece em Belém do Pará, desde o dia 26 -, abraça uma série de outros eventos, gerando um grande mosaico de discussões variadas. Dentre esses está o Fórum de Mídia Livre, espaço voltado às discussões sobre os avanços desta categoria alternativa de comunicação também conhecida como midialivrismo. Em linhas gerais, se trata de mais um movimento criado em resistência e contraponto aos grupos hegemônicos da comunicação que centralizam e comandam os grandes fluxos de informação no mundo, a exemplo dos grupos Globo, Abril e Record, no caso do Brasil.
O evento reuniu dezenas de midialivristas de vários paises em torno de uma série de discussões sobre os avanços e desafios da democratização da comunicação - fenômeno central em torno do qual são construídos os discursos dos chamados midialivristas. A horizontalização dos meios de informação foi uma das temáticas defendidas por vários participantes no que diz respeito à democratização da informação na sociedade, uma forma de contraposição à verticalização e lógica mercantilista reinante na mídia tradicional.
Para os midialivristas, a crise econômica – principal tema discutido em todos os subgrupos do FMS – é vista com bons olhos. Eles acreditam que ela acentuou o questionamento em torno da ideologia neoliberal, e provocou uma crescente democratização dos meios de comunicação na América Latina e, de outro lado, um declínio dos meios dominantes que, para muitos, em grande parte, também são responsáveis pela tal crise econômica.
No tocante à opinião consensual depois das várias discussões levantadas acerca dos avanços e impecilhos da Midia Livre, os participantes defenderam a idéia de que só quando esta lutar de igual para igual contra os grandes conglomerados é que haverá uma verdadeira liberdade de expressão, devendo-se para isso apostar de forma incondicional na profissionalização e na articulação internacional dos movimentos sociais. Só dessa maneira, acreditam, é possível proporcionar uma oportunidade única para a propagação dos meios de informação alternativa, diz a declaração final dos participantes no Fórum da Mídia Livre, que foi objeto de críticas pela falta de propostas concretas.
Trata-se, sem sombra de dúvidas, de uma proposta muito promissora essa dos midialivristas. Resta-nos saber, até que ponto está sendo conduzida de maneira serena e estratégica, ou se não passa de mais um mero movimento de oba oba sem grandes frutos concretos que venham a consolidar esse que é um direito universal mas que até hoje continua sendo um dos mais contrariados, na prática: o direito à informação e à livre comunicação. Aliás, essa é uma suspeita já levantada dentro do próprio midialivrismo.....
O evento reuniu dezenas de midialivristas de vários paises em torno de uma série de discussões sobre os avanços e desafios da democratização da comunicação - fenômeno central em torno do qual são construídos os discursos dos chamados midialivristas. A horizontalização dos meios de informação foi uma das temáticas defendidas por vários participantes no que diz respeito à democratização da informação na sociedade, uma forma de contraposição à verticalização e lógica mercantilista reinante na mídia tradicional.
Para os midialivristas, a crise econômica – principal tema discutido em todos os subgrupos do FMS – é vista com bons olhos. Eles acreditam que ela acentuou o questionamento em torno da ideologia neoliberal, e provocou uma crescente democratização dos meios de comunicação na América Latina e, de outro lado, um declínio dos meios dominantes que, para muitos, em grande parte, também são responsáveis pela tal crise econômica.
No tocante à opinião consensual depois das várias discussões levantadas acerca dos avanços e impecilhos da Midia Livre, os participantes defenderam a idéia de que só quando esta lutar de igual para igual contra os grandes conglomerados é que haverá uma verdadeira liberdade de expressão, devendo-se para isso apostar de forma incondicional na profissionalização e na articulação internacional dos movimentos sociais. Só dessa maneira, acreditam, é possível proporcionar uma oportunidade única para a propagação dos meios de informação alternativa, diz a declaração final dos participantes no Fórum da Mídia Livre, que foi objeto de críticas pela falta de propostas concretas.
Trata-se, sem sombra de dúvidas, de uma proposta muito promissora essa dos midialivristas. Resta-nos saber, até que ponto está sendo conduzida de maneira serena e estratégica, ou se não passa de mais um mero movimento de oba oba sem grandes frutos concretos que venham a consolidar esse que é um direito universal mas que até hoje continua sendo um dos mais contrariados, na prática: o direito à informação e à livre comunicação. Aliás, essa é uma suspeita já levantada dentro do próprio midialivrismo.....
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
A mídia e o Fórum Social Mundial
O Brasil sediará, no período de 27 de janeiro a 1 de fevereiro próximo, um dos encontros internacionais mais polêmicos que acontecem anualmente no mundo. Trata-se do Fórum Social Mundial, que desta feita, acontecerá em BElém e que mais uma vez, promete atrair a atenção dos holofotes dos diversos grandes grupos midiáticos do mundo.
Pauta de discussão a parte, um dos elementos que já vêm sendo discutidos é a cobertura da mídia para este importante acontecimento que, apesar das duras críticas das quais vêm sendo alvo nos ultimos anos, ainda representa um dos poucos espaços democráticos de grande repercussão em que se discute de maneira crítica e dialeticamente, os problemas sociais decorrentes da política capitalista que governa o mundo.
Antenado com esta questão, o jornalista Paulo Roberto, escreveu um artigo comentando a participação das empresas jornalísticas no que diz respeito à divulgação desse evento, o qual reproduzimos, em parte, abaixo, como marco inicial desse blog para o ano novo que se inicia. Aproveitamos para desejar a todos os colegas internautas, um 2009 de muito êxito e sobretudo, consciência crítica acerca da atuação da mídia no mundo e em nossas vidas, esse cada vez mais marcante e decisivo instrumento sóciohistórico e também psíquicosocial. No que depender deste modesto espaço dialético, cuja proposta principal, é a de suscitar discussões a respeito deste fenômeno, nos tornando um pouco mais atentos às suas consequências em nossas mentes e cotidiano, nos esforçaremos para que este blog esteja a serviço desse propósito.
Segue abaixo, trechos do artigo, publicado no site do observatoriodaimprensa.
FÓRUM SOCIAL MUNDIAL
Uma outra mídia seria possível?
Por Paulo Roberto de Almeida em 20/1/2009
Aproximando-se mais um piquenique anual dos antiglobalizadores, desta vez com sabores amazônicos – em Belém do Pará, de 27 de janeiro a 1º de fevereiro de 2009 – e alguns toques indigenistas, pode-se perguntar se, adotando o slogan preferido desse heteróclito e surrealista movimento, não estaríamos também precisando de uma outra mídia, ou pelo menos de uma imprensa capaz de tratar da substância, não da superfície, desses animados encontros anuais.
Desde os anos 1990, quando começaram as ruidosas manifestações dos antiglobalizadores, a imprensa acompanha zelosamente esses caóticos encontros, como é obviamente seu dever. São, assim, reportados o número de participantes, as marchas que eles empreendem, a presença de algumas vedetes da antiglobalização internacional e, eventualmente, até um pouco do que se discutiu nesses encontros.
O que se registra menos, contudo, é o que esses alternativos da globalização têm a dizer de concreto sobre os problemas do mundo ao qual se referem. A impressão que se tem, da leitura dessas matérias, é a de que a imprensa não alimenta o mesmo cuidado que tem com o aspecto externo desses encontros quando se trata de comentar as propostas ou a plataforma de seus organizadores, indagando, por exemplo, se elas guardam alguma coerência com suas motivações.
Muita transpiração, pouca inspiração
De fato, existe até a preocupação da mídia em registrar o que dizem os antiglobalizadores, mas pouco em comentar se o que eles dizem guarda relação com a realidade do mundo concreto. De minha experiência com a cobertura atenta desses eventos, ao longo dos últimos dez anos, observei que o que os antiglobalizadores mais produzem, na verdade, é o próprio movimento, e não exatamente propostas concretas: eles certamente quebram muitas vitrines, queimam alguns carros, mas jamais conseguem dizer em que, exatamente, consistiria o "outro mundo possível", sempre prometido, mas nunca explicitado. Será que a imprensa não tem a obrigação de cobrar-lhes essa falta de coerência?
A julgar pela intensa agitação e reduzida capacidade de proposta dos últimos dez anos, não se deveria esperar grandes novidades neste novo jamboree de Belém. De fato, o que eles mais produzem, efetivamente, é muita transpiração e pouca inspiração. Não cabe, talvez, sequer cobrar novas idéias, pois isto poderia deixá-los embaraçados.
Qual a viabilidade das utopias?
Mas, considerando-se que o papel dos grandes veículos de imprensa é o de não apenas reportar, mas também o de oferecer um "espaço de reflexão" – como sugerem os próprios antiglobalizadores –, não seria de se esperar um pouco mais de profundidade no tratamento do conteúdo que está sendo supostamente discutido? Afinal de contas, a concentração da atenção da mídia na cobertura do evento em si, em lugar de sua substância, representa uma perda de oportunidade de falar de coisas mais interessantes do que simplesmente reportar slogans simplistas. De fato, a agitação de alguns milhares de jovens pode não ser mais excitante, no plano das idéias, do que um congresso de dentistas ou de corretores de imóveis.
A pergunta que se deve fazer seria esta: o que, de fato, os antiglobalizadores têm a dizer de inteligente sobre o mundo atual e seus problemas? Onde está e como seria construído esse "outro mundo possível"? De que seria feita sua arquitetura? Ela seria capaz de se sustentar, no plano das relações econômicas concretas? Qual a viabilidade, finalmente, de suas utopias?.
Para leitura do artigo na íntegra, acessar o site:www.observatoriodaimprensa.com.br
O Brasil sediará, no período de 27 de janeiro a 1 de fevereiro próximo, um dos encontros internacionais mais polêmicos que acontecem anualmente no mundo. Trata-se do Fórum Social Mundial, que desta feita, acontecerá em BElém e que mais uma vez, promete atrair a atenção dos holofotes dos diversos grandes grupos midiáticos do mundo.
Pauta de discussão a parte, um dos elementos que já vêm sendo discutidos é a cobertura da mídia para este importante acontecimento que, apesar das duras críticas das quais vêm sendo alvo nos ultimos anos, ainda representa um dos poucos espaços democráticos de grande repercussão em que se discute de maneira crítica e dialeticamente, os problemas sociais decorrentes da política capitalista que governa o mundo.
Antenado com esta questão, o jornalista Paulo Roberto, escreveu um artigo comentando a participação das empresas jornalísticas no que diz respeito à divulgação desse evento, o qual reproduzimos, em parte, abaixo, como marco inicial desse blog para o ano novo que se inicia. Aproveitamos para desejar a todos os colegas internautas, um 2009 de muito êxito e sobretudo, consciência crítica acerca da atuação da mídia no mundo e em nossas vidas, esse cada vez mais marcante e decisivo instrumento sóciohistórico e também psíquicosocial. No que depender deste modesto espaço dialético, cuja proposta principal, é a de suscitar discussões a respeito deste fenômeno, nos tornando um pouco mais atentos às suas consequências em nossas mentes e cotidiano, nos esforçaremos para que este blog esteja a serviço desse propósito.
Segue abaixo, trechos do artigo, publicado no site do observatoriodaimprensa.
FÓRUM SOCIAL MUNDIAL
Uma outra mídia seria possível?
Por Paulo Roberto de Almeida em 20/1/2009
Aproximando-se mais um piquenique anual dos antiglobalizadores, desta vez com sabores amazônicos – em Belém do Pará, de 27 de janeiro a 1º de fevereiro de 2009 – e alguns toques indigenistas, pode-se perguntar se, adotando o slogan preferido desse heteróclito e surrealista movimento, não estaríamos também precisando de uma outra mídia, ou pelo menos de uma imprensa capaz de tratar da substância, não da superfície, desses animados encontros anuais.
Desde os anos 1990, quando começaram as ruidosas manifestações dos antiglobalizadores, a imprensa acompanha zelosamente esses caóticos encontros, como é obviamente seu dever. São, assim, reportados o número de participantes, as marchas que eles empreendem, a presença de algumas vedetes da antiglobalização internacional e, eventualmente, até um pouco do que se discutiu nesses encontros.
O que se registra menos, contudo, é o que esses alternativos da globalização têm a dizer de concreto sobre os problemas do mundo ao qual se referem. A impressão que se tem, da leitura dessas matérias, é a de que a imprensa não alimenta o mesmo cuidado que tem com o aspecto externo desses encontros quando se trata de comentar as propostas ou a plataforma de seus organizadores, indagando, por exemplo, se elas guardam alguma coerência com suas motivações.
Muita transpiração, pouca inspiração
De fato, existe até a preocupação da mídia em registrar o que dizem os antiglobalizadores, mas pouco em comentar se o que eles dizem guarda relação com a realidade do mundo concreto. De minha experiência com a cobertura atenta desses eventos, ao longo dos últimos dez anos, observei que o que os antiglobalizadores mais produzem, na verdade, é o próprio movimento, e não exatamente propostas concretas: eles certamente quebram muitas vitrines, queimam alguns carros, mas jamais conseguem dizer em que, exatamente, consistiria o "outro mundo possível", sempre prometido, mas nunca explicitado. Será que a imprensa não tem a obrigação de cobrar-lhes essa falta de coerência?
A julgar pela intensa agitação e reduzida capacidade de proposta dos últimos dez anos, não se deveria esperar grandes novidades neste novo jamboree de Belém. De fato, o que eles mais produzem, efetivamente, é muita transpiração e pouca inspiração. Não cabe, talvez, sequer cobrar novas idéias, pois isto poderia deixá-los embaraçados.
Qual a viabilidade das utopias?
Mas, considerando-se que o papel dos grandes veículos de imprensa é o de não apenas reportar, mas também o de oferecer um "espaço de reflexão" – como sugerem os próprios antiglobalizadores –, não seria de se esperar um pouco mais de profundidade no tratamento do conteúdo que está sendo supostamente discutido? Afinal de contas, a concentração da atenção da mídia na cobertura do evento em si, em lugar de sua substância, representa uma perda de oportunidade de falar de coisas mais interessantes do que simplesmente reportar slogans simplistas. De fato, a agitação de alguns milhares de jovens pode não ser mais excitante, no plano das idéias, do que um congresso de dentistas ou de corretores de imóveis.
A pergunta que se deve fazer seria esta: o que, de fato, os antiglobalizadores têm a dizer de inteligente sobre o mundo atual e seus problemas? Onde está e como seria construído esse "outro mundo possível"? De que seria feita sua arquitetura? Ela seria capaz de se sustentar, no plano das relações econômicas concretas? Qual a viabilidade, finalmente, de suas utopias?.
Para leitura do artigo na íntegra, acessar o site:www.observatoriodaimprensa.com.br
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Mídia, Política e Cidadania na PB
Professores, jornalistas, marketeiros e outros profissionais envolvidos direta e indiretamente com o processo eleitoral na Paraíba se reuniram no último dia 19 em Campina Grande para participar do Simpósio Mídia, Política e Cidadania, promovido pela UEPB e a Faculdade Cesrei. Apesar de se tratar da primeira versão, o que naturalmente implica em algumas limitações de ordem estrutural, o evento já se revelou como um importante instrumento dialético voltado a uma discussão sobre as transformações porque passa o cenário político contemporâneo e de que maneira este fenômeno vem se configurando no contexto local.
Nesse sentido, nada mais oportuno do que reunir os diversos agentes sociais partícipes desse quadro, buscando através de uma discussão plural, se compreender melhor tal fenômeno que, diga-se de passagem, apresenta alguns aspectos um tanto assustadores. Foi o que fizeram, por exemplo, os convidados debatedores ao apresentarem uma análise acerca das duas temáticas sugeridas pela organização do evento: “ As Tendências e Perspectivas da Mídia e da Política na Paraíba”, e “A Cobertura Jornalística das Últimas Eleições Municipais em CG”. Além disso, também foi aberto espaço para apresentação de diversos estudos de pesquisa focados na relação existente entre a política e a mídia, relação esta que ocorre de maneira cada vez mais estreita, se tornado alvo constante de reflexões.
O resultado foi a apresentação de uma série de análises, ora divergentes, ora convergentes, mas que tinham em comum, a preocupação com os novos rumos da política no cenário local. Nesse contexto, como já era esperado, boa parte das discussões convergiu para o quadro lamentável da eleição ocorrida em Campina Grande, o qual, conforme ficou ressaltado nas falas dos diversos debatedores, muito mais que o fenômeno da espetacularização, ficou marcado pela escandalização. Trata-se de um traço que, como muito bem destacaram os analistas, ficou evidente nas estratégias de disputa eleitoral traçadas, sobretudo, pelos dois principais candidatos ao cargo do Poder Executivo Municipal, estratégias essas que, como toda a sociedade campinense testemunhou, não saíram do campo das baixarias, insultos e provocações, em detrimento do confronto salutar de propostas e idéias voltadas à implantação de medidas e políticas públicas.
No tocante à participação da mídia, as análises ficaram focada, de um lado, na censura sofrida pelos meios de comunicação por parte da Justiça Eleitoral que, como também ficou evidenciado, movida pela intenção de evitar qualquer tipo de abuso e infração por parte da mídia à legislação eleitoral, terminou pecando no que diz respeito ao sagrado exercício de liberdade de expressão. O outro enfoque apontou para a parcialidade explícita, porém, não assumida por parte dos grandes grupos de comunicação do Estado, os quais foram utilizados como uma extensão do horário político gratuito por cada um dos candidatos, com fins eleitoreiros.
Por fim, o evento chamou a atenção para a necessidade de um maior envolvimento da sociedade nesse quadro de transformação social, cujos efeitos, repercutem para todos os cidadãos em nome de quem a política deve continuar sendo o seu maior instrumento de democratização e desenvolvimento. Perder essa condição, portanto, é regredir e emergirmos na contra-mão da civilização, dando margens para a barbárie, o radicalismo e irracionalidade, coisas aliás, que mais caracterizam a última disputa eleitoral em CG, onde mais uma vez se fez necessária, a intervenção do Exército como garantia da ordem pública.
É nesse sentido, que o Simpósio Mídia, Política e Cidadania se configura como uma iniciativa para lá de oportuna, no intuito de resgatar o que ainda resta dos bons princípios que devem regir a política, sobretudo, convidando a todos (cidadãos e políticos) para uma discussão reflexiva. Evento, cuja proposta, é lançar as bases para a consolidação do Simpósio Internacional Mídia, Política e Cidadania, com a finalidade maior de fomentar, logo imediatamente a cada pleito eleitoral, a avaliação crítica por parte da comunidade acadêmica, profissionais de comunicação e outros segmentos da sociedade do papel da mídia na democracia contemporânea, .
E-mail para contato com a comissão organizadora: simposio.midia.politica.cidadania@gmail.com
Nesse sentido, nada mais oportuno do que reunir os diversos agentes sociais partícipes desse quadro, buscando através de uma discussão plural, se compreender melhor tal fenômeno que, diga-se de passagem, apresenta alguns aspectos um tanto assustadores. Foi o que fizeram, por exemplo, os convidados debatedores ao apresentarem uma análise acerca das duas temáticas sugeridas pela organização do evento: “ As Tendências e Perspectivas da Mídia e da Política na Paraíba”, e “A Cobertura Jornalística das Últimas Eleições Municipais em CG”. Além disso, também foi aberto espaço para apresentação de diversos estudos de pesquisa focados na relação existente entre a política e a mídia, relação esta que ocorre de maneira cada vez mais estreita, se tornado alvo constante de reflexões.
O resultado foi a apresentação de uma série de análises, ora divergentes, ora convergentes, mas que tinham em comum, a preocupação com os novos rumos da política no cenário local. Nesse contexto, como já era esperado, boa parte das discussões convergiu para o quadro lamentável da eleição ocorrida em Campina Grande, o qual, conforme ficou ressaltado nas falas dos diversos debatedores, muito mais que o fenômeno da espetacularização, ficou marcado pela escandalização. Trata-se de um traço que, como muito bem destacaram os analistas, ficou evidente nas estratégias de disputa eleitoral traçadas, sobretudo, pelos dois principais candidatos ao cargo do Poder Executivo Municipal, estratégias essas que, como toda a sociedade campinense testemunhou, não saíram do campo das baixarias, insultos e provocações, em detrimento do confronto salutar de propostas e idéias voltadas à implantação de medidas e políticas públicas.
No tocante à participação da mídia, as análises ficaram focada, de um lado, na censura sofrida pelos meios de comunicação por parte da Justiça Eleitoral que, como também ficou evidenciado, movida pela intenção de evitar qualquer tipo de abuso e infração por parte da mídia à legislação eleitoral, terminou pecando no que diz respeito ao sagrado exercício de liberdade de expressão. O outro enfoque apontou para a parcialidade explícita, porém, não assumida por parte dos grandes grupos de comunicação do Estado, os quais foram utilizados como uma extensão do horário político gratuito por cada um dos candidatos, com fins eleitoreiros.
Por fim, o evento chamou a atenção para a necessidade de um maior envolvimento da sociedade nesse quadro de transformação social, cujos efeitos, repercutem para todos os cidadãos em nome de quem a política deve continuar sendo o seu maior instrumento de democratização e desenvolvimento. Perder essa condição, portanto, é regredir e emergirmos na contra-mão da civilização, dando margens para a barbárie, o radicalismo e irracionalidade, coisas aliás, que mais caracterizam a última disputa eleitoral em CG, onde mais uma vez se fez necessária, a intervenção do Exército como garantia da ordem pública.
É nesse sentido, que o Simpósio Mídia, Política e Cidadania se configura como uma iniciativa para lá de oportuna, no intuito de resgatar o que ainda resta dos bons princípios que devem regir a política, sobretudo, convidando a todos (cidadãos e políticos) para uma discussão reflexiva. Evento, cuja proposta, é lançar as bases para a consolidação do Simpósio Internacional Mídia, Política e Cidadania, com a finalidade maior de fomentar, logo imediatamente a cada pleito eleitoral, a avaliação crítica por parte da comunidade acadêmica, profissionais de comunicação e outros segmentos da sociedade do papel da mídia na democracia contemporânea, .
E-mail para contato com a comissão organizadora: simposio.midia.politica.cidadania@gmail.com
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
A mídia e a milionária indústria de indenização
Duas notícias veiculadas esta semana nos jornais e sites de notícias envolvendo dois artistas do show business trazem de volta ao cenário midiático, a discussão sobre a milionária indústria de indenização que sempre permeia as celebridades. Uma delas dava conta de que o deputado e apresentador Clodovil ganhou uma ação na justiça contra a Rede TV e que está prestes a ganhar a quantia de R$ 1 milhão. O apresentador acusa a Tv de ter o demito sem justa causa.
A outra notícia diz respeito a um processo que está sendo movido pela 'Rainha dos Baixinhos” Xuxa (que, diga-se de passagem, de infantil, não tem nada) contra o jornal institucional da Igreja Universal do Reino de Deus acusada de haver noticiado uma matéria na qual é afirmado que a apresentadora teria feito um pacto com o dito cujo, ou seja, o diabo, em outras palavras, a maior fonte de renda da respectiva igreja (não é a toa que seu nome é muito mais propagado dentro da igreja que o do próprio Deus). Xuxa pede a bagatela no valor de 3 milhões por difamação.
Ambos os casos reforçam o quanto a chamada indústria da indenização vale para o bolso das celebridades que, apesar de se exporem à opinião pública, não levam para casa todo tipo de insulto. Por outro lado, este fato revela o valor da vitrine midiática, razão pela qual tanto se disputa os famigerados 15 segundos de fama...
A outra notícia diz respeito a um processo que está sendo movido pela 'Rainha dos Baixinhos” Xuxa (que, diga-se de passagem, de infantil, não tem nada) contra o jornal institucional da Igreja Universal do Reino de Deus acusada de haver noticiado uma matéria na qual é afirmado que a apresentadora teria feito um pacto com o dito cujo, ou seja, o diabo, em outras palavras, a maior fonte de renda da respectiva igreja (não é a toa que seu nome é muito mais propagado dentro da igreja que o do próprio Deus). Xuxa pede a bagatela no valor de 3 milhões por difamação.
Ambos os casos reforçam o quanto a chamada indústria da indenização vale para o bolso das celebridades que, apesar de se exporem à opinião pública, não levam para casa todo tipo de insulto. Por outro lado, este fato revela o valor da vitrine midiática, razão pela qual tanto se disputa os famigerados 15 segundos de fama...
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
As 10 lições da disputa eleitoral em CG
A acirrada disputa eleitoral municipal chegou ao fim neste domingo, 26, encerrando um embate político-partidário que certamente ficará registrado na história da vida política da Rainha da Borborema, como um dos episódios mais conturbados e ao mesmo tempo revelador. A disputa, que entrou na reta final em clima de duelo entre os dois candidatos – Veneziano (PMDB) e Rômulo Gouveia (PSDB)-, chegou ao fim, deixando uma série de lições a serem refletidas por todos os cidadãos campinenses. Enumeremos aqui algumas dessas:
1 – Que, de fato, como asseguram os próprios cientistas políticos, a política é uma ciência extremamente complexa e inexata e que obedece a lógicas que a própria razão desconhece;
2 – Que o poder exercido pelo dinheiro sobre as pessoas é considerável, porém, não decisivo em se tratando de uma disputa eleitoral;
3 – Que a indústria do denuncismo e a central do boataria enquanto estratégia de campanha eleitoral, deve ser repensada urgentemente pelos marketeiros políticos;
4 – Que, como já demonstram vários resultados de eleições em todo o mundo, o poder de influência da mídia não é um fator decisivo, contrariando o que pensam alguns conglomerados midiáticos atrelados a grupos políticos;
5 – Que as adesões repentinas e oportunista de correligionários de uma coligação para outra em plena campanha, não se traduz em transferência de votos, mas sim em mera covardia e falta de espírito político;
6 – Que, apesar de se revelar um instrumento extremamente fértil para se alcançar à massa, o apelo às emoções quando exagerado, é sinônimo de subestimação da capacidade racional do eleitorado;
7 – Que os resultados de pesquisas de intenção de votos, quase sempre erram, mas também (paradoxalmente) quase sempre acertam;
8 - Que a compra de votos enquanto estratégia eleitoral é uma faca de ‘dois gumes’ e que neste sentido, pode cortar à própria carne;
9- Que a articulação em torno da concentração de forças correligionárias adversas, nem sempre representa fortalecimento partidário;
10 – Por fim, que apesar de se tratar de um campo minado por todos os lados pela falta de ética e escrúpulo advindos da maioria de seus militantes, a política nem sempre responde à esta realidade, deixando ecoar no final, a soberana vontade do povo!.
E que venham às próximas eleições com suas sábias lições resultante da participação democrática... Avante Campina!!!
1 – Que, de fato, como asseguram os próprios cientistas políticos, a política é uma ciência extremamente complexa e inexata e que obedece a lógicas que a própria razão desconhece;
2 – Que o poder exercido pelo dinheiro sobre as pessoas é considerável, porém, não decisivo em se tratando de uma disputa eleitoral;
3 – Que a indústria do denuncismo e a central do boataria enquanto estratégia de campanha eleitoral, deve ser repensada urgentemente pelos marketeiros políticos;
4 – Que, como já demonstram vários resultados de eleições em todo o mundo, o poder de influência da mídia não é um fator decisivo, contrariando o que pensam alguns conglomerados midiáticos atrelados a grupos políticos;
5 – Que as adesões repentinas e oportunista de correligionários de uma coligação para outra em plena campanha, não se traduz em transferência de votos, mas sim em mera covardia e falta de espírito político;
6 – Que, apesar de se revelar um instrumento extremamente fértil para se alcançar à massa, o apelo às emoções quando exagerado, é sinônimo de subestimação da capacidade racional do eleitorado;
7 – Que os resultados de pesquisas de intenção de votos, quase sempre erram, mas também (paradoxalmente) quase sempre acertam;
8 - Que a compra de votos enquanto estratégia eleitoral é uma faca de ‘dois gumes’ e que neste sentido, pode cortar à própria carne;
9- Que a articulação em torno da concentração de forças correligionárias adversas, nem sempre representa fortalecimento partidário;
10 – Por fim, que apesar de se tratar de um campo minado por todos os lados pela falta de ética e escrúpulo advindos da maioria de seus militantes, a política nem sempre responde à esta realidade, deixando ecoar no final, a soberana vontade do povo!.
E que venham às próximas eleições com suas sábias lições resultante da participação democrática... Avante Campina!!!
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
CASO ELOÁ E A ESPETACULARIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA NA TV
A ampla cobertura da mídia e, em especial das redes de televisão abertas, sobre o polêmico caso do seqüestro de Santo André, ratificou, de um lado,o badalado avanço do fenômeno da espetacularização na chamada sociedade da informação – o qual ao que parece por mais que
não queiramos, somos forçados a destacar neste espaço- e de outro, a tendência do jornalismo televisivo para o espetáculo midiático. Trata-se, como percebemos, de uma receita perfeita para uma 'deliciosa' audiência ao vivo e a cores...
Mas, apesar de termos muito sobre o que falar acerca desse fato cada vez mais escancarado aos nossos olhos que realmente, conforme ressaltam os diversos estudiosos da espetaculairzação, parecem estar cada vez mais viciados por novos espetáculos, preferimos reproduzir,
abaixo, o comentário feito por Ana Maria Paterson, publicado no Observatório da Imprensa, o qual ao lermos, constatamos que diz tudo aquilo que gostaríamos de escrever e compartilhar com os diletos amigos internautas. O comentário sugere uma auto-crítica por parte do papel desempenhado pela mídia mediante o caso em questão e, em particular, ao modos operandi da imprensa que, conforme descreve a autora do texto em consonância com vários outros estudiosos da práxi jornalística contemporânea, parece estar deixando de lado alguns dos princípios apregoados no próprio código deontológico da profissão jornalista. Segue abaixo, o referido texto:
*A mídia e o seqüestro de Santo André
Por que a imprensa tem tanta dificuldade em fazer autocrítica? É claro que essa pergunta não me surgiu hoje, mas o que me fez escrever foi o papel da imprensa no seqüestro da estudante Eloá Cristina Pimentel. Na segunda-feira (13/10), o Brasil recebeu a notícia de que um rapaz
de 22 anos estava fazendo refém sua ex-namorada, de 15 anos. Foram inúmeras reportagens sobre Lindemberg Fernandes Alves, um rapaz trabalhador, que não bebe, não fuma, tem dois empregos para ajudar a família.
Com o passar das horas, o rapaz foi sendo narrado como um criminoso seqüestrador desequilibrado. Diante disso, uma gama de profissionais passou a ser entrevistada: psiquiatras, advogados, especialistas em segurança, psicólogos, criminalistas foram submetidos a perguntas do tipo "o que o rapaz estava pensando quando entrou no apartamento?", "qual o objetivo dele ao colocar uma camisa do São Paulo na janela?". E por aí ia um festival de sandices.
No segundo dia, o rapaz falou com uma emissora de TV e o espetáculo ficou mais dantesco quando apresentadores José Luiz Datena e Sonia Abraão chegaram a bater boca no ar para decidir quem tinha a equipe de reportagem mais competente, quem fazia um jornalismo mais ético. É possível?
A partir daí, entrevistados, apresentadores, pastores passaram a falar com o rapaz por intermédio da televisão. Ao mesmo tempo, vários comentaristas de segurança (nova denominação para repórter policial) começaram a repetir a seguinte frase "este rapaz está fazendo um passeio pelo Código Penal", enquanto outros estimaram a pena dele em
40 anos.
Considerando que no contato telefônico o rapaz deixou muito claro que seu maior medo era ir para prisão e levar tiros, segundo suas próprias palavras, não seria uma questão ética evitar comentários sobre a punição que ele iria sofrer ao sair de lá? Era de conhecimento de
todos que ele estava assistindo televisão e ouvindo tudo. Não seria prudente evitar esse tipo de comentário com o objetivo garantir o sucesso da operação? Em relação à imprensa, qualquer questionamento de seu papel nisso tudo é respondido pela seguinte frase: "Estamos fazendo nosso trabalho".
Vocês acreditam que é possível fazer jornalismo nos meios?
* Texto publicado por Por Ana Maria Peterson Silva em 18/10/2008, no
www.observatoriodaimprensa.com.br
não queiramos, somos forçados a destacar neste espaço- e de outro, a tendência do jornalismo televisivo para o espetáculo midiático. Trata-se, como percebemos, de uma receita perfeita para uma 'deliciosa' audiência ao vivo e a cores...
Mas, apesar de termos muito sobre o que falar acerca desse fato cada vez mais escancarado aos nossos olhos que realmente, conforme ressaltam os diversos estudiosos da espetaculairzação, parecem estar cada vez mais viciados por novos espetáculos, preferimos reproduzir,
abaixo, o comentário feito por Ana Maria Paterson, publicado no Observatório da Imprensa, o qual ao lermos, constatamos que diz tudo aquilo que gostaríamos de escrever e compartilhar com os diletos amigos internautas. O comentário sugere uma auto-crítica por parte do papel desempenhado pela mídia mediante o caso em questão e, em particular, ao modos operandi da imprensa que, conforme descreve a autora do texto em consonância com vários outros estudiosos da práxi jornalística contemporânea, parece estar deixando de lado alguns dos princípios apregoados no próprio código deontológico da profissão jornalista. Segue abaixo, o referido texto:
*A mídia e o seqüestro de Santo André
Por que a imprensa tem tanta dificuldade em fazer autocrítica? É claro que essa pergunta não me surgiu hoje, mas o que me fez escrever foi o papel da imprensa no seqüestro da estudante Eloá Cristina Pimentel. Na segunda-feira (13/10), o Brasil recebeu a notícia de que um rapaz
de 22 anos estava fazendo refém sua ex-namorada, de 15 anos. Foram inúmeras reportagens sobre Lindemberg Fernandes Alves, um rapaz trabalhador, que não bebe, não fuma, tem dois empregos para ajudar a família.
Com o passar das horas, o rapaz foi sendo narrado como um criminoso seqüestrador desequilibrado. Diante disso, uma gama de profissionais passou a ser entrevistada: psiquiatras, advogados, especialistas em segurança, psicólogos, criminalistas foram submetidos a perguntas do tipo "o que o rapaz estava pensando quando entrou no apartamento?", "qual o objetivo dele ao colocar uma camisa do São Paulo na janela?". E por aí ia um festival de sandices.
No segundo dia, o rapaz falou com uma emissora de TV e o espetáculo ficou mais dantesco quando apresentadores José Luiz Datena e Sonia Abraão chegaram a bater boca no ar para decidir quem tinha a equipe de reportagem mais competente, quem fazia um jornalismo mais ético. É possível?
A partir daí, entrevistados, apresentadores, pastores passaram a falar com o rapaz por intermédio da televisão. Ao mesmo tempo, vários comentaristas de segurança (nova denominação para repórter policial) começaram a repetir a seguinte frase "este rapaz está fazendo um passeio pelo Código Penal", enquanto outros estimaram a pena dele em
40 anos.
Considerando que no contato telefônico o rapaz deixou muito claro que seu maior medo era ir para prisão e levar tiros, segundo suas próprias palavras, não seria uma questão ética evitar comentários sobre a punição que ele iria sofrer ao sair de lá? Era de conhecimento de
todos que ele estava assistindo televisão e ouvindo tudo. Não seria prudente evitar esse tipo de comentário com o objetivo garantir o sucesso da operação? Em relação à imprensa, qualquer questionamento de seu papel nisso tudo é respondido pela seguinte frase: "Estamos fazendo nosso trabalho".
Vocês acreditam que é possível fazer jornalismo nos meios?
* Texto publicado por Por Ana Maria Peterson Silva em 18/10/2008, no
www.observatoriodaimprensa.com.br
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